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Mostrando postagens de junho, 2024

Julho!

Bem-vindo Julho!   Sonho com o verão Com o calor de suar Não o de perto do mar Mas o da planície alentejana Aquele calor que da terra emana Que queima o ar e nos faz transpirar Que faz a espiga de trigo aloirar Que obriga todos os seres vivos a parar Obrigando-os a fazerem uma sexta A suspenderem a vida e a respiração E, assim passam as horas de mais aflição Com a fresca volta a bater o coração E a vida volta à sua animação Volta a brisa para ajudar a separar o grão da palha Com a pá atiram-se ambos ao ar O trigo cai na vertical, a palha, o vento quer acompanhar  As noites são de calor tropical As manhãs de brandura, antes do sol aquecer Aproveitam-se para os tremoços colher Se lhes tocarmos quando o sol queima Aproveitam para saltarem das vagens onde foram criados No campo ficam todos espalhados Chega o dia da adiafa, da gratificação saborear Dançar à volta do mastro, para os Santos Populares comemorar Um pouco de descanso e folia, namorar até ser dia Aproveitar enquanto a Natureza do...

Quingentésimo ano (183)

Quanta incerta esperança, quanto engano! Quanto viver de falsos pensamentos! Pois todos vão fazer seus fundamentos Só no mesmo em qu'está seu proprio dano. Na incerta vida estribão de hum humano; Dão credito a palavras que são ventos; Chórão despois as horas e os momentos, Que rírão com mais gôsto em todo o ano. Não haja em apparencias confianças; Entendei que o viver he de emprestado; Que o de que vive o mundo são mudanças. Mudai, pois, o sentido e o cuidado, Somente amando aquellas esperanças Que durão para sempre com o amado. Luís de Camões

Quingentésimo ano (182)

Quando, Senhora, quis Amor que amasse essa grã perfeição e gentileza, logo deu por sentença que a crueza em vosso peito amor acrescentasse. Determinou que nada me apartasse: nem desfavor cruel, nem aspereza; mas que em minha raríssima firmeza vossa isenção cruel se executasse. E pois tendes aqui oferecida esta alma vossa a vosso sacrifício, acabai de fartar vossa vontade. Não lhe alargueis, Senhora, mais a vida; acabará morrendo em seu ofício, sua fé defendendo e lealdade. Luís de Camões

Quingentésimo ano (181)

Quando vejo que meu destino ordena Que, por me exprimentar, de vós me aparte, Deixando de meu bem tão grande parte, Que a mesma culpa fica grave pena; O duro desfavor, que me condena, Quando por a memoria se reparte, Endurece os sentidos de tal arte Que a dor da ausencia fica mais pequena. Mas como póde ser que na mudança D'aquillo que mais quero, estê tão fóra De me não apartar tambem da vida? Eu refrearei tão aspera esquivança: Porque mais sentirei partir, Senhora, Sem sentir muito a pena da partida. Luís de Camões    

A justiça e a política

A justiça e a política     Todos contra a Procuradora A revolta começou e engrossou por investigar os que se julgam acima da justiça, nunca lhe perdoarão A indignação e os abaixo assinados: primeiro trinta, cinquenta, cem, uma multidão, quando as investigações chegaram aos intocáveis, aos poderosos, aos Governantes, que já há muito vinham dando sinais de estarem incomodados por a justiça estar a funcionar Mesmo que tenha sido descurado o seu investimento, como aconteceu com todos os serviços públicos, fazendo com que se amontoem os processos, que os hospitais fechem, que as pessoas tenha de ir dormir para as portas dos centros de saúde, conservatórias, registos, que alunos tenham começado o ano escolar sem professores a seis disciplinas… (tudo normal para os arrogantes Governantes) Ainda que faltem poucos meses para complementar o mandato, as turbas não param de pedir que fale, que a demitam, que o Presidente da República intervenha, que seja chamada à Assembleia da República, que não ...

