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Mostrando postagens de dezembro, 2020

2020

2020 Quiseste ser diferente Quiseste incomodar toda agente Quiseste assustar o Mundo Quiseste alterar tudo, a fundo Quiseste matar meio mundo Quiseste, os idosos, levar contigo Impuseste-nos um grande castigo Andar de máscara, não beijar, nem abraçar Nem um aperto de mãos podemos dar! Quanto mais tempo é que isto vai durar? O que nos vale é que vais acabar Não há mal que sempre dure, nem bem que sempre perdure!   Um Feliz e Próspero Ano Novo para todos.   José Silva Costa              

Estradas

Camiões   A estirpe inglesa O vírus, o acordo da saída do Reino Unido da União Europeia, jogos políticos que tudo bloqueiam Entre a Inglaterra e a França, no canal da mancha, quilómetros de camiões parados, destinos adiados Consoada gelada, dentro dos camiões, na autoestrada Parece que alguém anda a brincar com a rapaziada  Que anda uma vida inteira a engolir estrada As pistas, dum aeroporto, transformadas em “parque de camiões” Autoestradas de camiões por essa Europa fora, a poluírem-na Não seria preferível transportar as mercadorias, entre países, por caminho-de-ferro? Utilizando os camiões só entre a fábrica e o caminho-de-ferro, e este e os clientes Acabando com o inferno das autoestradas de camiões, nas autoestradas da Europa Que esta pandemia nos traga um novo dia Construam linhas férreas de alta velocidade, para passageiros e mercadorias, na Europa Para reduzirem a poluição de aviões e camiões Não falam todos os dias em descarbonização! Mãos à obra. José Silva Costa             ...

Os olhos

Olhos   Na pandemia destes dias Os teus olhos são guias Com a boca e o nariz tapados São os teus olhos que sobressaem Que falam e te representam Nesse foco que entra por mim dentro Que me iluminam a todo o momento Olhos da luz do firmamento Que me embalam noite dentro Baloiços do tempo Que advinham o meu pensamento Que são a minha luz e o meu sustento São tão lindos os teus olhos! No escuro desta pandemia, ainda brilham mais A máscara veio-lhes dar, ainda, mais realce No triste confinamento São as mais belas flores ao vento Livres como pássaros que pousam em todo o lado O seu encandeamento é o um fado.   José Silva Costa      

Natal diferente

Natal diferente   Um Natal diferente Sem filhos, nem netos Cada um nos seus tetos Sem beijos nem afetos Não é tão cedo que voltamos aos projetos Porque temos medo dos contactos Quase nos arrepiamos quando nos tocamos Quando voltarmos a podermos tocar Vamos ter de nos adaptar Porque este medo vai continuar Havemos, muitas vezes, de hesitar A ponto de nos fazer recuar Com receio de que o vírus nos possa infetar Esta pandemia vai levar muito tempo a passar Não acredito em milagres Só a ciência nos poderá salvar Até lá, as máscaras e as distâncias vão-nos acompanhar Por muito dura que seja a sobrevivência Procuraremos, sempre, adaptarmos Tem sido assim ao longo dos séculos E assim, esperamos que continue a ser   José Silva Costa            

A estrela

A estrela Chegou a Estrela da esperança Escoltada Gelada Por todos, aguardada Há muito desejada Hoje, vai começar a ser administrada Tanta esperança, nela, depositada Foram muitos os esforços Para que visse a luz do dia Muitos parabéns aos Cientistas Por mais esta conquista Que a esperança resista Porque a luz parece estar a chegar Só temos de saber esperar Em breve, começam a chamar-nos Para a vacina levar Depois é aguardar Que tudo comece a resultar Para que esta pandemia desapareça E a alegria apareça.   José Silva Costa            

A Sentença

As mazelas da guerra Continuação A sentença Uns três meses depois fui nomeado para servir no Ultramar, nos termos da alínea c/ art.3º Dec. nº 48937 de 1960, com destino à Região Militar de Angola Naquele momento, Angola era, dos três teatros de guerra, como gostam de dizer, o menos perigoso Estava traçado o nosso destino. Foram criadas duas Companhias. Recebemos os soldados para lhes darmos a especialidade e embarcarmos Todos os dias calçada da Ajuda acima e abaixo, de Monsanto ou para Monsanto, onde eram ensinadas as táticas de combate. No Regimento de Lanceiros 2, onde estava instalada a Polícia Militar, tínhamos a pista de obstáculos No Quartel da Serra da Carregueira fizemos fogo real, na Fonte da Telha, mais uns dias de preparação, onde um rapaz, da zona de Viseu, levou sabão para se lavar no mar, e os outros se riram. Mais um que, infelizmente, nunca tinha visto o mar, com se fossemos um país com pouco mar! A seguir fomos para a Serra da Arrábida. Ficámos adstritos ao Regimento d...

