Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2020

"Nova Lisboa"

Mazelas da guerra Continuação   "Nova Lisboa"   No regresso das férias, não me consigo lembrar como cheguei ao Andulo Não sei se foram as palavras da minha filha, que não me deixavam pensar em mais nada Lembro-me de ter ido ao Banco, para dar baixa da conta, e o empregado se ter mostrado surpreendido por termos ficado, na Vila, tão pouco tempo De regresso à guerra, encontrei a Companhia já com o terceiro Capitão, ainda jovem, militar de carreira Fomos deslocados para a bonita cidade de Nova Lisboa, o melhor sítio, com o melhor clima de todos, onde estive, em Angola. Situada no Planalto Central de Angola, a quase 2.000 metros de altitude, é a segunda cidade mais fria de Angola  Os soldados ficaram instalados no quartel que existia na cidade, nós tivemos de arranjar onde ficar, à nossa custa Com  um ótimo cinema: o Ruacaná, um bom restaurante: o Himalaia, uma boa biblioteca, onde passei muito tempo a ler as obras de Fernando Namora Assisti às 6 horas de Nova Lisboa, ganhas pelo...

Nova era

Uma Nova Era De nariz e boca tapada Vamos todos de ter de andar uma temporada Para evitar a entrada da bicharada  Vai fazer com que tenhamos o nariz quentinho e a boca sem cieiro Nem tudo é mau, daqui até janeiro Estávamos a exagerar nos festejos do Natal e Ano Novo Este ano cada um vai ficar no seu canteiro Poupa-se tempo e dinheiro Pagamos bem caro os erros, já podemos passar sem ir ao estrangeiro A Natureza faz-nos recuar, quando não a sabemos respeitar É tempo de mudar! Quanto mais depressa o fizermos, menos sofreremos Não podemos continuar a correr sem parar Tudo tem um limite, e nós estávamos a abusar Somos obrigados a parar, para pensar Temos de voltar a ter tempo para viver e amar Não podemos querer o Mundo abarcar Não precisamos de passar a vida a acumular Para, de um segundo para o outro tudo deixar Todos temos direito a ter um lugar Mas há quem queira com o dos outros ficar A ganância é a nossa perdição Temos de dar mais atenção aos outros Temos de voltar a admirar a Naturez...

A cidadania

A cidadania A França reagiu à altura ao condecorar o professor, que foi degolado por lecionar a disciplina de cidadania É preciso que os que defendem os valore da República: igualdade, fraternidade, liberdade não se deixem intimidar por os que não defendem estes valores, querendo impor, a todos, os seus valores As religiões, as ceitas, as igrejas não podem querer que a Escola Pública, ensine, apenas, os seus valores e a sua visão de cidadania A Escola Pública tem a obrigação de ensinar, a todos, que ninguém nos pode tirar o direito de nos exprimirmos em liberdade, mesmo que alguns não gostem do modo como o fazemos Por que razão alguns pais não querem que os filhos assistam à disciplina de cidadania? Será que não querem que, aos seus filhos, seja ensinado que todos somos iguais perante a lei, sejamos brancos, verdes, azuis, vermelhos, pretos, ciganos, alentejanos ………….! Antes da implantação da República é que os estudantes, que quisessem ir para a Universidade, tinham de assinar uma dec...

As férias

As mazelas da guerra Continuação As férias Não me consigo lembrar como fui do Audulo para o Alto Hama, ou Alto Uama, o grande entroncamento nacional das rodovias Transnacionais que fazem parte da Rede Rodoviária Transafricana, onde muitos pernoitam, para descansarem das longas viagens Tenho uma vaga ideia de ter lá dormido, e no dia seguinte ter perguntado se alguém ia para Luanda, e se me dava boleia. Um senhor disse-me que ia para perto de Luanda, e eu disse-lhe que valia mais estar perto que longe Um bom carro, boa velocidade e uma caçadeira a meu lado. Quando entrei no carro, ainda fiquei um pouco preocupado, sem saber para que serviria a caçadeira Passados uns bons quilómetros, avistámos um animal, muito ao longe, abrandou e disparou, e mais umas quantas vezes, durante a viagem, sem que tenha acertado, acho que era mais o gosto de disparar Quando chegou ao destino, vimos uma camioneta carregada de sacos de farinha, ele conhecia o condutor, sem sair do carro, perguntou-lhe se me po...

