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Mostrando postagens de março, 2008

COLARES

Colares       Beleza de encantar Perfume para sonhar Vinho para saborear Debruçada nas varandas A ver a serra e o mar.   Na Várzea, sentada a namorar Embalada pelo rio a passar E, o eléctrico a transbordar De gente, de todo o mundo, a admirar Os monumentos, que a serra encerra.   O mar no azul a rebentar A praia a abarrotar Com o sol no altar A serra e Sintra enfeitadas com Colares.           José Silva Costa    

A Guerra em directo

A Guerra em Directo   A Primavera não trouxe flores A guerra só traz horrores As crianças gemem de dores As guerras são tumores.   As bombas nos televisores, As crianças jazem, sem dores. Os hospitais não têm dadores, Os aviões são vampiros voadores.   A câmara de filmar ensanguentada, O operador jaze morto, na estrada. A memória para sempre arrepiada Pela imagem, na televisão, passada.   A mãe beija a filha, que está magoada A criança abre os olhos, de assustada É a morte, pelo avião, anunciada, Foi o míssil, disparado, na madrugada.   O sangue corre pela estrada Na guerra a vida não vale nada Só, a morte merece ser louvada A guerra é, sempre, uma via desastrada.           José Silva Costa                      

Zibia e Sara

Na triste madrugada Zibia e Sara levadas pela enxurrada Numa ribeira murada Sem leito, nem margens Só lhe restava a estrada A ribeira corria magoada No aperto, apertada, galgou a estrada. As irmãs estavam excitadas No primeiro dia não podiam chegar atrasadas As crianças ficaram deitadas NUnca mais, pelas mâes,serão embaladas.     José Silva Costa