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Mostrando postagens de agosto, 2023

O Império

O Império- As teias que o Império teceu 24 Os irmãos continuavam a pôr a conversa em dia. O Ezequiel não queria ser ele, a acabar com a alegria do reencontro, esperou que fosse o irmão a perguntar-lhe pela mãe Quando o Januário perguntou pela mãe, o Irmão disse-lhe que, infelizmente, a mãe já tinha falecido há seis meses Januário chorou um pouco, dizendo que tinha tanta pena de que a mãe não tivesse conhecido a Rosinha, a Leopoldina e o Roberto, e foi assim que o Ezequiel soube os nomes da cunhada,  da sobrinha e do sobrinho Todos tiveram de ficar, mais uma noite, na casa do casal, que acolheu o Ezequiel e a Miquelina, uma vez que a casa do Januário, nos arredores de Luanda, ainda ficava a uns quilómetros O Januário lamentou o facto de a sua nova casa, em Luanda, ainda não estivesse acabada Os anfitriões disseram-lhes que podiam ficar o tempo que quisessem, que estavam muito felizes por os terem conhecido e terem tido a oportunidade de os acolher No dia seguinte, levantaram-se cedo, ag...

Velhos!

Velhos Este país não é para velhos Bem podem, até, arranjar palavra mais suave: idoso Que não é isso que evita que haja político manhoso Que nas campanhas eleitorais não beije todo o idoso Que o deixe morrer, numa maca, à porta do Hospital Porque os serviços públicos fecharam para férias Incluindo os Hospitais, que não se conseguem manter abertos Devido à falta de investimento em recursos humanos e materiais E o mais surpreendente é que isto tenha passado a ser a normalidade E que ninguém se indigne, tenha muita ou pouca idade As repartições das finanças só atendem com marcação Depois de dias ao telefone, quando se consegue uma marcação 5 minutos depois, recebe-se um email a anular a marcação As escolas passaram o ano com falta de professores e em greves  mas todos os alunos passaram de ano Vamos continuar a ter técnicos cobiçados por os outros países? Nada funciona, mas o país está melhor, na boca dos políticos Agosto é o mês das férias, os políticos vão a banhos Não querem ser incomo...

O Império

O Império - As teias que o Império teceu 23 Chegou a hora de deixarem o barco e darem um salto para o desconhecido: a Cidade de Luanda Depois do almoço, pelas 15 horas, a Miquelina e o Ezequiel puseram pé em terra firme, faltavam 3 horas para a noite se abater sobre a cidade Mal tiveram tempo de dar uma vista de olhos pela cidade. De repente a escuridão engoliu a cidade e eles só tiveram tempo de se abrigar num recanto, debaixo de uma árvore Não havia nada que lhes conseguisse roubar a magia da primeira noite, juntos, e dos primeiros beijos. Entre beijos e abraços, no romantismo da noite escura, as 12 horas passaram num abrir e fechar de olhos, quando menos esperavam, o sol apareceu a beijá-los com todo o seu esplendor Levantaram-se do assento onde passaram a noite, abraçaram-se, beijaram-se e gritaram: “Viva o Amor” Como tinham combinado, iniciaram o dia a pedir ajuda, tentaram contar a sua história a várias pessoas, uns ouviram-nos, outros não, ninguém se mostrou interessado em ajudá...

Guerra na Ucrânia

Guerra na Ucrânia   Ucrânia, o mundo está contigo! Todos repudiamos o hediondo crime Da tua destruição e extermínio da tua população Ninguém pactua com agressões As divergências resolvem-se com conversações Queremos continuar a ser livres, sem opressões Temos de ser solidários em todas as ocasiões Vamos continuar a apoiar-te até expulsares o invasor Que tem de ser presente à justiça, para ser punido O castigo tem de ser exemplar Para que mais nenhum ditador se julgue dono do Mundo Por muito poder que tenha, não pense que pode fazer o que quer Às Nações Unidas têm de obedecer Para que não se repitam barbáries como a que está a acontecer Cegos pelo poder, as maiores atrocidades podem cometer Comandados pelo ódio, humanos deixam de ser Com as mãos ensanguentadas e a vista perturbada são incapazes de ver Que todo o mundo os está a combater Para tentar que não continuem, horrendos crimes, a cometer Será, assim tão difícil de perceber, que todos temos o direito de viver? Que temos de ser sol...

