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Mostrando postagens de março, 2026

O sol

O sol   Em Abril o sol é mais feliz São muitas horas de sol Os teus olhos são a luz dos dias Há cegonhas esguias Que chocam os ovos nos ninhos, quentes No silêncio de um céu transparente As praias estão cheias de gente Tu és o culpado desta enchente Mas alguns vão na corrente O mar podia ser mais prudente Já que as pessoas nem sempre o são A culpa é toda tua! Quando aqueces, as pessoas esquecem-se Que o mar é muito perigoso Só pensam em refrescar-se O que lhes dá muito gozo   Tanto faz ser jovem, como idoso Mas, tu oh sol radioso! Que és tão sensato e bondoso Não permitas que o mar seja tão manhoso Que leve as pessoas ao engodo Não aqueças, quando vires que o mar está perigoso Vais ver que deixamos de ver, todos os anos, esta mortandade De pessoas, ainda, na juventude da idade Que deixam tantas saudades E causam tanta tristeza e dor Porque a vida não tem preço, mas tem muito valor.   José Silva Costa  

A candeia!

A candeia!                                           Candeia que vai à frente alumia duas vezes Nem sempre apanhamos a carruagem na devida altura Quase sempre corremos atrás do prejuízo Governar não é só gerir o presente, é também planear, antecipar Muito se protestou e barafustou por termos a eletricidade muito cara Por termos de subsidiar as energias renováveis, nas quais, em boa hora, apostámos Hoje, estamos bem posicionados, para produzirmos energia limpa, para o nosso consumo Sem precisarmos de queimar, seja o que for, que por muito limpo, liberta gases Sempre fui e serei contra a energia nuclear que, por muito barata que seja, para além do perigo da radioatividade, não sabemos o que fazer aos resíduos Tudo o que é barato sai caro! Temos de continuar a investir na produção de energia renovável, uma produção nacional, sem dependermos de importações, nem retaliações Em 2024, produzimos 71% do nosso consumo de eletricidade, com origem em fontes de energia renovável Ainda faltam 30%, ...

A candeia!

A candeia!                                            Candeia que vai à frente alumia duas vezes Nem sempre apanhamos a carruagem na devida altura Quase sempre corremos atrás do prejuízo Governar não é só gerir o presente, é também planear, antecipar Muito se protestou e barafustou por termos a eletricidade muito cara Por termos de subsidiar as energias renováveis , nas quais, em boa hora, apostámos Hoje, estamos bem posicionados, para produzirmos energia limpa, para o nosso consumo Sem precisarmos de queimar, seja o que for, que por muito limpo, liberta gases Sempre fui e serei contra a energia nuclear que, por muito barata que seja, para além do perigo da radioatividade , não sabemos o que fazer aos resíduos Tudo o que é barato sai caro! Temos de continuar a ...

Sereno luar!

Sereno luar Que nos levas a descansar No silêncio da noite No escuro que nos ajuda a namorar Sem que a luz nos possa incomodar Nem os pássaros possam piar A noite é um sossegado mar Onde, em nuvens, podemos sonhar Todo o mundo percorrer Ir e voltar, coisas que só a noite nos permite fazer Sem sequer nos mexermos Descobrir todos os mistérios Revelar todos os segredos Construir milhões de enredos Mas, de manhã, quando acordamos Verificamos que tudo se sumiu por entre os dedos.   José Silva Costa     Sereno

RTP

28/03/2026 RTP Este governo, desde que entrou em funções, que tenta acabar com a estação pública, como não conseguiu privatiza-la, agora quer asfixia-la financeiramente   Como não lida bem com a liberdade e os jornalistas não se têm deixado intimidar, fazendo um jornalismo de independência e de verdade, só lhes resta fechá-la, fazendo com que perca qualidade, para que os telespectadores não se indignem com o seu fecho Como reagiriam os ministros, os deputados, os presidentes de Câmara e Juntas de Freguesia, se lhes pedissem para baixarem os ordenados, quando a inflação está galopar? Todos os governos têm tentado controlá-la, mas este quer acabar com ela, para que não noticie os seus atropelos às leis, para que não divulgue o que de pior se passa no país. A RTP não está sujeita às ordens de nenhum patrão, o que faz com que possa fazer um serviço público de qualidade, indispensável à democracia, o que incomoda muita gente Este governo quer alterar as regras de acesso ao Ensino Superior, ...