Quingentésimo ano (180)

Quando se vir com água o fogo arder, Juntar-se ao claro dia a noite escura, E a terra collocada lá na altura Em que se vem os ceos prevalecer; Quando Amor á Razão obedecer, E em todos for igual huma ventura, Deixarei eu de ver tal formosura, E de a amar deixarei depois de a ver. Porém não sendo vista esta mudança No mundo, porque, em fim, não póde ver-se, Ninguem mudar-me queira de querer-vos. Que basta estar em vós minha esperança, E o ganhar-se a minha alma, ou o perder-se, Para dos olhos meus nunca perder-vos. Luís de Camões

Quingentésimo ano (179)

Quando o sol encoberto vai mostrando Ao mundo a luz quieta e duvidosa, Ao longo de huma praia deleitosa Vou na minha inimiga imaginando. Aqui a vi os cabellos concertando; Alli co'a mão na face, tão formosa; Aqui fallando alegre, alli cuidosa; Agora estando quêda, agora andando. Aqui esteve sentada, alli me vio, Erguendo aquelles olhos, tão isentos; Commovida aqui hum pouco, alli segura. Aqui se entristeceo, alli se rio: E, em fim, nestes cansados pensamentos Passo esta vida vãa, que sempre dura. Luís de Camões

O Império

O Império – As teias que o Império teceu 66 A feitoria de São João Batista de Ajudá, no Benim Os primeiros viajantes europeus a alcançarem Benim foram os exploradores portugueses em cerca de 1485. A forte relação mercantil foi desenvolvida, com o comércio entre os produtos tropicais de Edo como o marfim, pimenta e óleo de dendê e os bens europeus de Portugal, como o cânhamo-de-manila e armas. No início do século XVI , o Oba enviou um embaixador a Lisboa, e o rei de Portugal enviou cristãos missionários à cidade do Benim. Alguns moradores da cidade do Benim ainda falariam um português pidgin no final do século XIX. Aos primeiros minutos do dia 1 de agosto de 1961 a bandeira das quinas foi arriada Em 1965, o mítico guerrilheiro Che Guevara visitou a histórica fortaleza de Ajudá e o Templo das Serpentes (pitons) Depois da independência do Brasil, em 1822, 1961 foi o ano do início do fim do Império   Em Coimbra, tanto a Marina como o Roberto iam de vento-em-popa, nos estudos, mas à Marina ...

Quingentésimo ano (178)

Quando de minhas mágoas a comprida Maginação os olhos me adormece, Em sonhos aquella alma me apparece, Que para mi foi sonho nesta vida. Lá n'huma soidade, onde estendida A vista por o campo desfallece, Corro apoz ella; e ella então parece Que mais de mi se alonga, compellida. Brado: Não me fujais, sombra benina. Ella (os olhos em mi co'hum brando pejo, Como quem diz, que ja não póde ser) Torna a fugir-me: torno a bradar: Dina... E antes que diga mene, acórdo, e vejo Que nem hum breve engano posso ter. Luis de Camões

Quingentésimo ano (177)

Quando a suprema dor muito me aperta, Se digo que desejo esquecimento, He fôrça que se faz ao pensamento, De que a vontade livre desconcerta. Assi de êrro tão grave me desperta A luz do bem regido entendimento, Que mostra ser engano, ou fingimento, Dizer que em tal descanso mais se acerta. Porque essa propria imagem, que na mente Me representa o bem de que careço, Faz-mo de hum certo modo ser presente. Ditosa he, logo, a pena que padeço, Pois que da causa della em mi se sente Hum bem que, inda sem ver-vos, reconheço. Luís de Camões

Quingentésimo ano (176)

Qual tem a borboleta por costume, que, enlevada na luz da acesa vela, dando vai voltas mil, até que nela se queima agora, agora se consume; tal eu correndo vou ao vivo lume desses olhos gentis, Aónia bela; e abraso-me, por mais que com cautela livrar-me a parte racional presume. Conheço o muito a que se atreve a vista, o quanto se levanta o pensamento, o como vou morrendo claramente. Porém, não quer Amor que lhe resista, nem a minha alma o quer; que em tal tormento, qual em glória maior, está contente.  Luís de Camões  

