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Mostrando postagens de março, 2024

Quingentésimo ano (92)

Criou a natureza Damas bellas, Que forão de altos plectros celebradas; Dellas tomou as partes mais prezadas, E a vós, Senhora, fez do melhor dellas. Ellas diante vós são as estrellas, Que ficão com vos ver logo eclipsadas. Mas se ellas tẽe por sol essas rosadas Luzes de sol maior, felices ellas! Em perfeição, em graça e gentileza, Por hum modo entre humanos peregrino, A todo bello excede essa belleza. Oh quem tivera partes de divino Para vos merecer! Mas se pureza De amor vai ante vós, de vós sou dino. Luís de Camões

Abril

Abril, 2024   A Liberdade! Flor bonita, delicada, singela, vertical, insubmissa: solteira Não consente ser aprisionada, por nenhum poder :independente Não há prisões, nem correntes, que a consigam prender : prudente Desejada por todos, amada, admirada, venerada, cantada: elegante Luz, amor, dor, ardor, valor, semente, valor, menina arisca: mulher Alegria, fantasia, teimosia, filosofia, harmonia: inteligente Pão, paz, liberdade, educação, habitação, fraternidade, igualdade: eloquente Cabelos ao vento, vozes no pensamento, leis, discussões: Parlamento Perfume no ar, flores ao vento, trinados da passarada: Primavera Crianças contentes, em correrias, nos parques, como se fossem abelhas, nas flores: futuro Como é bela a Liberdade, no perfume de um cravo, nos sorrisos das crianças! Viva a Liberdade!   José Silva Costa    

Quingentésimo ano (91)

Crescei, desejo meu, pois que a Ventura Ja vos tẽe nos seus braços levantado; Que a bella causa de que sois gerado O mais ditoso fim vos assegura. Se aspirais por ousado a tanta altura, Não vos espante haver ao sol chegado; Porque he de aguia Real vosso cuidado, Que quanto mais o soffre, mais se apura. Ánimo, coração; que o pensamento Te póde inda fazer mais glorioso, Sem que respeite a teu merecimento. Que cresças inda mais he ja forçoso; Porque se foi de ousado o teu intento, Agora de atrevido he venturoso.   Luís de Camões

Quingentésimo ano (90)

Correm turbas as águas deste rio, Que as rapidas enchentes enturbárão; Os florecidos campos se seccárão; Intratavel se fez o valle e frio. Passou, como o verão, o ardente estio; Humas cousas por outras se trocárão: Os fementidos fados ja deixárão Do mundo o regimento, ou desvario. Ja o tempo a ordem sua tẽe sabida; O mundo não; mas anda tão confuso, Que parece que delle Deos se esquece. Casos, opiniões, natura, e uso, Fazem que nos pareça desta vida Que não ha nella mais do que parece. Luís de Camões

Quingentésimo ano (89)

Conversação doméstica affeiçoa, Ora em fórma de limpa e sãa vontade, Ora de huma amorosa piedade, Sem olhar qualidade de pessoa. Se despois, por ventura, vos magôa Com desamor e pouca lealdade, Logo vos faz mentira da verdade O brando Amor, que tudo, em fim, perdoa, Não são isto que fallo conjecturas Que o pensamento julga na apparencia, Por fazer delicadas escripturas. Metida tenho a mão na consciencia, E não fallo senão verdades puras Que me ensinou a viva experiencia. Luís de Camões

Quingentésimo ano (88)

Contente vivi já, vendo-me isento deste mal, de que a muitos queixar via. Chamam-lhe amor; mas eu lhe chamaria discórdia e sem-razão, guerra e tormento. Enganou-me co nome o pensamento (quem com tal nome não se enganaria?); agora tal estou que temo um dia, em que venha a faltar-me o sofrimento. Com desesperação e com desejo me paga o que por ele estou passando; e inda está do meu mal mal satisfeito. Pois sobre tantos danos inda vejo, para dar-me outros mil, um olhar brando, e para os não curar um duro peito. Luís de Camões

O Império

  O Império  -  As teias que o Império teceu   53    Em 1755, Portugal foi abalado por um terremoto e começou a perder o controlo do tráfico Na tentativa de reverter a situação, em 1761 foram editadas leis, que obrigavam os navios a fazer escala em Lisboa, ou na alfândega, em Luanda Mas, até 1769, apenas quatro navios respeitaram as novas leis. O que levou à construção de presídios para prender os desobedientes No continente africano, a submissão das populações já não era tão simples como no passado Os povos do interior começaram a organizar ataques com armas obtidas no comércio realizado, no litoral Atlântico Tentou-se inclusive, embora sem sucesso, criar uma cavalaria em Angola A cooperativa continuava a dar bons frutos: mais culturas, novos métodos, mais produção, mais clientes, porque a cidade continuava a crescer A cooperativa estava a tornar-se uma grande família, com jovens casais, que sabiam como era importante a dedicação ao trabalho, a inovação, bem como a qualidade dos produ...

