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Mostrando postagens de junho, 2021

Amor & guerra (39)

Amor & guerra (39) A Sara disse ao irmão que não podiam abandonar o pai, porque, para além de ser deficiente, era pai deles Mas, o Miguel respondeu-lhe que ficaria ao lado da mãe, porque o que ele tinha feito não tinha perdão, e ela, como mulher, também não o deveria perdoar A irmã disse-lhe que como mulher não o perdoava, mas como filha estaria sempre a seu lado Disse ao irmão que os pais e os filhos não se escolhem, amam-se. Todos os pais fazem tudo o que podem pelos filhos, cabe aos filhos fazerem o mesmo, pelos pais A Bárbara foi visitar a Miquelina  para lhe pedir perdão por ter contribuído para a desgraça que se tinha abatido sobre a sua família A Miquelina disse-lhe para não se martirizar, porque também ela tinha sido enganada e que não tinha tido culpa nenhuma, não tendo como saber se ele era comprometido ou não Ambas concordavam que a guerra tinha sido uma grande tragédia para todos Tantos mortos e  mutilados, e elas: uma com um filho e a outra com uma filha nos braços, pa...

Amor & guerra (38)

Amor & Guerra (38) Carlos estava arrasado, tinha sido um dia infernal: primeiro o reencontro com a Bárbara, de quem não esperava, depois de tantos anos, palavras tão agressivas, mostrando-lhe que a tinha abandonado, prenha duma filha dele, o que mais tinha mexido com ele. Como é que nunca tinha pensado nisso A seguir foram as acusações do filho que, como era natural, se colocou ao lado da mãe Normalmente, os filhos têm um carinho muito especial para com as mães Não tinha ficado a saber a opinião da filha, mas o facto de, pela primeira vez, o ter beijado, como filha, fê-lo sentir a responsabilidade de ter colocado aquele ser tão delicado, no mundo, e de nunca ter contribuído com o seu carinho, para o seu crescimento, nem se ter preocupado com a sua existência Para terminar o mais longo e horrível dia da sua vida, nem o dia em que foi ferido e perdeu a perna tinha sido tão doloroso, ainda faltava convencer a Miquelina de que a culpa não tinha sido sua Começou por lhe dizer, que na gu...

Sevilha

Sevilha O desconfinamento não avança Avança a invasão a Sevilha Vamos todos ver as sevilhanas Fazer sapateado Ninguém precisa de, em Lisboa, ficar fechado Tem é de estar testado ou vacinado O vírus está dominado Todos para Sevilha, sem cadeado Tudo, ao poder redondo, está rendido Ninguém se sinta ofendido Porque o vírus está vencido O Sol benzido E, o país anda muito distraído Aproveitemos esta boa onda Enquanto a bola rola Depois, vem a dura fatura Enquanto o pau vai e vêm, folgam as costas. José Silva Costa    

Savana

Savana “ O Perfume da Savana” é um romance, do autor do blog “ o Sítio do Corvo” Muitos parabéns para o autor Que com muito amor Conseguiu captar a vida e o perfume da savana Um perfume, que só ela tem Este é o seu primeiro livro Mas, já outro tem: “ A Mulher do Capitão” Quem lê o seu blog, sabe que gosta de escrever Gosta muito de nos surpreender Com a maneira como, o quotidiano, ver.   José Silva Costa

Amor & guerra (37)

Amor & guerra (37) Não queria mais falar do passado, tinha-o encontrado, a filha, finalmente, ia saber quem era o pai, deixar de se sentir inferiorizada, por não saber quem era o pai, como aconteceu na Escola Primária, onde tinha três colegas, que também não conheciam os pais, todos filhos de militares, que tinham passado por Angola, apontados, pelos colegas, como os filhos da guerra Se por um lado se sentia apaziguada, por, felizmente, o ter reencontrado com vida, para grande felicidade da Sara, por o outro, sentia-se culpada por o que a Miquelina iria sofrer, quando soubesse que tinha sido traída, em Angola, enquanto, na Metrópole, carregava, no  ventre, um filho do Carlos Já sabia, que quando ela e a filha, se apresentassem a outra família, dizendo que, também, elas faziam parte dessa família, provocariam um tremor de terra Mas, seria diferente, se não conhecessem essa família. De qualquer maneira, sentia-se tão triste, que já não sabia o que teria sido melhor, se ter reencontra...