Quingentésimo ano (175)

Pues lágrimas tratáis, mis ojos tristes, y en lágrimas pasáis la noche y día, mirad si es llanto este que os envía aquella por quien vos tantas vertistes. Sentid, mis ojos, bien esta que vistes, y si ella lo es, oh gran ventura mía! por muy bien empleadas las habría mil cuentos que por esta sola distes. Mas una cosa mucho deseada, aunque se vea cierta, no es creída; cuanto más esta, que me es enviada. Pero digo que aunque sea fingida, que basta que por lágrima sea dada, por que sea por lágrima tenida. Luís de Camões

Quingentésimo ano (174)

Presença bella, angelica figura, Em quem quanto o Ceo tinha nos tẽe dado; Gesto alegre de rosas semeado, Entre as quaes se está rindo a Formosura: Olhos, onde tẽe feito tal mistura Em crystal puro o negro marchetado, Que vemos ja no verde delicado Não esperança, mas inveja escura: Brandura, aviso, e graça, que augmentando A natural belleza co'hum desprezo, Com que mais desprezada mais se augmenta: São as prizões de hum coração, que prêzo, Seu mal ao som dos ferros vai cantando, Como faz a serêa na tormenta. Luís de Camões

Quingentésimo ano (173)

Posto me tem fortuna em tal estado, E tanto a seus pés me tem rendido! Não tenho que perder já, de perdido, Não tenho que mudar já, de mudado. Todo o bem para mim é acabado; Daqui dou o viver já por vivido; Que, aonde o mal é tão conhecido, Também o viver mais será escusado. Se me basta querer, a morte quero, Que bem outra esperança não convém, E curarei um mal com outro mal. E pois do bem tão pouco bem espero, Já que o mal este só remédio tem, Não me culpem em querer remédio tal. Luís de Camões

cica-macho

Imagem
Mais um ano, mais uma vez a cica-macho lançou o seu espigão, na esperança de arranjar uma parceira, mas ainda não foi desta. A companheira ou companheiro, continua a não querer mostrar a sua orientação sexual, vai ter de continuar a esperar, que ele ou ele atinja a idade da reprodução, para saber  se acasalam. .      Esta bonita cica, ornamentada por uma linda carnuda, continua  a não qurerer revelar o seu sexo, ainda pensámos que fosse este ano, antes de lançar as jovens folhas, mas não. Acho que está zangada, por estar num vaso, enquanto a cica-macho está no chão. Já lhe prometi que, caso seja fêmea, colocá-la-ei, no chão, ao lado da cica-macho, para poderem  namorar à vontade.             .     

O Império

O Império – As teias que o Império teceu 65   A Rosinha não conseguia suportar a falta de notícias do filho. Todos sofriam com a sua grande tristeza, que também contagiava todos os cooperantes A filha e o genro, vendo tamanho sofrimento, pediram-lhe que fosse, novamente, falar com o Governador A Rosinha não se sentia à vontade, no palácio do Governador, mas teve, mais uma vez, de enfrentar esse desconforto, porque já nem conseguia dormir, passava as vinte e quatro horas, sempre, a pensar no filho, dizia que tinha um pressentimento ruim  Encheu-se de coragem e dirigiu-se para o Palácio do Governador. Foi muito bem recebida como da primeira vez, teve de esperar um pouco, porque ele estava ocupado Quando a viu, os seus olhos brilharam de alegria, correu para ela e contou-lhe a boa novidade, iam ser avós A Rosinha ficou sem palavras, vendo-a encavacada, abraçou-a, ambos gritaram: “ vamos ser avós” Começou por lhe dizer que tinha recebido uma carta da filha, trazida por um conhecido, que fa...