Fios de

Fios de ouro!   Longos são os dias de verão Cheios de raios dourados a escorrerem pelas montanhas Vindos de um sol transpirado, ofegante, à procura do mar Cansado de bronzear todos os corpos, que procuram o seu perfume Ávidos de calor, de cor, de encanto, de brilho, de tudo o que seja amor Os sonhos de verão estão a terminar, nem todos se concretizarão Mas, o sol continua a beijar as esplanadas onde colocamos os sonhos a amadurecer Longas são as horas de meditação, a ver o mar, a saborear o sabor a sal À espera de um olhar, de um beijo salgado da cor do mar, de um abraço que nos consiga acordar É assim o verão, um tempo de descanso, de reflexão, de calor, de sorrir, de descontrair Até de a sexta dormir, para fugir às ondas de calor que nos estão a afligir Depois, é tirar partido de toda a envolvência, da camaradagem da tarde e da noite Das noites tropicais, que se agarram aos cais, dormem nos veleiros, nos braços dos arrais No colo das velas, no silêncio da noite, dormem as luas amarel...

A semente!

A semente   Nas asas do teu sonho, deito o meu olhar Juntos estamos mais perto de voar Nos teus braços sinto-me como no mar No vai e vem das tuas ondas, quero-me deitar Não deixes o nosso barco naufragar Enquanto saboreio este instante, que quero perpetuar Não podemos deixar que os nossos sonhos se afoguem no ar Juntos vamos lutar para os concretizar Nas nossas mãos temos o futuro e o presente A esperança que há no teu olhar não o desmente Juntos vamos fecundar uma semente Que nos vai fazer sorrir diariamente Vamos passar a viver em função da sua alegria Vai-nos ocupar noite e dia Tudo, na esperança de que um dia sorria E, depois de muitos meses, calada, a ouvir, para aprender a falar Acorde, solte a língua e diga: Mãe! Pai! Palavras de apenas três letras que, de alegria, nos fazem chorar Sentimo-nos compensados de todas as canseiras, de todas as noites mal dormidas É uma sensação que só conseguimos sentir, quando somos pais.   José Silva Costa      

O Império

158 O Império português era muito grande, abrangia todo o mundo, durou muitos séculos, um feito, levado acabo, por um pequeno país, associado à Igreja Católica, tomou conta do mundo O Rei sentia-se orgulhoso por, no seu Império, o sol nunca se pôr, e achava ser natural os povos querem pertencer à sua Coroa, todos gostam da companhia dos grandes, dos fortes, dos importantes, dos famosos Na sua opinião, para que se mantivesse o seu poderio era preciso diversificar as fontes do rendimento, porque sem dinheiro não conseguiria manter o seu enorme Império Assim, decidiu responder, imediatamente, ao Xavier, atender todos os seus pedidos, dizendo-lhe que tinha criado uma exceção, para que os dois jovens de Angola pudessem estudar em Coimbra, esperando que esse gesto contribuísse para o engrandecimento e riqueza da Colónia Na Cooperativa, na altura das colheitas, a azáfama era muito grande, todos os produtos tinham de ser devidamente pesados, armazenados, contabilizados, para que cada agri...

O Amor!

O amor   Ardes no fogo da ilusão Numa constante combustão O amor é fogo que arde no coração Ninguém lhe resiste! Não. É mais forte que um vulcão É mais forte a sua erupção Não expele pedras nem lavas Expele lágrimas sagadas Que saram todas as feridas Pelas erupções, provocadas Queimas e curas tudo! Aceleras ou atrasas o futuro Fazes rodopiar o Entrudo Não tens cura! Podes até ser uma saudável doença Provocar uma vida intensa Festejamos a tua presença Respeitamos a tua sentença Podemos morrer, quando és doença Mas tu és a mais bonita esperança Aquele que nos abraça e dança Quando, dentro de nós, avança.   José Silva Costa          

As cores!