Quingentésimo ano (87)

Como quando do mar tempestuoso O marinheiro todo trabalhado, De hum naufragio cruel sahindo a nado, Só de ouvir fallar nelle está medroso: Firme jura que o vê-lo bonançoso Do seu lar o não tire socegado; Mas esquecido ja do horror passado, Delle a fiar se torna cobiçoso: Assi, Senhora, eu que da tormenta De vossa vista fujo, por salvar-me, Jurando de não mais em outra ver-me; Com a alma que de vós nunca se ausenta, Me tórno, por cobiça de ganhar-me, Onde estive tão perto de perder-me. Luís de Camões

Quingentésimo ano (86)

Como podes (oh cego peccador!) Estar em teus errores tão isento, Sabendo que esta vida he hum momento, Se comparada com a eterna for? Não cuides tu que o justo Julgador Deixará tuas culpas sem tormento, Nem que passando vai o tempo lento Do dia de horrendíssimo pavor. Não gastes horas, dias, mezes, anos, Em seguir de teus damnos a amisade De que despois resultão mores danos. E pois de teus enganos a verdade Conheces, deixa ja tantos enganos, Pedindo a Deos perdão com humildade.     Luís de Camões   [

A comemoração!

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O brinde ao empate entre PSD e PS.

Quingentésimo ano (85)

-  Como fizeste, ó Porcia, tal ferida? Foi voluntaria, ou foi por inocência?  - É que Amor fazer só quiz exp'riencia Se podia eu sofrer tirar-me a vida. -  E com teu proprio sangue te convida A que faças á morte resistencia? -   É que costume faço da paciencia, Po rque o temor morrer me não impida. -  Pois porque estás comendo fogo ardente, Se a ferro te costumas? É que ordena Amor que morra, e pene juntamente. -  E tens a dor do ferro por pequena? -  Sim, que a dor costumada não se sente; E não quero eu a morte sem a pena. Luís de Camões

Quingentésimo ano (84)

Chorai, Ninfas, os fados poderosos daquela soberana fermosura! Onde foram parar ? Na sepultura? aqueles reais olhos graciosos? Ó bens do mundo, falsos e enganosos! Que mágoas para ouvir! Que tal figura Jaza sem resplendor na terra dura, Com tal rostro e cabelos tão fermosos! Das outras que será, pois poder teve A morte sobre cousa tanto bela Que ela eclipsava a luz do claro dia? Mas o mundo não era digno dela; Por isso mais na terra não esteve: Ao Céu subiu, que já se lhe devia. Luís de Camões

Um ano de Império!

Um ano de Império!   (23/03/2023)   Faz hoje um ano que comecei a publicar  “ O Império – as teias que  o Império teceu” Comecei a escrevê-lo a 12/02/2023, sem qualquer plano, sem saber o que iria escrever, como continua a acontecer. Mas, hoje, tenho um conhecimento diferente, sobre as relações entre Angola e o Brasil Como os heróis desta aventura decidiram viver em Angola, tem sido a história desta ex- colónia a mais mencionada Infelizmente, foi a escravatura, que uniu as duas colónias. Com a ocupação de Luanda, pelos holandeses, os brasileiros, que necessitavam de escravos para as plantações e minas, tiveram de ser eles a expulsá-los de Angola  Até finais do século XVII, Angola funcionou como um reservatório de escravos Entre 1822 e 1823, centrado em Bengala e aglutinando outras cidades do litoral, surgia a Confederação Brasílica, um Estado separatista, que tinha a finalidade de juntar Angola ao recém-independente Brasil. Esse movimento foi formado por colonos e soldados de Benguela,...