Quingentésimo ano (172)

Porque a tamanhas penas se offerece Por o peccado alheio, e êrro insano, O Trino Deos? Porque o sogeito humano Não póde co'o castigo que merece. Quem padecerá as penas que padece? Quem soffrerá deshonra, morte e dano? Quem será, se não for o Soberano Que reina, e servos manda, e obedece? Foi a fôrça do homem tão pequena, Que não pôde soster tanta aspereza, Pois não sosteve a Lei que Deos ordena. Mas soffre-a aquella immensa Fortaleza Por amor puro; que a mortal fraqueza Foi para o êrro, e não ja para a pena. Luís de Camões  

Quingentésimo ano (171)

Por sua Nympha Céphalo deixava A Aurora, que por elle se perdia, Postoque dá principio ao claro dia, Postoque as roxas flores imitava. Elle, que a bella Procris tanto amava, Que só por ella tudo engeitaria, Deseja de tentar se lhe acharia Tão firme fé, como ella nelle achava. Mudado o trage, tece hum duro engano; Outro se finge, preço põe diante; Quebra-se a fé mudavel, e consente. Oh subtil invenção para seu dano! Vêde que manhas busca hum cego amante Para que sempre seja descontente! Luís de Camões

Quingentésimo ano (170)

Por cima destas águas forte e firme Irei aonde os Fados o ordenárão, Pois por cima de quantas derramárão Aquelles claros olhos pude vir-me. Ja chegado era o fim de despedir-me; Ja mil impedimentos se acabárão, Quando rios de amor se atravessárão A me impedir o passo de partir-me. Passei-os eu com ânimo obstinado, Com que a morte forçada gloriosa Faz o vencido ja desesperado. Em qual figura, ou gesto desusado, Póde ja fazer medo a morte irosa A quem tẽe a seus pés rendido e atado? Luís de Camões

Quingentésimo ano (169)

Por os raros extremos que mostrou Em sábia Pallas, Venus em formosa, Diana em casta, Juno em animosa, Africa, Europa e Asia as adorou. Aquelle saber grande que juntou Esprito e corpo em liga generosa, Esta mundana máchina lustrosa, De sós quatro elementos fabricou. Mas fez maior milagre a natureza Em vós, Senhoras, pondo em cada hũa O que por todas quatro repartio. A vós seu resplandor deo sol e lũa: A vós com viva luz, graça e pureza, Ar, Fogo, Terra e Agua vos servio. Luís de Camões

Quingentésimo ano (168)

Pede o desejo, Dama, que vos veja: Não entende o que pede; está enganado. He este amor tão fino e tão delgado, Que quem o tẽe, não sabe o que deseja. Não ha cousa, a qüal natural seja, Que não queira perpétuo o seu estado. Não quer logo o desejo o desejado, Só porque nunca falte onde sobeja. Mas este puro affecto em mim se dana: Que, como a grave pedra tẽe por arte O centro desejar da natureza; Assi meu pensamento por a parte, Que vai tomar de mi, terreste e humana, Foi, Senhora, pedir esta baixeza. Luís de Camões  

Quingentésimo ano (167)

Passo por meus trabalhos tão isento De sentimento grande nem pequeno, Que só por a vontade com que peno Me fica Amor devendo mais tormento. Mas vai-me Amor matando tanto a tento, Temperando a triaga co'o veneno, Que do penar a ordem desordeno, Porque não mo consente o soffrimento. Porém se esta fineza o Amor sente E pagar-me meu mal com mal pretende, Torna-me com prazer como ao sol neve. Mas se me vê co'os males tão contente, Faz-se avaro da pena, porque entende Que quanto mais me paga, mais me deve. Luís de Camões                

