Quingentésimo ano (366)
Canto I - 90 Não se contenta a gente Portuguesa, Mas, seguindo a vitória, estrui e mata; A povoação sem muro e sem defesa Esbombardeia, acende e desbarata. Da cavalgada ao Mouro já lhe pesa, Que bem cuidou comprá-la mais barata; Já blasfema da guerra, e maldizia, O velho inerte e a mãe que o filho cria. 106 No mar tanta tormenta e tanto dano, Tantas vezes a morte apercebida! Na terra tanta guerra, tanto engano, Tanta necessidade avorrecida! Onde pode acolher-se um fraco humano, Onde terá segura a curta vida, Que não se arme e se indigne o Céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno? Canto II - 44 - «Fermosa filha m inha, não tem ais Perigo algum nos vossos Lusi tanos, Nem que ninguém comigo possa m ais Que esses chorosos olhos soberanos; Que eu vos prometo, fil ha, que vejais Esquecerem-se Gregos e Roma nos, Pelos ilustres feitos que esta gen te Há-de fazer nas partes do Oriente. Canto III - 97 (D. Dinis) «Fez primeiro em Coim bra exercitar-se O valeroso ofício de Mi...