o momento

O momento   O mundo está tenso Um crime imenso! A liberdade em suspenso Um momento intenso Sem consenso O que escolher! A saúde ou o alimento Ninguém sabe! Vamos continuar a sonhar Porque isso ninguém nos vai tirar Se nos soubermos adaptar Podemos outro caminho encontrar Mas temos de lutar Porque nada cai do ar A não ser a água, mas infelizmente, pouca Uma situação louca Que não vale a pena negar Pelo contrário Todos unidos, temos de a enfrentar.   José Silva Costa        

Os "Flechas"

Durante a guerra de Angola, a PIDE/DGS criou um grupo paramilitar de bosquímanos, um povo africano. O Observador publica um excerto do livro de Fernando Cavaleiro Ângelo sobre esta tropa secreta. 27 fev 2017, 22:2164     Em 1967, seis anos depois do início da guerra em Angola, a PIDE/DGS começou a recrutar novos membros entre algumas etnias africanas com o objetivo de integrá-los num novo grupo paramilitar autóctone, criado nesse ano pelo inspetor Óscar Cardoso, que tinha então sido transferido para Angola. Esse grupo ficaria conhecido como os “Flechas”. O emprego de grupos autóctones em ações de combate contra insurgentes independentistas não era uma novidade. Porém, ao contrário de grupos semelhantes criados por ingleses, franceses ou sul-africanos, os “Flechas” atuavam na dependência direta dos serviços secretos da PIDE/DGS. Com a sua criação em 1967 procurou-se, acima de tudo, melhorar a capacidade de recolha de informações estratégicas, operacionais e táticas, tentando desenvolver...

Em casa alheia

A paz!   Em casa alheia A Ana de Deus convidou-me para falar sobre a paz Estou muito grato pelo convite Espero que o texto esteja à altura do teu prestigiado blog Não deixem de passar por: Ana de Deus, em Rainyday Um feliz dia e uma boa semana, pra todos.

O sol

O Sol   Cada vez chegas mais tarde E, à tarde, cada vez, vais mais cedo Espero, todas as manhãs, por ti, em segredo Fico, ali quietinho, à espera do teu carinho Quando chegas acaricias todo o meu corpo É tão bom sentir o teu calor Os meus joelhos são quem mais sente a tua falta Gostam das tuas massagens, do teu calor, até lhes passa a dor Vais subindo, intensificando o teu calor ÀS vezes, as nuvens, com ciúmes, prendem-te Fico ansioso e rezo para que te libertem Que te deixem vir para ao pé de mim Passamos os dias aos abraços e beijinhos A tarde começa a cair, tu vais descendo até o mar te engolir Nem tempo temos de nos despedirmos É fria a noite, sem os teus carinhos Amanhã, vamos continuar juntinhos.   José Silva Costa    

A recompensa

Mazelas da guerra   Continuação A recompensa   Passados 9 meses, estávamos, de novo, em Luanda Quando chegámos, acompanhei o Capitão ao Quartel-General, onde nos aguardava um Brigadeiro O Capitão fez-lhe continência e manteve-se em continência, enquanto ele falava, perguntava o que tinha sucedido ……….. O Capitão manteve-se quedo e mudo, até o Brigadeiro corresponder à continência Como uma parte da tempestade já tinha passado, o Capitão justificou por que razão foi impossível controlar os condutores civis, tudo acabou em bem Passámos alguns dias em Luanda, antes de seguirmos para os nossos novos destinos Acabados os dias de férias em Luanda, saímos em direção ao novo paraíso, numa extensa coluna militar, desta vez, em direção ao Sul Fomos distribuídos por quatro povoações. Ao meu pelotão coube a bonita Vila do Andulo, terra natal de Jonas Savimbi, líder da UNITA – União Nacional para a Independência Total de Angola Não podíamos ter sido melhor recebidos, ainda não tínhamos autorização p...

