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Mostrando postagens de fevereiro, 2021

Vidas (16)

Vidas Continuação  (16) AS mulheres, naquele tempo, não tinham muitas hipóteses de emprego. O habitual era ficarem em casa, a tomarem conta do filho, ou na redoma de vidro, à espera do marido, levar os filhos ao colégio, jogar à canasta com as amigas.  As freguesas diárias a quem, todos os dias, ia perguntar o que necessitavam, porque não havia onde os alimentos conservar, quase todas tinham criadas: uma, duas, três ou mais Tudo dependia do estatuto social, ou do agregado familiar. Os casais que tinham três, quatro ou mais filhos, e possibilidades, tinham pelo menos três criadas: a cozinheira, a criada de fora e a dos meninos Como não havia eletrodomésticos, tudo era feito manualmente! A lavagem da roupa ficava a cargo das lavadeiras de Caneças, que semanalmente traziam a trouxa lavada e levavam a suja As que trabalhavam fora de casa, para além das vendedeiras, porteiras: classe baixa, eram as enfermeiras, as hospedeiras de bordo, as professoras Os homens tinham de assegurar o rendimen...

Vidas (15)

Vidas Continuação (15) Na sequência da inspeção ao horário de trabalho, o patrão teve de o inscrever na Caixa de Previdência dos Empregados do Comércio. Assim, o José teve de tirar o Bilhete de Identidade e o Cartão de Sanidade, obrigatório para quem trabalhava no ramo alimentar O Mundo estava, como sempre, “ a pular e a avançar”. Depois da televisão, veio a esferográfica, que para muitos pode parecer uma coisa banal. Mas, no dia em que o Diário do Governo publicou que com a esferográfica se podiam assinar escrituras e cheques, um senhor entrou no estabelecimento, com uma esferográfica na mão e o Diário do Governo debaixo do braço, e perguntou:” já sabem que se podem assinar cheques e escrituras com uma esferográfica? Foi publicado hoje no Diário do Governo, acabou-se o reinado da caneta de tinta permanente e do mata-borrão” Duas inaugurações importante no ano de 1959. Inauguração do Santuário Nacional de Cristo Rei, em 17 de Maio de 1959. Um mar de gente invadiu a baixa de Lisboa, em ...

Desigualdades!

Partilhas! Foi dado um pequeno passo na igualdade da criação e educação dos filhos, pelos dois progenitores Para que de uma vez por todas, os homens deixem de ajudar em casa, para passarem a partilhar a lida da casa Uma das situações, em que os pais podem receber o ordenado por inteiro, é alternarem a guarda dos filhos, ficando em casa uma semana um, outra semana o outro Uma maneira de tentar aliviar as mulheres para deixarem de ser, sempre, elas a carregarem com os filhos Fazendo com que eles também saibam o que é criar e educar os filhos Um bom sinal para os patrões, que preferem contratar os homens, porque não “perdem tempo” a cuidar dos filhos Para os que despedem as mulheres, quando engravidam, não lhes renovando o contrato Um incentivo à natalidade, fazendo com que as mulheres deixem de carregar o medo de engravidarem, porque podem ser despedidas, ou serem prejudicadas nas suas carreiras Em suma, uma boa lei venham mais!   José Silva Costa      

Vidas (14)

Continuação (14) Começou com o ordenado de setenta escudos mensais, cama e roupa lavada, foi aumentado vinte escudos de cada vez, atingindo os cento e noventa escudos Em 1958, ainda se viam algumas carroças pelas ruas. Ao cimo da Rua da Imprensa Nacional, do lado direito de quem sobe, havia uma olaria, que mais tarde foi transformada numa loja de artigos de plástico Foi um ano de eleições Presidenciais, em que o General Humberto Delgado terá ganho as eleições. Questionado sobre o que faria a Salazar, se ganhasse, deu uma resposta, que deve ter ditado a sentença da sua morte: “obviamente demito-o”. (em 1965, foi morto pela PIDE) Em 1957 tinham começado as emissões regulares da televisão. Muito poucas pessoas tinham televisão, José e o patrão, de vez em quando, depois do jantar, iam ver a televisão, a um café na rua de São Marçalo. A patroa ia para o andar, os filhos deitar Assistiram à apresentação, pelo saudoso Artur Agostinho, do novo concurso da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, ...

