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Mostrando postagens de maio, 2021

Amor & guerra (28)

 Amor & guerra (28) O General António de Spínola foi investido nas funções de Presidente da República em 15 de Maio 1974, Mas o seu mandato foi curto, em 30 de Setembro de 1974, renunciou ao cargo, por não estar de acordo com o rumo que o Movimento das Forças Aramadas estava a dar ao país Foi substituído pelo general Costa Gomes, que exerceu o cargo até à posse do candidato eleito, nas eleições presidenciais de 176, o General Eanes Firmino não voltou para casa, ao fim de três dias do seu desaparecimento, chegou a triste notícia, muito temida, desde o primeiro dia do seu desaparecimento, de que tinha sido assinado por um grupo de homens armados, que lhe exigiram as chaves do carro, mas que ele recusou entregar Foi mais um rude golpe para a Bárbara, que já tinha visto assassinarem os seus pais, e não menos para os pais e o irmão do Firmino. A Sara, também, lavada em lágrimas, não escondeu o desgosto pela perda do padrasto, de quem tanto gostava, ainda que, sempre, dissesse que nunca ...

Maio

Maio   No perfume das rosas Vais- te embora Não as leves contigo Isso seria um grande castigo Quem viveria sem elas! São tão belas Perfumam as velas Que a noite acende Quando jantamos, na intimidade Vemos toda a cidade Muito iluminada Aqui e ali, um recanto escuro Onde os pares se abraçam e beijam Indiferentes a tudo o que os rodeia Embevecidos como se não existisse mais ninguém A noite tem esse vai e vem De encontros e desencontros De quem se encontra de tempos, a tempos De quem não quer um relacionamento a tempo inteiro Que não querem saber do nevoeiro Só os bons momentos querem partilhar As agruras não são para, na cama comum, deitar Cada um tem o seu lar Quando o brilho acabar A separação não vai custar Cada um vai para seu lado Sem perfume Esperam as coroas de flores. José Silva Costa     

Amor & guerra (27)

Amor e guerra (27) Depois do inesquecível primeiro de Maio de 1974, os trabalhadores ganharam força, por uma vez, conseguiram desequilibrar o prato da balança a seu favor Criaram comissões de trabalhadores, e os sindicatos exigiram melhores condições de trabalho e melhores renumerações, conseguindo bons aumentos de ordenado, o que fez com que o poder de compra ultrapassasse, em muito, a produção As importações subiram em flecha, não havia supermercados, alguns bens de consumo escasseavam, nos talhos, a quem pedisse por favor, arranjavam meio frango, enquanto havia Foi sol de pouca dura! Mas foi um tempo em que todos se sentiam gente Foi uma primavera, onde todo o país floriu, havia uma alegria contagiante, foi como se tivéssemos saído da prisão Em Luanda, as coisas iam de mal a pior: raptos, mortos, tiroteios, roubos A Bárbara já tinha pedido ao Firmino para ter muito cuidado. Mas, ele continuava a dizer que tinha nascido em Luanda, que conhecia muito bem a cidade, que não tinha receio...

Amor & guerra (26)

Amor & guerra (26) Na madrugada de 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas decidiu fazer um golpe militar, para acabar com a ditadura e pôr fim à guerra Cansados de muitas comissões, na guerra, vendo que os políticos não tinham nenhuma solução, depois do mais prestigiado General ter publicado um livro, dizendo que Portugal tinha de alterar o seu relacionamento com as colónias, só lhes restava tentar mudar o regime Foi uma grande aventura, ninguém sabia o que ia acontecer, felizmente correu bem, mas podia ter terminado num banho de sangue, bastava o atirador, do carro de combate do Regimento de Cavalaria nº7, ter cumprido a ordem de fogo contra o carro de combate da Escola Prática de Cavalaria, para a Rua do Arsenal, em Lisboa, ter ficado manchada para sempre Foi um longo dia, até o poder passar para os militares, o Presidente do Conselho, Marcelo Caetano, pediu para que o Movimento das Forças Armadas nomeasse um representante, para receber o Poder. Escolheram o General ...