Sereno luar

Sereno luar Que nos levas a descansar No silêncio da noite No escuro que nos ajuda a namorar Sem que a luz nos possa incomodar Nem os pássaros possam piar A noite é um sossegado mar Onde, em nuvens, podemos sonhar Todo o mundo percorrer Ir e voltar, coisas que só a noite nos permite fazer Sem sequer nos mexermos Descobrir todos os mistérios Revelar todos os segredos Construir milhões de enredos Mas, de manhã, quando acordamos Verificamos que tudo se sumiu por entre os dedos.   José Silva Costa      

Novo ano

Mazelas da Guerra Continuação   Novo Ano O ano de 1970 começa com nuvens muito negras. Tinha chegado aos ouvidos do Comandante de Batalhão, de que, na nossa Companhia, tinham brincado com a religião Punidos com 5 e 10 dias de prisão, para Capitão e Furriel Vagomestre, respetivamente, por terem brincado com a religião Tiveram de abandonar a Companhia, tendo a substituição recaído, no caso do Capitão, na escolha de um Capitão já a caminhar para a reforma, que estava a poucos meses de acabar a comissão Foi um grande choque, já nos tínhamos esquecido do que tinha acontecido Penso que a escolha, daquele Capitão, teve a ver com o facto de dentro de poucos meses deixarmos aquele acampamento, para irmos para o centro de Angola Ainda bem que escolheram um militar com muita experiência, porque a viagem, do Norte para Luanda, foi muito atribulada Em Maquela do Zombo e na fronteira fazia-se muito contrabando As lojas vendiam de tudo, desde porcelanas chinesas, toalhas de mesa bordadas, artesanato ...

desafio

Das minhas sete palavras, no desafio de hoje, da Ana de Deus   Inovar é melhorar e respeitar quem queremos ajudar por não ter tido oportunidade de subir o patamar Ao retribuir estou a ouvir quem necessita de uma palavra amiga, ou de um ombro para descansar de uma fadiga Namorar é das coisas mais belas que podemos fazer e que todos devemos aplaudir.

Critérios

Critérios   Presidente e Primeiro-Ministro em dramática sintonia Procuradora Geral da República, Presidente do Tribunal de contas não são reconduzíveis Desde que não sejam submissos, que se permitam discordar do Governo Porque o Governo acha que tem de alterar, as leis dos Concursos Públicos, para conseguir gastar o muito dinheiro, que virá Enquanto o resto do país não concorda, porque teme que arrefeça em bolsos de quem não faz nada Triste fado o nosso, que contamos mais, com o ovo no rabo da galinha, do que com o nosso trabalho.   Custa-me ver o Governo pintar tudo cor-de-rosa, como se vivêssemos no paraíso São tudo maravilhas, vão reforçar tudo, como se ainda não estivéssemos cá a pandemia Não tiveram tempo de antecipar o caus em que estão os Centros de Saúde! Se antes já havia dificuldades em marcar consultas, agora os doentes desesperam Não atendem os telefones, dizem para enviar e-mail, como se todos soubessem mexer em computadores É muito triste ver filas intermináveis de pessoa...

Sol esguio

No sol esguio do outono Abraço o teu sono Aguardo o teu acordar risonho Quem comtempla uma flor Contenta-se com o seu perfume Cada madrugada é um a alvorada Com o teu brilho a lavar-me a alma E a lua a iluminar a nossa estrada Gastamos os anos de mão dada No aconchego do teu olhar Sem precisar de mais nada A não ser da simplicidade do teu coração Onde quero acordar todas as manhãs.   José Silva Costa        

O Natal

Mazelas da Guerra Continuação O Natal de 1969 Para muitos era primeira consoada passada fora do calor familiar Na guerra nunca nos faltou álcool, quanto a mim, responsável por muitos acidentes Duas fábricas de cerveja trabalhavam 24 horas por dia, para que nunca faltasse cerveja, bem ou mal fermentada Havia quem se gabasse de beber uma grade, 24 garrafas, de cervejas até ao almoço Os oficiais e sargentos tinham direito, por mês, a adquirirem, a bom preço, 2 garras de bom uísque escocês, conhaque francês, para que nunca nos faltasse álcool Quando chegaram as 24 horas do dia 24 de Dezembro de 1969, já estávamos quase todos alcoolizados Depois de ter estado na messe de oficiais e sargentos, onde nos reunimos todos, incluindo as esposas dos Sargentos, para a noite da consoada, e aproveitámos para ouvir a mensagem de Natal, do Agostinho Neto, em que ele dizia, “ este é último Natal, que os colonialistas portugueses passam em Angola” Pela meia-noite fui à caserna dos soldados, para dar um ab...