Férias

Férias!   Verão, sol, praia, férias Encontros, convívios, arraiais Mas, este ano, não! Temos de esperar por melhor ocasião Melhores dias virão Não vale a pena acelerar o coração As coisas são o que são Tudo o que não está na nossa mão Não vale contestação O melhor é aceitar, com ou sem satisfação Porque tudo não passa duma ilusão Até o que pensamos ter seguro, na mão A vida é a nossa canção Melodia do dia adia Cantada em cada solução Inventada na madrugada Quando a cidade está deitada E, a nossa sombra é apanhada No fim de cada estrada Há, sempre, flores, amores, mais nada! José Silva Costa        

Amor & guerra (36)

Amor & guerra (36) Despois de dois anos, da entrega das Colónias, começou a longa marcha, para a entrada no clube dos ricos Foi uma dura e longa caminhada. A 11/3/1977, as explicações das razões do pedido de adesão à CEE, a 28, do mesmo mês, foi pedida a adesão A 19/5/1978, a Comissão Europeia pronuncia-se a favor da adesão. Mais de dois anos e meio depois, a 18/12/1980, foi aprovado o acordo, sob forma de Cartas entre a CEE e República Portuguesa, relativo à criação de uma ajuda de pré-adesão a favor de Portugal, de 100 milhões de ecus para projetos ou programas de melhoramentos das estruturas industriais, modernização dos setores agrícola e das pescas e desenvolvimento de infraestruturas Uma ajuda que não evitou que em 1983, tivéssemos de ir, pela segunda vez, bater à porta do FMI A 18/12/1984, um segundo acordo de pré-adesão. Mais 50 milhões de ecus para as estruturas dos setores agrícola e pescas Meio ano depois, a 11/6/1985, o Conselho decide que, o Reino de Espanha e a Repúbl...

Amor & guerra (35)

Amor & guerra (35) O João queria que fossem passar a lua-de-mel a Paris. A Bárbara estava com receio de deixar a filha, sozinha, nunca se tinha separado dela Mas, a Sara lembrou-lhe que já era uma mulher, que fossem e se divertissem, porque ela ficava muito bem, e seria uma boa oportunidade para mostrar que já sabia voar, pronta para, quando se proporcionasse, abandonar o ninho A Miquelina foi chamada para operação. Todos estavam com receio da operação, como acontece em todas as operações. Os médicos tinham decidido tirar-lhe o peito, porque era o mais seguro, para que o tumor fosse totalmente removido A Bárbara e o João voaram para Paris, para uma lua-de-mel de sonho. Estavam encantadas com a cidade luz. Nos museus, verificaram a existência de muitas peças de arte, trazidas do continente africano, o que era, uma novidade, para eles Não se cansavam de calcorrear a cidade, na tentativa de conseguirem ver todas as grandes atrações, da mais importante cidade, que visitavam, desde que ...

Amor & guerra (34)

Amor & guerra (34) A Sara e o Miguel terminaram o Liceu, escolheram o mesmo curso e o mesmo estabelecimento de Ensino Superior: O Instituto Superior Técnico No furor dos seus verdes dezoito anos cabiam todos os sonhos, todas as ambições, uma idade em que nada para os corações, no amor, nas emoções, nas vastas ilusões O João voltou a visitar a Bárbara, levou-lhe mais um lindo ramo de rosas, belas, amarelas Quando ela aceitou as rosas, ele abraçou-a e beijaram-se, disse-lhe ao ouvido: ”casas comigo?” Toda ela estremeceu, sorrio e floriu, fê-lo esperar mais uns minutos, por fim, disse: “Sim” Ficaram, ali, naquele enlevo, que nem deram por o tempo passar, só a chegada, da Sara, interrompeu aquele encantamento Depois de a cumprimentarem, deram-lhe a notícia de que estavam noivos, ficou muito contente por ver a mãe, novamente, feliz, dizendo-lhe que já tinha perdido muito tempo Deu-lhes os parabéns, desejando que fossem muito felizes Para comemorar, a Bárbara disse-lhes que ia fazer um j...

Verão!

