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Mostrando postagens de maio, 2018

Maio

Maio   Maio, mês das flores e dos amores Dos dias de muito sol Das serenatas matinais Começam pelas cinco da madrugada Toda a passarada, numa cantoria ritmada Para encantar uma namorada É um grande privilégio Viver num grande sossego Acordar ao som das serenatas da passarada Este ano dei por dois ninhos de melro Nos arbustos do meu quintal Até podem existir mais São os nossos vizinhos Depois da serenata, encontrada a namorada Começa a grande azáfama da construção do ninho Suavizada pelo romantismo do acasalamento Depois da casa feita, vem a postura dos ovos O choco e o aparecimento dos filhotes Mas, os predadores estão sempre à espreita Num dos ninhos, de um dia para o outro, os ovos desapareceram No outro, dos ovos, saíram três filhotes Dias depois foram atacados pelos gaios Que deixaram só um Teve sorte, cada vez está mais forte Com pais incansáveis, constantemente a alimentá-lo Pode ser que o consigam criar Pois, de um momento para o outro, tudo pode acabar Lá se vai o trabalho e o ...

Feira do livro

Feira do Livro de Lisboa Uma feiticeira, que me esvazia a carteira Uma bebedeira durante toda a feira A tentar levá-la inteira Um ponto de encontro anual Num ambiente natural Namorada do Parque Eduardo VII Durante alguns dias, para abrilhantar As festas da cidade, onde os olhos podem navegar Por um imenso mar de livros Cada um com a sua autora ou autor, lá dentro Prontos a connosco dialogar Quando os lemos, também os reescrevemos Fazendo a construção das personagens no nosso imaginário Interpretando-os de acordo com as nossas vivências Por isso, é que os livros têm tanta magia Dentro dos livros, os autores dormem pelos séculos fora Mas, quando os lemos, voltam a acordar, para tudo nos contar Quando te mudaram de casa, e na avenida te plantaram Visitava- te todos os dias, quando trabalho saía Corria pela avenida abaixo, visitando todos os pavilhões À procura do livro do dia, ou dos de bolso Porque o meu dinheiro sempre foi pouco.   José Silva Costa      

A morte

Imprensa Escrita   A imprensa escrita vai desaparecer? Um diário, com morte anunciada, vai passar a semanário Portanto, acabará, como diário, depois de cento e cinquenta anos Infelizmente já, assisti ao nascimento e morte de alguns jornais Há morte de todos os vespertinos: República, Diário de Lisboa, A Capital! A morte é sempre um acontecimento muito triste! Mas, a de um jornal é diferente, com o seu desaparecimento morrem muitos pensamentos Com a morte deste, morrem cento e cinquenta anos de sonhos diários O trabalho de muitos homens e mulheres, que o fizeram viver todos estes anos Um jornal pode tornar-se num amigo inseparável, por quem todos os dias esperamos Trazendo-nos boas e más notícias, informações úteis, artigos que nos dão muito prazer ler Um companheiro diário que, antecipadamente, vamos perder Amigo, quem esperava, que com centenário e meio não continuasses pelos séculos fora? Sim. Podes responder, que muito resististe, num país pobre, com muitos analfabetos Em que compra...

Os deserdados

Dois milhões e meio!   Cada vez o fosso salarial nas empresas é maior Os do topo todos os anos se aumentam Enquanto os da base são esmagados Anos e anos sem qualquer aumento, a não ser de trabalho Ameaçados pelo flagelo do desemprego Pressionados pelos que todos os anos são aumentados Para que os lucros cresçam desmesuradamente Para contentamento dos acionistas, que querem bons dividendos Muito apostados no capitalismo selvagem Sem rosto, sem qualquer preocupação de solidariedade Como se os trabalhadores fossem máquinas Que nada têm beneficiado com o avanço das novas tecnologias Que os têm amarrado às empresas, vinte quatro horas por dia Com grande prejuízo para o convívio das famílias Em Portugal as disparidades ainda são maiores Dois milhões e meio de pobres! São muitos pobres para um país pequeno Com tantos pobres, os ricos deveriam sentir-se vexaados Ninguém viverá feliz, de esfomeados, rodeado Só os defensores da caridade se devem sentir realizados A nossa miséria já é endémica Qu...

Romantismo

Sintra   A bela Sintra: princesa do Atlântico, capital do romantismo No Palácio da Pena, lá bem no cimo da mais bela, luxuriante e romântica serra Um dos monumentos mais visitados: mais de um milhão de visitantes por ano Com os olhos postos no mar, beija o céu, a terra e o ar Onde, num só dia assistimos às quatro estações do ano Com um sol deslumbrante vemos o céu, a terra, o mar e todo o horizonte Todo o Oeste, com o Cabo da Roca a indicar-nos o ponto mais ocidental da Europa Continental De repente, vindas do mar, começam a subi r a serra, umas nuvens branquinhas, que nos envolvem, como se fossem véus de noivas, tornando-nos invisíveis, leves, como se tivéssemos conseguido sair da atmosfera Num ambiente tão romântico, tudo nos convida a passear pelas veredas dos jardins, parar atrás de cada arbusto, para nos beijarmos, pararmos em cada fonte, onde se fazem promessas e rezas de amor eterno Embrenhados no nevoeiro, descemos até à bela Sintra, onde todos os recantos, todas as fontes são ...