Flores

Flores vermelhas   Flores quentes de Junho Amores doces de verão Apertam o meu coração Beijos eternos te verão Os meus olhos rasos de comoção Nos teus rosáceos lábios de romã Deposito os meus desejos Ver-te feliz são os meus ensejos Na formosura dos teus beijos Aqueço todo o meu corpo Na silhueta do teu olhar Vejo todos os meus sonhos a navegar Minha flor, quão doce é o amor Embalado pela tua formosura No ar puro da tua doçura Onde colocamos a noite segura Com a lua esguia à mistura A iluminar os beijos na tua cintura De bailarina de dança do ventre Nas mil umas noites dormidas no vento Os bonitos sonhos foram o nosso sustento Nos teus sedosos cabelos coloco um beijo sedento Meu amor, minha flor, somos o fermento Abraçados continuaremos a desafiar o momento.   José Silva Costa        

Quingentésimo ano (166)

Para se namorar do que criou, Te fez Deos, sacra Phenix, Virgem pura. Vêde que tal seria esta feitura Que para si o seu Feitor guardou! No seu alto conceito te formou Primeiro que a primeira criatura, Para que unica fosse a compostura Que de tão longo tempo se estudou. Não sei se digo em tudo quanto baste Para exprimir as raras qualidades Que quiz criar em ti quem tu criaste. Es Filha, Mãe, e Esposa: e se alcançaste Huma só, tres tão altas dignidades, Foi porqu'a Tres de Hum só tanto agradaste. Luís de Camões

Santos Populares

Santo Antóno   Santo António namoradeiro Dou-te todo o meu dinheiro Se me arranjares uma noiva envolta em nevoeiro Que me ame, sempre, como no dia primeiro.   José Silva Costa  

Quingentésimo ano (165)

Os Reinos e os Imperios poderosos, Que em grandeza no mundo mais crescêrão; Ou por valor de esfôrço florecêrão, Ou por Barões nas letras espantosos. Teve Grecia Themistocles famosos; Os Scipiões a Roma engrandecêrão; Doze Pares a França gloria derão; Cides a Hespanha, e Laras bellicosos. Ao nosso Portugal, que agora vemos Tão differente de seu ser primeiro, Os vossos derão honra e liberdade. E em vós, grão successor e novo herdeiro Do Braganção Estado, ha mil extremos Iguaes ao sangue, e móres que a idade. Luís de Camões

O Império

 O Império  -  As teias que o Império teceu   64 Em Luanda, a Rosinha e a restante família estavam muito preocupados por não terem notícias do Roberto e da Marina, que já tinha conquistado aquela família, pela sua simplicidade, por se preocupar com os problemas daquela comunidade e pelo amor que todos sentiam que tinha pelo Roberto Em Coimbra, a Marina inscreveu-se na Faculdade de Medicina e o Roberto na de Direito Apesar da gravidez, queria a todo custo Licenciar-se em Medicina, e logo nos primeiros tempos, mostrou que era uma ótima aluna   ( A troca das Infantas, para evitar guerras)   Conflitos entre Portugal e Espanha, por causa da fundação pelos portugueses de Montevidéu, no Rio da Prata, a 22 de novembro de 1723 Era uma zona que os portugueses consideravam ser o limite meridional natural do Brasil, enquanto os espanhóis de Buenos Aires queriam controlar todo o estuário do Rio da Prata Os portugueses tinham desde 1680 a Colónia do Sacramento na região, que fora ocupada pelos espan...

Quingentésimo ano (164)

Ornou sublime esfôrço ao grande Atlante, Com qu'a celeste máchina sustenta; Honrou a Homero o engenho, com que intenta Grecia do quarto ceo passá-lo avante; Coroou claro Amor de amor constante A Orpheo, na paz firme e na tormenta; Inspirou a Fortuna, em tudo isenta, A Cesar, de quem foi hum tempo amante; Exaltaste tu, Fama, a gloria alta De Alcides lá no monte em que resides; Mas Castro, em quem o Ceo seus dões derrama, Mais orna, honra, coroa, inspira, exalta, Que Atlante, Homero, Orpheo, Cesar e Alcides, Esfôrço, engenho, Amor, Fortuna e Fama. Luís de Camões