Amor & guerra (25)

Amor & guerra (25) A Bárbara, quando soube da publicação e do conteúdo do livro do General António de Spínola, ficou muito arrependida de ter ficado em Luanda, porque desde que viu como os pais foram assassinados, que nunca mais se sentiu segura, em Angola Naquela casa, felizmente, mais ninguém tinha visto as barbaridades a que ela assistiu Por isso, estavam muito mais confiantes que ela, numa transição pacífica, coisa que para ela era impossível, para mais com três movimentos: três galos para um poleiro! Fosse qual fosse a solução, que a história escolhesse para o fim da guerra contra Portugal, não seria fácil um entendimento entre os três movimentos   Depois de marcado o casamento, no Registo Civil, o Carlos, a Mequilina e o Miguel apanharam camioneta para Vieira do Minho, para informarem, a Mariana e o João, de tantas e boas novidades Foi uma excelente surpresa, quando viram o Carlos, a caminhar, como se não tivesse nada, acompanhado da Mequilina e do Miguel Mariana quis saber e...

Migrantes

Ceuta   O desespero atravessou a fronteira Milhares de migrantes: a família inteira Derrubaram a linha que separa a barreira Se pensam que impede a procura de melhor sorte, é asneira O problema da fome é outra pandemia, só se cura com solidariedade Ninguém pense que só dum lado está a verdade A fome mata em qualquer idade O condomínio fechado está muito enganado Não adianta pagar aos porteiros para lhe guardarem as entradas Mais valia ajudarem os esfomeados a melhorarem a sua economia Preferem o imediato, parece mais barato, mas não resolve o problema Estão dependentes dos humores de quem recebe a gorjeta Mas, enquanto o Mundo não estiver mais equilibrado O esfomeado vai continuar a tentar abrir o cadeado O tesouro nunca estará bem guardado Era preferível ensinar a pescar, a dar o pescado Não somos donos do nosso telhado Ceuta, já teve muitos donos, nada está acabado. José Silva Costa          

Amor & guerra (24)

Amor & guerra (24) A 16 de Março de 1974, Duzentos militares, entre eles 33 oficiais, saíram do Regimento de Infantaria nº 5, nas Caldas da Rainha, em direção a Lisboa A meio caminho foram travados, tendo 11 dos oficiais sido presos, o que fez com que fizesse acelerar os preparativos e antecipar a data da revolução do 25 de Abril, para poderem libertar os camaradas que tinham sido presos   Depois de uma longa viagem, de comboio, o Carlos, chegou, finalmente, a Braga Tanto tempo sem ver a cidade parecia que estava completamente diferente Apanhou um táxi, estava ansioso por voltar a abraçar a Miquelina e o Miguel. Também queria conhecer os futuros sogros, a quem queria agradecer terem ajudado, a Miquelina e o Miguel, durante todos os anos em que não pôde ganhar para a família Quando bateu à porta, e a Miquelina a abriu e o viu, foi uma alegria indiscritível, todos ficaram muito contentes, incluindo os pais da Miquelina Ela ficou tão feliz, por ver que andava muito bem, com a prótese,...

Flores!

Flores   Mês de Maio, o mês das flores Mas, o mundo continua cheio de dores  Por todo o lado, tantos horrores! Não lhes chega a destruição causada pela pandemia! Ainda utilizam as armas para matarem a alegria Não querendo que ninguém tenha um feliz dia Tanta intolerância, tanta ganância, para um fim sem esperança Mesmo assim, o mundo avança nos sorrisos duma criança Flores, flores fazei com que o mundo prefira o amor Com o vosso perfume curai toda a prepotência dos Governadores Mostrai-lhes que o poder não passa de vaidades Quando não é exercido, no sentido de melhorar as condições de vida Nunca, para acabar com a vida, seja de quem for Nesta encruzilhada, em que andamos de cara tapada, a vida está ameaçada Mas, as flores continuam, todos os dias, a alegrarem a magia Dando-nos esperança de melhores e mais perfumados dias.   José Silva Costa                

Amor & guerra (23)

Amor & Guerra (23) A Bárbara e a Sara continuavam a descobrir a bonita cidade de Lunda, tendo como guia o Firmino, que estava admirado da Bárbara não ficar grávida Não sabia como abordar o assunto, uma vez que ela já tinha tido a Sara, talvez o problema não fosse dela. Quando, ainda, não provaram que são reprodutivas, o que se pensa é que o problema é da mulher, o que não era o caso da Bárbara, que já tinha dado à luz uma linda menina Mas, como desejava muito ter uma filha ou um filho dela, teve de se encher de coragem e dizer-lhe que estranhava ela não ficar grávida Ela disse-lhe que, também, estava admirada. Mas, como já tinha tido a Sara, não lhe tinha dito nada, porque o problema poderia não ser dela Perguntou-lhe se se lembrava de ter tido papeira. Respondeu-lhe que tinha tido e que estivera muito mal Aconselhou a ir ao médico, para ver o que dizia, e se lhe mandava fazer exames, porque quando a papeira atinge os testículos, pode provocar a infertilidade Quando pensou que o pr...

