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Mostrando postagens de outubro, 2024

O Império

O Império  -  As teias que o Império teceu 85 Quando a Mité e o Leopoldo lhe disseram que ia ter mais outro neto ou uma neta, os olhos do Governador incendiaram-se de um brilho, que a filha nunca tinha visto, a tristeza que o perseguia tinha desaparecido, para ela tinha acabado de nascer uma nova era, e a confirmação veio pouco depois, quando o pai lhes disse que queria uma grande festa, para comemorar o nascimento do bebé deles Quando as irmãs souberam das novidades ficaram muito contentes, saltaram, dizendo que já era tempo de acabar com o luto naquele palácio, sempre fechado, sem vida, e elas, quase como freiras, privadas de contatar com pessoas da idade delas, a não ser com as empregadas e os empregados Começaram logo a engendrar planos: era preciso convidar gente de todas as idades, mas mais rapazes da idade delas, para ver se conseguiam arranjar pretendentes e continuar a dar muitas alegrias ao pai  As quatro solteironas estavam muito agradecidas à Mité por ter conseguido abrir o...

Quingentésimo (305)

43. Cantiga VOLTAS a  este moto: Deu, Senhora, por sentença Amor, que fôsseis doente, para fazerdes à gente doce e fermosa a doença. Não sabendo Amor curar, foi a doença fazer fermosa, para se ver, doce para se passar. Então, vendo a diferença que há de vós a toda a gente, mandou que fôsseis doente para glória da doença. E digo-vos, de verdade, que a saúde anda envejosa, por ver estar tão fermosa em vós essa enfermidade. Não façais logo detença, Senhora, em estar doente, porque adoecerá a gente com desejos da doença. Que eu, por ter, fermosa Dama, a doença que em vós vejo, vos confesso que desejo de cair convosco em cama. Se consentis que me vença este mal, não houve gente de saúde tão contente como eu serei da doença.

Quingentésimo (304)

100. Esparsa ao mesmo assunto Não posso chegar ao cabo de tamanho desarranjo, que sendo vós, Senhora, «Anjo», vos queira tanto o «diabo». Dais manifesto sinal de minha muita firmeza, que os «diabos» querem mal aos «Anjos», por natureza.

Quingentésimo (303)

86. Cantiga VOLTAS SUAS a este moto alheio: Se alma ver-se não pode onde pensamentos ferem, que farei para me crerem? N'alma üa só ferida faz na vida mil sinais; tanto se descobre mais quanto é mais escondida. Se esta dor tão conhecida me não vêm, porque não querem, que farei para me crerem? Se se pudesse bem ver quanto calo, e quanto sento, despois de tanto tormento cuidaria alegre ser. Mas se não me querem crer olhos que tão mal me ferem, que farei para me crerem?      

Quingentésimo (302)

69. Cantiga Voltas   a este moto alheio: De dentro tengo mi mal, que de fuera no hay señal. Mi nueva y dulce querella, es invisible á la gente; el alma sola la siente, que el cuerpo no es dino della. Como la viva centena se encubra en el pedernal de dentro tengo mi mal.

Quingentésimo (301)

68. Glosa a este moto: Vos tenéis mi corazón. Mi corazón me han robado, y Amor, viendo mis enojos, me dijo: fuéte llevado por los más hermosos hojos que desque vivo he mirado. Gracias sobrenaturales, te lo tienen en prisión, y si Amor tiene razón, Señora, por la señales vos tenéis mi corazón.

Quingentésimo (300)

40. Cantiga a este moto: Menina fermosa e crua, bem sei eu quem deixará de ser seu, se vós quiséreis ser sua. VOLTAS Menina mais que na idade, se, para me querer bem, vos não vejo ter vontade, é porque outrem vo-la tem; tem-vo-la, e faz-vo-la crua. Porém eu já tomara não ser meu, se vós não fôreis tão sua. Nos olhos e na feição vos vi, quando vos olhava, tanta graça que vos dava de graça este coração; não no quisestes de crua, por ser meu: se outrem vos dera o seu pode ser fôreis mais sua. Menina, tende maneira que ainda não venha a ser -pois não quereis quem vos quer, - que queirais quem vos não queira. Olhai, não me sejais crua; que pois eu quero ser vosso e não meu, sede vós minha e não sua.