Quingentésimo ano (83)

Cantando estava um dia bem seguro, Quando passava Silvio, e me dizia: (Silvio, pastor antiguo que sabia Por o canto das aves o futuro) "Méries, quando quizer o Fado escuro, A oprimir-te virão em um só dia Dois lobos; logo a voz e a melodia Te fugirão, e o som suave e puro." Bem foi assi; porque hum me degolou Quanto gado vacum pastava e tinha, De que grandes soldadas esperava. E, por mais dano, o outro me matou A cordeira gentil, que eu tanto amava, Perpétua saudade da alma minha! Luís de Camões

" Os Flechas"

A RTP tem vindo, nos seus noticiários, a divulgar notícias do Telejornal de há 50 anos. Hoje, a notícia de há 50 anos: é a condecoração de Flechas, pelo Governador de Angola. No Umpulo, em Angola, em 1971,  quanto terminámos a nossa comissão de serviço,  fomos surpreendidos com panfletos da PIDE, no refeitório dos gradudados, da minha companhia, a aliciarem-nos, para ficarmos, em Angola, para darmos instrução aos Flechas. Das muitas e boas regalias, sobressaía o vencimento de 8.000,00 escudos mensais. Já não me lembro, mas acho que o meu vencimento não chegava a 5.000,00, e tinhamos sido aumentados, nesse ou no ano anterior,  só os graduados,  já não havia dinheiro para aumentar as praças, o que fez, com razão,  que ouvíssemos " que fossemos sozinhos, para o mato" Não conseguiram aliciar niguém, eramos contra a guerra e a favor da indepenência das colónias. Depois de passar à disponabilidade, o melhor que consegui foram  2.000,00 escudos mensais.  Mas, por dinheiro nenhum, co...

Quingentésimo ano (82)

Cá nesta Babilónia donde mana Matéria a quanto mal o mundo cria; Cá donde o puro Amor não tem valia; Que a Mãe, que manda mais, tudo profana; Cá donde o mal se afina, o bem se dana, E pode mais que a honra a tirania; Cá donde a errada e cega Monarquia Cuida que um nome vão a Deus engana; Cá neste labirintho onde a Nobreza, O Valor e o Saber pedindo vão Ás portas da Cobiça e da Vileza; Cá neste escuro caos de confusão Cumprindo o curso estou da natureza. Vê se me esquecerei de ti, Sião! Luís de Camões

´Poesia!

Poesia!   Hoje é o teu dia, luz no poente, euforia Flores, perfumes, louvores, maioria Todos, por todos os lados, em romaria Enchem os lábios, com versos, sem autoria Num só dia, condensam toda a tua alforria E, nos outros dias, fazem de ti zombaria Dizendo: “ somos um país de poetas” Como se isso fosse a causa da nossa avareza Do nosso estado de permanente tristeza De não conseguirmos passar da vil pobreza.   José Silva Costa  

Quingentésimo ano (81)

Aqueles claros olhos que chorando ficavam, quando deles me partia, agora que farão? Quem mo diria? Se porventura estarão em mim cuidando? Se terão na memória, como ou quando deles me vim tão longe de alegria? Ou se estarão aquele alegre dia, que torne a vê-los, na alma figurando? Se contarão as horas e os momentos? Se acharão num momento muitos anos? Se falarão co as aves e cos ventos? Oh! bem-aventurados fingimentos que, nesta ausência, tão doces enganos sabeis fazer aos tristes pensamentos! Luís de Camões

O Império

Império - As teias que o Império teceu   52      A exportação de mão-de-obra escrava pelo porto de Luanda terá sido alvo de competição, no século XVII, entre portugueses e holandeses A disputa entre os colonizadores, cujo vencedor foi o Reino de Portugal, originou a captura direta de escravos, nas chamadas Guerras Angolanas, no seio de certas tribos, que tinham lutado contra os portugueses Tornando-se, Angola, num centro, importante de fornecimento de mão- de-obra escrava, para o Brasil, onde crescia não apenas a produção de cana-de-açúcar, no Nordeste, mas também a exploração de ouro na região central Os navios, com mercadorias de Goa, faziam escala em Luanda, para deixarem panos, as chamadas “fazendas de negros”. Dali, seguiam para Salvador, na Bahia, carregados de escravos e de outras mercadorias provenientes da Índia (como louças e tecidos) Salvador tornou-se um centro difusor de mercadorias, vindas da Índia, para América do Sul Os negócios foram estruturados aos poucos. Num primei...

