Postagens

Mostrando postagens de novembro, 2022

Aquecimento

O clima Novembro está acabado Choveu, mas as temperaturas mantiveram-se amenas Para quem já muito viveu, nota bem as diferenças Quem é que passava este mês sem vestir uma camisola interior ou um pulôver Que o tempo está mudado, ninguém tem dúvidas, a não ser os que dizem que sempre foi assim Mas, se a subida da temperatura não chega para convencer os mais séticos, infelizmente, as constantes calamidades, que têm acontecido por todo o lado, deviam ser suficientes para nos fazer pensar e eleger políticos que tomem medidas no sentido de inverter a situação Os jovens, como sempre, estão na linha da frente, mas são muitas as barreiras a vencer Todos dizem querer fazer a transição energética para as energias renováveis, mas ninguém prescinde das suas comunidades Nem mesmo as meninas e meninos, que lutam contra tudo o que é fóssil ou trabalhou em empresas ligadas ao fóssil, são capazes de deixarem de recorrer ao fóssil para fazerem mover os seus automóveis, aquecerem a água, cozinharem, aquec...

A sedutora

Lisboa! A sedutora 5 As grandes novidades tecnológicas dos anos 50 e 60 e a guerra fizeram com que o país fosse mudando Em 1957, com o aparecimento da televisão e o início das transmissões regulares da RTP, tudo mudou, a caixa mágica, que até hoje, nunca mais nos abandonou Mas poucos tinham dinheiro para terem uma televisão, para além do preço do aparelho, havia que contar com um escudo, por dia, para pagar a taxa da televisão Só as famílias abastadas tiveram acesso às primeiras transmissões regulares de televisão Alguns estabelecimentos viram nessa novidade uma oportunidade para angariarem mais clientela, principalmente os cafés e os restaurantes Vi a apresentação das apostas mútuas desportivas totobola, explicadas pelo saudoso Artur Agostinho, pela televisão, num café, na rua de São Marçal, em Lisboa, onde ia, de quando-em-vez, com o meu patrão, nunca ficávamos até ao fim da emissão, porque no outro dia tínhamos de nos levantar muito cedo, pelas 5 ou 6 horas Enquanto nós íamos para o...

Formosura

A formosura     Formosura pura e dura que estás na altura À espera dos que todos os dias lutam para te alcançar Como se fosse um jogo de sorte ou azar Mas o que é que acrescenta ser formosa ou formoso, para além da vaidade Da pequenez e aridez de quem não sabe que a formosura é invisível As mais bonitas formas são as que não se veem, que estão no nosso interior Tal como a sabedoria, a bondade, o respeito pelo outro, o humanismo A formosura está no aperto de mão, num sorriso contido, num abraço com brilho No choro de uma despedida, que nos separa de uma pessoa querida, abrindo uma ferida Na partilha de um pão com um mendigo, no socorro a um ferido, que está em perigo No carinho de despender de algum do nosso tempo, para ajudar um idoso que está sozinho Nas rugas esculpidas pelo tempo, no rosto de quem está perto do sol-posto Na leveza e felicidade da criança que brinca no jardim, fazendo com que os avós a tentem apanhar No leito, nas margens, na voraz corrida e na foz, onde o rio vai de...

A sedutora

Lisboa! A Sedutora!   4 Lisboa tinha dificuldade em acolher tanta gente, o que fazia com que a habitação fosse um dos maiores problemas dos pobres, tal como hoje Nas casas grandes, com vários quartos, chegavam a viver três casais, os donos da casa e mais dois casais e filhos, caso já fossem pais, só com uma casa de banho Outra situação era viver em parte de casa, em que dois casais alugavam uma casa, pareceu-me uma solução de mais difícil convivência As águas furtadas também eram utilizadas, para dormir, porque só se conseguia estar de pé junto da janela Como as rendas estavam congeladas, alguns senhorios recusavam-se a receber as rendas, nesses casos os inquilinos podiam abrir uma conta na Caixa Geral de Depósitos, em nome do senhorio, e depositar todos os meses o valor da renda, até ao dia 8, o que fazia com que o senhorio não pudesse pôr fora o inquilino O dia 8 era sagrado, quem não quisesse ficar sem casa tinha de arranjar o dinheiro, nem que tivesse de recorrer (ao prego) à casa ...