Presente diferente

A Consoada Chegou o Natal Um dia sem igual Este ano, infelizmente, os avós não podem estar presentes Para partilharem a felicidade dos netos, no ato de abrirem as prendas Nos outros anos, também eles se sentiam crianças Ao verem a alegria, que só o Natal cria! A magia que, neste dia, invade o Mundo As novas tecnologias conseguem recuperar um pouco dessa magia Para os mais idosos é fantasia Falta o calor, que só o contato físico consegue transmitir O resto parece que é tudo a fingir Mas, este ano, a prenda desejada é outra! Uma vacina que faça com que nos voltemos a abraçar e beijar Prendas inúteis, ninguém parece desejar Este vírus veio nos mostrar Quão frágeis continuamos a ser Mesmo que tenhamos conseguido fantásticas conquistas  Mas continua a haver tanto por fazer! Acabar com a fome, as guerras, e um abraço Universal ver   José Silva Costa      

Ai o Natal

Fiquem em casa Aproxima-se o Natal Um Natal, em casa, fechado Por todo o Mundo, o confinamento é recomendado Na Europa fecham-se fronteiras, proíbem-se voos As infeções aumentam por todo o lado Os mortos não param de aumentar Os Governantes estão alarmados Não sabem o que fazer Com receio de perderem votos Não proibiram as deslocações Pedem às famílias para não se reunirem Para abrirem portas e janelas, mesmo que esteja um frio de rachar Para só tirarem as máscaras, para comerem Para ficarem pouco tempo à mesa Ao que isto chega! Para manterem as distâncias Enviam mensagens para os telemóveis Rezam para que tudo corra bem Na passagem de ano, puxão o travão de mão Só espero que não seja tudo em vão Acatem as recomendações  Feliz Natal, para todos!   José Silva Costa            

"Passeio"

As mazelas da guerra Continuação  O “passeio” a Almeirim Aos sábados, para aquecermos, para irmos de fim-de-semana, fazíamos um passeio, em passo de corrida, a Almeirim Uma manhã, andávamos a marchar nas ruas da cidade de Santarém, passámos por um instruendo do curso de Oficiais Milicianos, que estava parado, em cima duma corda, entre duas árvores, sem conseguir sair dali. Passámos por ele duas vezes, na última, uma velhota parou, virou-se para o instrutor e gritou, com plenos pulmões: “ anda uma mãe a criar um filho, para isto”! ?  No rio Tejo, tínhamos de atravessá-lo numa jangada feita de dois bidons e um estrado de madeira, utilizando dois remos. Uns tempos antes de ir para Santarém, dois militares foram rio abaixo, devido a uma enxurrada, faleceram. Havia também um sítio onde tínhamos de rastejar com todo o cuidado, porque se nos baixássemos bebíamos a água, se nos levantássemos demasiado, o arame farpado riscava-nos os costados Outro dos exercícios era patrulharmos as povoações, ...

O Consumismo

Natal O Natal tornou-se, numa data, só comercial Fomo-nos esquecendo do acontecimento, que deu origem à celebração Uma data tão Fraternal! Como outra não há igual Mas o consumismo veio-nos infernizar a vida Quantas pessoas já vi angustiadas, por não terem dinheiro para as prendas! Como se o Natal fosse uma troca de prendas No frenesim das compras, cumprimentam-se com lábios brilhantes Trocam palavras doces, como flores No Natal, como em todos os dias, desejo a todos, saúde e amor Como prenda, dou-vos as minhas simples palavras Que tanto gostava, fossem capazes de afugentarem a dor Já chega de indiferença Neste Natal, faça a diferença Procure que este seja a nascença Do novo Homem que não, só em si, pensa. José Silva Costa                      

Bissexto

O Mundo O Mundo sempre foi conturbado Ódios, amores, flores, rancores Cada um a defender o seu quinhão Muralhas, castelos, fossos, fortes Cruzadas, guerras, religiões, multidões Inquisições, fogueiras, livros, explosões Medos, castigos, infernos, mutilações Uma forma de amedrontar os vilões Fomes, convoluções, êxodos, milagre Migrações, emigração, terra prometida Procurando levar a fome de vencida Na procura de melhores condições de vida Dentro do mesmo Continente Em Continentes diferentes Ninguém para as gentes Que não consentem tantas desigualdades Vidas paradas, por guerras Políticos que passam o tempo a contar votos Que não se importam com os mortos Tantos séculos tortos! Mas chegou o século vinte e um Que alguma coisa mudou As igrejas pediram perdão às crianças E os escuteiros, também Cinema, produtores, tenores, acabou a impunidade Acabaram-se os favores O racismo, essa praga sem fim! Levou à interrupção de um jogo de futebol Que só, no dia seguinte, o final foi possível ver O 20...