Paridade

Festival da Eurovisão 2018   Há quem passe a vida a criticar Que tudo não passa de uma feira de vaidades Bem vestidas, mal vestidas, feias, bonitas e outras tricas Mas os resultados dos últimos anos estão a mostrar o contrário Ganha quem consegue transmitir emoção Portanto, abaixo o negativismo, vamos à construção Trabalho, solidariedade, diversidade, modernidade, inclusão Nem todos podem ser modelos! Os anos acabarão com esses flagelos O interior sobrepor-se-á o exterior, ganhando valor Este vai ser o século do amor! A paridade entre os sexos é o seu motor Os censores levarão uma grande lição Os satélites acabarão com as fronteiras Os muros não passam de asneiras Os que proíbem o presente têm medo do futuro! Não! Nunca muros, censores, conseguirão enclausurar o pensamento Mais tarde ou mais cedo, aqui ou além, chegará o momento De abrir os braços, gritar liberdade, fazer do pensamento o sustento Não há força, nem movimento que consiga aprisionar o vento Os ventos de mudança avançam co...

Eurovisão

A Eurovisão   O jardim floriu Os turistas, em Portugal, são um rio Nunca Lisboa, tanta gente, viu As canções que Abril produziu Vão, por alguns dias, embalar um Mundo vazio Enquanto os povos cantam juntos, espantam o frio Que as competições sempre trazem Por ser quase impossível Fazer justiça, no resultado! Ficam as recordações dos rostos De um Globo massacrado Durante algumas horas espantado Por se unirem num festival Para mostrarem como tudo seria diferente Se os povos se juntassem mais vezes, para cantarem Eurovisão! Como fomentar a comunhão, interagir, conhecer um pouco melhor, cada país Contribuir para a paz, para a diversidade, para a amizade, para humanizar a humanidade Este ano, Lisboa foi a cidade, graças ao Salvador! Portugal pode mostrar ao Mundo o seu valor.   José Silva Costa  

Futebol

Perdões   Os Bancos e os seus perdões De muitos e muitos milhões (94,5 milhões) Arrancados aos contribuintes, que contam os tostões Que, sem perdões, são despejados pelos tabeliões Num País de muitos vilões Onde o dinheiro escasseia, para as instituições Com escolas a cair, falta de creches, que causam, aos pais, muitas aflições Um Serviço Nacional de Saúde onde andam todos aos empurrões Perdões de milhões, ao futebol, para anestesiarem as multidões Futebol, vinte e quatro horas por dia, em todos os canais de todas as televisões! Os doentes da bola agradecem com muita pancadaria e confusões O pontapé na bola a causar as maiores paixões! Não se queixem da falta de escolas, hospitais e tribunais Enquanto aplaudirem dirigentes, futebolistas e outros foliões Que, graças às vossas reações, arrecadam muitos biliões.   Tudo o que é demais não presta!     José Silva Costa  

As Mães

Mãe   Mãe, flor do vento (delicada, forte, versátil) Mãe, palavra feita de amor e carinho Mãe, palavra tão bonita e quente Mãe, palavra tão doce, como a vida Mãe, palavra que significa dor Mãe, palavra feita de esperança Mãe, palavra feita de tudo Mãe, palavra feita de disponibilidade, para o resto da vida Mãe, fonte de vida Mãe, amor para sempre Mãe, a ternura de uma vida por vidas Mãe, um porto de abrigo amigo Mãe, um braço seguro, para um momento escuro Mãe, a mais pequena palavra, que nos enche o coração Mãe, A quem pedimos auxílio nas horas de aflição Mãe, a palavra mais pronunciada e adorada de todas Mãe, os seus braços são meia cura! Mãe, o nosso cordão umbilical, não tem final!     José Silva Costa              

O dinheiro é que manda!

Quem o desviou?   Quem são os devedores, que fazem com que tenhamos de socorrer os Bancos? A braços com as imparidades, palavra para esconder os prejuízos ou o crédito mal parado Têm de recorrer ao Estado, para que os depositantes tenham o seu dinheiro, assegurado Todos nos indignamos com os milhões, que o Estado dá à Banca, para repor o que foi roubado Ninguém, até hoje, nos quis dizer, ou fazer saber, quem foi à Banca beber, sem cuidado Para melhor levantarem quanto queriam, pelo Governo, o administrador da CGD, foi nomeado Tudo bem urdido, com a intenção de ajudar um comendador a comprar um Banco privado Sem dinheiro, mas muito bem amparado, à Caixa Geral de Depósitos, o pediu emprestado Nesta República tudo é permitido, a alguns, a outros nada é permitido, nada é autorizado Quem deve o dinheiro, quem lho entregou, os milhões, que o Estado, na CGD, tem enterrado ? É segredo Bancário, todos se escondem atrás desse véu, para o povo não saber, por quem foi enganado Agora, alguém aparec...