Quingentésimo (299)

89. Cantiga a este moto: Irme quieto, madre, á aquella galera, con el marinero á ser marinera. VOLTAS Madre, si me fuere, dó quiera que vó, no lo quiero yo, que el Amor lo quiere. Aquél niño fiero hace que me muera, por un marinero á ser marinera. Él, que todo puede, madre, no podrá, pues el alma vá, que el cuerpo se quede. Con él, por quién muero, voy, porque no muera; que, si es marinero, seré marinera. Es tirana ley, del niño Señor, que por un amor se desenhe un Rey: pues desta manera quiere, yo me quiero por un marinero hacer marinera. Decid, ondas, ¿cuándo vistes vos doncella, siendo tierna y bella, andar navegando? |Pues| más no se espera daquel niño fiero, vea yo quién quiero, sea marinera.

O Império

Império  -  As teias que o Império teceu 84   O exército de Gungunhana continuou a resistir à autoridade colonial, sob a liderança de  Maguiguane Cossa , que só foi derrotado a 21 de Julho de 1897, em  Macontene  (a 10 km do Chibuto). Com esta vitória, a autoridade colonial foi finalmente estabelecida no sul de Moçambique. Companhia do Niassa e a ocupação de Cabo Delgado e Niassa A  Companhia do Niassa  foi formada por alvará régio de 1890, com poderes para administrar as actuais províncias de  Cabo Delgado  e  Niassa , desde o  rio Rovuma  ao  rio Lúrio  e do  Oceano Índico  ao  Lago Niassa , numa extensão de mais de 160 mil km². Com o apoio dum pequeno  exército  fornecido pela administração colonial, formado por 300 "soldados regulares" (leia-se portugueses) e 2800 "sipaios" ( indígenas  recrutados noutras regiões de Moçambique), a Companhia tentou ocupar militarmente o território a partir de 1899. Teve imediato êxito na conquista das terras do Chefe Mataca (ver ...

Quingentésimo (298)

57. Cantiga a este moto: Esconjuro-te, Domingas, pois me dás tanto cuidado, que me digas se te vingas: viverei menos penado. VOLTAS Juravas-me que outras cabras folgavas de apacentar; eu, por nao me magoar, fingia que eram palavras. Agora d'arte te vingas d'algum meu doudo pecado, qu'inda [que] queiras, Domingas, não posso ser enganado. Qualquer cousa busca o seu; a fonte vai para o Tejo, e tu para o teu desejo por te vingares do meu. De mi te esqueces, Domingas, como eu faço do meu gado. Praza a Deus que, se te vingas, que moura desesperado. Na fantasia te pinto; falo-te, responde o monte; busco o rio, busco a fonte, endoudeço, e não o sinto. Domingas! no vale brado; responde o eco:-Domingas! E tu ainda te não vingas de me ver doudo tornado? Qualquer cousa busca o seu; a fonte vai para o Tejo, e tu para o teu desejo por te vingares do meu. De mi te esqueces, Domingas, como eu faço do meu gado. Praza a Deus que, se te vingas, que moura desesperado. Na fantasia te pinto; fal...

Quingentésimo (297)

88. Cantiga a este moto alheio Vosso bem querer, Senhora: vosso mal milhor me fora. VOLTAS Já'gora certo conheço ser milhor todo tormento onde o arrependimento se compra por justo preço. Enganou-me um bom começo; mas o fim me diz agora que o mal milhor me fora. Quando um bem é tão danoso que, sendo bem, dá cuidado, o dano fica obrigado a ser menos perigoso. Mas se a mim, por desditoso, co bem me foi mal, Senhora, co vosso mal bem me fora.

Quingentésimo (296)

65. Cantiga a este mato seu: Enforquei minha esperança; mas Amor foi tão madraço que lhe cortou o baraço. VOLTAS Foi a Esperança julgada por sentença da Ventura, que, pois me teve à pendura, que fosse dependurada. Vem Cupido co a espada, corta-lhe cerco o baraço. Cupido, foste madraço!