Vidas (13)

Continuação (13) Alice, o filho mais novo e a prima seguiram para casa, onde o José iria, depois do jantar, para decidir se ficava em Lisboa, ou voltaria, com a mãe e o irmão, para a sua casa   José colocou a grade e os cestos às costas, recomeçou a caminhada para o seu destino: a Rua Forno do Tijolo, ao Príncipe Real, onde estava estacionada a camioneta, que levaria a grade e os cestos, de volta, à Praça da Ribeira Se a Alice, em vez de ter tido aquele dramático encontro com o filho, o tivesse surpreendido a atender uma cliente, ou a dar brilho às laranjas, com um pano, não carregaria aquela dura e dolorosa imagem durante meses ou anos. Como diz o ditado: “ olhos que não veem, coração que não sente” Quando regressou, ao Lugar de Frutas e Hortaliças, disse ao patrão, que tinha encontrado a mãe, o irmão e prima, e pediu-lhe se poderia ir despedir-se deles, depois do jantar Mal acabou de jantar, correu para a casa da prima. Foi então, que as duas primas travaram um debate, onde esgrimira...

Milésimo!

Milésimo! 1000 Postais Muitas letras encostadas, muitas palavras arrumadas, muitas linhas esticadas Tantas ideias entrelaçadas De pessoas e lugares E viagens guiadas por terras e mares Neste cantinho, muito tenho aprendido com pessoas ilustres, simpáticas, amigas! Que nos oferecem a sua sabedoria, magia e o muito que nos guia Que dedicam uma parte do seu tempo em pesquisas para nos oferecem textos interessantes Imagens, conselhos, opiniões, expõem as suas razões, um convívio, sem o qual não vivo Já me cruzei com tantas pessoas, ao longo deste longos anos, tão interessantes, que tanto me têm enriquecido, cuja amabilidade e sorrisos, nunca serão esquecidos Neste espaço, como não nos vemos, construímos uma imagem de quem está do outro lado, que pode não coincidir com a realidade Participamos nas vitórias e derrotas uns dos outros, tomando parte das suas alegrias e tristezas, aspirações, medos, desaires, conquistas, como se fossemos uma grande família Quando algum deixa de se apresentar, s...

Vidas (12)

Continuação (12) Entretanto, o patrão do José aproveitou a Feira do Ameixial, para vender as vacas e os bezerros. Acabadas as férias na Califórnia, voltou para casa, onde já estava o irmão, por ter tido alta do Hospital de São José. Foram os últimos dias, juntos, naquela casa. Passados uns dias, apareceu outro patrão. Desta vez, de uma localidade, no outro lado da Ribeira, no Algarve. Francisco disse-lhe que o filho ia guardar os porcos, mas que estava à espera de uma carta, para ele ir para Lisboa. Assim que chegasse, iria lá busca-lo imediatamente. A ceifa estava quase a começar, nesse ano a ceifa começou em Maio A dez dias do fim do mês, quase ao fim do dia, estava o José, descontraído, a olhar pelos porcos, para que não comessem o trigo, quando avistou o pai, ao longe. Adivinhou o motivo da visita, Ficou feliz, mas ao mesmo tempo com receio do desconhecido O pai chegou cansado, ainda eram uns bons quilómetros, não se demorou e seguiram para casa, queria que o filho tivesse tempo pa...

Brasões!