Verão Verão, um tempo de descontração! Este ano andamos em contramão Não podemos atirar a toalha ao chão Mesmo que pareça ilusão Estamos numa difícil situação O bicho não quer que saíamos da “prisão” Por isso, temos de cumprir as regras Para não lhe darmos razão O que ele quer é dar-nos a mão Mas, nós não queremos confusão Queremos, aos amigos, apertar a mão Mesmo que ainda não seja neste verão Vamos combatê-lo até à exaustão Para podermos sair sem a pressão De ter medo da multidão De andar sempre de máscara Até no pino do verão! Quando o habitual era apanhar um escaldão Mas, estamos quase a sair desta escuridão Esperemos que quando, acabar, a vacinação José Silva Costa            

Amor & guerra (33)

Amor & Guerra (33) A Sara notou que o Miguel andava muito triste, questionou-o sobre o que se passava, e ele informou-a da doença da mãe. A notícia deixou-a muito perturbada, mas fez o possível para o animar, dizendo-lhe que tinha de acreditar na ciência, porque o cancro já tinha cura Quando a mãe chegou do trabalho, contou-lhe a triste notícia de que a Miquelina tinha um cancro numa das mamas Também a Bárbara ficou com muita pena da Miquelina, e disse à filha, que no dia seguinte iria visitar a Miquelina, para lhe dar apoio A Bárbara estava muito grata à Miquelina por a ter ajudado a acabar com a ansiedade em relação ao Liceu para onde a filha foi estudar. Desde o dia em que a Miquelina lhe perguntou se a poderia ajudar, que a considerava uma amiga, o que era muito importante para quem se sentia desenraizada, como era o caso da Bárbara, que não tinha ninguém em Portugal No dia seguinte, foi ao Liceu falar com a Miquelina. Disse-lhe que podia contar com ela, para vencer a doença qu...

Amor & guerra (32)

Amor & guerra (32) A Miquelina detetou um caroço numa mama, foi ao médico, fez análises, e os resultados não podiam ser piores: tinha um cancro maligno Ela e o Carlos ficaram petrificados com a revelação dos exames. Não queriam que o Miguel soubesse. Mas o segredo não durou muito tempo, porque o semblante deles não conseguia disfarçar o que os atormentava. Ao fim de muito questionados, tiveram de dizer, ao Miguel, o que os preocupava O Miguel tentou animar a mãe, dizendo-lhe que já havia cura para o cancro. Mas nada a animava, aquela notícia era como se a tivessem condenado à morte Logo agora, é que tinha de lhe aparece aquilo, a um ano do filho ir para a Universidade, tanto que queria ver o filho chegar a engenheiro São daquelas notícias que mexem com toda a família, ninguém consegue ficar indiferente ao diagnóstico de que tem um cancro. A Sara estava com receio que, quando chegasse a resposta do Ministério do Exército, a mãe descobrisse que andava a procurar o pai, mas como chega...

Amor & guerra (31 )

Amor & Guerra (31) Com o regresso às aulas, a Sara estava ansiosa por saber como era a sua nova escola, não tinha amigas, nem amigos, não conhecia ninguém, só lhe restava a consolação de faltar apenas um ano, para começar a frequentar uma instituição de ensino superior A mãe disse-lhe que a acompanhava, se ela quisesse, mas a Sara disse-lhe que não, porque isso era motivo para os colegas gozarem com ela, Já não era nenhuma criança! A mãe calhou a passar pela escola, para onde ia a Sara, parou junto à receção, a observar o local, o edifício, para onde iria a sua menina, a sua única companhia Uma funcionária, vendo-a tão absorta, perguntou-lhe se queria alguma informação A Bárbara contou-lhe o que se passava: tinha vindo de Angola, com a filha, que iria para aquela escola, não conheciam ninguém em Portugal A Miquelina disse-lhe que podia estar descansada, que já trabalhava ali há muitos anos, que o seu filho também ia para o décimo segundo ano, e se ela quisesse, que lho apresentava,...

Sul!

Sul Meu sul azul, dourado, maduro Agora, por todos, tão procurado Mas, em tempos, muito abandonado A um mar, de loiras espigas, atado Um chão regado de suor salgado No pó da planície embrenhado Celeiro de Portugal, forçado Graças à força dum povo indomado Tantas vezes ameaçado Mas, nunca vergado Por mais que estivesse esfomeado Não batia palmas a um Estado detestado Por mais que fosse castigado Ninguém lhe tirava o cajado Com que guardava o gado Na planície ou no montado Agarrado à rabiça do arado Na ceifa era empolgado A adiafa era o momento mais desejado.   José Silva Costa            

Flores!