Quingentésimo (295)

48. Cantiga a este moto alheio: De vuestros ojos centellas, que encienden pechos de hielo suben por el aire al cielo, y en llegando son estrellas. VOLTAS Falsos loores os dan, que essas centellas tan raras no son nel cielo más claras De vuestros ojos centellas, que encienden pechos de hielo suben por el aire al cielo, y en llegando son estrellas. que en los ojos donde están. Porque cuando miro en ellas de como alumbran el suelo no sé que serán nel cielo; mas sé que acá son estrellas. Ni se puede presumir que al cielo suban, Senora, que la lumbre que en vos mora no tiene más que subir; mas pienso que dán querellas a Dios nel octavo cielo, porque son acá en el suelo, dos tan hermosas estrellas.

Quingentésimo (294)

13. Cantiga VOLTAS a este moto [seu?] Com vossos olhos Gonçalves, Senhora, cativo tendes este meu coração Mendes. Eu sou boa testemunha que Amor tem por cousa má que olhos, que são homens já, se nomeiem sem alcunha, pois o coração apunha e diz: olhos, pois vós tendes, chamai-me coração Mendes.

Quingentésimo (293)

91. Cantiga VOLTAS Eu, para levar a palma com que ser vosso mereça, quero que o corpo padeça por vós, que dele sois alma. Vós do corpo vos queixais, eu queixar-me de vós posso, porque, tendo um corpo vosso, na minh'alma vos sangrais. a este moto: Com razão queixar-me posso de vós, que mel vos queixais; pois, Senhora, vos sangrais, que seja num corpo vosso. E sem fazer diferença no que de mim possuís, pelo pouco que sentis, dais à minh'alma doença. Pois que dous aventurais oh! não seja o dano nosso: sangre-se este corpo vosso, porque, minh'alma, vivais. E inda, se atentardes bem, seguis medicina errada, porque para ser sangrada üa alma sangue não tem. E pois em mim sarar posso males, que à minha alma dais, se inda outra vez vos sangrais, seja neste corpo vosso.

Quingentésimo (292)

2. Cantiga A este cantar velho: Saudade minha, quando vos veria? VOLTAS Este tempo vão, esta vida escassa, para todos passa, só para mim não. Os dias se vão sem ver este dia, quando vos veria? Vede esta mudança se está bem perdida, em tão curta vida tão longa esperança! Se este bem se alcança, Saudosa dor, eu bem vos entendo; mas não me defendo, porque ofendo Amor. Se fôsseis maior, em maior valia vos estimaria. Minha saudade, caro penhor meu, a quem direi eu tamanha verdade? Na minha vontade, de noite e de dia sempre vos teria.

O Império

O Império  -  As teias que o Império teceu 83 Ela não aceitou, dizendo que o trabalho não era demasiado, e o que pedia, era que se licenciassem e aplicassem a sua sabedoria e tenacidade no desenvolvimento da terra deles, no sentido de melhorar a vida dos seus povos O Roberto agradeceu-lhe muito, a Marina também, e ambos prometeram tudo fazerem, para cumprirem o seu pedido Ficaram mais tranquilos, deixaram de se culpabilizar pelo muito trabalho da Anastácia, sentiram que ela os ajudava por amor e que isso a fazia feliz Viam que ela transpirava de felicidade por tomar conta do Afonso, fazer o jantar, para todos, tomar o pequeno-almoço com eles e o Elisiário, que viera completar o seu sonho: ter uma família, uma casa viva, cheia, sentir-se útil e muito amada, por todos, sem esquecer o Afonso, que cada vez que lhe chamava avó a floria de alegria, bem como ao Elisiário, a quem chamava avô Dias de muito trabalho e também de muita felicidade, para todos, dava gosto ver como aquelas pessoas se...

