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Mostrando postagens de abril, 2024

Primeiro de Maio

Dia do trabalhador, 2024   Esquece a dor Beija a tua flor No dia do trabalhador Esquece o teu labor Beija o teu amor Oferece-lhe uma flor O dia é teu Homenageemos quem a vida deu Para que tenhamos um dia Para homenagear quem trabalha Quem tudo produz Que não é valorizado Do teu esforço só te dão um pequeno bocado A maior parte fica para o patronato O capital tem de ser bem renumerado Para o dividendo ser elevado O acionista é o colaborador destacado De escravo passaste a trabalhador Depois, foste promovido a colaborador Desde que estejas, sempre, disponível De dia ou de noite, estejas ou não de férias Deixaste de ter vida familiar Passaste a ser mais uma peça da empresa Quanto maior for a disponibilidade, maior será a sua grandeza Tudo medidas para acabar com a pobreza Tudo medidas para uma melhor distribuição da riqueza.   José Silva Costa    

Quingentésimo ano (122)

Ferido sem ter cura perecia O forte e duro Télepho temido Por aquelle que na agua foi metido, E a quem ferro nenhum cortar podia. Quando a Apollineo Oraculo pedia Conselho para ser restituido, Respondeo-lhe, tornasse a ser ferido Por quem o ja ferira, e sararia. Assi, Senhora, quer minha ventura; Que ferido de ver-vos claramente, Com tornar-vos a ver Amor me cura. Mas he tão doce vossa formosura, Que fico como o hydropico doente, Que bebendo lhe cresce mór seccura. Luís de Camões

Quingentésimo ano (121)

Eu vivia de lágrimas isento, num engano tão doce e deleitoso que, em que outro amante fosse mais ditoso, não valiam mil glórias um tormento. Vendo-me possuir tal pensamento, de nenhüa riqueza era envejoso; vivia bem, de nada receoso, com doce amor e doce sentimento. Cobiçosa, a Fortuna me tirou deste meu tão contente e alegre estado, e passou-se este bem, que nunca fora; em troco do qual bem só me deixou lembranças, que me matam cada hora, trazendo-me à memória o bem passado.   Luís de Camões

Quingentésimo ano (120)

Este amor, que vos tenho limpo e puro, De pensamento vil nunca tocado, Em minha tenra idade começado, Tê-lo dentro nesta alma só procuro. D'haver nelle mudança estou seguro, Sem temer nenhum caso, ou duro fado, Nem o supremo bem, ou baixo estado, Nem o tempo presente, nem futuro. A bonina e a flor asinha passa; Tudo por terra o inverno e estio deita; Só para meu amor he sempre Maio. Mas ver-vos para mim, Senhora, escassa, E qu'essa ingratidão tudo me engeita, Traz este meu amor sempre em desmaio.   Luís de Camões

Quingentésimo ano (119)

Está-se a Primavera trasladando Em vossa vista deleitosa e honesta; Nas bellas faces, e na boca e testa, Cecens, rosas, e cravos debuxando. De sorte, vosso gesto matizando, Natura quanto póde manifesta, Que o monte, o campo, o rio, e a floresta, Se estão de vós, Senhora, namorando. Se agora não quereis que quem vos ama Possa colher o fructo destas flores, Perderão toda a graça os vossos olhos. Porque pouco aproveita, linda Dama, Que semeasse o Amor em vós amores, Se vossa condição produze abrolhos. Luís de Camões

Quingentésimo ano (118)

Está o lascivo e doce passarinho Com o biquinho as pennas ordenando; O verso sem medida, alegre e brando, Despedindo no rustico raminho. O cruel caçador, que do caminho Se vem callado e manso desviando, Com prompta vista a setta endireitando, Lhe dá no Estygio Lago eterno ninho. Desta arte o coração, que livre andava, (Postoque ja de longe destinado) Onde menos temia, foi ferido. Porque o frecheiro cego me esperava, Para que me tomasse descuidado, Em vossos claros olhos escondido. Luís de Camões