O Império

O Império – As teias que o Império teceu 22 O Januário, assim que soube que as naus tinham atracado ao cais de Luanda, foi passando, por lá, todos os dias Mas, não conseguiu encontrar ninguém conhecido, nem ninguém que lhe desse as notícias  desejadas sobre a sua amada Lisboa A notícia que todos queriam revelar, por ser uma coisa invulgar, era a de que abordo viajava uma mulher Januário, também, ficou muito surpreendido e tentou que lhe descrevessem a mulher, para ver se faria algum sentido, a armada trazer uma mulher a bordo Disseram-lhe que era uma mulher muito bonita, muito competente no seu trabalho de gerir os mantimentos e fazia equipa com um rapaz da sua idade, que se chamava Ezequiel Quando falaram em Ezequiel, ainda, disse que era o nome do seu irmão, mas nunca pensou que fosse ele Despediu-se, desejando-lhes boa viagem, e que continuaria a passar por ali, todos os dias, para ver se se cruzava com alguém conhecido, queria saber mais de Lisboa Finalmente, as quatro naus chegara...

Incêndios!

O Governo da Propaganda   Todos os anos o mesmo desespero De alto abaixo, o País a arder A única preocupação é que nenhum humano morra Tudo o resto pode arder “ Deixa arder que o meu pai é Bombeiro” No último incêndio de 5 dias, entre Odemira e Monchique, um cidadão alemão disse para uma câmara de televisão: “ estavam três autotanques, bem equipados, mas ninguém fez nada” Há dias, Tiago Martins de Oliveira, presidente da AGIF, I.P (Agência de Gestão Integrada dos Fogos Rurais, I.P, disse que os Bombeiros recebem por hectare ardido, palavras que incendiaram os Bombeiros e os Autarcas, caiu o Carmo e a Trindade! O Ministro da Administração Interna disse que as palavras foram mal interpretadas, o costume O Governo não se cansa de propagandear que tem não sei quantos meios aéreos, mundos e fundos. Mas, o que é que isso interessa, se o País continua a arder, e não arde mais porque, qualquer dia, não há nada para arder! Por que razão não tentam salvar os pertences das populações? Será que ca...

O Império

O Império  -  As Teias que o Império Teceu   21 O Comandante, que a tinha em muita consideração, disse que podiam sair os dois, desde que deixassem o trabalho feito, não se demorassem e não se afastassem muito do cais, para evitarem as ruas mais perigosas Estava ultrapassada uma das dificuldades: a saída de ambos, o Comandante tinha caído na armadilha, que a Miquelina lhe atirara, com muita naturalidade, dando a entender que  trocaria a visita a Luanda, que muito gostava de ver, pela segurança da sua vida Tinha de transmitir, ao Ezequiel, a decisão do Comandante, lembrando-lhe que não poderiam  dar a entender que estavam a abandonar o navio. Assim, só conseguiriam levar o que vestissem e pouco mais À medida que se aproximava a chegada a Luanda, aumentava o seu nervosismo, era um grande salto para o desconhecido Para piorar o ambiente, o setor à sua responsabilidade dava os sinais habituais: falta de alimentos frescos, a água cheia de bichos, o que estava a causar o aparecimento de mais...

Sol a pino!

Sol a pino!   Sol a pino Mar salgado Lua cheia Corpos bronzeados Deitados na areia A onda serpenteia Por entre o pé e a meia Como que à procura da clareira Onde se possa infiltrar Para ao mar voltar Não quer ouvir ralhar Por os corpos estar a molhar Um mar amigo Que não representa perigo Onde podemos guardar os sonhos Enquanto vamos a banhos Sem olhares estranhos A medirem-nos de-alto-a-baixo Como se fossemos extraterrestre Estamos de férias, que nunca deviam acabar Não temos de ouvir o despertador tocar É tempo de descansar, sonhar, e o mundo apanhar No namoro com o ar, podendo, sempre, a lua beijar Quando a noite nos for deitar, cansados de amar Ao acordar, devemos agradecer a alegria de viver Espreguiçar e voltar a sonhar.   José Silva Costa        

Palavras!

Quem as ouve?   De todas as palavras do Papa, a mais importante foi: todos, todos, todos, todos. Quantos a ouviram?

O Império

O Império – As teias que o Império teceu 20 Reparadas as naus, fizeram-se, de novo, ao mar, as condições estavam favoráveis, durante alguns dias não tiveram problemas. Mas, infelizmente, foi sol de pouca dura Cinco dias depois de saírem de Angra do Heroísmo, nos Açores, voltaram a enfrentar ventos ciclónicos, numa manobra errada, um golpe de vento partiu uma nau ao meio, afundou-se em pouco tempo, dez dos trinta tripulantes morreram Não tardaram as acusações, as superstições, as tentativas de encontrarem bodes expiatórios, alguém a quem culpar, por estarem com tanto azar Uns culpavam o Comandante por se terem feito ao mar numa sexta-feira dia 13, um dia de azar, que deveria ter sido evitado a todo o custo Outros culparam a Miquelina, dizendo que todos sabiam que nunca tinham sido admitidas mulheres abordo, por causa dos azares, que dão, quando andam com a menstruação O Comandante defendeu a Miquelina, dizendo-lhes que eram tudo superstições e que contra os elementos naturais, nenhum hu...