Quingentésimo ano (80)

Aquella que, de pura castidade, De si mesma tomou cruel vingança Por huma breve e subita mudança Contrária á sua honra e qualidade; Venceo á formosura a honestidade, Venceo no fim da vida a esperança, Porque ficasse viva tal lembrança, Tal amor, tanta fé, tanta verdade. De si, da gente e do mundo esquecida, Ferio com duro ferro o brando peito, Banhando em sangue a fôrça do tyrano. Oh ousadia estranha! estranho feito! Que dando breve morte ao corpo humano, Tenha sua memoria larga vida! Luís de Camões

Quingentésimo ano (79)

Apollo e as nove Musas, descantando Com a dourada lyra, me influião Na suave harmonia que fazião, Quando tomei a penna, começando: Ditoso seja o dia e hora, quando Tão delicados olhos me ferião! Ditosos os sentidos que sentião Estar-se em seu desejo traspassando! Assi cantava, quando Amor virou A roda á esperança, que corria Tão ligeira, que quasi era invisibil. Converteo-se-me em noite o claro dia; E se alguma esperança me ficou, Será de maior mal, se for possibil. Luís de Camões

Quingentésimo ano (78)

Apartava-se Nise de Montano, Em cuja alma, partindo-se, ficava; Que o pastor na memoria a debuxava, Por poder sustentar-se deste engano. Por huma praia do Indico Oceano Sôbre o curvo cajado se encostava, E os olhos por as águas alongava, Que pouco se doião de seu dano. Pois com tamanha mágoa e saudade, (Dizia) quiz deixar-me a que eu adoro, Por testimunhas tómo ceo e estrellas. Mas se em vós, ondas, mora piedade, Levai tambem as lagrimas que chóro, Pois assi me levais a causa dellas. Luís de Camões

Quingentésimo ano (77)

Amor, que o gesto humano na alma escreve, Vivas faiscas me mostrou hum dia, Donde hum puro crystal se derretia Por entre vivas rosas e alva neve. A vista, que em si mesma não se atreve, Por se certificar do que alli via, Foi convertida em fonte, que fazia A dor ao soffrimento doce e leve. Jura Amor, que brandura de vontade Causa o primeiro effeito; o pensamento Endoudece, se cuida que he verdade. Olhai como Amor gera, em hum momento, De lagrimas de honesta piedade Lagrimas de immortal contentamento. Luís de Camões

Quingentésimo ano (76)

Ah Fortuna cruel! ah duros Fados! Quão asinha em meu damno vos mudastes! Com os vossos cuidados me cansastes, E agora descansais co'os meus cuidados. Fizestes-me provar gostos passados, E vossa condição nelles provastes: Singelos em hum'hora mos levastes, Deixando em seu lugar males dobrados. Quanto melhor me fôra que não vira Os doces bens de Amor? Ah bens suaves! Quem me deixa sem vós, porque me deixa? De queixar-te, alma minha, te retira: Alma, de alto cahida em penas graves, Pois tanto amaste em vão, em vão te queixa Luís de Camões

Quingentésimo ano (75)

A ti, Senhor, a quem as sacras Musas nutrem e cibam de poção divina (não as da fonte Délia cabalina, que são Medeias, Circes e Medusas, mas aquelas, em cujo peito, infusas as leis estão, que a lei da Graça ensina, beninas no amor e na doutrina e não soberbas, cegas e confusas), este pequeno parto, produzido de meu saber e fraco entendimento, ũa vontade grande te oferece. Se for de ti notado de atrevido, daqui peço perdão do atrevimento, o qual esta vontade te merece. Luís de Camões

O Império

Império - As teias que o Império teceu   52      A exportação de mão-de-obra escrava pelo porto de Luanda terá sido alvo de competição, no século XVII, entre portugueses e holandeses A disputa entre os colonizadores, cujo vencedor foi o Reino de Portugal, originou a captura direta de escravos, nas chamadas Guerras Angolanas, no seio de certas tribos, que tinham lutado contra os portugueses Tornando-se, Angola, num centro, importante de fornecimento de mão- de-obra escrava, para o Brasil, onde crescia não apenas a produção de cana-de-açúcar, no Nordeste, mas também a exploração de ouro na região central Os navios, com mercadorias de Goa, faziam escala em Luanda, para deixarem panos, as chamadas “fazendas de negros”. Dali, seguiam para Salvador, na Bahia, carregados de escravos e de outras mercadorias provenientes da Índia (como louças e tecidos) Salvador tornou-se um centro difusor de mercadorias, vindas da Índia, para América do Sul Os negócios foram estruturados aos poucos. Num primei...