2 Governos!

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2 Governos! por cheia, em 25.04.24                          Reedição   2 Governos! 25 de abril de 2024 50 Anos! Corrupção! Foram precisos 50 anos de democracia, para que a corrupção provocasse a interrupção de duas legislaturas, fazendo com que 2 Governos caíssem: O Governo da República e o Governo da Região Autónoma da Madeira Cada vez que uma legislatura não é cumprida, o país sofre graves prejuízos. Mas, estas são, ainda, mais graves, porque temos um PRR para executar, cujo prazo termina a 31/12/2026 Este PRR tem contrapartidas, que têm de ser aprovadas no Parlamento. Como, com eleições, certas leis não são populares, não foram aprovadas, o que faz com que tenhamos 713 milhões de euros, parados em Bruxelas Assim, enquanto os nossos parceiros se preparam, para o futuro, nós marcamos passo: é o nosso fado Durante todos estes anos, os políticos tentaram esconder a corrupção, sempre que são confrontados com irregularidades, dizem que estão de consciência tranquila.   Menac foi “desenhad...

Quingentésimo ano (117)

Esfôrço grande, igual ao pensamento, Pensamentos em obras divulgados, E não em peito timido encerrados, E desfeitos despois em chuva e vento; Ánimo da cobiça baixa isento, Digno por isto só de altos estados, Fero açoute dos nunca bem domados Povos do Malabar sanguinolento; Gentileza de membros corporaes Ornados de pudica continencia, Obra por certo da celeste altura: Estas virtudes raras e outras mais, Dignas todas da Homerica eloquencia, Jazem debaixo desta sepultura. Luís de Camões

Quingentésimo ano (116)

Enquanto Febo os montes acendia do Céu com luminosa claridade, por evitar do ócio a castidade, na caça o tempo Délia dispendia. Vénus, que então de furto descendia, por cativar de Anquises a vontade, vendo Diana em tanta honestidade, quase zombando dela, lhe dizia: «Tu vais com tuas redes na espessura os fugitivos cervos enredando; mas as minhas enredam o sentido.» «Milhor é – respondia a deusa pura - nas redes leves cervos ir tomando que tomar-te a ti nelas teu marido.» Luís de Camões

2 Governos!

2 Governos! 25 de abril de 2024 50 Anos! Corrupção! Foram precisos 50 anos de democracia, para que a corrupção provocasse a interrupção de duas legislaturas, fazendo com que 2 Governos caíssem: O Governo da República e o Governo da Região Autónoma da Madeira Cada vez que uma legislatura não é cumprida, o país sofre graves prejuízos. Mas, estas são, ainda, mais graves, porque temos um PRR para executar, cujo prazo termina a 31/12/2026 Este PRR tem contrapartidas, que têm de ser aprovadas no Parlamento. Como, com eleições, certas leis não são populares, não foram aprovadas, o que faz com que tenhamos 713 milhões de euros, parados em Bruxelas Assim, enquanto os nossos parceiros se preparam, para o futuro, nós marcamos passo: é o nosso fado Durante todos estes anos, os políticos tentaram esconder a corrupção, sempre que são confrontados com irregularidades, dizem que estão de consciência tranquila.   Menac foi “desenhado para não funcionar” Em declarações à Antena 1,  João Paulo Batalha , ...

O Império

O Império – As teias que o Império teceu   57 A união faz a força, foi essa força que fez com que a cooperativa tenha contribuído para melhorar a vida de todos os cooperantes Cada vez produziam mais, produção que estava sempre vendida, porque a procura era superior à produção, fazendo com que continuassem a desmatar mais terreno, para aumentar a produção Era com entusiasmo que todos, novos e velhos, se dedicavam ao trabalho, sentiam uma enorme alegria ao verem as suas sementeiras a nascerem, crescerem, colherem os produtos de que alimentavam era uma sensação indescritível Com o aumento da produção e o funcionamento da cooperativa, as famílias passaram a ter sempre que comer, deixaram de estar abandonadas à sua sorte, imperava a solidariedade, não sendo permitido o açambarcamento, porque enquanto houvesse, era dividido criteriosamente e proporcionalmente às necessidades de cada família A Rosinha e o Januário estavam muito orgulhosos de toda aquela família, que constituía a cooperativa, ...