Amor & Guerra (22)

Amor & guerra (22)   O Carlos surpreendeu os terapeutas e os médicos. Em Alcoitão, em poucos dias adaptou-se à prótese, e começou andar sem o apoio das canadianas. Quiseram perceber o que é que tinha contribuído para um empenhamento tão grande Disse-lhes que a motivação vinha do filho e da namorada. Tinha de começar uma vida nova, sair do hospital, ir viver com eles, trabalhar, esquecer aqueles dolorosos tempos No Hospital militar, sabendo da extraordinária adaptação, os médicos informaram-no de que lhe iriam dar alta Queria muito informar, a Miquelina, das boas notícias. Mas, infelizmente, os pais dela não tinham telefone, escreveu-lhe uma carta Com o fim da recuperação, começavam as preocupações com o futuro. Assim que tivesse alta, iria falar com os ex-patrões da namorada, saber se lhe arranjariam emprego, onde seria o local de trabalho, qual a renumeração, para poderem organizar a vida, a três Mal teve alta, foi tratar de saber sobre o emprego. Foi muito bem recebido, pelos ex-...

Estrume!

Fretes! Para fazer fretes é preciso ter alvará e estômago Porque há mercadorias que cheiram muito mal: o estrume Mas também outras há, que também são muito poluentes Como o lítio, o hidrogénio verde, as negociatas Sem esquecer os impactos ambientais Que os há, para todos os gostos, e protegem os animais! Depois, temos a pandemia a fazer lembrar uma canção ÀS quatro da madrugada, não estavam à janela Mas levaram-nos para o campismo, onde não havia nada  Nem mercearia, nem pão. Que grande trapalhada! Tudo, às quatro da madrugada A nossa democracia está muito avariada Com tanto estrume, como é que temos tantos escravos, na agricultura! Temos muitos desempregados, mas não querem trabalhar nas estufas Preferem dar uso às pantufas É sinal de que já evoluímos muito! Já nos podemos dar ao luxo de recusar os tralhos mais duros. José Silva Costa  

Amor & guerra (21)

 Amor & Guerra (21) O Carlos, finalmente, recebeu a prótese. Estava desejoso de a começar a utilizar Já o tinham avisado de que a adaptação não era fácil. Tentou colocar-se em pé e andar, mas não conseguiu, nem com o auxílio de uma canadiana. Era uma coisa estranha, que o seu corpo não reconhecia, como acontece, quando colocamos, a primeira vez, uma prótese, seja para o que for Os enfermeiros pediram-lhe para não desesperar, por que com o tempo tudo ia ao lugar, e com a força de vontade que ele tinha, ainda era mais fácil Queria ir a Braga, para ver o filho e a namorada, conhecer os pais dela e agradecer-lhes, por a terem acolhido, quando ficou gravida e não pode continuar a trabalhar, em Lisboa Estava-lhes muito grato, por terem tido uma atitude muito diferente, do que alguns pais fazem. Negando-se a ajudarem as filhas e, por vezes, também os netos, quando lhes aparecem em casa, por terem sido abandonadas pelos pais dos filhos Como é que, ainda, há pais que se negam a ajudarem as ...

A Europa!

Dia da Europa   A nossa bela Europa Tem um dia, a ela, dedicado Para que cada dirigente Se sente à volta de uma mesa Para beberem uns copos Em honra da sua gente E proclamarem solenemente Que mesmo aos solavancos Ela seguirá em frente Enquanto isso acontecer Pode ser que não peguem em armas Para se matarem, novamente Com a saída, do Reino Unido, da C.E. Os peixes não sabem onde pôr o pé Fazendo com que os pescadores Franceses e britânicos já agitem a maré Brindemos aos 27, para que se mantenham de pé Transmitindo, aos seus povos, fé Para que não se revoltem Não exijam, mais uma vez, um banho de sangue Não há nada que pague a Paz!   José Silva Costa

Amor & guerra (20)