  As cores   As cores Pintam as   flores Que bonitas cores! Vestem as árvores No outono Antes de perderem as folhas Para atapetarem as alamedas São as cores dos amores Quentes e brilhantes São as preferidas dos amantes Nas noites radiantes Quando se cruzam nos horizontes Dos beijos sonantes Que os unem aos sonhos das cores Quando dormem como flores Na cama perfumada da lua-de-mel .   José Silva Costa      

Lisboa!

Lisboa!   Moura encantada Saia rodada Bebe o sol da madrugada Na Madragoa É esta a minha Lisboa Feiticeira, namoradeira Um manjerico num vão de escada Uma sardinheira numa sacada Dois dedos de conversa Na porta de entrada Uma varina apressada No cais da Ribeira Um pregão que se ouve na Lisboa inteira Num banco de jardim, um magala e uma sopeira Namoram a tarde inteira Já foram à feira Popular Estão a ver o tempo a passar Aproxima-se a noite Têm de se despedir Ele tem de ir para o quartel Ela tem de ir servir o jantar.       Fada, namorada, em cada canto, em cada escada A ver nascer o sol na madrugada Nos braços do mundo, por todos é admirada, por todos é beijada  Estrela mimada, feiticeira, namoradeira, a atrair gente de todo o lado  Num abraço encantado, vai ouvir o fado O horizonte, por cima do monte, estrelado Sobe a colina, saia rodada, como se fosse uma varina No rescaldo da noitada, bebe o sol e vai para a madragoa É o sol que Lisboa abençoa Uma gaivota voava, voava à procura dum...

Primavera!

Primavera Acordo com o chilrear da passarada Fervilha o amor na madrugada saudada As aves levantam-se cedo, nesta temporada Com os ninhos construídos, é tempo de galar a namorada Para que os ovos sejam as sementes da nova ninhada Os campos são jardins floridos, com os ninhos na fachada Há um perfume intenso, à espera do sol, que brilha à sua chegada É o esplendor do nascimento de mais uma madrugada A Natureza está linda, chora e ri, está bem regada! Muito gosta de estar bem lavada! Depois da longa noite de Inverno ensonada Na fria espera de que o sol vá subindo até aquecer a terra, amada Um tempo parado, corpos hibernados, uma vida desesperada Que só muda com o calor da manhã anunciada É por isso, que a Primavera é tão adorada É de todas as estações a mais beijada Alegre, sorridente, airosa, bonita perfumada.   José Silva Costa          

O Abraço!

O Abraço O abraço, um amistoso cumprimento Quando nos abraçamos sentimos o pulsar do coração Um aperto que deixa uma grata recordação O abraço torna-nos íntimos Não abraçamos toda a gente Só abraçamos quem sente Ou quem a amizade consente O abraço é a fala da mente É passar para o outro um amor diferente É ver o corpo sorridente É mergulhar numa alegria transparente É abraçar e voltar a abraçar novamente É repartir com quem está ausente É o, mais trocado, presente É pão, é paz, é semente É flor incandescente É um ato consciente É o perfume que alimenta a mente No passado, no futuro, no presente Com este abraço cumprimento toda a gente Agradeço, ter- me convidado, a Daniela Para passar um dia na casa dela Um grande abraço para ela.   José Silva Costa      

