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Mostrando postagens de janeiro, 2018

O nascimento de uma Escola

O nascimento de uma Escola (2)     Professora, alunos e pais havia muito que esperavam o mobiliário e material didático Todos ansiavam pela chegada do que lhes tinha sido prometido, no sentido de, pelo menos, no interior, aquele espaço se assemelhar a uma Escola, uma vez, que vista de fora, quem não soubesse, dificilmente diria que funcionava ali uma Escola! Já o segundo período ia avançado quando, numa manhã de sol radioso, avistaram uma carroça, da Câmara Municipal de Mértola, puxada por um macho, conduzida por um funcionário da respetiva Câmara, carregada de material. A professora mandou todos saírem, ninguém conseguiria, depois de avistarem a carroça e saberem que transportava o material tão aguardado e desejado, que voltassem a dar atenção ao que a professora lhes estava a ensinar. Quando saíram já a carroça vinha a meio da descida, já tinha deixado para trás a estrada principal, sempre vigiada pelo gigante marco geodésico. Todos quiseram participar, ajudando a descarregar a carro...

Estado Novo

A Base VIII da proposta de lei para a Reforma do Ensino Primário estabelece que «as Câmaras Mu- nicipais fornecerão instalações para as escolas e postos escolares, providas do material didáctico necessário e de uma pequena biblioteca popular adequada ao meio.» Casamento de professoras «O casamento das professoras não poderá reali- zar-se sem autorização do Ministro da Educação Na- cional, que só deverá concedê-la nos termos seguin- tes: 1.° Ter o pretendente bom comportamento mo- ral e civil; 2. ° - Ter o pretendente vencimentos ou rendi- mentos, documentalmente comprovados, em harmonia com os vencimentos da professora.» (Art. 9: do dec. n.• 27:279, de 24-11-936) As interessadas devem requerer a Sua Exce- lência o Ministro com fundamento no artigo citado, e juntar ao reqrserimento documentos comprovativos da idoneidade moral e civil, bem como dos vencimen- tos ou rendimentos do seu noivo. Os processos respeitantes a pedidos de autoriza- ção para casamento de professoras de ensino prim...

No Vazio do plural

O tempo   Janeiro está quase fora Fevereiro não dura mais que meia hora O tempo é o nosso principal sustento E, nós desperdiçamo-lo a todo o momento Muitas vezes com ocupações, que não passam de ilusões No vazio do plural, adiamos o essencial Sem refletirmos e entendermos o que estamos a fazer Que aquele momento não volta, morreu! Nunca mais o podemos recuperar Temos de ter sempre presente Que há coisas que não podem esperar! Ou, as apanhamos com ambas as mãos Com todo o corpo e o coração Ou, foi um momento, que voou com o vento Fica para depois, para outro dia, quando tiver tudo arrumado, quando estiver descansado/a, quando acabar o jogo de futebol, quando terminar a série! Não! Só o nosso tempo acaba, o resto vai continuar por os séculos fora Hoje, a gestão do tempo é muito m ais importante que a gestão financeira Quem o não souber aproveitar, vai a um dia chegar, dizendo: Andei, o importante, a adiar Agora, tenho todo o tempo! Mas, já não tenho nem como, nem onde o gastar Vi o fugir...

O nascimento de uma Escola

O nascimento de uma Escola       (1)     Estávamos em Outubro de 1951   José teve a sorte de ter sido criada uma escola, num monte a um quilómetro do monte onde vivia, o que fez com que entrasse para a escola com seis anos. No Lobato, alguém ofereceu uma casa com duas ou três divisões, para ali nascer uma escola Três ou quatro professoras foram ver o local, para onde iriam trabalhar, mas só a última aceitou criar uma Escola, numa casa particular, com quatro paredes, seis ou sete cadeiras, uma ou duas mesas, nada mais! A professora era uma jovem muito determinada e apostada em tirar as crianças dos trabalhos no campo, para que aprendessem a ler e escrever. Eram pouco mais de meia dúzia, de varias idades, entre os seis e os onze anos. Poucos pais tinham a perceção de que mandar os filhos à escola era o melhor para o seu futuro. Eles não tinham ido à escola e conseguiam governar a vida. Portanto, ainda não se tinham apercebido de quanto era importante saber ler e escrever. Passado um ou d...