Quingentésimo ano (163)

Orfeu enamorado que tañía por la perdida ninfa, que buscaba, en el Orco implacable donde estaba, con la arpa y con la voz la enternecía. La rueda de Ixión no se movia, ningún atormentado se quejaba, las penas de los otros ablandaba, y todas las de todos él sentía. El son pudo obligar de tal manera, que, en dulce galardón de lo cantado, los infernales reyes, condolidos, le mandaron volver su compañera, y volvióla á perder el desdichado, con que fueron entrambos los perdidos. Luís de Camões

Quingentésimo ano (162)

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades "Eis aqui, quase cume da cabeça De Europa toda, o Reino Lusitano, Onde a terra se acaba e o mar começa,   "Esta é a ditosa pátria minha amada, A qual se o Céu me dá que eu sem perigo Torne, com esta empresa já acabada,   - «Ó glória de mandar, ó vã cobiça Desta vaidade a quem chamamos Fama!   Oh, que famintos beijos na floresta, E que mimoso choro que soava! Que afagos tão suaves! Que ira honesta, Que em risinhos alegres se tornava!   A formusura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O manso caminhar destes ribeiros,   O dia em que nasci moura e pereça, Não o queira jamais o tempo dar; Não torne mais ao mundo, e, se tornar, Eclipse nesse passo o Sol padeça.   Estavas, linda Inês, posta em sossego, De teus anos colhendo doce fruto, Naquele engano da alma, ledo e cego, Que a fortuna não deixa durar muito, Nos saudosos campos do Mondego, De teus fermosos olhos nunca enxuto, Aos montes ensinando e às ervinhas O nome qu...

Quingentésimo ano (161)

Onde mereci eu tal pensamento Nunca de ser humano merecido? Onde mereci eu ficar vencido De quem tanto me honrou co'o vencimento? Em gloria se converte o meu tormento, Quando vendo-me estou tão bem perdido; Pois não foi tanto mal ser atrevido, Como foi gloria o mesmo atrevimento. Vivo, Senhora, só de contemplar-vos; E pois esta alma tenho tão rendida, Em lagrimas desfeito acabarei. Porque não me farão deixar de amar-vos Receios de perder por vós a vida; Que por vós vezes mil a perderei. Luís de Camões

Quingentésimo ano (160)

Ondados fios de ouro reluzente, Que agora da mão bella recolhidos, Agora sôbre as rosas esparzidos Fazeis que a sua graça se accrescente; Olhos, que vos moveis tão docemente, Em mil divinos raios incendidos, Se de cá me levais a alma e sentidos, Que fôra, se eu de vós não fôra ausente? Honesto riso, que entre a mór fineza De perlas e coraes nasce e apparece; Oh quem seus doces ecos ja lhe ouvisse! Se imaginando só tanta belleza, De si com nova gloria a alma se esquece, Que será quando a vir? Ah quem a visse! Luís de Camões

Quingentésimo ano (159)

Olhos fermosos, em quem quis Natura mostrar do seu poder altos sinais, se quiserdes saber quanto possais, vede-me a mim, que sou vossa feitura. Pintada em mim se vê vossa figura; no que eu padeço retratada estais; que, se eu passo tormentos desiguais, muito mais pode vossa fermosura. De mim não quero mais que o meu desejo: ser vosso; e só de ser vosso me arreio, por que o vosso penhor em mim se assele. Não me lembro de mim, quando vos vejo, nem do mundo; e não erro, porque creio que, em lembrar-me de vós, cumpro com ele. Luís de Camões  

Quingentésimo ano (158)

Oh como se me alonga de anno em ano A peregrinação cansada minha! Como se encurta, e como ao fim caminha Este meu breve e vão discurso humano! Mingoando a idade vai, crescendo o dano; Perdeo-se-me hum remedio, que inda tinha: Se por experiencia se adivinha, Qualquer grande esperança he grande engano. Corro apoz este bem que não se alcança; No meio do caminho me fallece; Mil vezes caio, e perco a confiança. Quando elle foge, eu tardo; e na tardança, Se os olhos ergo a ver se inda apparece, Da vista se me perde, e da esperança. Luís de Camões