O Império

O Império     -     As teias que o Império teceu 157 As maçarocas do milho chamavam a atenção de quem passava pelas lavras do Asdrubal, pelo seu comprimento e o tamanho do grão, se calhasse um deles ou ambos estarem por perto, os passeantes perguntavam-lhes como é que tinham conseguido aquela maravilhosa ceara A resposta era sempre a mesma, diziam que a tinham regado com lágrimas salgadas e beijos doces, mostrando estarem muito apaixonados Da ceara de milho já o resultado estava bem á vista, o mesmo não podiam dizer das plantações de amendoim e batata-doce, cujo resultado só se veria, quando fossem arrancadas  Fosse como fosse, com a do milho já tinham brilhado e dado de que falar, mostrando que o trabalho e a dedicação tinham dado bom pão, muita alegria e boa reputação, como convém a todos, mas principalmente a quem vem de fora e na comunidade se quer integrar Entretanto, as naus da carreira da Índia atracaram no porto de Luanda, com destino a Lisboa, nas quais seguiriam as info...

Mãe!

2024, Mãe! Mãe! Que palavra tão doce Que colo, abrigo Que beijos, que paz Sempre que sonho contigo Quanto brincas-te comigo? Que mãe tão amorosa Nos teus verdes dezoito anos Os teus peitos eram duas bonitas rosas Onde saciava a minha fome O que uma mãe sofre! Amamentar os filhos até aos dois anos Com medo que passassem fome Em terra de muita miséria De senhas de racionamento Por causa da guerra Malditas guerras, sempre as guerras a atormentarem-nos Uma maldição, a roubar-nos o pão e a vida Respeitem as mães, que vos criaram, com tanto carinho Não lhes matem os filhos, em disputas perdidas Para satisfazerem as vossas ambições desmedidas Que ganhais com tanta destruição? Arrasando toda a habitação, construída com o coração Minando todos os campos, que davam o pão.   José Silva Costa        

Vento!

Vento Invisível vento Quantas vezes te defendo Dizendo, que também tens o teu assento Mas tudo o que é de mais não presta É o que, sempre, ouvi dizer Mas não sei se vou continuar a fazê-lo É que já estou pelos cabelos! Mesmo sem te ver Não sei se és gordo, magro, bonito ou feio Já não aguento mais os teus empurrões e atropelos Levas tudo à frente Quem não tiver boas raízes não se sustem Tu tanto praticas o mal, como o bem E, não olhas a quem Parcialidade insubmissa! É essa a tua justiça? E, quando matas tudo, até os sonhos Como é que essa justiça fica? Não respondes É o que todos fazem Quando praticam atrocidades Quando tudo matam e destroem cidades.   José Silva Costa          

A Planície

A Planície   No Outono, o vento despe as árvores E acorda a planície. As primeiras chuvas incendeiam-na. O seu ventre fica ávido de semente Encharcada de fios de vida. Recebe os grãos de trigo com a alegria Da suavidade dos dias de Outono.   Dos regos da calejada mão do semeador Os grãos de trigo atiram-se ao solo Rolam-se no colo quente da terra Agradecem a manta vertente Com que os tapa a charrua.   Os grãos lançam raízes na geada Os caules crescem como espadas Apontadas ao sol das cumeadas Suportam as espigas douradas Apinhadas de grãos de oiro O Alentejo é um tesoiro.       José Silva Costa  

Futuro!

05/07/20   Que futuro! No calor do Verão, cozes o pão Tens a vida em suspensão Sem saberes o que vai acontecer Se a empresa vai ou não fechar Ninguém sabe com o que contar Esta pandemia veio-nos desafiar E tu continuas determinada A aproveitá-la para uma nova caminhada Não ficaste três meses confinada Para que tudo fique na mesma: sem nada A mesma tristeza, a mesma pobreza, a mesma incerteza Queres aproveitar para o Mundo mudar Dizes que alguém tem de começar, não podemos mais esperar! Não queres mais correrias sem sentido, para um trabalho vazio Queres fazer qualquer coisa que seja útil, em que te sintas realizada No futuro, não queres continuar a fazer coisas que não servem para nada Quando há tanta falta de coisas indispensáveis, para toda a gente Queres correr atrás de um sonho! Então, tens de o fazer agora, enquanto as pernas correm Para o, poderes agarrar Porque com os anos, as pernas começam a pedir para descansar E, os sonhos vão morrendo devagar.   José Silva Costa        