Quingentésimo ano (291)

115. Trovas do Autor, na Índia, conhecidas pelo nome de «Disparates» Este mundo es el camino adó ay ducientos vaus ou por onde bons e maus todos somos del menino. Mas os maus são de teor que, dês que mudam a cor, chamam logo a el-Rei compadre; e, enfim, dejalhos, mi madre, que sempre tem um sabor de «Quem torto naeo, tarde se [endireita». Deixai a um que se abone, diz logo de muito sengo: villas e castillos tengo, todos a mi mandar sone. Então eu, que estou de molho, com a lágrima no olho, pelo virar do envés, digo-lhe: tu insanus es, e por isso não to talho: pois «Honra e proveito não cabem | [num saco». Vereis uns, que no seu seio cuidam que trazem Paris, e querem com dous ceitis fender anca pelo meio. Vereis mancebinho de arte com espada em talabarte; não há mais Italiano. A este direis:-Meu mano, vós sais galante que farte: mas «Pan y vino anda el camino, que no mozo garrido». Outros em cada teatro por ofício lhe ouvireis que se matarán con tres y lo mismo harán com cuatro. Prezam-...

Quingentésimo ano (290)

22. Trovas que mandou com um papel d'alfinetes a üa Dama   Esses alfinetes vão a vos picarem, não mais, só porque julgueis então, o como me picarão os com que vós me picais. Mas os que dessas estrelas vêm, têm pontas tão agudas que, em que estoutros vão co elas, podem-vos dar picadelas, mas os vossos dão feridas. Assi que, se bem notais, no como ambos debatem, nunca podem ser iguais, que, inda que esses lá maltratem, estes cá maltratam mais. Porém, já que Amor consente em piques tão desiguais, onde vós sois mais valente, eu, Senhora, sou contente do que vos contentar mais. Venham os alfinetes cá desses olhos, porque acertem donde acerto já não há; porém os meus que vão lá, só quero que vos apertem. E deixando o mais passado, fazei que este papel seja pregado, digo, empregado, porque do seu gasalhado eu mesmo lhe tenho enveja. E se eles em vós se pregam, por força os hei-de envejar, não só porque bem se empregam, mas porque, Senhora, chegam onde eu não posso chegar. Lá vão e lá fica...

Quingentésimo (289)

85 Cantiga a üa Dama que perguntou ao Autor quem o matava MOTO: Pergunteis-me quem me mata? Não quero responder nada, por vos não fazer culpada. VOLTAS E se a pena neo me atiça a dizer pena tão forte, a este moto alheio. Verdes são as hortas com rosas e flores; moças que as regam matam-me d'amores.

2 Amores

Novas tecnologias   As campanhas eleitorais trazem, sempre, muitas novidades: novas armas para, o adversário, vencer Na América, neste novo século, têm sido usadas armas muito letais, como as notícias falsas, não aceitar os resultados, por parte de Trump, mobilizar multidões para, o adversário, intimidar Mas este ano atingiu-se o cúmulo da estupidez, Trump e os seus correligionários estão a acusar Biden de ter utilizado os tufões e furacões contra o povo americano, principalmente contra os apoiantes de Trump Assim, daqui em diante, qualquer um de nós pode comprar tufões, vulcões, furacões ……. para atirar contra quem quisermos, tudo graças às notícias falsas, fabricadas pela inteligência artificial e uns pozinhos de estupidez  Ponham de parte os métodos antigos: o mau-olhado, as bruxarias, as rezas, as velinhas nos  cruzamentos, procurem, perto da vossa residência, numa farmácia, numa feira, num supermercado, vendem-se em pó, podem-se transportar nos bolsos, é uma mistura muito simples:...

Quingentésimo (288)

10. Cantiga VOLTAS Entre estes penedos que daqui parecem, verdes ervas crecem, altos arvoredos. Vai destes rochedos água com que as flores d'outras são regadas que matam d'amores. Co a água que cai daquela espessura, outra se mestura que dos olhos sai: toda junta vai regar brancas flores, onde há outros olhos que matam d'amores. Celestes jardins, as flores, estrelas, horteloas delas são uns serafins. Rosas e jasmins de diversas cores; Anjos que as regam matam-me d'amores. 85. Cantiga VOLTAS E se a pena neo me atiça a dizer pena tão forte, a este moto alheio. Verdes são as hortas com rosas e flores; moças que as regam matam-me d'amores.