O Império

O Império   -  As teias que o Império teceu 63 A força do amor! A Marina e Roberto, que para além de quererem estudar na Universidade de Coimbra, que consideravam ser a mais prestigiada Universidade da Europa, queriam, também iniciar uma vida a dois Assim, em dois anos conseguiram habilitações, para ingressarem na Universidade Por ser filha do Governador, teve oportunidade de embarcar, em Luanda, numa nau, que fazia parte da frota, vinda da Índia, e ali tinha feito escala, para reabastecimento, com o Roberto, seu namorado Foram quase dois meses de viagem, uma viagem tranquila, só aportaram ao Funchal, na Ilha da Madeira, para voltar a reabastecer a frota Chegaram a Lisboa, em finais de Julho, em pleno verão, ficara encantados com a cidade, calcorrearam as suas vielas e colinas, como se procurassem os seus antepassados Continuavam intrigados, sem terem uma explicação, para que um pequeno país tivesse empreendido uma tão grande aventura, como foram os descobrimentos, que levaram os portu...

Compra de autorização de residência!

O migrante entrega 250 mil euros ao Estado português a fundo perdido, em troca de uma autorização de residência. (Executive)

Quingentésimo ano (157)

    José Diogo Quintela   Os 500 anos de Luís Facho Camões   Celebrar Camões é, de certa forma, caucionar o eurocentrismo, a supremacia branca e o próprio fascismo. Quem gosta de Camões vota Trump e não apoia a Palestina. (Observador)   Rui Valério   No V centenário do nascimento de Luís de Camões   Nestes tempos, fará bem aos portugueses regressar a Camões: ele não é um simples poeta da corte portuguesa, é capaz de lançar um olhar crítico sobre a sociedade do seu tempo. É de certo modo profético      (Observador)     Oh quão caro me custa o entender-te, Molesto Amor que, só por alcançar-te, De dor em dor me tens trazido a parte Donde em ti odio e íra se converte! Cuidei que para em tudo conhecer-te Me não faltava experiencia e arte; Mas na alma vejo agora accrescentar-te Aquillo que era causa de perder-te. Estavas tão secreto no meu peito, Que eu mesmo, que te tinha, não sabia Que me senhoreavas deste geito. Descubriste-te agor...

As Crianças

Crianças Oiço o choro das crianças, que estão presas nas guerras Oiço o choro das crianças, que estão a morrer nas guerras Oiço a fome e a sede das crianças, envoltas no pó das guerras Oiço o choro das crinaças, que têm medo  Oiço a aflição das crianças, que não têm um brinquedo Oiço os gritos das crianças a quem mataram toda a família Oiço os passos das crianças, que deambulam no som das balas Oiço o suplício do que estão a fazer a crianças, homens e mulheres Oiço as crianças a pedirem uns minutos de silêncio para poderem dormir Oiço as crianças a pedirem tréguas para poderem sorrir Oiço as crianças a dizerem que ninguém ganha com guerras Oiço o barulho do tempo perdido nas guerras Oiço o barulho dos animais e até das feras mortas nas guerras Oiço o mar revoltado por causa das guerras Mas, ninguém dá ouvidos a ninguém!   José Silva Costa    

Quingentésimo ano (156)

O raio crystallino se estendia Por o mundo da Aurora marchetada, Quando Nise, pastora delicada, Donde a vida deixava se partia. Dos olhos, com que o sol escurecia, Levando a luz em lagrimas banhada, De si, do fado, e tempo magoada, Pondo os olhos no Ceo, assi dizia: Nasce, sereno sol, puro e luzente; Resplandece, purpurea e branca aurora, Qualquer alma alegrando descontente; Que a minha, sabe tu que desde agora Jamais na vida a podes ver contente, Nem tão triste nenhuma outra pastora. Luís de Camões

