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Mostrando postagens de abril, 2019

Maio

Abril Abril, o mês mais florido O mês da liberdade O mês de águas mil Abril, trouxeste uma madrugada perfumada Cheia de dúvidas e sonhos Uma promessa de mudança, na cor de um cravo Uma promessa de amor do tamanho do coração Uma revolução que não queria que o sangue manchasse a sua ação Abril, 45 anos a sonhar com cravos a florir Nos canos das espingardas, como se fossem balas perfumadas As ruas, primeiro, ficaram caladas Depois, rebentaram de alegria Nunca Lisboa tinha assistido a tanta magia Em todas as ruas, a liberdade, corria Para adultos, jovens e crianças, sorria Foi o mais longo dia À espera de sabermos para onde o futuro iria José Silva Costa  

Campanhas eleitorais

Esbanjar Indiferentes aos vinte por cento de pobres, deficientes serviços públicos, baixos salários Os partidos continuam surdos e mudos aos sinais dos tempos Não aceitaram que os diferentes atos eleitorais se realizassem todos no mesmo dia! Preferem meio ano de campanhas eleitorais, porque já produzimos demais! Quanto se poderia poupar? Parece que temos muito, para esbanjar Vão gastar cinco milhões, só para as europeias Não admira que falte, para tantas coisas, também, muito importantes Tornaram-se máquinas opressivas, que só veem e ouvem os que os apoiam Quem discordar ou opinar é imediatamente insultado e expulso No Governo e em algumas autarquias criaram centros de emprego Primeiro para os familiares, para os outros só se sobrar.   José Silva Costa              

45 anos

25 de Abril de 2019 ( 45 anos) Quarenta e cinco anos, na vida de uma pessoa, pode ser muito tempo, mas na vida do Mundo, ou de um país, não é nada! Há 45 anos fomos acometidos por tantos sonhos, tantas expetativas, e, hoje, olhamos para trás e o que é que vemos! Um rasto de corrupção, de vaidades, de desigualdades; aumentaram os muito ricos, muito pobres e os sem-abrigo Para alguns, viver é mesmo um castigo! A justiça não funciona: nem mesmo depois de o processo ter transitado em julgado, o condenado, para a prisão, não é levado Felizmente ainda, podemos falar, mas isso não chega! Com uma dívida de mais de 120% do produto Interno Bruto Que nos custa, em juros, 14% dos impostos: a 3ª maior fatia, mais do que a educação! Não conseguir um emprego é uma maldição Com salários e pensões miseráveis, continuamos na cauda da Europa Nem tudo é mau: temos muito mais e melhores vias de comunicação Muito melhor educação e cuidados de saúde Mas não conseguimos estancar o abandono do interior Nem mes...

Nosso drama

Nosso drama   Por todo o lado Em todos os Continentes Avalanchas de gentes Fogem das guerras e da fome Nada as detêm Nem fronteiras, nem barreiras Nações são asneiras A fome não reconhece bandeiras Os políticos não têm fome Ameaçam os emigrantes de morte Não querem saber da sua sorte Quem tem poder julga-se forte Recorre a tudo, ameaça com o corte De fronteiras, de negócios, de ajudas Mas, as mães pelos filhos fazem tudo! Viram o Mundo, se preciso for Sem medo, nem terror Porque eles são o seu maior valor Perdê-los é a sua maior dor.     José Silva Costa    

Quando tudo acaba

  Quando tudo acaba O trágico acidente, que acaba de acontecer, na Ilha da Madeira Foi o fim de todos os sonhos, para as 18 mulheres e 11 homens Para os seus familiares e amigos as mais sinceras condolências Num dia, já por si agitado, devido à falta de combustível É muito duro sofrer este duro murro, para nos fazer pensar Que a vida tem tanto de importante como de periclitante Para quê tanta fome, tantas desigualdades? Tantas vaidades, tanto racismo, fazendo com que a cor seja um castigo Paz às suas almas.   José Silva Costa        

Mulheres!

Mulheres!   Pode não ser uma nova primavera árabe Mas, em poucos dias, dois ditadores foram ao ar Não resistiram à pressão das manifestações Quando as populações se unem, nem as armas as calam Na Argélia e no Sudão nasceram ventos de esperança No Sudão, foi das mulheres, o papel principal São elas e os filhos quem mais sofre, com as guerras No fogo cruzado, são abusadas, escravizadas, mal tratadas São elas quem mais trabalha nos campos, nas lavras Tentando assegurar, às famílias, o sustento Num Continente a precisar de melhor vento Quando cai um ditador, seja onde for, é sempre um bom momento Mas em África, de onde tanta gente foge por causa das guerras, da fome, do horror Cada dia de esperança tem muito mais valor!   José Silva Costa

ovos de oiro!