Quingentésimo ano (74)

Quem jaz no grão sepulchro, que descreve Tão illustres signaes no forte escudo? Ninguem; que nisso, em fim se torna tudo: Mas foi quem tudo pôde e tudo teve. Foi Rei? Fez tudo quanto a Rei se deve: Poz na guerra e na paz devido estudo. Mas quão pezado foi ao Mouro rudo, Tanto lhe seja agora a terra leve. Alexandro será? Ninguem se engane: Mais que o adquirir, o sustentar estima. Será Hadriano grão Senhor do mundo? Mais observante foi da Lei de cima. He Numa? Numa não, mas he Joane. De Portugal Terceiro sem segundo. Luís de Camões

Quingentésimo ano (73)

Debaixo desta pedra está metido, Das sanguinosas armas descansado, O Capitão illustre e assinalado Dom Fernando de Castro esclarecido. Este por todo o Oriente tão temido, Este da propria inveja tão cantado, Este, em fim, raio de Mavorte irado, Aqui está agora em terra convertido. Alegra-te, ó guerreira Lusitania, Por est'outro Viriato que criaste, E chora a perda sua eternamente. Exemplo toma nisto de Dardania; Que se a Roma com elle anniquilaste, Nem por isso Carthago está contente. Luís de Camões

Quingentésimo ano (72)

À romana Populónia perguntava um certo curioso e não prudente porque a alimária comummente em tempo certo do ano se juntava; a qual, como discreta e que cuidava em repostas ser suma e eminente, com ũa só palavra, claramente, respondeu, e mostrou com quem folgava: «Bestas são,» dá a entender, «que não entendem quão grande suavidade se encerra na cópula himeneia e ajuntamento. Mas mores bestas são os que pretendem buscar contentamento à carne e à terra deixando a alma prestes ao tormento». Luís de Camões

A Lição!

A Lição!   Os Partidos do arco da governação fingiram, durante quase meio-século, que não havia corrupção, quando ela existe de alto abaixo: ministros, deputados, presidentes de Câmara, presidentes de Freguesia Alguns governaram com muita arrogância, como se fossem donos do país Hoje tiveram a resposta, espero que tenham aprendido a lição, que não voltemos a ver notas ,do Banco de Portugal, escondidas em gabinetes ministeriais, favores de todo o género aos senhores Governantes, e que estes país deixe de ser o país das cunhas Desejo que o Chega tenha o mesmo fim, que teve o PRD, que os mais novos nem sabem que existiu, e era um partido de gente civilizada, ao contrário do Chega Ambos os partidos de um homem só, sem convicções, o que pode fazer com que o Chega tenha a mesma sorte, que teve o PRD Estas eleições foram muito importantes, por mostrarem aos políticos, que os elegemos para Governarem o país, e não para se governarem Não culpabilizem a justiça pelos vossos erros, respeitem a su...

Quingentésimo ano (71)

Em flor vos arrancou, de então crescida, (Ah Senhor Dom Antonio!) a dura sorte Donde fazendo andava o braço forte A fama dos antiguos esquecida. Huma só razão tenho conhecida Com que tamanha mágoa se conforte: Que se no Mundo havia honrada morte, Não podieis vós ter mais larga vida Se meus humildes versos podem tanto Que co'o desejo meu se iguale a arte, Especial materia me sereis E celebrado em triste e longo canto, Se morrestes nas mãos do fero Marte, Na memoria das gentes vivireis. Luís de Camões    

Quingentésimo ano (70)

De um tão felice engenho, produzido de outro, que o claro Sol não viu maior, é trazer cousas altas no sentido, todas dinas de espanto e de louvor. Museu foi antiquíssimo escritor, filósofo e poeta conhecido, discípulo do Músico amador que co som teve o Inferno suspendido. Este pôde abalar o monte mudo, cantando aquele mal, que eu já passei, do mancebo de Abido mal sisudo. Agora contam já (segundo achei), Tasso, e o nosso Boscão, que disse tudo dos segredos que move o cego Rei. Luís de Camões

Quingentésimo ano (69)

Que vençais no Oriente tantos Reis, Que de novo nos deis da India o Estado, Que escureçais a fama que hão ganhado Aquelles, que a ganhárão de infieis; Que vencidas tenhais da morte as leis, E que vencesseis tudo, em fim, armado, Mais he vencer na patria, desarmado, Os monstros e as Chimeras que venceis. Sôbre vencerdes, pois, tanto inimigo, E por armas fazer que sem segundo No mundo o vosso nome ouvido seja; O que vos dá mais fama inda no mundo, He vencerdes, Senhor, no Reino amigo, Tantas ingratidões, tão grande inveja.   Luís de Camões

Mulher!

