Postagens

Mostrando postagens de setembro, 2021

Formosura

Formosura O branco do teu roupão Deixa ver como a tua mão O abre para ver o peito romã Com dois ímanes apontados ao céu Que o roupão não consegue tapar Dos quais não consigo desviar o olhar Que navega por esse mar Que separa os dois cumes Por mais que queira descer Pelas tuas torneadas pernas Os meus olhos estão sempre Nos teus seios a embater Por mais que queira ver Os teus bonitos olhos a navegar Os teus peitos é que atraem o meu olhar Mesmo quando te estou a beijar Os meus olhos, o que querem É os teus seios destapar Mesmo com os teus lábios de encantar É no teu colo que me quero deitar Não vale a pena pintarem os olhos e os lábios Porque o que nos hipnotiza são as duas bonitas romãs A quererem saltar dos soutiens Colocarem pestanas postiças Pintarem os cabelos e unhas de gel Porque o tempo e a água tudo desbota Só os seios se mantêm ao natural Mesmo que percam alguma elasticidade Serão, sempre, a atração principal. José Silva Costa          

Saber

Saber de ti   O que a tua estrela não diz Quanto quis! Descobrir o que está por detrás do verniz Da tua felicidade feliz No teu cariz Senhora do seu nariz Enigmática no que diz Inteligente! Admirada por muita gente Muito atraente Como descobrir o que sente! Se não consigo entrar na sua mente Sempre alegre e contente A simplicidade presente Olhos de quem não mente Uma mulher diferente Excelente semente Uma flor florescente Uma formosa rosa Uma eterna sedutora Que um dia me beija E, no outro diz, que não me conhece Como é que de um dia para o outro se esquece!   José Silva Costa         

56,anos

56, anos lado a lado   Nos verdes anos encantámo-nos Decidimos viver lado a lado E, eu continuo encantado Como no primeiro dia em que te vi Que nunca mais desisti De te demonstrar que era o melhor para ti Que tu és a melhor companheira Que juntos subimos a ladeira Com muita canseira Construímos a floreira Com a ajuda da fogueira Que nos une e consome Que nos mata a fome Que nos ajuda a prender o sol Que nos iluminou estes anos todos E que nos continuará a iluminar até o céu nos beijar Semeámos flores, que já deram mais flores Que, por sua vez, darão mais flores Flores, que são uns amores! Para que nunca faltem flores Para que a Terra seja, sempre, um sítio perfumado Para que o amor seja aquele calor acalorado Que entre os dois seja cultivado Por um beijo, simbolizado No carinho de cada dia ultrapassado Juntos, lado a lado.   José Silva Costa    

Outono

Bem-vindo  outono   Chegaste nos braços da noite Nas asas da lua cheia Mal chegaste, escondeste o sol Começaste a despir as árvores Para que a primavera as vista de novo Com a futura moda: a da Natureza! Aquela que consegue combinar todas as cores Todas as flores, com toda a harmonia Como uma melodia: uma sifónia Que nos embala todos os sentidos Que nos transporta para o paraíso Mas, quanto mais despes as árvores Mais camadas de roupa visto E quando te despedes e deixas-nos, ao inverno, entregues Mais camadas de roupa visto E a quantos mais invernos assisto Mas camadas de roupa visto É assim o outono da vida Tão diferente do outono da Natureza! Que todos os anos se despe Para se voltar a vestir de beleza De flores perfumadas De novos, doces, frutos De dias de lutos De radiosos dias de sol De radiosos dias de chuva De novas vidas a darem vivas à vida!   José Silva Costa            

Sol de inverno

Sol de inverno   O sol contínua bem-disposto Mas, cada vez é menos Todos os dias se esconde um pouco Vai para outras paragens Assim vai continuar por mais três meses Não se afeiçoa a ninguém Mantem-se neutral No que dele depender Para todos quer ser igual Quando nasce é para todos Quem é que não quer um lugar ao sol! Um bom bronzeado Uma casa soalheira Sem vizinhos à sua beira Boa comida caseira Um passeio à feira Para comprarem castanhas assadas Saudarem o outono Menos horas de sol Menos horas de trabalho no campo Para compensação das muitas no verão Uma excelente distribuição Uma vez que não lhe podemos deitar a mão Para o ano espero por ti Meu querido verão.   José Silva Costa        

Macacos me mordam

Macacos me mordam   Macacos me mordam se alguém percebe a falta de professores As escolas abrem concursos, 1,2,3 vezes e ninguém concorre Por que razão é que não querem ir para professores? Quando é que a opinião pública e os governantes se convencerão que o ensino, a saúde, a justiça e a segurança são os pilares do progresso e bem-estar? A falta de professores não é de hoje, mas cada vez são mais as escolas com falta de professores Já não é só atrás do sol-posto, e ainda bem, porque todo o território deve ter as mesmas oportunidades, que as escolas não conseguem preencher os quadros de professores Até na capital, as escolas têm falta de professores, mas não vejo ninguém indignar-se, por faltarem professores, por todo o país, como se fosse uma coisa normal a falta de professores, médicos, justiça Todos os dias os Governantes se gabam de maravilhas, de milagres, de estarmos à frente de todo o Mundo, contrastando com a miséria em que muita gente vive, com o desespero para obter o cartão ...