Quingentésimo ano (155)

O tempo acaba o ano, o mês e a hora, A força, a arte, a manha, a fortaleza; O tempo acaba a fama e a riqueza, O tempo o mesmo tempo de si chora. O tempo busca e acaba onde mora Qualquer ingratidão, qualquer dureza; Mas não pode acabar minha tristeza, Enquanto não quiserdes vós, Senhora. O tempo o claro dia torna escuro, E o mais ledo prazer em choro triste; O tempo, a tempestade em grã bonança. Mas de abrandar o tempo estou seguro O peito de diamante, onde consiste A pena e o prazer desta esperança. Luís de Camões  

Quingentésimo ano (154)

Ó gloriosa cruz, ó vitorioso troféu, de despojos rodeado, ó sinal escolhido e ordenado para remédio tão maravilhoso; ó fonte viva de licor sagrado, em ti nosso mal todo foi curado! Em ti o Senhor, que forte era chamado, quis merecer o nome de piedoso. Em ti se acabou o tempo da vingança; em ti misericórdia assim floreça como despois do inverno a primavera. Todo o imigo ante ti desapareça. Tu pudeste fazer tanta mudança em quem nunca deixou de ser quem era. Luís de Camões

O futuro está atrasado

O futuro está atrasado por cheia, em 01.06.24                                                               Reedição Maio florido e perfumado Está, mais um, acabado O junho é chegado Com o seu calor, amado Com Santos e fado Tudo está animado Portugal é um arraial adiado Marchas e marchinhas, num país parado Santo António é que está sempre ocupado Com os casamentos a recordarem o passado Lisboa já nem tem o Chiado Tudo está tão modificado Foi tudo engolido pelo turismo acelerado A fúria do vento animado O futuro está atrasado Mas não tem culpado Tudo são maravilhas neste reino à beira mar plantado Do cotim, à bombazina, passando pelo riscado Tudo são glórias do antepassado Ninguém voltará à rabiça do arado O passado está enterrado O que desejo é que o futuro não seja magoado Como é bom ir galgando este emaranhado De novos desafios ao homem empenhado De nunca ficar parado De querer ir, sempre, mais longe, no seu aluarado De não querer ficar ao chão, atado De querer trocar este chão, amad...

Quingentésimo ano (153)

O fogo que na branda cera ardia, Vendo o rosto gentil, que eu na alma vejo, Se accendeo de outro fogo do desejo Por alcançar a luz que vence o dia. Como de dous ardores se encendia, Da grande impaciencia fez despejo, E remettendo com furor sobejo, Vos foi beijar na parte onde se via. Ditosa aquella flamma que se atreve A apagar seus adores e tormentos Na vista a quem o sol temores deve! Namorão-se, Senhora, os Elementos De vós, e queima o fogo aquella neve Que queima corações e pensamentos. Luís de Camões

O futuro está atrasado

  Maio florido e perfumado Está, mais um, acabado O junho é chegado Com o seu calor, amado Com Santos e fado Tudo está animado Portugal é um arraial adiado Marchas e marchinhas, num país parado Santo António é que está sempre ocupado Com os casamentos a recordarem o passado Lisboa já nem tem o Chiado Tudo está tão modificado Foi tudo engolido pelo turismo acelerado A fúria do vento animado O futuro está atrasado Mas não tem culpado Tudo são maravilhas neste reino à beira mar plantado Do cotim, à bombazina, passando pelo riscado Tudo são glórias do antepassado Ninguém voltará à rabiça do arado O passado está enterrado O que desejo é que o futuro não seja magoado Como é bom ir galgando este emaranhado De novos desafios ao homem empenhado De nunca ficar parado De querer ir, sempre, mais longe, no seu aluarado De não querer ficar ao chão, atado De querer trocar este chão, amado Por um sítio imaginado.   José Silva Costa