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Mulher! (Reedição)   por cheia, em 08.03.24   “A Mulher e o Amor”   As dores do amor São puras e muito duras Mulher, que vendes prazer! A quem o quiser Porque tens de vier Criar os filhos, que o amor fez nascer Mas, o progenitor encantou-se, por outra flor A mãe ficou sozinha no ninho Vende o seu corpo, para poder criar o filhinho Amargas dores de puros amores Que o tempo levou Ficou a flor, que lhe sustenta a esperança De um dia encontrar um novo amor Que faça dela uma flor Que queira ficar, com ela, a vida inteira Que a veja como mulher, e não como rameira Que não a queira, apenas, para comprar prazer O espinho da rosa de ser mulher A parte negra da sua formusura A dura vida de conseguir ser vista como mãe…….. E não como objeto sexual Que a publicidade, também, compra Para fazer faísca na montra Para obter dinheiro e notoriedade Nunca para fazer brilhar a sua dignidade São as mulheres e o amor que iluminam a cidade Mulheres amadas irradiam felicidade São namoradas, mães, avós……. Toda...

Quingentésimo ano (68)

Vós, ninfas da Gangetica espessura, Cantai suavemente, em voz sonora, Hum grande Capitão que a roxa Aurora Dos filhos defendeo da noite escura. Ajuntou-se a caterva negra e dura, Que na Aurea Chersoneso affouta mora, Para lançar do charo ninho fóra Aquelles que mais podem que a ventura. Mas hum forte leão, com pouca gente, A multidão tão fera como necia, Destruindo castiga e torna fraca. Ó Nymphas, cantai, pois; que claramente Mais do que Leonidas fez em Grecia, O nobre Leoniz fez em Malaca! Luís de Camões

Mulher!

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“A Mulher e o Amor”   As dores do amor São puras e muito duras Mulher, que vendes prazer! A quem o quiser Porque tens de vier Criar os filhos, que o amor fez nascer Mas, o progenitor encantou-se, por outra flor A mãe ficou sozinha no ninho Vende o seu corpo, para poder criar o filhinho Amargas dores de puros amores Que o tempo levou Ficou a flor, que lhe sustenta a esperança De um dia encontrar um novo amor Que faça dela uma flor Que queira ficar, com ela, a vida inteira Que a veja como mulher, e não como rameira Que não a queira, apenas, para comprar prazer O espinho da rosa de ser mulher A parte negra da sua formusura A dura vida de conseguir ser vista como mãe…….. E não como objeto sexual Que a publicidade, também, compra Para fazer faísca na montra Para obter dinheiro e notoriedade Nunca para fazer brilhar a sua dignidade São as mulheres e o amor que iluminam a cidade Mulheres amadas irradiam felicidade São namoradas, mães, avós……. Todas elas têm um pouco de perfume, de todos nós A...

Quingentésimo ano (67)

Vós que, de olhos suaves e serenos, com justa causa a vida cativais, e que os outros cuidados condenais por indevidos, baixos e pequenos; se ainda do Amor domésticos venenos nunca provastes, quero que saibais que é tanto mais o amor despois que amais, quanto são mais as causas de ser menos. E não cuide ninguém que algum defeito, quando na cousa amada se apresenta, possa deminuir o amor perfeito; antes o dobra mais; e se atormenta, pouco e pouco o desculpa o brando peito; que Amor com seus contrairos se acrescenta. Luís de Camões

O Império

O Império – As teias que o Império teceu   51      As cooperantes marcaram a assembleia geral da cooperativa. Reuniram-se todas, junto do embondeiro grande, muitas mulheres, apenas cinco homens As mulheres trouxeram, para a discussão, o problema de passarem o dia a trabalhar com os filhos às costas Colocaram à discussão e votação a criação de um sítio onde os filhos pudessem ficar em segurança, enquanto elas estivessem a trabalhar Uma propôs que ficasse uma a tomar conta deles, mas ouviram-se, imediatamente, vozes a dizerem que não poderia ser só uma, por que se houvesse um problema em que ela tivesse de dar toda a atenção a essa criança, as outras ficariam em perigo Tinham de ser, pelo menos duas, para tomar conta das crianças, que exige muita atenção, e é uma grande responsabilidade, para quem tem a incumbência de zelar pela sua segurança O ideal seria que os avós estivessem por perto e disponíveis para ajudarem os pais, em caso de ocorrer um impedimento dos progenitores, ou para que...