Regresso

Regresso às aulas   Um regresso tão desejado como condicionado Ainda não podemos ver os bandos de flores a beijarem-se e abraçarem-se O vírus não nos dá descanso, as máscaras são o nosso manto Mais um ano cheio de regras, de corredores com sinais de trânsito De gel, de desinfetantes, de bolhas de segurança, para bem dos estudantes Desconfiamos e temos medo de toda gente, é como que um repelente Que, por mais que o queiramos esquecer, vai se colando à mente É tudo tão estranho, tão violento, tão diferente Desconfiamos de todos, da muita e da pouca gente Olhamos para todo o lado, mudamos de passeio, não nos cremos cruzar com ninguém Que estranhos comportamentos, a gente, tem! E, ai dos que os não cumpram, são bombardeados pelos olhares dos afastados Somos vistos, como se todos tivéssemos infetados, condenados Enquanto a confiança não voltar, é com este medo que vamos viver Não vale a pena fugir nem correr, o mais importante é, a saúde, proteger Há quem diga que a pandemia está controlada...

Princesa

Colares   Princesa da serra e do mar Com os seus palácios e altares No perfume dos pomares É bela, é uma flor   É inebriante o seu néctar Um vinho das profundezas da terra Um vinho digno de um altar O melhor que há, para celebrar   No verde da serra e no azul do mar A noite, o sono e a lua vão-se deitar Na esperança de que com o nascer do sol irão acordar Para poderem apreciar o sabor a mar   Quando o sol começa a subir a encosta A beijar a serra, Colares fica prisioneira Uma bela saloia, muito namoradeira Sonha com um príncipe, mas contínua solteira   Nos vapores do vinho ramisco Viaja até à Praia das Maçãs No agosto das multidões Apanha o elétrico e volta para casa.   José Silva Costa                            

Flores

As mais belas flores!   Doce setembro das vindimas e dos figos Da pisa das uvas, nos lagares, com os amigos Dos frutos secos, do fim do verão Dos passeios a saborear o luar a deslizar para o mar De mão dada, como fazíamos, quando começámos a namorar Nos nossos verdes anos, em que vivíamos os nossos sonhos Tudo nos parecia possível, o Mundo estava ao nosso alcance Mas a vida é muito dura, mesmo com sonhos à mistura Criar os filhos é uma grande aventura, cheia de alegria e ternura Ver aquelas pequenas criaturas tornarem-se homens e mulheres É a melhor compensação de todos os cuidados e canseiras Os pais criam, para os filhos, lindas floreiras Onde esperam que os filhos coloquem as suas flores Os netos são as suas mais lindas flores, um perfume eterno Que permite que a última reta seja uma caminhada perfumada Nos braços dos abraços dos netos, que tanto gostam dos seus afetos Os avós são quem melhor os compreende O que não admira, porque os anos são a melhor escola da vida Acusados, pelos ...

Amor

Amor   As flores que colheste são ternos beijos São os frutos dos teus desejos Dos muitos e duros ensejos Que te fizeram tudo aproveitar Para lhe mostrar, que só a ela querias amar Não foi fácil conseguir, o seu coração, abrir Mas, franqueada que foi a porta A tua vida inaugurou uma nova rota Só é exigente quem ama Quem não te quer só para a cama Mas que te escolhe para mãe ou pai dos teus filhos Que está sempre a teu lado, partilha os teus cadilhos A vida é feita de muitas mudanças, para melhor ou pior Por isso, o casal tem de ser capaz de assumir compromissos Para que à primeira contrariedade, cada um não vá para seu lado A não ser que concluam que o compromisso está acabado Que o amor que a tudo resiste, já não existe Então, a separação será a melhor solução Porque a vida é curta para andarmos em contramão Temos de saber aproveitá-la Vivê-la sem rancores Distribuindo flores Para que possamos suportar as dores.   José Silva Costa      

Aniversário

Aniversário   Hoje, completo a bonita idade de setenta e seis anos Estou muito grato por aqui ter chegado É longo o caminho já andado Quando olho para trás vejo o progresso navegado Da candeia de azeite ou de petróleo, à eletricidade Do burro ou da carroça, às viagens espaciais Das estradas em macadame: no verão pó, no inverno lama, às autoestradas Das canseiras das mulheres, no vai-e-vem de cântaro de barro à cabeça, a caminho da fonte, à água canalizada Só quem a carregou sabe avaliar quantos litros gastamos, quando abrimos a torneira A televisão, a caixa mágica, que mais nos cativou, e para, sempre, as nossas vidas mudou O plástico, hoje, tão contestado, sem culpa da utilização, que lhe temos dado, responsável por tanto progresso alcançado Quem me dera que em 1958 já tivesse um uso generalizado, teria evitado que ficasse envergonhado, quando, pela primeira vez, uma freguesa me pediu para embrulhar meia dúzia de laranjas, coloquei-as em cima do balcão, sobre o papel pardo, ao embrulh...

O amor

O amor   O teu jardim tem bonitas rosas! Mas tu és a mais bela e perfumada Quem me dera ser o jardineiro Do teu bonito canteiro Poder tratar delas o dia inteiro Para ficarem ainda mais belas Na esperança de que ficasses muito agradada Sei que nos separa uma grande escada Mas, se conseguisse abrir o teu coração Poderia ser que descesses do teu pedestal Me viesses cumprimentar: apertar a mão Para sentires o bater do meu coração Ver nos meus olhos quanto te amo Dizer-te porque passo os dias a espreitar as tuas rosas Como me alimento, apenas, do seu perfume Tudo, só para ver se te vejo Se advinhas o meu desejo Ver de perto os teus olhos da cor do mel Esperar o tempo que for necessário  Para um dia contigo namorar Beijar os teus rubros lábios Poder ficar, para sempre, contigo   José  Silva Costa