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Mostrando postagens de março, 2023

O Império

O Império – As teias que o Império teceu 2 Os descobrimentos portugueses foram um grande empreendimento, não foi menor o sofrimento, lutar no oceano contra o vento, o imprevisto, o desconhecido, tudo foi tão sofrido Não foram só os elementos naturais, que tiveram de enfrentar, também a alimentação foi uma grande preocupação: falta de alimentos, alimentos estragados, água cheia de bichos, um inferno, de muitos, desconhecido Nem com a primeira estação de serviço, na Ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, os problemas foram resolvidos, seriam precisas muitas mais estações de serviço entre Lisboa e Nagasaki Contra ventos e marés, os portugueses nunca viraram a cara ao perigo, e com arte e engenho lá foram criando fortalezas, feitorias, erguendo padrões, tudo para conseguirem controlar o comércio da seda e das especiarias da Índia Oh imenso mar, se pudesses falar, muito poderias dizer, sobre a bravura dos portugueses! Tanta gente que morreu, de um país tão pequeno, para saberem o que havia pa...

Primavera

A chegada da Primavera     Sons e perfumes são raios de luz Tens a alegria e o brilho que a todos seduz Em Março todos queremos o teu abraço Trazes a esperança da renovação És a mais bonita Estação Muitas e bonitas flores enchem os nossos olhos Toda a Natureza se enfeita para te receber As aves ensaiam bonitas melodias Para te oferecerem ao nascer dos dias Que é quando se constroem as harmonias E se houve as mais bonitas sinfonias É quando as flores acordam e se beijam Dando as boas vindas ao sol Tão importante para todas as vidas São noites mal dormidas Para te prepararem as boas vindas Mais ninguém é recebido com tanto carinho São flores, são perfumes, são sinfonias e hinos.   José Silva Costa            

O Império

O Império – As teias que o Império teceu   Este retângulo nunca foi suficiente para grandes sonhos Com tanto mar, sempre, a desafiar-nos para irmos ver o que está para além dele Não foi difícil, tentarmos lançar ao mar os nossos sonhos e ambições de ver novos horizontes Marinheiros, vagabundos, negociantes, poetas, visionários, cientistas e turistas foram à procura do desconhecido Alguns levados à força, eram precisos braços para manejar os navios, carrega-los, repara-los, soltar e fechar as velas, saber aproveitar o vento, e havia que contar com o escorbuto, que estava muito presente Este pequeno país é feito de uma amálgama de povos, e é por isso que somos fortes, sonhadores, capazes do melhor e do pior, incapazes de nos deixarmos aprisionar por este pequeno retângulo Somos aventureiros, curiosos, nunca ninguém nos conseguiu prender, nem mesmo a ditadura Com as fronteiras fechadas, fomos a salto para a Europa, não somos pessoas de baixar os braços, e sempre que as condições de vida s...

Paragem

Paragem Há três anos o mundo parou todo ao mesmo tempo, um inédito acontecimento Foi uma grande contrariedade que nos vai por muito tempo afetar Bem queríamos passar pelos intervalos dos pingos da chuva Já nos bastaram as restrições, o afastamento dos ente-queridos, o confinamento Mas, infelizmente, temos de pagar as consequências da grande paragem Não saímos disto: 2008, 20014, 2020, 2022, quando pensamos que é desta que nos erguemos, levamos novo abanão Como não há uma sem duas, o Putin achou que, depois da pandemia, era a melhor altura para abocanhar o resto da Ucrânia A inflação já nos vinha a perseguir, e com a pandemia aproveitou para acelerar, para os mais pobres, ainda, mais empobrecer Quando abriram as portas do mundo, ninguém quis saber dos efeitos de termos estado todos parados Todos correram a fazer o que os impediram, durante tanto tempo de fazerem, e que tanto os deprimiu Tinham poupado algum dinheiro era preciso gastá-lo, antes que ficasse fora de prazo Comprar roupa e c...

A sedutora

Lisboa! A sedutora   21 O país desaguou no Cais da Rocha de Conde de Óbidos, aldeias, cidades e vilas, de todo o lado vieram pais, avós, irmãs, irmãos, cunhados, cunhadas, namoradas, mulheres, mães, todos acorreram ao cais, todos aos aís, abraçados aos seus ente-queridos, ninguém se queria apartar, até que os mandaram formar, os familiares a muito custo deixaram-nos abalar Ordenaram que embarcassem, foi tudo muito rápido, o barco apitou, desprenderam as amarras e ele avançou pelo Tejo dentro, no cais ficou um mar de gente, cada um, a acenar com o seu lenço Até a formosa Lisboa chorou, não os queria ver partir, ia sentir tanto a sua falta, sem jovens, sentia-se, cada vez, mais abandonada, tinham-na transformado numa triste namorada, sempre à espera que voltassem e a abraçassem de novo, que sentissem todo o seu encanto, que continuassem enamorados por toda a sua beleza, pelas suas colinas, servidas pelo seu elevador de Santa Justa (1902), para subir e descer da baixa ao Carmo, o ascensor...