Quingentésimo ano (115)

En una selva al despuntar del dia estava Endemion triste y lloroso, buelto al rayo del sol que, presuroso, por la falda de un monte decendia. Mirando al turbador de su alegria, contrario de su bien y su reposo, tras un suspiro y otro congoxoso, razones semejantes le dizia: «Luz clara, para mi la más escura que, con este passeo apresurado, mi Sol con tu tiniebla escureciste: si allá pueden moverte en essa altura las quexas de un Pastor enamorado, no tardes en bolver adó saliste». Luís de Camões

Quingentésimo ano (114)

Em um batel que com doce meneio o aurífero Tejo dividia, vi belas damas ou, melhor diria, belas estrelas, e um Sol no meio. As delicadas filhas de Nereio, com mil cordas de doce harmonia, iam amarrando a bela companhia que, se eu não erro, por honrá-las veio. Ó fermosas Nereidas que, cantando, lograis aquela vista tão serena que a vida, em tantos males, quer trazer-me: dizei-lhe que olhe que se vai passando o curto tempo e, a tão longa pena, o espírito é pronto, a carne enferma. Luís de Camões

Quingentésimo ano (113)

Em prisões baixas fui hum tempo atado; Vergonhoso castigo de meus erros: Inda agora arrojando levo os ferros, Que a morte, a meu pezar, tẽe ja quebrado. Sacrifiquei a vida a meu cuidado, Que Amor não quer cordeiros nem bezerros; Vi mágoas, vi miserias, vi desterros: Parece-me que estava assi ordenado. Contentei-me com pouco, conhecendo Que era o contentamento vergonhoso, Só por ver que cousa era viver ledo. Mas minha Estrella, que eu ja agora entendo, A Morte cega, e o Caso duvidoso Me fizerão de gostos haver medo. Luis de Camões)

Quingentésimo ano (112)

Em formosa Lethea se confia, Por onde vaidade tanta alcança, Que, tornada em soberba a confiança, Com os deoses celestes competia. Porque não fosse avante esta ousadia, (Que nascem muitos erros da tardança) Em effeito puzerão a vingança Que tamanha doudice merecia. Mas Oleno, perdido por Lethea, Não lhe soffrendo Amor que supportasse Duro castigo em tanta formosura, Quiz a pena tomar da culpa alhea: Mas, porque a Morte Amor não apartasse, Ambos tornados são em pedra dura. Luís de Camões

Quingentésimo ano (111)

El vaso reluciente y cristalino, de Ángeles agua clara y olorosa, de blanca seda ornado y fresca rosa, ligado con cabellos de oro fino, bien claro parecía el don divino labrado por la mano artificiosa de aquella blanca Ninfa, graciosa más que el rubio lucero matutino. Nel vaso vuestro cuerpo se afigura, raxado de los blancos miembros bellos, y en el agua vuestra ánima pura. La seda es la blancura, y los cabellos son las prisiones y la ligadura con que mi libertad fue asida dellos. Luís de Camões

Quingentésimo ano (110)

Dos ceos á terra desce a mor Belleza, Une-se á nossa carne, e a faz nobre; E, sendo a humanidade d'antes pobre, Hoje subida fica á mor riqueza. Busca o Senhor mais rico a mor pobreza; Que, como ao mundo o seu amor descobre, De palhas vis o corpo tenro cobre, E por ellas o mesmo ceo despreza. Como? Deos em pobreza á terra dece? O qu'he mais pobre tanto lhe contenta, Qu'este somente rico lhe parece. Pobreza este Presepio representa; Mas tanto por ser pobre ja merece, Que quanto mais o he, mais lhe contenta. Luís de Camões

Quingentésimo ano (109)