Códigos de Conduta

  Códigos de Conduta   Todos os dias o Governo emite códigos de conduta Aqueles que elegemos para nos governar, representar e legislar Não sabem como se comportar, não sabendo o que devem ou não aceitar! Vão ao futebol, mas não sabem, os bilhetes, comprar Nas feiras, oferecem-lhes chouriços e copos de vinho, para beber Não sabem o que fazer, para não ficarem a falar sozinhos Vão ter de andar, sempre, com o código dos códigos, para verem o que podem fazer Em qualquer ato, têm antes de consultar o respetivo código Para saberem o que podem ou não fazer Será desta, que vão acabar com a corrupção? Não sabem, onde e como colocar a mão! Só com muitas horas de formação, compreenderão que não há almoços grátis Quem oferece um chouriço, espera receber, ou já recebeu um porco! Portanto, meus senhores não se esqueçam dos favores Parece, que o que está em causa são, apenas, os valores!   José Siva Costa               Rodízio,17/01/18   Códigos de Conduta   Todos os dias o Governo emite códigos de c...

As meias de vidro

As meias de vidro  Estávamos em Julho de 1955  Chegara a altura dos exames da Quarta Classe  À Vila de Mértola tinham acorrido os alunos e familiares, de todas as escolas do Concelho, para prestarem provas. José, pela primeira vez, na vila, estava encantado com o rio e o gasolina, o barco, que não sei quantas vezes, por semana, fazia a ligação entre Mértola e Vila Real de Santo António, descendo e subindo o Guadiana José, assim que podia corria para o Mercado Municipal, que tem uma vista espetacular para o rio, a moagem que existia no outro lado do rio e as fundações, para a construção da ponte, que estavam a começar Alice com vinte e oito anos, já com três filhos, acompanhou o mais velho, para a prestação das provas. Deixou os dois mais novos com o marido; tinham de passar, pelo menos, uma semana, na Vila Sem meios para pagar uma pensão, um senhor da GNR emprestou-lhes uma casa que estava desabitada. Pela primeira vez tinham de fazer as necessidades dentro de casa, para um balde, que ...

Pérolas caem do céu

Chove, chove, meu Janeiro Não faças frio, nem nevoeiro Não leves a velha, nem o cordeiro Chove, chove, meu Janeiro Porque ainda não corre água, no ribeiro Chove, chove, leva o mau cheiro Chove, chove um mês inteiro Porque a água é dinheiro Chove, chove meu mês, primeiro Chove, chove mais um aguaceiro Chove, chove para regares o meu loureiro Chove, chove para encheres o meu mealheiro Chove, chove, porque fazes sorrir o lameiro Chove, chove para lavares o soalheiro Chove, chove para refrescares todas as árvores e o meu limoiero.     José Silva Costa      

Criança!

Quando nasce uma criança: É o Natal a chorar É o presépio a cantar É uma Estrela no altar É o Mundo que avança É a Natureza que dança É a esperança que nasce É o amor que renasce É o amanhecer de um sorriso É o florir de um grito É uma flor sem idade É um presente à humanidade É o futuro, é a alegria É um raio de luz É a maior magia.         José Silva Costa

Meu amor!

Meu Amor     Ai, meu bem Dos teus rubros lábios Voam rios de versos São melodias, são mel Que bebo ao luar.   Ai, meu amor O teu coração é uma flor De mãos dadas seguramos a madrugada Sonhamos com a lua encantada.   Ai, minha flor Os teus olhos são pétalas São a minha luz São a chama a iluminar o amor.   Ai, idílico jardim Onde planto sonhos Que embalas nos olhos risonhos Enquanto adormeces o sono.           José Silva Costa

Se for preciso!

