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Mostrando postagens de abril, 2020

Nova era

Namorar A Natureza está florida e perfumada Quase todos os dias tem sido regada Fica, ainda, mais bonita, depois de ser lavada É a minha, perfeita, namorada Como não podemos namorar abraçados e aos beijinhos Namoramos pela janela, como antigamente Ela tenta surpreender-me, todos dias, com a sua beleza Tento corresponder E, ela, todos os dias, confirma que está muito agradada Quando assomo à minha janela, vem fresca, alegre, endiabrada Como que a alegrar-me o coração Dizendo-me, que temos de olhar para ela com olhos de ver Porque a natureza não pode mais sofrer Queremos água limpa e ar puro Mas não queremos abdicar de nenhum dos nossos exageros Queremos continuar a, todos os dias, rodopiar, por todo o mundo Queremos continuar a consumir, o mais que pudermos, incluindo produtos, que têm de viajar milhares de quilómetros Queremos pegar no nosso brinquedo individual, de 2 toneladas, e acelerar nas autoestradas Queremos passar férias em todos os paraísos do mundo Queremos tudo, só não quere...

Em confinamento

46 anos Foi a madrugada mais radiosa, que nasceu As balas foram substituídas por cravos vermelhos Quando a madrugada rompeu Lisboa foi acordada pelos carros de combate A cidade, de medo, estremeceu Mas, quem os mandou disparar, não venceu Porque o atirador não obedeceu Não quis manchar o dia que, tão radioso, apareceu O povo ocorreu à rua De peito afogueado, com medo que algum passo fosse maldado Quando o sol raiou, uma senhora, um cravo vermelho, colocou No cano de uma espingarda G3 O povo sorriu e aplaudiu Estava quebrado o vazio Um punhado de militares acabava de derrubar uma ditadura de meio-século E um império de cinco séculos Nos cinco cantos do mundo, houve choros e desejos Que do velho império, nascessem povos inteiros Que finalmente regressasse a paz Foi um parto muito doloroso e difícil Após treze anos de guerra Valeu-nos o cansaço da espera Para que sete povos decidissem os seus destinos As transições são quase sempre, difíceis e dolorosas Mas com disse uma futura rainha de ...

Antes

Antes Em Abril, a liberdade floriu Em cada espingarda um cravo vermelho Militares e povo nas ruas Para festejarem a queda da ditadura Que nos governou com mão dura Com uma feroz censura E uma assassina Policia Internacional de Defesa do Estado Coadjuvada por uma rede de informadores Que nos obrigava, de todos, a desconfiar Fazendo com que não pudéssemos abrir a boca Tudo era censurado, cortado, pelo lápis azul Ninguém podia publicar, representar, fosse o que fosse, sem o exame prévio Às mulheres estavam vedadas algumas profissões Noutras, não podiam casar Não podiam abrir conta no Banco, nem ausentar-se para o estrangeiro, sem autorização do marido Não tinham direito a voto! Só tínhamos estudos superiores em três cidades (Lisboa, Coimbra e Porto) Tínhamos trinta ou quarenta por cento de analfabetos A guerra, em três frentes ( Guiné,  Angola e Moçambique),  para além dos mortos e estropiados, era um  sugadouro  do erário público Em 1974, tínhamos uma grande parte do país sem água canali...

Abril

A Chuva   São correntes de ouro a caírem do céu Neste Abril chuvoso Tão limpas como o amoroso Quando as vimos contra os raios solares São vida para plantas e animais A Natureza está agradecida Por tanta quantidade de água Não posso ir ver se o rio vai alteroso Mas, bem a vejo Da minha janela Quando a chuva passa A espreguiçar-se, a sorrir, a esfregar os olhos A beijar o vento de tanto contentamento Abraçada ao sol, como se estivessem a combinar Tudo fazerem germinar Para todos alimentar É na Primavera Que os cereais costumam namorar E, esta chuva, agora mais limpa, a todos vem abençoar Num tempo em que só à janela podemos assomar Devemos estar gratos por podermos continuar a ver A chuva, o vento, o sol, a lua, todos juntos, na rua.   José Silva Costa        

Regresso às aulas

O regresso às aulas   Hoje, alguns alunos voltaram às aulas Mas, desta vez, com as salas de aula fechadas O confinamento fez dar um salto no andamento Todos receamos mandar as nossas crianças para a sala de aula Todos tememos pela sua e nossa saúde Mas há sempre quem ponha objeções E do que mais falam são das desigualdades Como se neste país nunca tivesse havido desigualdades Como se só houvesse desigualdades na escola No resto, são só igualdades Todos temos boas casas, bons carros, bons empregos Todos podemos escolher bons colégios, de onde saem a falar francês, alemão, inglês É o que nos vendem os políticos, defensores do direito de escolha Só não nos conseguem dizer, como o fazer, nos Concelhos do interior, onde a única escolha, que temos, é o ensino público Foi preciso o Covid,19 forçar o ensino a distância, para todos notarem que havia desigualdades Ainda bem que conseguiram concluir que há desigualdades, já que nas salas de aulas nunca ninguém tinha dado por elas! As desigualdade...