Amor & guerra (20) Para os pais da Miquelina foi um grande choque, saberem que o futuro genro tinha uma perna amputada, mas nunca o demonstraram à filha. Sempre com palavras animadoras foram-lhe dizendo que podia muito bem fazer uma vida normal e que poderiam ser muito felizes os três Ficaram animados quando a filha lhes disse que os antigos patrões lhe prometeram que arranjavam um emprego para o Carlos. Regozijaram-se por haver pessoas tão boas Passaram a viver em função da filha e do neto. Queriam aproveitar a estarem com eles o máximo de tem possível. Sabiam que quando fossem para Lisboa, raramente os veriam Estava a começar uma época em que os pais só conviviam com os filhos, enquanto não eram autónomos, depois mal os viam, porque iam para as grandes cidades, ou para o estrangeiro O fim da segunda guerra mundial veio impor um novo ritmo, com a Europa destruída, foi preciso muita mão-de-obra, para a reconstruir. Por isso é que os países fechavam os olhos à emigração clandestina,...

Vacinas!

Vacinas! Hoje, foi dia de vacinação Primeira dose da Astrazeneca Segunda dose a 28/7/2021 Boa noite para todos! José Silva Costa

A Língua Portuguesa

Dia Mundial da Língua Portuguesa   Uma língua oficial de nove países Uma língua de muitos falantes Uma língua que não é deste, nem daquele Mesmo que alguns se julguem donos dela Que exigem que se rasgue um acordo Não sei se é isso que fazem, quando fazem acordos! Mas, Portugal não pode dar esse, mau, exemplo Nem ninguém o devia dar Deviam era bater-se para o ratificar Se não serve, se não presta, façam outro Não queiram é rasga-lo, unilateralmente Porque o português une muita gente E há, cada vez, mais gente a querer fala-lo A riqueza da nossa língua está na diversidade Nunca, no puritanismo, que alguns defendem.   José Silva Costa            

Amor & guerra (19)

Amor & guerra (19) O Firmino convenceu a Bárbara e a Sara a ficarem em Luanda. Agora, a família era maior: tinham os pais dele e o irmão Em Luanda reinava a tranquilidade, podiam disfrutar da bonita cidade, todos estavam felizes: o Firmino, a Bárbara e a Sara por terem ganho uma família alargada, os pais dele por terem uma nora e uma neta, o irmão por ter uma cunhada e uma sobrinha O Firmino estava a viver um grande sonho, por estar na sua cidade, acompanhado da mulher que o encantou. Queria que ela e a filha conhecessem a bonita cidade de Lunda Levou-as à ilha do Mussulo: um paraíso, onde se podem passar agradáveis dias Aos cinemas ao ar livre, onde estamos com um olho no ecrã e outro na marginal Militares, sempre, a chegarem e a partirem para a guerra, e que no pouco tempo, que ficavam, procuravam o Bairro Operário, o correspondente ao Bairro Alto, em Lisboa A cidade vivia na euforia e alegria, e quem não soubesse, não diria que havia guerra!   A Miquelina, depois de dar as boas ...

Dia da Mãe

Dia da Mãe   Mãe, que palavra tão doce! Tu és amor, colo, formusura Tu és ternura Tu és calor No teu ombro  Descanso a dor Os teus beijos têm sabores  Curam todas as dores Tu és magia Os teus olhos são alegria São eles que alegram o meu dia És a mais bela flor O meu primeiro amor.   Feliz dia para todas as Mães. José Silva Costa  

Dia do trabalhador

Dia do trabalhador   Tantas lutas ao longo dos séculos Tantos trabalhadores explorados Nas dores, desesperados! De dias sem horários Como se fossem trabalhos forçados Nas duras lutas, por tralho digno Contra o capital, que quer, sempre, mais dividendos Uma luta, em que os trabalhadores são mais, mas valem menos Pressionados por quem tem o poder de lhes dar ou tirar o comer Muitas vezes têm de aceitar trabalhar em indignas condições Muito trabalhando, para não morrerem de fome Alguns dos que constroem as casas, não têm direito a casa Enquanto outros têm mais que uma! Um eterno problema, sem emenda Em que os mais fortes exploram os mais fracos Sejam pessoas ou países A ganancia não tem limites Todos queremos acumular riqueza Seja ou não à custa da tristeza Por que não reduz a pobreza? Enquanto não recusarmos o barato  Que foi fabricado pelo explorado E, o ambiente não foi respeitado Não poderemos viver com agrado.   José Silva Costa