Quingentésimo (287)

41. Cantiga VOLTAS É muito para notar cura tão bem acertada, que podereis ser curada somente com me curar. e quereis, Dama, trocar, ambos temos a mezinha: a este moto: Da doença em que ardeis eu fora vossa mezinha, só com vós serdes minha VOLTAS É muito para notar cura tão bem acertada, que podereis ser curada somente com me curar. e quereis, Dama, trocar, ambos temos a mezinha: a este moto: Da doença em que ardeis eu fora vossa mezinha, só com vós serdes minha eu a vossa, e vos a minha. Olhai que não quer Amor (porque fiquemos iguais pois meu ardor não curais, que se cure vosso ardor. Eu cá sinto a vossa dor; e se vós sentis a minha, dai e tomai a mezinha.

Quingentésimo (286)

7. Cantiga a este moto alheio: Amor loco amor loco, yo por vos, y vos por o otro. a este moto alheio Vós, Senhora, tudo tendes, senão que tendes os olhos verdes VOLTAS Dotou em vós Natureza o sumo da perfeição, que, o que em vós é senão, é em outras gentileza: o verde não se despreza, que, agora que vós o tendes, são belos os olhos verdes. Ouro e azul é a milhor cor por que a gente se perde; mas, a graça desse verde tira a graça a toda a cor. Fica agora sendo a flor a cor que nos olhos tendes, porque são vossos... e verdes! 4. Outra volta à mesma cantiga Dous tormentos vejo grandes por extremo; se vos vejo, temo, e, se não, desejo. Quando me despejo e venho a escolher se temo o desejo, desejo o temer.

Quingentésimo ano (285)

73. Cantiga     a este moto alheio: Amor loco amor loco, yo por vos, y vos por o otro                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            VOLTAS Dióme Amor tormentos dos para que pene doblado: uno es verme desamado, otro es mancilla de vos. !Ved que ordena Amor en nos! Porque me vos hacéis loca? que seáis loca por otro. Tratáis Amor de manera que porque así me tratáis quiere que, pues no me amáis, que améis otro que no os quiera. Mas con todo, so no os viera de todo loca por otro, con mas razón fuera loco. Y tan contrario viviendo, alfin, alfin, conformamos, pues ambos a dos buscamos lo que más nos va huyendo. Voy tras vos siempre siguiendo, y vos huyendo por otro: andáis loca, y ...

Orçamento & privatizações

Orçamento & privatizações O drama da aprovação do orçamento       Meses sem fim, até esgotarem todas as pressões e motivos para o PS aprovar o orçamento Todos os motivos foram evocados: as tempestades, as incertezas, as pobrezas, as riquezas, as guerras, as eleições americanas, as guerras atuais e futuras, não se sabe se o Nuno Melo seguirá o exemplo de Putin, se invadirá Espanha, para ocupar Olivença     “Se não for aprovado, é a primeira vez, em democracia, que o primeiro orçamento da legislatura não é aprovado” Coisa nunca vista! Se não for aprovado o orçamento, morreremos, se for aprovado, também Não sei se não será desta que o mundo acabará. A única esperança é que o Chega o aprove, porque não quer perder os 50 deputados, conseguidos numa votação de protesto, contra uma maioria absoluta, que não governava, nem ouvia ninguém Espero que o PS vote contra o orçamento, porque é o melhor que pode fazer, para preservar a democracia, que só funciona se houver alternativa, para não dar...

O Império

O Império – As teias que o Império teceu 82   A resistência à ocupação colonial no sul de Moçambique Em 1885 (ano da  Conferência de Berlim  - da partilha de  África ), a autoridade colonial portuguesa no sul de Moçambique confinava-se a  Lourenço Marques  mas, com o início da exploração das minas de  ouro  do  Transvaal , no ano seguinte, e o consequente aumento do  tráfego  naquele  porto , os portugueses decidiram finalmente organizar o controlo das populações desta região. Estas constituíam um  mercado , não só para os produtos exportados de Portugal (em particular as  bebidas alcoólicas ), mas também de  mão-de-obra  para as  minas  sul-africanas, dificultando a sua mobilização para a construção do  caminho-de-ferro  que ligaria o Transvaal ao porto de Lourenço Marques. No ano seguinte, foi nomeado um Comissário-Residente para  Gaza , que foi "promovido" a Intendente Geral em 1889, com a transferência de  Gungunhana  de  Mossurize  para  Manjacaze ; em 1888, foi estabele...