Brasões! Lisboa nunca foi capital de nenhum império Lisboa nasceu na era do Doutor Medida É tão jovem, que ainda não atingiu a maior idade! É uma jovem cidade, pintada de todas as cores Para não ofender os Doutores Vai ficar sem os brasões! A Praça do Império vai passar a chamar-se: Praça do Doutor Medida A Rua do Poço dos Negros vai passar a chamar-se: Rua Doutor Medida O café Império nunca existiu, nem a Casa Africana! Para quem não pode ver um brasão, que não morra de ataque do coração Como é que consegue continuar a falara a língua dos Imperialistas, Colonizadores, Esclavagistas?   O Doutor Medida bem pode mandar tudo arrasar Mas, cortar a raiz ao pensamento, não vai conseguir Poderá Lisboa sobreviver à era Medida|   José Silva da  Costa      

Vidas (11)

  Continuação  (11) Francisco, assim que pôde, foi a Santa Cruz. Disse ao patrão, do José, que era um mentiroso, que devia estar habituado a fazer dos pobres gato-sapato, mas que com ele se tinha enganado! Que tomasse conta dos porcos, porque o seu filho não era mais seu criado José foi com o pai, para casa, por mais uns dias, não muitos, porque apareceu um Senhor que tinha duas vacas e dois bezerros, precisava dum rapaz para, os animais, guardar Estava a fazer uma casa na Califórnia, um Monte situado na margem esquerda da Ribeira do Vascão. Não morava lá, uma vez que casa ainda estava em construção José adorava aquele sítio, por estar junto à Ribeira, onde com outros rapazes se entretinham na brincadeira. As vacas e os seus filhos davam pouco trabalho Nas horas de maior calor estavam presas, e ele ou ia para a Ribeira, ou montar armadilhas para apanhar perdizes. Não conseguiu apanhar nenhuma! Foram meses maravilhosos, de liberdade e brincadeira. Os caseiros eram boas pessoas, queriam ...

À antiga!

À antiga!   Este inverno está ser, como há muitos anos não via Tão diferente dos invernos, que mais, primaveras, pareciam Está a colaborar com o Governo, no seu: “ fique em casa” As casas é que estão muito sobrecarregadas Em Escolas, Universidades, escritórios e salas de reunião, transformadas Até eu voltei à Escola! Como não aproveitar tanta sabedoria a entrar no aconchego do lar Como os tempos estão a mudar! Será que este tempo se deve à redução da poluição? Os aviões ficaram em terra e os carros junto à habitação A avenida está limpa e a rua mais convidativa As casas é que não param de se queixar Estão muito saturadas. Vinte e quatro horas, sempre, ocupadas! Anseiam pelo fim do estado de emergência Por quanto mais tempo teremos de continuar na “prisão”? Não podemos desesperar A primavera está a chegar.   José Silva Costa      

Vidas! (10)

Continuação (10)   José ficou algum tempo a saborear a liberdade de não saber o que ira fazer. Não foi por muito tempo, porque um vizinho, que tinha 4 ou 5 ovelhas, sem ter quem as guardar, propôs uma parceria ao Francisco: o José guardava as ovelhas, e os filhos que tivessem eram divididos pelos dois Uma vizinha quando estava à porta, e ele passava Monte abaixo, atrás das ovelhas, dizia: “ andaste tu a estudar, para agora andares a guardar ovelhas”. José nunca lhe respondeu, seguia o seu caminho, na esperança de que um dia o vento mudasse Ao fim do dia, quase todos os dias, juntava-se a um pastor, já com idade para se reformar, mas como o rebanho era dele, não achava jeito em o deixar. Dava-lhe o que tinha sobrado do seu almoço, para ele lanchar: pão com azeitonas, ou toucinho. Ambos gostavam daqueles encontros diários, falavam dos seus problemas e do que os rodeava No inverno, um dia muito chuvoso, cruzaram-se logo de manhã, arranjaram um abrigo e mantiveram as ovelhas num espaço, on...

