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Mostrando postagens de julho, 2018

Luar ao Sul

Luar ao Sul                          Ceifeiras: papoilas ao vento a esvoaçar Trigueiras, a perfumarem a planície Cantam, para espantarem as dores De corpo e faces tapadas, para enfrentarem o calor Sob um sol escaldante, de foices em riste Para desafiarem o vento levante Quantas canseiras, para ver o pão nas eiras! Mulheres determinadas, que cortam o sol com o regaço Que sabem todo o circuito do pão: Alqueivar, gradar, semear, mondar, ceifar, debulhar, limpar, moer, peneirar, amassar, tender, O forno aquecer, para o pão cozer Se soubessem, as voltas que a mão dá, até fazer do grão de trigo pão! Não o estragariam, dando-lhe muita mais atenção Há multidões de esfomeados, que nunca, o pão, verão Acabada a ceifa, chega a adiafa, para suavizar o cansaço Um dos trabalhos mais duros, que mulheres e homens Enfrentaram, nos campos do Alentejo Sob um sol ardente, de cortar a respiração!     José Silva Costa                

Uma vez na vida!

Eclipse   Minha princesa da noite Companheira de sempre Que venero nas noites de insónia Com quem partilho os sonhos Que se esfumam antes de abrir os olhos Ontem chegaste diferente! Conquistaste a atenção de muita gente Por ti, fiquei muito contente Foram momentos de muita euforia Mau grado a sabedoria De que o momento, para ela, não se repetiria Vinhas com as faces afogueadas Como se as fases fossem rosadas Minha Lua ensanguentada De espectativa carregada Já foste Lua-de-mel! Agora, companheira iluminada Espero, logo à noite, pela tua chegada Para, de novo, a sós, continuarmos a caminhada Sem a confusão da multidão Que ontem me roubou a tua atenção Tive momentos de agonia! Ciúmes, porque toda a gente te queria E do que a multidão, de ti, dizia! Alheios ao meu sofrimento Beijaram-te, só, naquele momento Enquanto eu nunca te esqueço Durmo contigo, todas as noites Bem agarradinhos, tenho medo de te perder! Não vá o nosso luar, um dia, não amanhecer.   José Silva Costa                    ...

Asas

Asas – A 380   O gigante dos ares aterrou, pela primeira vez, em 23/07/2018, no aeroporto de Beja, o único em território nacional, com capacidade para o acolher Beja está a ganhar notoriedade, num país pequeno, onde muitos não conseguem ver para além da sua rua Se temos uma infraestrutura, que faz a diferença, qual a razão para não aproveitá-la? A mesma de sempre: está localizada no interior! Senhores políticos deixem-se de provincianismos bacocos e complexos de inferioridade Lisboa será sempre a capital, mas o resto não será só paisagem, se não continuarem a desfazer o que está bem, só para alimentarem as vossas vaidades Não conseguiram encontrar melhor maneira de compensar o Porto, por não ter conseguido que a Agencia do Medicamento viesse para a Cidade Invicta, do que dar cabo do Infarmed? Honrem a morte de mais de uma centena de pessoas, desenvolvendo todo o país, pensando no bem das pessoas, e não no vosso umbigo Passam o tempo a cantar êxitos, mas continuamos na cauda da Europa! ...

As estrelas

Tão longe do Sol, tão perto de ti Não quero perder o Sol, que há em ti Meu Astro de luz e calor, meu amor Em ti toda a luz sorri, que eu bem vi Não é só nos teus bondosos olhos! Os teus cabelos, esguios, são rios De luzes, de estrelas, de luas violetas Que tanto encantam as noites das borboletas Quando nos abraçamos e voamos por todo o Mundo Como se aquele momento fosse o nosso último segundo E, de repente, acende-se não sei que vento Que nos acorda e faz voltar à realidade Continuamos abraçados, mas preso à terra Sem asas, no meio de multidões, sem ilusões Em que as únicas estrelas são teus cabelos enleados nas manhãs.   José Silva Costa      

Verdes anos

No perfume e brilho dos primeiros dezoito anos, vividos Todas as ambições e sonhos são permitidos O Mundo é pequeno, para todos os ímpetos dos sentidos Tudo parece eterno, quando, afinal, tudo é curto, fogaz, sem desmentidos   É o tempo de colher todo o vigor dos verdes anos De construir castelos feitos de sonhos De apanhar as nuvens e viver em todos os planos Como se todos fossemos humanos   Adolescência, maior de idade, vaidade, a mais bonita idade Tudo translucido e colorido sem adversidade Na beleza da auria que circunda a longevidade De um tempo sem limites, cheio de ansiedade   Um tempo promissor, cheio de luz, cor e furor Em que em tudo empenhamos o nosso ardor Como se estivéssemos a regar uma flor Cujo crescimento vai depender da sorte e do amor.         José Silva Costa  

Sul, sem sol!