Doces e claras águas do Mondego, Doce repouso de minha lembrança, Onde a comprida e perfida esperança Longo tempo apos si me trouxe cego, De vós me aparto, si; porém não nego Que inda a longa memoria, que me alcança, Me não deixa de vós fazer mudança, Mas quanto mais me alongo, mais me achego Bem poderá a Fortuna este instrumento Da alma levar por terra nova e estranha, Offerecido ao mar remoto, ao vento. Mas a alma, que de cá vos acompanha, Nas azas do ligeiro pensamento Para vós, águas, vôa, e em vós se banha. Luís de Camões

O Império

O Império – As teias que o Império teceu 56  O Januário e a Rosinha continuavam sem darem pela passagem dos dias, na companhia da neta, de tudo o resto se abstraíam  Queriam aproveitar todos os bons momentos do seu crescimento que, para os pais e avós, são de ternura e encantamento A Leopoldina e o Jeremias agradeciam a disponibilidade dos avós, podendo, por isso, dar mais atenção aos assuntos da cooperativa, que geriam com tanta dedicação, na esperança de poderem dar melhores condições de vida a todas as cooperantes Como todos os casais tinham muitos filhos, era muito difícil ver melhorias, apesar de todo o empenho, de todos Mesmo com toda a dedicação, era muito difícil aumentar, muito, a produção, e isso preocupava a Leopoldina, que se esforçava para que todos contribuíssem com os seus conhecimentos sobre as diversas culturas: milho, mandioca, batata-doce, jinguba (amendoim) A Milay e o Zacarias disseram, à Miquelina e ao Ezequiel, que estavam à espera de um bebé, os futuros avós não...

Quingentésimo ano (108)

Doce sonho, suave e soberano, se por mais longo tempo me durara! Ah! quem de sonho tal nunca acordara, Pois havia de ver tal desengano! Ah! deleitoso bem! ah! doce engano, se por mais largo espaço me enganara! Se então a vida mísera acabara, de alegria e prazer morrera ufano. Ditoso, não estando em mim, pois tive, dormindo, o que acordado ter quisera. Olhai com que me paga meu destino! Enfim, fora de mim, ditoso estive. Em mentiras ter dita razão era, pois sempre nas verdades fui mofino. Luís de Camões

Quingentésimo ano (107)

Doce contentamento já passado, em que todo o meu bem já consistia, quem vos levou de minha companhia e me deixou de vós tão apartado? Quem cuidou que se visse neste estado naquelas breves horas de alegria, quando minha ventura consentia que de enganos vivesse meu cuidado? Fortuna minha foi cruel e dura aquela, que causou meu perdimento, com a qual ninguém pode ter cautela. Nem se engane nenhüa criatura, que não pode nenhum impedimento fugir do que ordena sua estrela. Luís de Camões

Quingentésimo ano (106)

Dizei, Senhora, da Beleza ideia: Para fazerdes esse áureo crino, Onde fostes buscar esse ouro fino? De que escondida mina ou de que veia? Dos vossos olhos essa luz febeia, Esse respeito, de um império dino? Se o alcançastes com saber divino, Se com encantamentos de Medeia? De que escondidas conchas escolhestes As perlas preciosas orientais Que, falando, mostrais no doce riso? Pois vos formastes tal como quisestes, Vigiai-vos de vós, não vos vejais; Fugi das fontes: lembre-vos Narciso. Luís de Camões

Quingentésimo ano (105)

Diversos dões reparte o Ceo benino, E quer que cada huma alma hum só possua; Por isso ornou de casto peito a Lua, Que o primeiro orbe illustra crystallino; De graça a Mãe formosa do Menino, Que nessa vista tẽe perdido a sua; Pallas de sciencia não maior que a tua: Tẽe Juno da nobreza o imperio dino. Mas junto agora o largo Ceo derrama Em ti o mais que tinha, e foi o menos Em respeito do Autor da natureza. Que a seu pezar te dão, formosa dama, Seu peito a Lua, sua graça Venos, Sua sciencia Pallas, Juno sua nobreza Luís de Camões