A galinha dos ovos de oiro   A Câmara Municipal de Sintra tem um espaço de apoio aos munícipes O Espaço do Cidadão, onde se podem tratar muitos assuntos Um espaço bem organizado e eficiente, um espaço diferente De vez em quando, uma funcionária vai à sala de espera e dirige-se aos presentes Em português e inglês perguntando-lhes se precisam de ajuda, de impressos, etc. Com estas triagens despacha logo metade da clientela “ falta o atestado de residência, o inicio de atividade, tem de ir ao serviço de cartografia, para saber para que está licenciado o espaço” Com o alojamento local, como galinha dos ovos de oiro, não falta quem queira, tudo alugar Para onde quer que nos viremos, nas cidades ou nas pequenas localidades Só vemos placas com as letras A.L. Todos os que querem alugar espaços, sejam construídos em madeira, alvenaria ou cimento armado, os mesmos, têm de estar licenciados para habitação Assim, quem quer transformar os currais, os palheiros, os galinheiros, em galinha de ovos de...

Água!

A água   Uma planta desmaiada Por uma gota de água, reanimada Numa perfumada madrugada Com a Lua, por uma lágrima de nuvem, lavada Toda a Natureza participou na alvorada De um dia, que nasceu do nada Quando uma nuvem é tão importante Para fazer inchar uma semente E, uma nova vida começa instantaneamente Com um pulsar ofegante Como se fosse um grito de gente erguida Germinada no calor suado de um beijo No imenso prazer do desejo Num ato de amor verdadeiro A água é o nosso mealheiro Devemos poupá-la o ano inteiro Como fazemos com o nosso dinheiro.   José Silva Costa              

O encanto das cidades

O encanto das Cidades Quando os turistas desaguam nas praças das nossas cidades E ficam de boca aberta com o encanto dos nossos monumentos Não sabem nem sonham, o que se esconde, por de trás das bonitas fachadas Muitos idosos, na solidão de quatro paredes, sustentam, com os seus corpos, o desmoronamento das cidades Já não lhes bastavam as dores, o peso dos anos, o tempo a escoar-se por entre os dedos Ainda têm de viver com o medo, a incerteza de não saberem o que lhes pode acontecer Assediados por quem lhes quer roubar o lugar onde nasceram ou onde há muito vivem Não conseguem, nem nos últimos anos de vida, um momento de paz Mesmo que a lei os proteja, os fundos de investimento não têm sensibilidade nem rosto E, quando não aceitam as miseráveis condições em que os querem despejar Ou quando não há dinheiro que lhes pague o que sente por o seu lugar Porque saírem de onde têm raízes e alguém que lhes dê atenção É como condená-los a uma morte antecipada Então, os novos donos das cidades, r...

Mais Lágrimas

Um Texto Que Tem Mais LÀGRIMAS Do Que PALAVRAS !!!            Texto Absolutamente Imperdível. Do Mural de Maria de Lourdes dos Anjos     Quando os meninos  me pediam "papel macio pró cu e roupa boa prá gente"… Um dos textos que mais me custou a  escrever e por isso tem mais lágrimas do que palavras. Estávamos ainda no século XX, no longínquo ano de 1968, quando a vida me deu oportunidade de cumprir um dos meus sonhos: ser professora. Dei comigo numa escola masculina, ali muito pertinho do rio Douro, na primeira freguesia de Penafiel, no lugar de Rio Mau. Era tão longe, da minha rua do Bonfim, não podia vir para casa no final do dia, não tinha a minha gente, e eu era uma menina da cidade com algum mimo, muitas rosas na alma, e tinha apenas 18 anos. Nada me fazia pensar que tanta esperança e tanta alegria me trariam tanta vida e tantas lágrimas.  Os meninos afinal eram homens com calos nas mãos, pés descalços e um pedaço de broa no bolso das calças remendadas. As meninas eram m...

Elemento

O vento Na beleza do vento descanso o pensamento Nesse voltear e assobiar está uma grande alegria Um colorido e um perfume invisíveis que ninguém imagina Se conseguíssemos abraçar o vento poderíamos ver o seu encantamento Um rodopiar sem igual, uma leveza, que nos podia, para qualquer lugar, levar Ah! Como é volátil e mavioso o seu massajar Quantas vezes, me atravesso, no teu caminho, para te tentar agarrar! Mas escapules te não sei por onde, que nunca te consigo agarrar Sinto o teu afagar, mas não te consigo beijar Não penses que vou parar, desistir de te, um dia, nos meus braços, apertar Podes ser muito escorregadio, invisível e até frio Um dia vou surpreender-te, prender-te e dormir nos teus braços Não deve haver melhor berço! Não te esqueço Espero-te em todas as esquinas Onde tanto arrefeço Para não perder, uma só que seja, oportunidade de te admirar.   José Silva Costa