Mulheres   Jovens, crianças, bebés Filhas de reis, condes, viscondes Sentenciadas à nascença Deserdadas de bens imóveis Enclausuradas em conventos Dos quais nunca tinham ordem de sair Enclausuradas em bebés, crianças, jovens Contactos com o exterior, só através do parlatório Casavam com Cristo, entregando o dote ao convento Setenta e tal anos de isolamento (Mariana) Foi uma eternidade de casamento (sozinha) As mulheres têm toda a razão para se sentirem indignadas A História tem-lhes pregado cada partida! E têm de continuar a lutar As mentalidades levam muitos séculos para mudar As mulheres, o Mundo, continua a discriminar No convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja Formaram-se como que dois clubes Umas veneravam um Santo, outras, outro A rivalidade, por vezes, levava-as a vias de facto Aqueles longos corredores assistiram a muitas dores Cada grupo concentrava todas as energias e dinheiro em embelezar o andor do seu Santo Para que, aquando das procissões, lhes chegassem ecos, de ...

O Sol

Domingo vai chover   As previsões dizem que Domingo vai chover Graças à ciência e às novas tecnologias, podemos, com antecedência, saber como vai estar o tempo No Domingo vamos dar descanso às férias, não correndo para as praias, para torrar Vamos aproveitar para descansar, sabe tão bem descansar do cansaço das férias Há sempre muito que fazer: ver um filme, ir ao cinema ou ao teatro, visitar uma amiga ou um amigo, mesmo que esteja detido Proponho-vos um exercício muito mais difícil: tentar desconectar toda a família, sentá-la a uma mesa, para jogar às cartas, às damas, ao monopólio, etc. Um ótimo exercício, para testarmos as reações, de cada um, quando se perde, ou quando se ganha E, vão ver que nem se lembram que está a chover Mas, se preferirem, também, podem ver a chuva a cair, regar e lavar tudo, com as plantas a sorrir Na segunda-feira não se esqueçam de observar e saborear a frescura, o perfume, os efeitos, de o Verão, ter procedido à limpeza do que não fez, durante um mês de mu...

O olhar

O Olhar Cruzo o infinito com o olhar Não te vejo do outro lado do mar Levaste o meu coração Fiquei com o teu, até nos voltarmos a encontrar Toda esta água a separar-nos! Vamos vencê-la, para nos voltarmos a amar Não desesperes, porque a nossa força tudo vai vencer O que nos separou vai esmorecer O nosso amor vai florescer Os nossos corações, quando se voltarem a ver Vão vibrar até mais não puderem Vamos todos os sonhos e flores colher Juntos, juntos até todo o sol desaparecer Só acordaremos quando a manhã amanhecer Quando, a promessa, obtivermos De que nada, nem ninguém nos voltará a separar Seja terra, seja mar! Nós vamos, para sempre, ficar Unidos, como a terra com o mar.   José Silva Costa              

Curta, é, a vida!

Tanto trabalho, para tão poucos dias! Estou de acordo com as trinta e cinco horas Não nascemos, para, só, trabalhar Também temos o direito de, o mundo, olhar Por que razão só pensa em, os dividendos, aumentar? Com as novas tecnologias, não está sempre a produção a aumentar! Todos têm direito a um posto de trabalho O desemprego só gera desigualdades Quem é que não se sente inferior por não conseguir contribuir para a produtividade? Portanto, menos horas de trabalho! Ocupação para todos Já basta, quererem que nos reformemos aos cem anos! A história da sustentabilidade está muito mal contada Os jovens têm direito a sonhar com realizações, que só o trabalho lhes pode dar Para quê, com trabalho, os velhos, matar? Deixem-nos, ao menos, uns minutos descansar, quando já não podem andar Ninguém cá vai ficar, mesmo que queira este e o outro mundo abarcar! Vamos, o Planeta, ajudar, não estragando hoje, o que amanhã nos faltará O desperdício é o nosso pior vício, com a fantasia de que isso, mostra...

Beijos e abraços

O IP3   Há um ano, os incêndios ceifaram a vida a mais de uma centena de pessoas, o que levou com que os políticos e o país descobrissem o interior Há um ano que todos os dias, todos os políticos visitam as zonas destruídas, distribuindo beijos, abraços e promessas, como se as pessoas não precisassem de mais-nada Agora, finalmente, foi anunciada uma obra de 134 milhões de euros, mas só para o ano que vem: a reconversão do IP3 Uma estrada, cujos projetistas e todos os responsáveis, pela mesma, deveriam ser condecorados, pelo trabalho exemplar: a estrada da morte Os grandes investimentos, no interior do país, são sempre muito escrutinados, pelos pensadores, que vivem na capital. O mesmo não acontece quando se trata de enterrar milhões no futebol, como aconteceu com os novos dez campos de futebol, do euro 2004, que alguns nem sequer conseguem dinheiro para a sua manutenção, quanto mais para a amortização. Quanto tive de ouvir e ler por causa do Porto de Sines, durante muitos anos apelidad...

As imagens!

As imagens   As imagens da televisão Bem avisaram que não eram Para que tem coração Infelizmente, todos os dias morrem bebés! Mas, não os mostram na televisão As imagens destes três, vão-me atormentar Durante muito tempo, a toda a hora, a todo momento Olhos que não veem, coração que não sente Como é que há gente? Que se recusa a enfrentar este problema, de frente O maior cemitério de sempre! Não consegue incomodar, quem vive comodamente Preso no egoísmo do seu ambiente Cercado de uma realidade que não mente Vai-se empanturrando de ódio, na mente Tentando convencer-se que é feito de matéria diferente.   José Silva Costa