A Família

A família! por cheia, em 12.04.24   25 de Abril, 24                Reedição   Em 50 anos muito envelheceste Já te querem reformar, mesmo que o tempo, para a reforma esteja a aumentar Ao 24 de Abril, querem regressar, para à “família tradicional” regressar  Ninguém está a querer casar! E, mais, não só não querem casar, nem filhos criar, quanto mais a casa dos pais abandonar Uma vez que não ganham o suficiente para uma casa alugar ou comprar O que eles querem é viajar, mesmo que alguns sejam contra as energias fósseis Hoje, a prioridade dos jovens é viajar. Os portugueses, mesmo com baixos vencimentos, ou não estando, ainda a trabalhar, dão-se ao luxo de irem fins-de semanas seguidos, por essa Europa fora, com o pretexto de irem visitar amigos/as, que estão a fazer Erasmo, ou sem pretexto Assim, como é que vamos voltar à ” família tradicional” dos 15 filhos? A não ser que façamos como o Estado Norte Americano do Arizona, que recorreu a uma lei de 1864, para proibir, também, o aborto em c...

Quingentésimo ano (104)

Ditoso seja aquelle que somente Se queixa de amorosas esquivanças; Pois por ellas não perde as esperanças De poder n'algum tempo ser contente. Ditoso seja quem estando ausente Não sente mais que a pena das lembranças; Porqu'inda que se tema de mudanças, Menos se teme a dor quando se sente. Ditoso seja, em fim, qualquer estado, Onde enganos, desprezos e isenção Trazem hum coração atormentado. Mas triste quem se sente magoado De erros em que não póde haver perdão Sem ficar na alma a mágoa do peccado Luís de Camões

Quingentésimo ano (103)

Ditosas almas, que ambas juntamente ao céu de Vénus e de Amor voastes, onde um bem que tão breve cá lograstes estais logrando agora eternamente. Aquele estado vosso tão contente, que só por durar pouco triste achastes, por outro mais contente já o trocastes, onde sem sobressalto o bem se sente. Triste de quem cá vive tão cercado, na amorosa fineza, de um tormento que a glória lhe perturba mais crescida! Triste, pois me não vale o sofrimento, e Amor, pera mais dano, me tem dado pera tão duro mal, tão larga vida! Luís de Camões

A família!

25 de Abril, 24   Em 50 anos muito envelheceste Já te querem reformar, mesmo que o tempo, para a reforma esteja a aumentar Ao 24 de Abril, querem regressar, para à “família tradicional” regressar  Ninguém está a querer casar! E, mais, não só não querem casar, nem filhos criar, quanto mais a casa dos pais abandonar Uma vez que não ganham o suficiente para uma casa alugar ou comprar O que eles querem é viajar, mesmo que alguns sejam contra as energias fósseis Hoje, a prioridade dos jovens é viajar. Os portugueses, mesmo com baixos vencimentos, ou não estando, ainda a trabalhar, dão-se ao luxo de irem fins-de semanas seguidos, por essa Europa fora, com o pretexto de irem visitar amigos/as, que estão a fazer Erasmo, ou sem pretexto Assim, como é que vamos voltar à ” família tradicional” dos 15 filhos? A não ser que façamos como o Estado Norte Americano do Arizona, que recorreu a uma lei de 1864, para proibir, também, o aborto em casos de violação ou incesto A educação sexual, nas escolas, ...

O Império

O Império – As teias que o Império teceu   55   Em 1761, no reinado de D. José I, foi proibida a importação de escravos em Portugal Continental e na Índia, não por razões humanitárias, mas por ser mão-de-obra necessária no Brasil Ao mesmo tempo foi estimulado o comércio de escravos negros para aquela colónia, foram fundadas, com o apoio e envolvimento direto do Marquês de Pombal, duas companhias: a Companhia do Grão-Pará e Maranhão e a Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba, cuja atividade principal era o tráfico de escravos, na maioria  africanos, para terras brasileiras Na lista de acionistas contavam-se, além do Marquês, muitos nobres e clérigos Entre 1757 e 1777, foram importados 25.360 escravos negros, para o Pará e Maranhão, vindos dos portos africanos As medidas protecionistas, adotados por Portugal, afastaram os negociantes brasileiros para outros portos menos controlados Os comandantes da marinha portuguesa receberam ordens para apreenderem os navios negreiros, tendo sido pre...