Vidas (9)

Continuação (9)  Finalmente chegou o dia de irem para Mértola, para fazerem o exame da quarta classe. Um dia muito desejado, mas ao mesmo tempo, muito receado, porque era o fim de uma longa caminhada  Mértola, a eterna princesa do Guadiana, esperava pelos jovens de todo o Concelho, que queriam participar na grande festa de conseguirem terminar os quatro anos de escolaridade obrigatória com a obtenção de um diploma O Guadiana, estrada por muitos povos utilizada, porto de exportação dos cereais e minério, entrada de mercadorias vindas do mediterrâneo, que seguiam rio acima até Mértola Mértola, um presépio debruçado sobre o rio, com o seu árabe casario, transformada num enorme Museu, a céu aberto Uma semana ou mais para fazer o exame da quarta classe! Ao José, acompanhou-o a mãe, ficando o Francisco com os outros dois filhos, de 3 e 6 anos, um grande esforço para a família Não tinham dinheiro para pagarem uma pensão, valeu-lhe a bondade dum militar, reformado, da Guarda Nacional Republica...

Vidas (8)

Continuação (8) A terceira classe, terceira professora, três professoras em três anos! Na terceira classe havia exame para passar para a quarta classe. No seguimento das anteriores, esta professora, também queria que os seus alunos fizessem boa figura. Numa tarde, depois de entrarem, após o intervalo para o almoço, a professora apercebeu-se que estava a cair neve, foi à rua certificar-se do que estava a ver, correu para a sala de aulas, dizendo : “agarrem nas vossas coisas e corram para casa. Não se entretenham a brincar com a neve, porque está a nevar muito, o que pode provocar muita dificuldade para chegarem a casa” No dia seguinte estava tudo branquinho: telhados, campos, o que fez com que Francisco tivesse de ir cortar uns ramos de oliveira, para a cabra comer. Estávamos em 1954, o ano em o país ficou pintado de branco de alto-a-baixo   Pouco antes do ano escolar acabar, a professora foi incumbida de fazer uma lista dos alunos mais pobres, para irem uma semana de férias, para a bei...

Vidas (7)

Continuação  (7) O segundo ano letivo começou noutro Monte, noutro edifício, com outra professora, que lhes lecionou a segunda e quarta classes. O José ficou com mais tempo para ajudar os pais, nos trabalhos do campo. Tinha um balde de cinco litros, para ir regar as batatas, que o pai semeava junto ao ribeiro que ladeava a courela João, ao contrário de outros pais, sempre disse que a Escola era o mais importante para os seus filhos, nunca tiraria os filhos da Escola para os ajustar aos latifundiários, para guardarem as bestas ou fazer quaisquer outros trabalhos, queria era que os seus filhos continuassem a estudar para além da quarta classe Quando o filho ficou aprovado no exame da terceira classe, perguntou-lhe se gostava de ir para padre. José, que nunca o contrariava: ”disse-lhe que gostava” De tempo a tempo repetia a mesma pergunta e a resposta era sempre a mesma. Decidiu contatar o Seminário para saber as condições de ingresso. Responderam-lhe que teria de pagar quatro mil escudos...

Primeiro lugar!

Primeiro lugar!   Portugal tem vindo a fazer um grande esforço, ao longo de muitos anos, com a colaboração de todos os Governos  Uns mais que outros, no sentido de chegar ao primeiro lugar Não é fácil, porque ainda tem muitos concorrentes, e alguns bem fortes Contudo, acredito que a continuarem assim, acabarão por conseguir o objetivo Tudo serve para progredirem uns degraus, sejam concursos, vacinas, hidrogénio, negócios! Alguns já estão atrás das grades, poucos! Mas o que interessa é o primeiro lugar Algumas pessoas nem deram pelo bom resultado atingido o ano passado Mais três degraus foram vencidos, como diz o ditado: “ a pouco-e-pouco enche a galinha o papo” Vamos, está ao nosso alcance, o primeiro lugar do país mais corrupto do mundo!   José Silva Costa