A guerra

O Mundo em guerra Não posso calar a revolta Que me metralha a memória De dia, de noite, a toda a hora O ecrã da televisão ensanguentado  A encharcar-me os olhos Com imagens de corpos a fumegar Como se fossem tições a arder Nas explosões que os despedaçam Que fazem o coração chorar  E o corpo estremecer Um poço de sangue a escorrer Do montão de corpos a desfalecer: A vida a morrer. Não, não posso mais ver! O, que no Mundo está a acontecer: As crianças, as mulheres e os homens a arder. Parem, para ver o que estão a fazer. Tanta violência, tanta vingança Que matam qualquer esperança No sorriso de mudança À imploração Dos olhos espantados de criança A condenarem A atitude dos adultos, na matança Como se a vida Não fosse feita de amor e confiança E os beijos de intolerância Não disparassem Ódios, fermentados nos séculos De opressão Infringida aos mais fracos Pela ânsia de exploração Quando o que se esperaria Era ajuda, carinho e aliança.   José Silva Costa    

Os anos

Os anos   Por cada um  que passa Na subida, têm graça Na descida embaça Cada um com a sua raça Festejado com euforia Por quê tanta alegria? Se a quantidade mata E ninguém escapa Porque a tirania dos dias Enruga os ossos Pinta os cabelos Fecha os olhos O que eles nos fazem! E, o que nós fazemos com eles? Tantas asneiras Nas ladeiras Nas eiras Nas maneiras Nas feiras Em todo o lado Até no sobrado Esse local De onde olhamos para trás Num balanço final E já não os sabemos contar.           José Silva Costa          

Cheias!

Cheias   No primeiro dia não podiam chegar atrasadas Pagaram com as suas vidas A ganância, a corrupção Na triste madrugada Zibia e Sara levadas pela enxurrada Na estrada inundada Corria uma ribeira murada Sem leito, nem margens Só lhe restava a estrada A ribeira corria magoada No aperto, apertada, galgou a estrada As irmãs estavam excitadas com a desenfreada construção Autorizada nos leitos dos rios Quem responde por sucessivas calamidades? Deixaram cinco órfãos Que triste sorte A chuva trouxe a morte Mais uma vez,  outra, e outra Não temos emenda Continuamos a votar em corruptos Para presidentes de Câmara, e não só.   José Silva Costa  

O Império

O Império    -     As teias que o Império teceu 156 O Manuel, com a ajuda as suas muito dedicadas empregadas, tudo fez para que as filhas sentissem o menos possível a falta da mãe, mas não foi fácil fazer de pai e de mãe, cada um tem a sua função e ninguém consegue fazer as duas, por muito que se esforce Quem se esforçava, para que as novidades chegassem ao Rei, era o Xavier. Mas, as comunicações eram muito demoradas, não havia nenhuma carreira direta entre Luanda e Lisboa, a Colónia era servida pela carreira da Índia, que se efetuava uma ou duas vezes por ano, Assim, a Milay e o Afonso viam chegar o dia de saberem se iriam ou não estudar para Coimbra O Roberto estava feliz por eles terem oportunidade de continuarem os estudo, e aproveitava para lembrar, aos que o seguiam, que era preciso muito trabalho e dedicação, para se ser admitido na mais prestigiada Universidade do Reino, e ele bem o sabia, porque tinha lá estudado O facto de ter estudado em Coimbra, contribuía para ser vis...

