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Mostrando postagens de janeiro, 2023

Janeiro!

Janeiro   Dias inteiros Soalheiros Noites geladas Árvores prateadas Vento e rajadas Frio e nortadas Mãos gretadas Velhotas curvadas Das luas passadas Beijadas, amadas Ruas deitadas Casas assombradas Há muito abandonadas As terras não são semeadas Outrora todas ocupadas Vidas apagadas Sombras sonhadas Luas desenhadas Memórias arrumadas Fontes magoadas Águas branqueadas Esperanças molhadas Telhas desalinhadas Estrelas afiadas Lágrimas salgadas Vidas adiadas Bocas escancaradas Desesperadas. José Silva Costa            

O Altar

Pobre povo Entregue a corruptos vaidosos Sempre prontos para eventos únicos  1 0 estádios de futebol para Euro 2004 Alguns para ovelhas pastarem  Que ainda estamos a pagar Um palco altar, mais um evento único Feito em ouro, para ficar para posterioridade 80 milhões de euros atirados aos ventos Ninguém nos ganha na organização de eventos Para a construção de casas, escolas e hospitais não temos tempo Felizmente, dinheiro não nos falta! Todos os dias vamos, de cesta na mão, pedi-lo emprestado Somos os maiores em tudo! Temos a terceira maior dívida do mundo O Governo acaba de ir buscar mais um fundo de pensões O da Caixa Geral de Depósitos, no valor de 3 mil milhões Os dos outros Bancos, já tinha sido absorvidos, no tempo do Governo de Sócrates Para tantos luxuosos e únicos eventos, temos de fazer alguns sacrifícios Dormir na rua ao frio, ao relento neste inverno gelado, e em casa sem aquecimento Esperar, dezenas de horas nas urgências dos hospitais, anos por consultas externas Alunos sem...

A sedutora

Lisboa! A sedutora 14 O irmão da patroa, com saudades da irmã, também foi seduzido pela bonita Lisboa Trabalhava nas Finanças de Tondela, concorreu para o Ministério das Finanças, em Lisboa, onde foi colocado Os ordenados eram muito baixos, uns escudos extras davam muito jeito, o facto de haver muito trabalho fez com que o irmão da patroa, depois cumprir o horário de trabalho, no Ministério das Finanças, fosse fazer tapetes, quem também já fazia tapetes era a esposa do caixeiro-viajante, que vendia as peças para os tapetes, mas em casa dela Deixou o lugar de frutas e hortaliças para poder estudar, mas não se decidia a procurar uma escola para saber se ainda se lembrava do que tinha aprendido nos quatro anos da escola primária Estava como que a saborear o novo horário, o novo trabalho, a oportunidade de fazer horas extraordinárias e ganhar mais uns escudos, quase que se tinha esquecido dos estudos   Estava:  “ Naquele ingano d` alma ledo e cego/ Que a fortuna não deixa durar muito” (Lus...

Comemorações

Comemorações   Flores bonitas de janeiro Este país é um tinteiro Para cada político o seu mealheiro Todo o político é porreiro A polícia bem pode trabalhar o tempo inteiro Porque ninguém resiste ao dinheiro Todos de consciência tranquila Quase meio século neste atoleiro Como é que acreditei que poderia ser diferente? Só por que os militares entregaram a liberdade a toda a gente Entregaram-lhe, também, o poder de escolher Mas, o pior é que não há por onde escolher Estão todos inocentes, são todos do melhor Quem é que acreditaria, que cinquenta anos passados, estávamos neste estado Um pais, sempre, inacabado, adiado, mal tratado, roubado, enganado Como é que poderia ser diferente, se o problema está na gente! Tem sido assim ao longo dos séculos Já não há esperança Todas as tentativas falharam Os dias estão agoniados São os nossos fados Este era o ano do tudo ou nada Mas não saímos desta maçada Desta vez temos de cumprir Da avaliação não podemos fugir E o tempo está a contar, a passar Diz...

Obrigado!

Obrigado!   Eugénio de Andrade   19/01/1923 – 19/01/ 2023 Como gostava de te homenagear Neste dia do teu aniversário Neste dia do teu centenário Mas não tive o teu condão A poesia não me deu a mão Mas tenho uma enorme alegria Por poder ler os teus poemas Poemas como ninguém fazia Grato por me teres deixado a tua poesia Posso lela todo o dia Nunca me cansarei, eu sei Porque ela é única, é sabedoria Quero que saibas que hoje é o teu dia Todos te estão a homenagear Podes em paz descansar Os teus versos nunca se vão apagar A morte foi um acordar Para os que em vida nunca te viram versar Daqui a cem anos já cá não estarei para te homenagear Mas outros te vão, nesse dia, lembrar Mas descansa, nunca te esquecerão, outros te louvarão.   Obrigado, Eugénio de Andrade!   José Silva Costa    

A sedutora

Lisboa! A sedutora   13   Em pouco tempo, aprendeu a fazer os tapetes, a bancada onde os costurava estava encostada à porta que dava para a sacada, com vista para a rua dos Poiais de São Bento, tinha um vista privilegiada De fronte, na rua dos Poiais de São Bento, noutro primeiro andar, viviam um casal e a sua bonita filha, namorou com ela o tempo inteiro, não soube se ela chegou a saber Andava a estudar, mas sempre que estava em casa, ia à varanda, abria a porta e olhava para ele, os seus olhares cruzavam-se constantemente, ia para dentro, pouco depois voltava novamente, e assim passaram anos Com a chegada da nova inclina, a esposa do patrão, perdeu o direito de dormir na sala e o seu maravilhoso colchão Valeram-lhe as águas furtadas existentes por cima do quarto andar, habitado pela prima, que lhe arranjara o primeiro emprego, em Lisboa Nelas já dormia o cunhado dela que trabalhava numa oficina de automóveis, para aprender o ofício de mecânico de automóveis Tinham entrada por uma esc...