Quingentésimo ano (102)

Diana prateada, esclarecia com a luz que do claro Febo ardente, por ser de natureza transparente, em si, como em espelho, reluzia. Cem mil milhões de graças lhe influía, quando me apareceu o excelente raio de vosso aspecto, diferente em graça e em amor do que soía. Eu, vendo-me tão cheio de favores e tão propinco a ser de todo vosso, louvei a hora clara, e a noite escura, pois nela destes cor a meus amores; donde colijo claro que não posso de dia para vós já ter ventura. Luís de Camões

Quingentésimo ano (101)

Despois que vio Cibele o corpo humano Do formoso Atys seu verde pinheiro, Em piedade o vão furor primeiro Convertido, chorava o grave dano. E, á sua dor fazendo illustre engano, A Jupiter pedio, que o verdadeiro Preço da nobre palma e do loureiro Ao seu pinheiro désse, soberano. Mais lhe concede o filho poderoso Que, crescendo, as estrellas tocar possa, Vendo os segredos lá do ceo superno. Oh ditoso pinheiro! oh mais ditoso Quem se vir coroar da rama vossa, Cantando á vossa sombra verso eterno! Luís de Camões

Quingentésimo ano (100)

Despois que quiz Amor que eu só passasse Quanto mal ja por muitos repartio, Entregou-me á Fortuna, porque vio Que não tinha mais mal que em mi mostrasse. Ella, porque do Amor se avantajasse Na pena a que elle só me reduzio, O que para ninguem se consentio, Para mim consentio que se inventasse. Eis-me aqui vou com vário som gritando. Copioso exemplario para a gente Que destes dous tyrannos he sujeita; Desvarios em versos concertando. Triste quem seu descanso tanto estreita, Que deste tão pequeno está contente! Luís de Camões

Quingentésimo ano (99)

Descalço e sem chapéu Apolo louro, dos mais vestidos bem ataviado, um dia o vi vir tão namorado da lira, que nas mãos trazia, de ouro... Dizendo alegre vinha: «Ó meu tesouro, vida e tempo nas músicas gastado, com um defeito is desconcertado que, sendo português, me fazeis mouro. No trajo digo só, porque é costume na minha gente ser o trajo inteiro, não em parte; mas em tudo se resume. Dais-me pelote e capa, sem sombreiro; sem calças me subis num alto cume, aonde o vento temo ser ligeiro». Luís de Camões

Quingentésimo ano (98)

Deixando o doce fato e a cabana, Hilário pastor por ũa serra alçada desta arte se aqueixava em voz irada da fermosa pastora Terciana: «Nem tu és nascida de gente humana, nem foste em ventre de mulher gerada; mas antre as duras feras és criada, mamando o leite algũa tigre hircana. Se em ti houvera algum modo de sentido, meu mal movera a aspereza tua e abrandara teu peito endurecido. Mas creio que mostrando a ira sua, Deus, pera ser das gentes mais temido, fez a mim desditoso e a ti crua.» Luís de Camões

A ditadura!

Os negros anos da ditadura                                                                      Reedição Coadjuvada por uma cega censura Tendo como braço armado a sanguinária PIDE Auxiliada pelos informadores e os Legionários Abençoada pela Igreja Católica Que ao longo dos séculos tem estado, sempre, ao lado dos ditadores Encobrindo e colaborando nos seus horrores Onde os veneráveis eram os senhores doutores O povo na miséria, amordaçado, barbaramente explorado Por um ditador insensível, obcecado pelo ouro Em vez de desenvolver o país, para bem do povo No fim da segunda guerra mundial, viu-se pressionado e envergonhado Teve receio que, com o movimento para a recuperação da Europa, fosse apeado Tentou implementar um programa de alfabetização, mas não tinha professores, nem escolas Criou os postos escolares, entregues a professoras-regentes, apenas com a quarta classe Que só podiam casar com autorização do Ministro da Educação A instrução Primária terminava aos doze anos, fosse qual foss...