Flores   Vamos pelos campos Colher o último perfume da Primavera Apanhar flores para colocar no teu cabelo Que o perfume torna ainda mais belo Perfumar o firmamento Fixar para sempre este momento Com uma fotografia para prender o tempo Roubar sonhos ao vento Que nos envolve ao relento Como se fossemos uma cápsula em movimento Os teus lábios são a fonte onde bebo, sedento Todo o amor do meu contentamento Nos teus olhos deito o pensamento Fragrância que é meu alimento Nos teus braços ardo em fogo lento Motivo de muito alento Que nos prede por fora e por dentro Como se fossemos um só elemento Meu amor, meu advento.   José Silva Costa    

Amor & guerra (30)

Amor & Guerra (30) A maior parte das pessoas chegou com a roupa que tinham no corpo. Sem eira nem beira, sem conhecerem ninguém, muitos nunca tinham estado em Portugal, foram dias muito dramáticos, para muita gente Deambulavam pela cidade, sem rumo, no desespero de quem não consegue prever o futuro, descansavam nos bancos dos jardins, à espera da noite Foi difícil acomodar tanta gente. Criaram o Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais (IARN) Mobilizaram algumas unidades hoteleiras, nos distritos do Porto, Lisboa e Setúbal, para onde encaminharam as famílias Apresentavam índices mais elevados de escolaridade que o resto do país A pouco-e-pouco criaram negócios, empregaram-se, contribuíram para a dinamização de muitas localidades Os que eram funcionários públicos e bancários foram integrados, os outros tiveram de se desenrascar. Para a integração dos bancários, muito contribuiu o fato da banca estar nacionalizada Os pais e o irmão do Firmino, ao contrário dos que não sabiam para o...

Amor & guerra (29)

Amor & guerra (29) A Bárbara e a Sara tinham, finalmente, deixado Angola. Viajaram para Lisboa, na Europa Compraram um andar, nas avenidas novas. Estavam a adaptar-se muito bem à nova vida, mas continuavam muito tristes, por terem perdido o Firmino Assim que compraram o andar, escreveram aos pais do Firmino, dizendo-lhes que tinham feito boa viagem e que tinham muitas saudades deles Se um dia necessitassem, teriam uma casa ao seu dispor, só precisavam de tomarem nota da morada A 24 de Abril de 1975, um ano depois da revolução, realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, foram as mais concorridas de sempre O golpe de 25 de novembro de 1975, onde se perderam quatro vidas, terá sido para mudar o rumo dos trabalhos dos deputados, na Assembleia da República, para que elaborassem uma Constituição mais à esquerda  Um ano depois, a 2 de Abril de 1976, foi aprovada a Constituição, por todos o Partidos, com exceção do CDS. A Bárbara e a Sara estavam encantadas...

Amor & Guerra (29)

Amor & guerra (29) A Bárbara e a Sara tinham, finalmente, deixado Angola. Viajaram para Lisboa, na Europa Compraram um andar, nas avenidas novas. Estavam a adaptar-se muito bem à nova vida, mas continuavam muito tristes, por terem perdido o Firmino Assim que compraram o andar, escreveram aos pais do Firmino, dizendo-lhes que tinham feito boa viagem e que tinham muitas saudades deles Se um dia necessitassem, teriam uma casa ao seu dispor, só precisavam de tomarem nota da morada A 24 de Abril de 1975, um ano depois da revolução, realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, foram as mais concorridas de sempre O golpe de 25 de novembro de 1975, onde se perderam quatro vidas, terá sido para mudar o rumo dos trabalhos dos deputados, na Assembleia da República, para que elaborassem uma Constituição mais à esquerda  Um ano depois, a 2 de Abril de 1976, foi aprovada a Constituição, por todos o Partidos, com exceção do CDS. A Bárbara e a Sara estavam encantadas...

Junho

Junho Bem-vindo o verão A quente estação A praia à mão A ceifa do pão Dá-me a tua mão Vamos ouvir a canção Na liberdade da emoção Abraço o teu coração Os teus beijos são o meu pão No silêncio da paixão Apanhamos as flores Sem hesitação Sustemos a respiração Para não irmos em contra-mão No fulgor da ação Abraçamos a sensação De que tudo é ilusão Não existe a comunhão A única exceção É a nossa união.   José Silva Costa