Quingentésimo ano (66)

O céu, a terra, o vento sossegado… As ondas, que se estendem pela areia… Os peixes, que no mar o sono enfreia… O nocturno silêncio repousado… O pescador Aónio, que, deitado onde co vento a água se meneia, chorando, o nome amado em vão nomeia, que não pode ser mais que nomeado: Ondas (dezia), antes que Amor me mate, torna-me a minha Ninfa, que tão cedo me fizestes à morte estar sujeita. Ninguém lhe fala; o mar de longe bate; move-se brandamente o arvoredo; leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita. Luís de Camões

Quingentésimo ano (65)

Todo animal da calma repousava, Só Liso o ardor dela não sentia; Que o repouso do fogo, em que ele ardia, Consistia na Ninfa que buscava. Os montes parecia que abalava O triste som das mágoas que dizia: Mas nada o duro peito comovia, Que na vontade de outro posto estava. Cansado já de andar pela espessura, No tronco de uma faia, por lembrança Escreve estas palavras de tristeza: Nunca ponha ninguém sua esperança Em peito feminil, que de natura Somente em ser mudável tem firmeza. Luís de Camões

O exemplo!

O exemplo!   A  04/03/2024,  a França deu um passo em frente Tornou-se no primeiro país a consagrar o aborto, na Constituição  Mostrou ao mundo e a toda a gente Que continua a ser o país da fraternidade, igualdade e solidariedade Vendo que o mundo parece querer perder o rumo Com nacionalistas, fascistas, machistas a chegarem ao poder Avisada do que aconteceu nos Estados Unidos da América Em que forças retrógradas reverteram o direito à interrupção da gravidez Resolveu inscrever o direito à interrupção da gravidez, na Constituição ( 780 votos a favor e 72 contra) Assim, é mais difícil, a qualquer louco, que aceda ao poder, pelo voto, que foi o que aconteceu com o Hitler, reverter esse direito, a não ser que o país entre em ditadura. Mas, nesse caso acabam-se todos os direitos, só sobram os deveres.   José Silva Costa

Quingentésimo ano (64)

Quem presumir, Senhora, de louvar-vos Com humano saber, e não divino, Ficará de tamanha culpa dino Quamanha ficais sendo em contemplar-vos. Não pretenda ninguém de louvor dar-vos, Por mais que raro seja, e peregrino: Que vossa fermosura eu imagino Que Deus a ele só quis comparar-vos. Ditosa esta alma vossa, que quisestes Em posse pôr de prenda tão subida, Como, Senhora, foi a que me destes. Melhor a guardarei que a própria vida; Que, pois mercê tamanha me fizestes, De mim será jamais nunca esquecida. Luís de Camões

Quingentésimo ano (63)

Que pode já fazer minha ventura que seja para meu contentamento., Ou como fazer devo fundamento de cousa que o não tem, nem é segura? Que pena pode ser tão certa e dura que possa ser maior que meu tormento? Ou como receará meu pensamento os males, se com eles mais se apura? Como quem se costuma de pequeno com peçonha criar por mão ciente, da qual o uso já o tem seguro; assi de acostumado co veneno, o uso de sofrer meu mal presente me faz não sentir já nada o futuro. Luís de Camões

Quingentésimo ano (62)

Aquela fera humana que enriquece A sua presunçosa tirania Destas minhas entranhas, onde cria Amor um mal que falta quando cresce; Se nela o Céu mostrou (como parece) Quanto mostrar ao mundo pretendia, Porque de minha vida se injuria? Porque de minha morte se enobrece? Ora, enfim, sublimai vossa vitória, Senhora, com vencer-me e cativar-me; Fazei dela no mundo larga história. Pois, por mais que vos veja atormentar-me, Já me fico logrando desta glória De ver que tendes tanta de matar-me. Luís de Camões