Armas de destruição maciça

Armas de destruição maciça   12 de julho de 2004   Sucumbem no ar ardente Nos grãos de areia quente Jovens na flor da vida Tingem a areia ferida. Ai Bagdad invadida Que tirania te tirou a vida?   Medicamentos por petróleo Imposição carregada de ódio Por quem representa o Mundo Mascarando amor profundo Matando um povo moribundo Com um embargo desumano.   Ai Iraque cobiçado Pelo petróleo amaldiçoado Por um tirano torturado. O mundo levado ao engano Pelo ambicioso americano Para te roubar o tutano. Nações Unidas Votando embargos urdidos Pelos Estados Unidos Para vergarem o povo unido Sem petróleo vendido Viver! Não lhe é permitido. As civilizações ocidentais Defendendo liberdades vitais Vendo os iraquianos morrendo Sem medicamentos nos hospitais Choram lágrimas de crocodilo Só pensam no petróleo, nada mais. O mundo munido Levou o tirano de vencido Destruiu um país antigo Castigou o seu povo Não consegue consertar o ovo Que partiu sem consentimento.     José Silva Costa       

Sintra!

SINTRA   Um sorriso para os olhos Perfume para os sentidos Uma fonte para a sede Paraíso na Terra esculpido Com princesas no sentido E namorados a segredar ao ouvido Os rumores das frescas fontes Levados pelo mourejar das águas Que beijam as pontes E sonham com mares nos horizontes Pintados por juras de amantes Deitados em lençóis de lua cheia Que a romântica cama estreia E a bela serra incendeia Na Regaleira, Monserrate ou Capuchos. Enfeitados com Colares Os colos de quem a passeia  Fazem de Sintra uma sereia A espreguiçar-se nas ondas No bronze das suas praias Onde as beldades se despem de vaidades Na nudez das novidades Contam com o brilho do sol Para se guindarem a estrelas Das construções na areia No mar não há mulher feia.   José Silva Costa  

2008

2008: O último   Lentamente, vamos deixando as nuvens, em breve aterraremos. Este foi o último ano em que pudemos sonhar. Não é mais possível acreditar nos sonhos, que nos impingiam. Ter uma casa de sonho, carro de alta gama, férias na mais bela cama. Até aqui era só apresentar o cartão de crédito, e tudo se conseguia. Mas acabado o Verão, soprou o tufão, e o castelo de areia desmoronou-se. Bancos falidos, fábricas de automóveis fechadas, e o trânsito reduzido nas estradas. Vivíamos” naquele engano ledo e cego, que a fortuna não deixa durar muito.” Era um sufoco, telefonemas de todos os Bancos, cheques, cartões de crédito, milhares de Euros, era só gastar, pois o magro ordenado não dava para tudo pagar. Mas para atamancar, pagava-se um crédito com outro, até esgotarmos todos os cartões com que nos tinham encharcado. Agora, vêem-nos dizer que devemos dois anos de ordenados, não são eles os culpados? Entretiveram-se a criar produtos, virtuais, cada vez mais proveitosos, lucros fabulosos,...

2008

  2008 : O último   Lentamente, vamos deixando as nuvens, em breve aterraremos. Este foi o último ano em que pudemos sonhar. Não é mais possível acreditar nos sonhos, que nos impingiam. Ter uma casa de sonho, carro de alta gama, férias na mais bela cama. Até aqui era só apresentar o cartão de crédito , e tudo se conseguia. Mas acabado o Verão, soprou o tufão, e o castelo de areia desmoronou-se. Bancos falidos , fábricas de automóveis fechadas , e o trânsito reduzido nas estradas. Vivíamos” naquele engano ledo e cego, que a fortuna não deixa durar muito.” Era um sufoco, telefonemas de todos os Bancos, cheques, cartões de crédito, milhares de Euros, era só gastar, pois o magro ordenado não dava para tudo pagar. Mas para atamancar, pagava-se um crédito com outro, até esgotarmos todos os cartões com que nos tinham encharcado. Agora, vêem-nos dizer que devemos dois anos de ordenados, não são eles os culpados? Entretiveram-se a criar produtos, virtuais, cad...