Quingentésimo ano (97)

Debaixo desta pedra sepultada Jaz do mundo a mais nobre formosura, A quem a morte, só de inveja pura, Sem tempo sua vida tẽe roubada, Sem ter respeito áquella assi estremada Gentileza de luz, que a noite escura Tornava em claro dia; cuja alvura Do sol a clara luz tinha eclipsada. Do sol peitada foste, cruel morte, Para o livrar de quem o escurecia; E da lua, que ante ella luz não tinha. Como de tal poder tiveste sorte? E se a tiveste, como tão asinha Tornaste a luz do mundo em terra fria? Luís de Camões

A ditadura!

Os negros anos da ditadura   Coadjuvada por uma cega censura Tendo como braço armado a sanguinária PIDE Auxiliada pelos informadores e os Legionários Abençoada pela Igreja Católica Que ao longo dos séculos tem estado, sempre, ao lado dos ditadores Encobrindo e colaborando nos seus horrores Onde os veneráveis eram os senhores doutores O povo na miséria, amordaçado, barbaramente explorado Por um ditador insensível, obcecado pelo ouro Em vez de desenvolver o país, para bem do povo No fim da segunda guerra mundial, viu-se pressionado e envergonhado Teve receio que, com o movimento para a recuperação da Europa, fosse apeado Tentou implementar um programa de alfabetização, mas não tinha professores, nem escolas Criou os postos escolares, entregues a professoras-regentes, apenas com a quarta classe Que só podiam casar com autorização do Ministro da Educação A instrução Primária terminava aos doze anos, fosse qual fosse o ano escolar, que se tivesse Como as escolas levavam tempo a construir, p...

Quingentésimo ano (96)

De vós me parto, ó vida, e em tal mudança Sinto vivo da morte o sentimento. Não sei para que he ter contentamento, Se mais ha de perder quem mais alcança. Mas dou-vos esta firme segurança: Que postoque me mate o meu tormento, Por as aguas do eterno esquecimento Segura passará minha lembrança Antes sem vós meus olhos se entristeção, Que com cousa outra alguma se contentem: Antes os esqueçais, que vos esqueção. Antes nesta lembrança se atormentem, Que com esquecimento desmereção A gloria que em soffrer tal pena sentem. Luís de Camões

O Império

O Império  -  As teias que o Império teceu  54 A Rosinha e o Januário não podiam estar mais felizes, a chegada da primeira neta, a Milene, veio trazer muita alegria e felicidade, a toda a família Os pais, a Leopoldina e o Jeremias, também, não cabiam em si de tanta felicidade e contentamento, com o aparecimento do seu primeiro rebento Não fossem as dores que quase sempre acompanham os velhos, os últimos anos de vida poderiam ser menos penosos e muito mais valiosos Mas, para isso, temos de aprender a viver: levar uma vida regrada, fazer uma alimentação saudável, menos alimentos processados, menos carne, mais fruta e vegetais, nada de refrigerantes, pouco álcool, fazer exercício físico Para os avós tinha começado uma nova vida, todas as suas energias seriam para o novo membro da família, a Milene Ser pais é maravilhoso, mas, normalmente é numa idade, ainda, jovem, com uma vida pela frente, com a responsabilidade de criar e educar aquele pequeno ser, que acabara de nascer, e que vai ser q...

Quingentésimo ano (95)

De quantas graças tinha a natureza Fez hum bello e riquissimo thesouro; E com rubis e rosas, neve e ouro, Formou sublime e angelica belleza. Poz na boca os rubis, e na pureza Do bello rosto as rosas, por quem mouro; No cabello o valor do metal louro; No peito a neve, em que a alma tenho accesa. Mas nos olhos mostrou quanto podia, E fez delles hum sol, onde se apura A luz mais clara que a do claro dia. Em fim, Senhora, em vossa compostura, Ella a apurar chegou quanto sabia De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.   Luís de Camões  

Abril!