Quingentésimo ano (284)

77. Cantiga      a este moto seu: Pois me faz dano olhar-vos não quero, por não perder-vos que ninguém me veja ver-vos.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          VOLTAS De ver-vos a não vos ver há dous extremos mortais; e são eles em si tais que um por um me faz morrer; mas antes quero escolher que possa viver sem ver-vos minh'alma, por não perder-vos. Deste tamanho perigo que remédio posso ter, se vivo só com vos ver, se vos não vejo, perigo? Quero acabar comigo que ninguém me veja ver-vos, Senhora, por não per...

Quingentésimo ano (283)

35. Glosa                                                                                                                                   a este moto:                                                                                                                                   ¿Qué veré que me contente? Desque una vez miré, Señora, vuestra beldad, jamás por mi voluntad los ojos de vos quité. Pues sin vos placer no siente mi vida, ni lo desea, si no quereis que os vea, ¿qué veré que me contente?  

Quingentésimo ano (282)

83. Glosa                                                                                                                                                                                                                           a esta Trova de Boscão: Justa fué mi perdición, de mis males soy contento; ya no espero galardón, pues vuestro merecimiento satistizo a mi pasiôn                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          . Después que Amor me formó todo de amor, cual me veo, en las leyes que me dió, el mirar ...

Menina

Menina     Menina de olhos de amêndoa Blusa de punhos de renda Cabelos pretos ao vento Os teus olhos são o meu sustento Quando nos cruzamos na esquina do tempo Eu bem tento dizer-te que os teus olhos são o meu alimento Mas não consigo nenhuma palavra articular Segues perfumada e airosa a encantar quem passa Caio, novamente, na desgraça de não te conseguir dizer nada Enquanto continuas a espalhar a tua graça Fico a comtemplar-te à distância O vento acompanha-te na tua dança Tenho de me agarrar à esperança de um dia te dizer Que, sem ti não consigo viver.   José Silva Costa  

Quingentésimo ano (281)

31. Glosa                                                                                                                                                                                                                                                                                 a este moto de Francisco de Morais: Triste vida se me ordena, pois quer vossa condição que os males, que dais por pena, me fiquem por galardão,                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Despois de sempre sofrer, Senhora, vossas cruezas, apesar de meu querer, me quereis ...

Quingentésimo ano (280)

56. Cantiga a este moto: A alma que está ofrecida a tudo, nada lhe é forte; assi passa o bem da vida como passa o mal da morte VOLTAS De maneira me sucede o que temo, e o que desejo, que sempre o que temo, vejo, nunca o que a vontade pede. Tenho tão oferecida alma e vida a toda a sorte que isso me dera da morte como já me dá da vida.

Quingentésimo ano (279)

105. Cantiga                                                                                                                                                                           a este moto: Quem ora soubesse onde o Amor nasce, que o semeasse                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    VOLTAS D'amor e seus danos me fiz lavrador; semeava amor e colhia enganos; não vi, em meus anos, homem que apanhasse o que semeasse. Vi terra florida de lindos abrolhos, lindos para os olhos, duros para a vida; mas a rês perdida que tal erva pace em forte hora nace. Com quanto perdi, trabalhava em vão; se semeei grão, grande dor colhi. Amor nunca vi que muito durasse, que não magoasse.  

Lisboa!