Mar morto

Mar morto Oh bonita e formosa Europa! Os teus nem sempre te dão o teu devido valor Mas não falta quem queira em ti viver Arriscam tudo, sujeitam-se até a morrer Metem-se em pequenos barcos para em ti entrar Nada os faz parar, querem encontrar onde sonhar Muitos têm pago com a vida o sonho de viver O teu mar tornou-se num grande cemitério Mas quem foge da fome, da guerra, de nada tem medo A vida de quem tem sonhos é um grande enredo Não pode toda a vida esperar, mais tarde ou mais cedo Faz-se ao mar, semeia todas as esperanças, para colher os sonhos Nem todos os querem acolher, mas não os podemos deixar no mar morrer Melhor seria que pudessem viver onde nasceram Mas, para isso era preciso que houvesse equilíbrio entre pobres e ricos Cooperação, solidariedade, menos vaidade, desperdiço e mais humanidade Ninguém é feliz rodeado de esfomeados, maltratados, explorados Para muitos a vida é feita de muitos riscos Outros só conhecem o paraíso Infelizmente, os donos do Mundo estão, de novo, em ...

A sedutora

Lisboa! A sedutora 20   Estavas, Linda Inês, posta em sossego, De teus anos colhendo doce fruito Naquele engano da alma, ledo e cego, Que a Fortuna não deixa durar muito, Nos saudosos campos do Mondego, De teus fermosos olhos nunca enxuito, Aos montes ensinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas. ( canto III, estrofe 120 de os Lusíadas)   Era a declamar estes versos, que ele os acordava E, ficavam tão empolgados, que depois de saírem da aula, ainda iam para o Granada, um café ao lado da Escola, declamar mais versos Os bons professores sabem como acordar, entusiasmar, interessar, motivar os alunos Mesmo com os bons professores, não foi possível fazer o segundo ciclo liceal num ano (terceiro, quarto e quinto anos) Candidatou-se a exame, mas reprovou. Para o ano escolar seguinte voltou a matricular-se, mas já não concluiu o ano letivo, foi chamado para cumprir o serviço militar obrigatório. A esposa voltou para a casa dos pais, e não queria voltar a viver em Lisboa Na tercei...

Mulher

Dia Internacional da Mulher   Mulheres, flores delicadas, perfumadas O seu sonho é serem desejadas, amadas, respeitadas Se possível, também, serem admiradas, reconhecidas Ombrearem com os homens em todos os patamares Sem inferioridade nem superioridade Num ambiente saudável e de igualdade Entre homens e mulheres, meninas e meninos, rapazes e raparigas Na divisão do trabalho dentro de casa Para que todos tenham mais tempo para comtemplar a lua Mais tempo para sorrir, brincar, dormir e ver quem passa na rua Tudo bem repartido, dividido, bem conversado e participado Na harmonia de que todos somos capazes, úteis e eficazes Cada um com as suas habilidades, dificuldades, ansiedades A vida não tem de ser a azia, que nos acompanha ao longo do dia Se mulheres e homens contribuírem para horas e dias mais felizes O mundo poderá um dia ser mais bonito e colorido Será difícil fazer dele um paraíso! Mas, se a maioria tiver bom coração e juízo Poderão evitar que caíamos no precipício Por não sabermos...

Cheiro

Cheiro Já cheira a Primavera Os passarinhos andam aos beijinhos Passam os dias na construção dos ninhos Sempre a namorar, para a canseira suavizar Também eles se queixam do custo das casas Fazer uma casa robusta, dá muita luta Encontrar um lugar seguro, resistente ao vento e a todo o elemento Para além da robustez do lugar, é preciso,  com todos os inimigos, contar Quem é que não gosta de uma casinha a ver o mar!  Sem ninguém a incomodar É tão bom ter um bom lar! Uma companheira e ver os filhos a palrear De alegria, por a mãe os amamentar Uma ternura de encantar! Vê-los crescer, fazer o que já fizemos, e esperar que nos deem netos Cheios de graça, ternura, birras, mimos e afetos Tem sido assim ao longo dos séculos Com mais ou menos tecnologia, com mais ou menos guerras Infelizmente, há povos que continuam à espera Que o progresso os empurre para dias melhores Que não envenenem as meninas na sala de aula Para as privarem da educação e lhes roubarem a compreensão Mantê-las na ignorância,...

A sedutora

Lisboa! A sedutora 19 Chegou o dia da prova escrita, com muito nervoso miudinho, lá foi até à Praça José Fontana, conhecer mais um Liceu, aquele que homenageia o seu poeta preferido Correu bem, quando saíram os resultados, estava aprovado, ia à prova oral No dia em que fosse fazer a prova oral, telefonaria à namorada para lhe dizer o resultado, dizia-lhe que era muito importante ir graduado em sargento, para ela poder ir ter com ele ao teatro de guerra, caso houvesse condições para isso, mesmo que pensasse que isso nunca aconteceria Ela não tinha telefone, mas uma vizinha tinha, por ser telefonista da Anglo Portugueese Telephone, empresa inglesa, que explorava os telefones de Lisboa e Porto, e dava trabalho a muitas mulheres, como telefonistas, as chamadas eram manuais, tinha de se pedir à telefonista para marcar o número para onde se queria falar, uma vez que a empresa não fez grandes investimentos, porque o contrato de conceção estva a terminar No dia em que fez o exame da prova oral...