Ventos do Sul

Ventos do Sul   Ventos do Sul, pássaros azuis O brilho do sol nascente És trigo, és fogo, és gente Na planície bem quente Papoilas lançadas ao vento São sangue, são semente São beijos de um sonho contente Rubros lábios gretados do vento suão Mãos calejadas das foices Faces rosadas e perfumadas como flores Trigueira ceifeira de olhos castanhos Cabelos pretos tapados com o lenço Corpo dorido e cansado Sonhando com o dia da adiafa Espigas douradas reluzentes ao sol ardente Que embalam os grãos que vão alimentar tanta gente És perfume, és esperança, és pão Festas de mastros pelo São João Onde se canta e dança, para esquecer os duros trabalhos do campo Planície dourada, bonita namorada da madrugada Que dorme a sexta na sala de entrada Quando a calma é demasiada.   José Silva Costa        

A sedutora

Lisboa! A sedutora 12 Três homens solteiros, num primeiro andar: o patrão, o irmão e o empregado Uma casa forrada com peças de cairo, só a casa de banho não tinha matéria-prima para fazer os tapetes Era uma casa pequena: um quarto, cozinha, casa de banho, sala e uma salinha muito pequena Os empregados dormiam na sala, no local onde trabalhavam de dia À noite, no cetro da sala, único espaço disponível, cada um fazia a sua cama, o soalho e uma peça de cairo faziam de colchão Com o novo contrato, verbal, ganhava mais dez escudos: 200 escudos, por mês, oito horas de trabalho, descansava ao domingo, com a possibilidade de fazer horas extraordinárias, pagas à peça Com moldes em papel, dois para cada modelo, um para a frente outro para trás, marcavam os cortes a fazer, para que assentassem bem e os pedais ficassem livres Todos os cortes tinham de ser costurados com uma agulha, um pouco maior que uma sovela de sapateiro, com um buraco na ponta, para que o tecido não se desfiasse Para além de f...

Agradecimento

Agradecimento Destaque   SOCIEADEPERFEITA Dias líquidos "Governantes em desafiosQuem fica menos tempo nos assentosQuem entende estes tempos?"   O meu blog “Socieadeperfeita” esteve, no fim-de-semana, em destaque Agradeço aos leitores, leitoras e à Equipa do SAPO BLOGS a visibilidade dada ao mesmo. Para todos e todas uma boa semana, com saúde e alegria.

Dias líquidos

Dias líquidos Perfumes vazios Água em rios Anos luzidios Amores frios Governantes em desafios Quem fica menos tempo nos assentos Quem entende estes tempos? Cada vez mais quentes A afetarem as mentes Tanta demissão Pode comprometer a corrupção Haja esperança Nesta Nação Quando o crime não compensar Pode ser que o deixem de praticar Este povo tem tido muito azar Mas um dia ainda vai brilhar Uma vez que tudo está a mudar Só temos de esperar Que as novas gerações Educadas com tantas pressões Sejam capazes de inverter as situações Dar valor a quem o tem Em vez de esperar empurrões Não liguem aos sermões Não tenham ilusões Procurem novas soluções Os velhos são uns foliões. José Silva Costa  

A sedutora

Lisboa! A sedutora   11 A despedida foi muito triste, todas as separações são muito emotivas Já uns dias antes, um Senhor, que passava muitas tardes no estabelecimento, a quem alcunháram de brasileiro, por ter estado muito tempo emigrado no Brasil, se indignou quando o informou de que se ia embora, para outro trabalho “ É por isso que este país nunca progredirá, estará, sempre, na cauda da Europa, agora que estavas preparado para tomar conta de um estabelecimento, vais aprender outra coisa, foram quatro anos perdidos” Um trabalho diferente: fazer tapetes para automóveis, o automóvel era um investimento muito caro, por isso era preciso protege-lo para que durasse o mais possível Subiu um andar, passou dos rés-do-chão para um primeiro andar, na rua da Paz, com vista para a rua dos Poiais de São Bento, onde passa o famoso elétrico nº28, da Carris Um conterrâneo, que trabalhou numa fábrica de tapetes para automóveis, decidiu arriscar e começou a trabalhar por conta própria Alugou umas água...

Bem-vindo 2023!

Bem-vindo 2023!     Todos os anos é isto! Nasce radiante, perfeito, formoso Recebido com alegria e euforia Fogo-de-artifício e champanhe Mais ninguém tem uma receção assim Em todo o Mundo, fazes os corações bater fundo Vestem-se a rigor para te receberem com todo o esplendor Todos esperam que sejas bom e próspero Mas, passada a euforia, volta tudo ao que era no outro dia Ninguém sabe como te vais portar Não depende só de ti o bom ou mau comportamento Os teus colaboradores também têm o dever de te ajudar A começar pela Natureza, que pode criar a maior calamidade ou a maior beleza As mulheres e os homens também têm as suas culpas, no que de bom ou mau acontece Se todos conseguissem chegar a acordo, o Mundo seria um paraíso Mas, para isso seria preciso que alguns tivessem mais juízo E, não nos impusessem tantos horrores e prejuízo Vale-nos a primeira noite, como se fosse de núpcias, cheia de alegria, sonhos e votos de bom  ano Depois começam as agruras: o aumento do custo de vida, as mesm...