Lisboa!   Fada, namorada Em cada canto, em cada escada A ver nascer o sol, na madrugada Nos braços do mundo, por todos é admirada, por todos é beijada  Estrela mimada, feiticeira, namoradeira, a atrair gente de todo o lado  Num abraço encantado, vai ouvir o fado O horizonte, por cima do monte, estrelado Sobe a colina, saia rodada, como se fosse uma varina No rescaldo da noitada, bebe o sol e vai para a Madragoa É o sol que Lisboa abençoa Uma gaivota voava, voava à procura duma canoa Queria voltar ao mar, queria deixar Lisboa Os barcos atracados aos cais são um fascínio Para quem não consegue estar em lado nenhum Para quem sonha fazer-se ao mar e pelo mundo viajar Desfraldam-se as velas e o sonho Em cada beijo um luar risonho Como se o mundo fosse um lugar seguro e colorido Cheio de coisas boas e muito florido De mãos dadas, sem guerras nem bandidos, que não respeitam a vida Que só pensam na vaidosa subida Que não contam que, mais tarde ou mais cedo, terão uma triste descida Que ninguém...

Quingentésimo ano (278)

15. Trovas                                                                                                    a üa Dama Dama d'estranho primor, se vos for pesada minha firmeza, olhai não me deis tristeza, porque a converto em amor. Se cuidais de me matar quando usais de esquivança, irei tomar por vingança amar-vos cada vez mais. Porém vosso pensamento, como isento, seguirá sua tenção crendo que em tanta afeição não haja acrescentamento. Não creiais que destarte vos façais invencível; que Amor sobre o impossível amostra que pode mais. Mas já da tenção que sigo me desdigo; que, se há tanto poder nele também vós podeis mais qu'ele neste mal que usais comigo. Mas se for o vosso poder maior entre nós, quem poderá mais que vós se vós podeis mais que Amor? Despois que, Dama, vos vi, entendi que perdera Amor seu preço; pois o favor que lhe eu peço vos pede ele para si. Nem duvido que não pode, de sentido, resistir; pois, em vez de vos ferir, ficou, de vos ver, ferido. Mas, pois vossa v...

Quingentésimo ano (277)

26. Cantiga à atençãode Miraguarda MOTO: Ver, e mais guardar de ver outro dia, quem o acabaria ?   VOLTAS Da lindeza vossa, Dama, quem a vê, impossível é que guardar-se possa. Se faz tanta mossa ver-vos um só dia, quem se guardaria? Milhor deve ser neste aventurar, ver, e não guardar, que guardar de ver. Ver, e defender, muito bom seria; mas... quem poderia?                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               ,                                                                                                                                                                                                                                                                                                ...

O Império

O Império  - As teias que o Império teceu   81   No dia seguinte, o Governador mandou chamar o Leopoldo ao seu gabinete, para lhe perguntar se gostava da Mité e se pensava casar com ela. O Leopoldo respondeu-lhe que gostava muito da filha dele e que casaria com ela, quando ela quisesse O Governador respondeu-lhe que isso dependia dela e que desejava que fossem muito felizes O Leopoldo apressou-se a procurar a Mité, para a informar das boas notícias, beijaram-se e abraçaram-se, estava autorizado o namoro, ficaram floridos de felicidade Dali em diante podiam namorar à vontade, sem terem de se esconder, como tinham feito, para manterem o namoro em segredo  É bom que os pais compreendam que os filhos não sua propriedade, que não podem escolher o futuro deles, podem-nos aconselhar, mas as escolhas têm de ser suas O Governador estava muito contente por a filha mais velha ter um namorado, mas não queria que eles soubessem, preferia aguardar que desse certo e eles casassem Desde que a mulher f...

Quingentésimo ano (276)

  93. Cantiga                                                                                                                                                              a esta cantiga alheia: Tende-me mão nele qu'um real me deve I                                                                                                                                                                                                             Voltas Cum real de amor, dous de confiança e três de esperança me foge o tredor. Falso desamor se encerra naquele qu'um real me deve. Pediu-mo emprestado, não lhe quis penhor; é mau pagador, tendo-mo aferrado. Cum cordel atado, ao Tronco se leve, qu'um real me deve. Por esta travessa se vai acolhendo; ei-lo vai correndo, fugindo a grã pressa. Nesta mão e nessa o falso s'atreve, qu'um real me deve a esta cantiga alheia: Tende-me mão nele qu'um real me deve I Comprou-me amor sem lhe fazer preço: eu não lhe mereço dar-me desfavor. Dá-me...