"O Estado do Mundo"

  Minha adorada língua portuguesa, Contigo expresso-me com nobreza. Abraço o Mundo inteiro, com a certeza, De seres falada, nos cinco Continentes, com clareza.     “ O Estado do Mundo ”     O mundo tão conturbado e abatido, Com tanto medo, das novas pestes de que está envolvido. Com o ar muito poluído , por causa de um desenvolvimento sem sentido. As crianças, esfomeadas , procuram abrigo, Não sabem ler, nem escrever, e, ignoram o perigo. O Mundo, sempre, do mesmo tamanho, cada vez, é em menos tempo percorrido. Mas a fome e o analfabetismo , nem por isso, têm diminuído. Os ricos, cada vez mais ricos, desperdiçam o que aos pobres falta.   Ai, quanto eu gostava que fosses diferente Que houvesse saúde pão trabalho para toda a gente Que todos tivessem casa família e a alegria De verem uma planície florida De papoilas vermelhas e espigas douradas em Maio De rios de águas límpidas onde me debruçava E a sede matava n...

"O Estado do Mundo"

Minha adorada língua portuguesa, Contigo expresso-me com nobreza. Abraço o Mundo inteiro, com a certeza, De seres falada, nos cinco Continentes, com clareza.     “O Estado do Mundo”     O mundo tão conturbado e abatido, Com tanto medo, das novas pestes de que está envolvido. Com o ar muito poluído, por causa de um desenvolvimento sem sentido. As crianças, esfomeadas, procuram abrigo, Não sabem ler, nem escrever, e, ignoram o perigo. O Mundo, sempre, do mesmo tamanho, cada vez, é em menos tempo percorrido. Mas a fome e o analfabetismo, nem por isso, têm diminuído. Os ricos, cada vez mais ricos, desperdiçam o que aos pobres falta.   Ai, quanto eu gostava que fosses diferente Que houvesse saúde pão trabalho para toda a gente Que todos tivessem casa família e a alegria De verem uma planície florida De papoilas vermelhas e espigas douradas em Maio De rios de águas límpidas onde me debruçava E a sede matava na água pura, que os peixes banhava E o ar! Dava gosto respirá-lo, cheirava a poejos ...

O Império

 O Império   -    As teias que o Império teceu 155 O Xavier sabia como era difícil o acesso à Universidade, mas não podia dececionar toda aquela gente, que acorreu à assembleia geral, para reivindicarem melhor e mais educação para os seus filhos. Por isso, foi-lhes dizendo que ia fazer chegar ao Rei, todas as preocupações com a educação dos seus filhos, e que ele, certamente, as iria atender A Marina não perdeu tempo e apresentou-lhe a candidata e o candidato a ingressarem na Universidade mais famosa do Reino: a Universidade de Coimbra Tratava-se da Milay, filha da Mité e do Leopoldo, e do Afonso, seu primo, nascido em Coimbra, quando a Marina e Roberto, lá estudavam, na Universidade O Governador deu-lhes os parabéns, por se terem preparado, para frequentarem a Universidade, e desejou-lhes boa sorte Estavam todos expectantes sobre o que o Xavier conseguiria, para melhorar a vida dos povos angolanos   De tudo o que vira, o que mais o tinha impressionado tinham sido as aulas do Roberto, ...

As palavras

As palavras   As palavras andam de boca em boca, à procura do amor São muitas, umas mais doces outras mais azedas Umas mais novas, outras mais velhas As mais novas saltitam entre as mais velhas Numa sinfonia de sons e cores Na esperança de entrarem, num livro, num jornal, num telejornal Na boca de um autor, de um comediante, de um locutor Os poetas e os escritores penteiam-lhes os longos cabelos Fazem-lhes bonitas tranças e colocam-lhes flores, nos cabelos Mas, não contentes, cortam-lhes o cabelo e fazem-lhes permanentes Pintam-lhes as sobrancelhas, os olhos e a boca, uma rotina louca Mas, mesmo depois de tantas transformações, ainda não estão ao seu sabor Beijam-nas na testa, na face, na boca, nos seios Depois de tantos devaneios Procuram que transmitam: amor, alegria, esperança, calor Mas também, ódio, raiva, desilusão, ingratidão, dor Todas querem estar na ribalta, no escaparate Não as conseguem utilizar todas! Algumas, por mais voltas que lhes deem, não as conseguem fazer rimar Mas...