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Mostrando postagens de junho, 2025

O Império

O Império    -    As teias eu o Império teceu 119 O sonho da exploração dos diamantes parecia, cada vez, mais longínquo. Assim, o Governador deu ordens, para que a agricultura fosse o motor de desenvolvimento da colónia de Angola Para além dos bons indicadores dos jovens, que seguiam o Roberto, rapazes e raparigas, na procura de novas culturas e mais produção, coisa nunca vista, porque os homens nunca tinham trabalhado na agricultura, deixando esse duro trabalho, para as mulheres, era preciso pedir-lhes que transmitissem os seus conhecimentos aos mais novos, mesmo que eles, no impeto da juventude, achassem que já sabiam tudo Para todas as mães era muito agradável ver os filhos, porque as filhas já sabiam o que as esperava,  interessarem-se por um trabalho, tão importante, para a alimentação de todos, que os séculos tinham reservado só para as mulheres As mães estavam muito gratas, pela criação da creche, fazendo com que tivessem deixado de andar com os filhos atados às costas, enquanto...

Verão!

21/06/2025   Verão Verão, a estação em que a esperança, todos os anos, renovada, de umas férias, de um encontro com amigos, de visitas a outros países, de entrada no mar, de a lua adorar Calor, areias douradas, o sol a aquecer-nos os ossos, o perfume das rosas a vibrar nos sentidos, o romantismo numa sombra perdida, numa serra esquecida, onde agradecemos a vida Reencontrar o mágico lugar, onde o nosso perfume encantou o luar, com os nossos sorrisos a embalar o mar, momentos inesquecíveis de que nunca nos vão abandonar Cada verão é pretexto de reunião, de arraial, festas e romarias, que engolem os dias das mordomas, de garridos vestidos, carregadas de ouro, mostrando o esplendor, que herdaram das suas antepassadas São dias passados, nas esplanadas, na descontração de que os ponteiros do relógio não nos arranharão, não nos sufocarão, não nos arrancarão dos sonhos, para nos atirarem contra a multidão Saborosos momentos de confraternização, com amigos e desconhecidos, minutos e horas, sem ...

O Império

O Império   -   As teias que o Império teceu 118 As artes e ofícios, também, estavam na mira do Governador, que ambicionava um grande desenvolvimento, para Angola Ele e a Zulmira não se cansavam de procurar como impulsionar a economia da colónia, decidiram ir falar com o Roberto, para lhe pedirem que transmitisse aos seus alunos, que teriam todo o apoio do Governador, pelo seu trabalho, para melhorarem os métodos e a produção, na agricultura As raparigas e rapazes ficaram muito contentes por todos estarem com os olhos postos neles, alimentando a esperança de que eles é que seriam capazes de fazer evoluir a colónia,  até o Governador reconhecia o seu valor Alvos de tantas atenções, fazia com que todos se dedicassem, ainda, mais às suas experiências com as sementes, que o Governador tinha levado da Metrópole Nem sempre as plantações corriam como eles tinham imaginado, ou porque as sementes não germinavam, ou as plantas não cresciam com a rapidez, que desejavam A agricultura é um laborató...

O Império

O Império  -  As teias que o Império teceu 117 O Governador ficou com a pulga de trás da orelha, talvez os diamantes fossem a tábua de salvação, para o progresso de Angola, ajudando-o a cumprir a missão de aumentar os rendimentos da Coroa Portuguesa Já tinha ouvido falar do sucesso da exploração de diamantes, na colónia do Brasil, onde foram descobertos, por volta de 1730, no vale do Rio Jequitinhonha, em Minas Gerais A região do Arraial do Tijuco tornou-se tão rica, que os seus habitantes, graças ao trabalho dos escravos, viviam num luxo, que ombreava com o das cidades mais ricas da Europa Alguns escravos conseguiam que os ” Senhores” lhes dessem carta de alforria, umas vezes comprada, outras por lhes serem fiéis e honestos Assim que conseguiam a liberdade, tentavam comprar um escravo, para viverem do trabalho dele O Miguel disse à esposa que iria tentar saber se os diamantes, no Rio Quanza, seriam em quantidade suficiente, para pedir ao Rei, que autorizasse a sua exploração Constava ...

A loucura

A loucura Tu, que te dizes tão preocupado com os mortos, nas guerras Com toda a razão, porque a morte é, sempre, motivo de muita tristeza, seja onde for Não consegues aperceber-te das mortes, que estás a causar, a tanta gente, que persegues Pessoas, que os crimes que cometeram foram: procurar uma melhor vida para as suas famílias Trabalham noite e dia, para engrandecer a tua nação, pedindo, apenas, um pouco de mais pão E tu, como lhes agradeces, prendendo-os sem que haja acusação, sob um ódio, sem razão Mandas prender mães, pais, avós, avôs, algemando-os, humilhando-os, sem pena, nem dó Mas, a tua crueldade não é só sobre os adultos, separas as crianças, dos pais, dos avós, das mães Terás noção das maldades que estás a praticar? Quem acredita que te doa o coração, quando, nas guerras, matam a juventude? Quem pode viver na ansiedade de a qualquer hora poder ser deportado, depois de anos sem ser incomodado?     Canto I Estrofe 106   No mar, tanta tormenta e tanto dano, Tantas vezes a mor...

Genocídios

05/06/1967   As mesmas barbaridades Cinquenta e oito anos de guerras Depois da guerra dos 6 dias Como ficou conhecida Nunca tinham sido um genocídio Mas, aqueles que o sofreram Estão a praticá-lo, o que é inconcebível Perderam a razão, toda a admiração Matam crianças, mulheres e homens Mas com mais refinação Já não utilizam só balas e canhões Utilizam, também, a água e o pão A tudo o que mate, deitam a mão Sentem as costas quentes, com a ajuda do mandão Que quer uma” Riviera”, como condição E, o resto do mundo, o que faz? Com voz meiga, pede contenção Já não consegue saber de que lado está a razão.     José Silva Costa  

O Império

O Império  -  As teias que o Império teceu 116 O Roberto não podia estar mais contente com o seu trabalho, ver os seus alunos quererem produzir mais e melhores alimentos, era o melhor resultado que eles lhe podiam oferecer, porque a alimentação é a base da sobrevivência, sem comida não se consegue viver, só depois de assegurada essa necessidade é que aparecem as outras A Marina e a sua ajudante, a Alicia, sonhavam com a criação de um hospital. Numa visita do Governador, ao posto médico, acompanhado da esposa, a Zulmira, irmã da Marina, esta confidenciou-lhe o sonho de quem trabalhava naquele posto médico, pedindo que as ajudasse a concretizá-lo O Miguel disse-lhes que era um bonito sonho, tão importante para toda a população, mas não as poderia ajudar, porque não aceitaram a sua proposta de criar impostos, e sem dinheiro, nada poderia fazer, uma vez que o Rei o tinha incumbido de tornar a Província rentável, para poder ajudar a Coroa Uma missão quase impossível, que ele aceitara com a ...