Abril de 2024 Reedição Cinquenta anos em Liberdade a beber o vento Mais tarde ou mais cedo tinha de chegar este momento Há muito que o rumo tem muito de apoquento Há forças a remar contra qualquer entendimento O mundo sofrerá por não travar este recuamento A defesa da Liberdade merecia muito mais tento Mas, aqueles que sempre a tiveram, só pensam no sustento Acham que nunca a perderão, não pensam no evento Os novos ventos, para alguns, são um deslumbramento Mas, para os que muito sofreram com o tormento Nunca darão, a tais ideias, consentimento Sabem que foi muito longo e duro o ensinamento Todo o progresso é feito de muito trabalho e talento Para comermos o pão, temos de juntar à farinha, o fermento Se queremos viver em paz, não podemos escolher o vento turbulento Teremos de acarinhar os que defendem a solidariedade e o alinhamento Que colocam as pessoas no centro, contra a ganancia do enriquecimento As sociedades mais felizes são as que vivem em entendimento Onde não há grandes desig...

Quingentésimo ano (94)

De frescas belvederes rodeadas Estão as puras águas desta fonte; Formosas Nymphas lhes estão defronte, A vencer e a matar acostumadas. Andão contra Cupido levantadas As suas graças, que não ha quem conte: D'outro valle esquecidas, d'outro monte, A vida passão neste socegadas. O seu poder juntou, sua valia Amor, ja não soffrendo este desprêzo, Somente por se ver dellas vingado; Mas, vendo-as, entendeo que não podia De ser morto livrar-se, ou de ser prêzo, E ficou-se com ellas desarmado. Luís de Camões

A Liberdade!

Abril, 2024                                              Reedição A Liberdade! Flor bonita, delicada, singela, vertical, insubmissa: solteira Não consente ser aprisionada, por nenhum poder: independente Não há prisões, nem correntes, que a consigam prender: prudente Desejada por todos, amada, admirada, venerada, cantada: elegante Luz, amor, dor, ardor, valor, semente, valor, menina arisca: mulher Alegria, fantasia, teimosia, filosofia, harmonia: inteligente Pão, paz, liberdade, educação, habitação, fraternidade, igualdade: eloquente Cabelos ao vento, vozes no pensamento, leis, discussões: Parlamento Perfume no ar, flores ao vento, trinados da passarada: Primavera Crianças contentes, em correrias, nos parques, como se fossem abelhas, nas flores: futuro Como é bela a Liberdade, no perfume de um cravo, nos sorrisos das crianças! Viva a Liberdade!  

Quingentésimo ano (93)

Dai-me hũa lei, Senhora, de querer-vos, Porque a guarde sobpena de enojar-vos; Pois a fé que me obriga a tanto amar-vos Fara que fique em lei de obedecer-vos. Tudo me defendei, senão só ver-vos E dentro na minha alma contemplar-vos; Que se assi não chegar a contentar-vos, Ao menos nunca chegue a aborrecer-vos. E se essa condição cruel e esquiva Que me deis lei de vida não consente, Dai-ma, Senhora, ja, seja de morte. Se nem essa me dais, he bem que viva, Sem saber como vivo, tristemente; Mas contente estarei com minha sorte. Luís de Camões

Abril 2024

Abril de 2024   Cinquenta anos em Liberdade a beber o vento Mais tarde ou mais cedo tinha de chegar este momento Há muito que o rumo tem muito de apoquento Há forças a remar contra qualquer entendimento O mundo sofrerá por não travar este recuamento A defesa da Liberdade merecia muito mais tento Mas, aqueles que sempre a tiveram, só pensam no sustento Acham que nunca a perderão, não pensam no evento Os novos ventos, para alguns, são um deslumbramento Mas, para os que muito sofreram com o tormento Nunca darão, a tais ideias, consentimento Sabem que foi muito longo e duro o ensinamento Todo o progresso é feito de muito trabalho e talento Para comermos o pão, temos de juntar à farinha, o fermento Se queremos viver em paz, não podemos escolher o vento turbulento Teremos de acarinhar os que defendem a solidariedade e o alinhamento Que colocam as pessoas no centro, contra a ganancia do enriquecimento As sociedades mais felizes são as que vivem em entendimento Onde não há grandes desigualdade...