Quingentésimo ano (245)
Ditosa penna, como a mão que a guia Com tantas perfeições da subtil arte, Que quando com razão venho a louvar-te, Em teus louvores perco a phantasia. Porém Amor, que effeitos varios cria, De ti cantar me manda em toda parte, Não em plectro belligero de Marte, Mas em suave e branda melodia. Teu nome, Emmanuel, de hum n'outro pólo, Voando se levanta e te pregoa, Agora que ninguem te levantava. E porque immortal sejas, eis Apolo Te offerece de flores a coroa, Que ja de longo tempo te guardava. Luís de Camões