11, de Dezembro

11, de Dezembro Tornaste-te, num dia, inesquecível! Deste-me uma Rosa encantada Há muito desejada Foi em Dezembro, a sua chegada Linda, encantadora, pura e perfumada Muito frio, neve e geada Prenda de Natal, para sempre, antecipada   Estrela brilhante a anunciar o Natal Meu anjo encantado, meu futuro Por ti, chorei e ri, perto e longe Quando voltei, a mais bela flor sorria   O serviço militar roubou nos o convívio Dos teus radiosos, primeiros, quatro anos Guerra, palavra mais negra e trágica Levaste-me, em flor, para longe do amor Tanto calor, tantas saudades, tantas crueldades Longos anos, meses, dias, minutos. Tanta dor!   José Silva Costa    

Segunda dose

As mazelas da guerra Continuação Segunda dose Esperava ir para os serviços auxiliares, para me livrar da frente de combate, mas como dizem na minha terra: “ quem não tem padrinhos morre mouro” No dia seguinte fui ao Regimento de Infantaria nº5, nas Caldas da Rainha, entregar a farda Em Julho de 1968 fui novamente para as Caldas da Rainha, para fazer a recruta O que mais receávamos era que nos cortassem o fim-de-semana. À sexta-feira tínhamos de fazer limpeza à caserna, e as casas de banho tinham de estar a brilhar, utilizámos canivetes e outros materiais para limparmos sanitas, torneiras… Tudo tinha de estar impecável, quando o Comandante fosse passar a revista A justificação era de que tínhamos de saber fazer, para podermos exigir aos soldados Ao Sábado, pouco antes do meio-dia formávamos na parada, para nos autorizarem a ir de fim-de-semana Num dos Sábados, estivemos quase uma hora formados na parada, sem sabermos o que se passava, até que aos altifalantes disseram: “ falta uma arma,...

Escrita

Almodôvar Almodôvar, palavra tão doce e quente Branquinha e árabe Quantos séculos tens? Ninguém sabe Concelho tão antigo, sem idade Já foste romana e árabe Não és cidade És branca, perfumada, redondinha Tu és uma rainha As tuas ruas são uma encruzilhada Onde tantos povos encontraram guarida Tu és uma terra dourada Já tiveste uma mata célebre e secular Ainda tens muitos rebanhos Já tiveste muito gado do ar És ponto de encontro De quem vive Além-Tejo No Museu da Escrita do Sudoeste.   José Silva Costa    

Terceiro Milénio

Março de 2003   Terceiro ano e milénio O Mundo está tão conturbado e abatido Com tanto medo das novas pestes em que está envolvido Com o ar muito poluído, por causa dum desenvolvimento sem sentido As crianças esfomeadas procuram abrigo Não sabem ler, nem escrever, ignoram o juízo O Mundo, colorido, com a internet, em pouco tempo é percorrido O Mundo, do mesmo tamanho, está cada vez mais reduzido Em português, abraço o Mundo inteiro Falar português é abraçar o Mundo, beijar a alma portuguesa Oito países amigos, numa língua, unidos Por todo o Mundo distribuídos Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Brasil, Moçambique, Timor Leste, Portugal, São Tomé e Príncipe  O Mundo bem poderia ser um lugar de alegria, com amor, que bom seria! Com trabalho, pão, habitação, educação, tínhamos um Mundo são, sem eles não Terceiro milénio, com todo o nosso génio, vivemos com medo Viajo no espaço com petróleo e aço, a fome mata as crianças, nada faço Com tanta sabedoria, recorro à alquimia, para curar a pneumo...

A Ética Republicana!

A Ética Republicana!   O dinheiro da chamada bazuca, ainda não chegou Mas já fez correr tanta tinta Nova legislação, mais agilização, para, no dinheiro, por a mão Simplificar, para todo o dinheiro poder gastar, sem que ninguém o possa controlar Procedimentos, menos documentos, nada de impedimentos, porque temos de gastar tanto dinheiro em tão pouco tempo Desde que aprovaram esta lei (PS/PSD) caiu o Carmo e a Trindade, e com razão, não se devem fazer leis sob pressão, à pressa, para os € encantar Foram estas as palavras: Simplificar e agilizar procedimentos, que fizeram a lei parar, em Belém Chegou antes de tempo, ainda não estamos no Natal, não aconteceu o milagre Foi devolvida à procedência, para a ética republicana, respeitar.   José Silva Costa  

O princípio

As Mazelas da Guerra   Continua   O princípio Assentei praça em julho de 1967, No Regimento de Infantaria nº 5, nas Caldas da Rainha Na 3ª semana de instrução, no sábado, o nosso Alferes  estava ausente, quase a acabar a instrução, apareceu um Alferes a mandar-nos transpor alguns obstáculos, num deles, rachei o  calcanhar, fui para a enfermaria, mas na radiocospia não detetaram nada, fiquei todo contente Queria era ir de fim-de-semana, para casa, entrei no autocarro que nos levava para o Campo das Cebolas, em Lisboa Quando saí do autocarro, já não conseguia andar, apanhei um táxi, que me levou para a Rua da Paz, onde vivia o meu cunhado, irmão da minha mulher Subi as escadas até ao 4º andar de gatas, telefonei para aminha mulher, que foi ter comigo Passámos ali o fim-de-semana, no domingo à tarde apresentei-me no Hospital Militar, mas disseram-me para me ir apresentar no anexo, um espaço criado para receber todo o horror que chegava das três frentes de combate, um pouco mais escondido ...