As ruas

A minha rua   Em cada rua, cada casa tem dentro corações atentos Na palpitação de quererem aproveitar os melhores momentos Cada qual nutre-se dos melhores e encantadores sustentos  Lá fora ninguém sabe o que se passa nos apartamentos Nem todos os dias são longos, com discussões e cinzentos Há dias em que brilha o vento, há beijos e abraços, há movimentos Se as paredes falassem, poderiam contar como são celebrados esses eventos A ternura, a delicadeza, a beleza para eternizar, do coração, todos os batimentos As mãos entrelaçadas nos beijos das bocas queimadas pelos pensamentos Os corpos diluídos, no calor de um grito contido, na explosão de todos os ventos Não há tempo para rodopiar por todos os cantos e assentos O amor é tão forte que consegue sobreviver até nos conventos Por muito que o queiram pender, ninguém consegue conter os seus empolgamentos A minha rua é dona da lua, nas noites quentes, frias e nos dias sonolentos Cada um tem uma rua, a que chama sua, mesmo em dias de aborrecim...

A sedutora

Lisboa! A sedutora 3 As cidades são como as pessoas, vão envelhecendo, mas ao contrário das cidades, que raramente perdem o brilho, as pessoas não o conseguem conservar Lisboa está tão diferente do que era antigamente, há menos de um século, está irreconhecível! Era uma cidade triste, sem cor, onde não havia liberdade, havia medo de falar, não podíamos a nossa opinião revelar, não se sabia quem nos estava a espiar, uma cidade só para nacionais, transformou-se numa cidade universal, vestiu-se de novas cores, desabrochou, tornou-se numa bonita flor No final dos anos cinquenta ainda havia algumas carroças pela cidade que, a pouco-e-pouco, foram totalmente substituídas pelos carros: a praga que não para de crescer, sufocando as cidades e as estradas, tornado o ar irrespirável, como aconteceu na avenida da Liberdade, em Lisboa Não podemos passar sem eles, transformaram-se numa ferramenta de trabalho, tal como o computador e o telemóvel A esperança está na nossa capacidade de inovação, fazen...

9 euros

9 €, por dia!   Mais de metade dos pensionistas recebe menos de 275 € Estes pensionistas receberam pouco mais do que os 125 €, que foram dados a quem está no ativo, com rendimentos até 2.700 € Os grandes beneficiados foram os que têm chorudas pensões! A Revista Sábado nº 962 de 5 a 12 de outubro diz que um estudo identificou 35 regimes especiais de pensões Pública as fotografias de 9 individualidades, entre elas só uma Senhora, e as respetivas pensões, que são por ordem decrescente: €49.000, €27.000, €15.000, €13.607, €9.960, €8.551, €7.225, €6.000, €2.900 Como é que o Governo, para atribuição dos 125 €, estabeleceu e bem um limite de 2.700 €, e para os pensionistas decidiu atribuir meia pensão para todos, com exceções? Não seria muito mais justo excluir quem tem uma reforma de luxo, e atribuir em vez de meia uma pensão a quem recebe menos de 275 €?!     Com esta distribuição dos rendimentos, caminhamos para um, cada vez, maior fosso entre os muito ricos e os muito pobres Uma triste re...

A sedutora

Lisboa! A sedutora (2) Lisboa fervilhava de criados e criadas, enquanto as províncias iam ficando sem jovens, que já não se sujeitavam aos trabalhos do campo, onde labutavam os pais e os avós Na grande cidade poucas mulheres trabalhavam, só as mais pobres, as outras, competia ao marido assegurar o rendimento, para o sustendo da casa, incluindo o contrato de criada ou criadas Nos bairros chiques, as casas tinham porteira, e nas traseiras, as escadas em ferro (as escadas de serviço) por onde leiteiros, carvoeiros, padeiros, merceeiros ……….. transportavam, diariamente, os bens de primeira necessidade de que as  famílias precisavam Às porteiras competia a limpeza da entrada e escada interior, algumas tinham as chaves de todos os condomínios para que, caso os condóminos se esquecessem das suas, elas lhe abrissem a porta da casa Na rua da Imprensa Nacional, uma porteira tinha muito brio em que a escada estivesse, sempre, a brilhar: ela lavava-a e dava-lhe cera, o marido puxava o brilho, vivi...