Bela

Bela Bela é a lua Que ilumina a rua Onde nasce e fica nua   Bela é a vizinha Que me prende Sempre que vem à janela Mas nunca falei com ela Na esperança de que um dia Ela adivinhe o quanto  gosto dela.   Bela é a que encontra uma companhia Com quem partilha a tristeza e a alegria Cuja felicidade brilha mais que a luz do dia.   José Silva Costa

Os tempos

Os tempos   O silêncio sufoca-me o presente Falta-me o barulho dos carros, em andamento As cidades, as vilas, as aldeias estão em confinamento Tudo tão calmo, tão parado, tão puro, o ar Hoje, nem o vento apareceu! Mas, não consigo sossegar Penso no movimento intenso Não fosse o inimigo invisível Cortar-nos o ar, roubar-nos o dia Afinal, tudo tem um dia: do começo e do fim E, nós esquecemo-nos de quão bela é a alegria Foi preciso o tempo dar-nos tempo, para voltarmos ao pensamento Sem tempo, nunca nos aperceberíamos da importância do silêncio Quando não temos tempo, para aproveitar o tempo Como seria tão bom, beneficiarmos de tanto tempo, sem confinamento Sem ele, não nos aperceberíamos da qualidade do tempo Tanto ambicionámos ter tempo, agora não sabemos o que fazer com o tempo Nunca tínhamos saboreado o silêncio, o perfume do vento, o cheiro do asfalto e do cimento O que me assusta, foi termos parado, quase todos, ao mesmo tempo Resta-nos a dolorosa fatura, deste descanso, que estamos...

Vaidades

Vaidades O que é que levou o Governo a querer destruir um Serviço de referência, do Hospital Curry Cabral, querendo transferi-lo para o Hospital de Santa Marta, com o pretexto do Covi19? Um disparate comparável ao que pretenderam fazer com a transferência do Infarmed, para o Porto, cujo recuo, só foi possível devido à resistência de trabalhadores e dirigentes Sou a favor da descentralização, mas não à custa da destruição, para satisfazer as vaidades dos políticos O que tem sido feito, para enfrentar o Covid19, é criar Hospitais de Campanha, ou utilizar instalações disponíveis, nunca destruindo o que levou tantos anos a construir Mas, infelizmente, continuamos a ter políticos, que não se importam de destruir o que funciona, e bem, para imporem as suas vaidades.   José Silva Costa        

Páscoa.

Abril Abril! Chegaste molhado Fazendo jus ao ditado Abril, águas mil Para tudo lavar Para que mais tarde possamos sorrir Por enquanto podemos aproveitar para dormir Para ler, cozinhar, tanta coisa que podemos fazer Saborear o nosso doce lar Tudo o que nos rodeia admirar Neste tempo de relaxar Vamos o futuro planear Mesmo sem saber quando ele vai chegar É preciso que nessa altura estejamos prontos para o agarrar Este ano, temos mais tempo para te contemplar Este ano, a Páscoa vai ser no lar Não o podemos abandonar Muitos, nesta altura, nele não queriam ficar Mas, este ano, um intruso veio tudo estragar Tudo foi cancelado ou adiado Quase toda a atividade humana está parada, em todo o Mundo Uma Páscoa diferente Num estranho ano Que, quem não o viveu Dificilmente vai compreender o que aconteceu.   José Silva Costa                    

O sonho

O sonho A esperança não acabou O Sol continua, todos os dias, a nascer E, nós cá estaremos para o ver Agora, não precisamos correr O Mundo está unido Como nunca esteve Devido a um mau-olhado Ainda que parado É aqui que temos o passado No longo corredor suspenso do tempo Onde têm apartamento a Lua e o seu encantamento Aí vivem também o Sol e o Vento Quando o Sol beija a Lua nasce a madrugada E, de um momento para o outro, de rajada De repente o sonho ficou adiado Mas não morreu nem morrerá Porque o sonho comanda a vida A Lua está muito sentida Porque não pode ver os amantes, na rua, florida Espera que a proibição não seja comprida Para não ver a vida, por muito tempo, interrompida Vamos no vento, de fugida Procurar o outro lado da avenida Num olhar da janela comprida O mais longe que nos é permitido viajar Mais de cinco não podemos estar Não vá a multidão acordar a avenida Da hibernação fora de tempo E pôr a saúde de todos em perigo Fazendo com que seja, ainda, maior o castigo Mesmo com...

Os Portugueses

Portugal   “ O saber cura”   Foi agradável de ver De Norte a Sul O saber, a fazer Tudo o que for possível Para que possamos sobreviver Das Universidades aos Institutos Politécnicos Dos Centros de Investigação aos que deram as mãos Todos estão a fazer das tripas coração Para que tenhamos a produção De material de proteção Para todos, sem exceção Ergueu-se uma Nação Para mostrar quanto vale sua educação Quanto Portugal é solidário Nestes momentos mostramos do que somos capazes Precisávamos de ser mais eficazes E, se fossemos mais eficazes! Seríamos menos criativos? Já se sabe que a perfeição não existe Portanto, muito obrigado, amigos Por tudo quanto estão a fazer Para que em breve Voltemos, de novo, a viver.   José Silva Costa