Conversa de políticos     Se for preciso contratamos mais enfermeiros, em Março! Se for preciso abrimos mais Centros de Saúde, estamos em contato com Sr. ministro das Finanças Se for preciso arranjamos mais camas hospitalares Se for preciso contratamos mais professores Se for preciso contratamos médicos de família para todos os portugueses Se for preciso desmarcamos, ainda mais, cirurgias programadas, para dar lugar aos engripados Se for preciso aqueceremos as salas de aula, lá para o verão Se for preciso arranjaremos trabalho para todos os portugueses Se for preciso acabaremos com todos os sem abrigo Se for preciso acabaremos com o caus nas urgências Se for preciso voltaremos a dar vida ao interior Se for preciso aumentaremos para mais cinquenta vezes as Juntas de Freguesia Se for preciso aumentaremos para mais cem vezes as Câmaras Municipais Se for preciso faremos qualquer coisa Até lá está tudo bem como está!   José Silva Costa          

A vida!

A Chuva   Caiem gotículas de vida A multidão está aborrecida A semente estava adormecida Sentia-se tão triste e esquecida Tanto tempo no pó, aborrecida Lavou os olhos e inchou de alegria Tantos meses de hibernação à espera Que uma gotícula lhe desse vida Tudo o que estava à espera de água fervilha Um pássaro desenterrou um grão de ervilha Que rolou no declive para dentro duma cova Fugiu da morte certa para uma vida incerta Preferiu mais uma incursão no ciclo da vida Sempre com a ambição da multiplicação As sementes experimentam um fogo ardente O verde rebenta do seu ventre A Natureza brilha, novamente Para alegrar toda a gente Mesmo para os que não gostam da chuva Que não querem saber da sede da semente Mas, dizem-se amantes da Natureza!   José Silva Costa          

Mãe e Filha

Alice   Mãe e filha grávidas ao mesmo tempo! Para Teresa era a sua nona gravidez Para a Alice a sua segunda gravidez Alice ia ter um irmão com a idade do seu segundo filho José, o primeiro filho de Alice, nunca achou jeito tratá-lo por tio (menos quatro anos) Quem não souber pensa que são irmãos Nos meados do século passado, nos meios rurais, poucos iam aos médicos Teresa e Alice tiveram as suas crianças sem qualquer assistência qualificada Alice, aquando do seu primeiro filho, esteve muito mal, porque perdeu muito sangue Na falta de médico, chamaram um curioso, que lhe fez uma sangria! Infelizmente, quantas mulheres e bebés morreram por falta de assistência médica? Alice tinha acabado de fazer dezoito anos, uma jovem saudável, o que talvez a tenha ajudado a recuperar Na terceira gravidez, numa bela manhã de Maio, Alice sentiu que tinha chegado a hora do parto, como estava sozinha com os dois filhos, o marido já tinha saído para o trabalho, disse ao José, que com o irmão fossem à casa ...

Contra a corrente!

Contra a corrente!     Mais um Ano! Nada melhor para o receber do que barulho, destruição, poluição, fogo-de-artifício Tanto dinheiro queimado, em todo o Mundo, para tentar esconder, o seu estado! Recordes e mais recordes de destruição e poluição Toneladas, muitas toneladas, cada ano mais toneladas, de fogo-de-artifício rebentado As multidões aplaudem, embasbacadas, ao desaparecimento, de tanto milhão, em poucos minutos, queimado A manutenção desta tradição (aberração) é tão grave, que já teve de ser proibida em algumas cidades, porque não suportam mais poluição Este jovem século, que acaba de atingir a maioridade, já rebentou com seculares tradições: As touradas, o trabalho dos animais nos circos, a obrigatoriedade de, todos, fumarmos nos transportes públicos, nos espaços públicos, fechados, sem que o desejássemos, matar muitos pinheiros naturais, para os enfeitarmos de árvore Natal Coisas impensáveis, no século passado! Fomos, tantas vezes, acusados de estarmos no lado errado Mas com...