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Mostrando postagens de agosto, 2018

O que fazer?

Tragédias   Tanta irracionalidade No ato de matar Porque ninguém tem o direito de tirar A vida, seja a quem for Tanta maldade, tanta dor Na irracionalidade, do amor Tanta brutalidade, no ato de matar o outro A vida não tem dono! Foi-nos concedida Por ninguém, pode ser interrompida A vida é a única coisa que temos Nenhum pretexto a pode aprisionar Quanto mais, tira-la! Tanto horror Um homem matar a companheira! Sem pensar, no horror, que é matar Aquela, que dizia amar Aquela, que tanto sofreu, para filhos, lhe dar Como vão, os filhos, encara-lo! Não se pode matar, muito menos, uma mãe Que tanto sofre para, a vida, nos dar Como é que alguém tem a monstruosidade de lha tirar Sem pensar nos filhos, nos amigos, nos familiares Naquela, com quem anos viveu! Na terrível dor, que lhes vai causar! Ninguém pode matar Seja quem for!     José Silva Costa                          

Flores

Flores, flores, para acalmar as tuas dores Por cada flor que me deste, devo-te mil flores As flores que cresceram no teu ventre, são gente Ah, como acaricias a minha mente! Por cada dia, por cada dor, estou-te grato, eternamente As nossas flores, todos os dias, são regadas, por nós, ternamente Por cada beijo, por cada caricia, devo-te todas as flores, que caibam numa semente Por cada flor que criamos, recebemos um perfume emergente Todas as flores têm um perfume ardente Que deveria ser repartido emocionalmente Um perfume que se vai evaporando, continuamente As flores, ao acasalarem, podem dar origem a novos jardins, perfumados, profundamente De algumas cores, todos uns amores, de intensos cheiros, espalhados, difusamente E, assim foi crescendo o grande jardim universal, sucessivamente O único jardim, cujas flores podem mudar de canteiro, constantemente.   José Silva Costa                  

Acabaram!

Últimos dias de Agosto O mês mais desejado Está praticamente acabado Podes não ter sido o mais quente Mas foste o de encontros de muita gente Um mês de férias, de praia, de viagens, um mês diferente! Todos os anos fazes parte dos planos de muita gente Esperamos por ti, desesperadamente Passas quase instantaneamente Ficamos, sempre, com a sensação de que não te aproveitamos convenientemente Passaremos mais um ano a fazer planos para sermos mais eficientes Gostamos de noites quentes, para aquecermos os ossos dos nossos dentes E esquecermo-nos do inverno, os dias tristes, que parecem um inferno Um ano de canseiras que nunca têm fim Acaba-se agosto, acabam-se as férias, perdem-se os rostos Voltam os anseios por um novo agosto Para nos encontrarmos, de novo, nas festas, nos bailaricos, em todos os sítios Ainda não acabaste e já estamos a pensar no próximo Boas férias, para ti, agosto Adeus, até para o ano.   José Silva Costa            

As emoções!

Desespero     Fogem de tudo: da fome, da guerra, das ditaduras, dos abusos Percorrem um Continente, descalços, rotos, esfomeados Arriscam a vida para conseguirem concretizar o sonho Entrarem na mais cobiçada menina: A Europa Tentam-no por todos os meios: Terra, Mar, Ar Há poucos dias, cem jovens conseguiram-no Saltaram a vedação de Ceuta! A sangrarem de pernas e braços choravam e saltavam de contentes Como é que há gente, que recuse ajudar esta gente? A nossa Pátria é onde formos felizes Seja bem-vindo, quem vier por bem.   José Ilva Costa        

Géneros

Géneros   Até há pouco tempo, só admitíamos a existência de dois géneros: feminino e masculino Agora, felizmente, parece que se acabaram todas as certezas, e estamos no ponto de dizer, como o filósofo “só sei que mada, sei” Assim, na Alemanha e Austrália já se preparam leis, para que nos documentos do registo civil, uma nova designação possa ser utilizada: feminino, masculino, indefinido, ou palavra semelhante Quando, à nascença, o género não esteja devidamente definido, ou durante a vida, quem não esteja de acordo com o género atribuído, poderá mudar de género Que tempos, que desafios, que respostas seremos capazes de lhes dar? A inteligência artificial não para de nos surpreender! Depois de todos os automatismos, que tanto nos têm facilitado a vida, começamos a utilizar robôs, para doentes mentais, estimular Que lugar, no futuro, aos humanos, estará reservado? Vamos continuar a comandar os robôs ou, por eles, ser comandados? Tantas perguntas, a que, atualmente, poucos ou nenhuns sabe...

Faz e desfaz!

O faz e desfaz   O Governo, entalado entre o PC e BE, querendo ver o Orçamento aprovado Vai ter de desfazer, novamente, o mapa das Freguesias Quando, o que era necessário, era reduzir, também, o número de Câmaras Os Partidos, que querem a saída do Euro, da CE, e a não ingerência estrangeira, têm de justificar a sua existência, tentando, nas Autarquias, empregar as suas clientelas Para ver se um dia conseguem, que tenhamos um paraíso igual ao da Venezuela! A balança de pagamentos, que durante algum tempo, pouco, conseguimos que estisse equilibrada! Num ano, mesmo com o mar de turista, o défice, duplicou! Quando deixarmos de estar na moda, o que vamos fazer? Já vendemos os dedos e os anéis, só nos resta, ao FMI, voltar A única vantagem de termos mais Freguesias e Câmaras, será acabar com o desemprego Porque, normalmente, essas entidades têm funcionários a duplicar ou treplicar Portanto, fazer e desfazer dá trabalho e cargos, a muitos militantes ávidos de serem Presidentes, seja do que fo...

VOZ

Miguel Torga   Coimbra,6 de Abril de 1943                                                VOZ   Era o céu que sorria nos seus olhos. Eram junquilhos trémulos aos olhos, As flores do rosto que eu beijava. Fresca e gratuita como um hino à lua, Nua, Era um mundo de paz que se entregava.   Oh! Perfume da Vida! - gritei eu. Oh! Seara de trigo por abrir, Quem te fez todo o pão da minha fome?   Mas os seus braços, longos e contentes, Só responderam, quentes:    - Come  

Elétricos de Sintra

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História   A ideia de ligar Sintra a Colares e posteriormente à Praia das Maçãs surgiu em 1886. Durante vários anos foram feitas sucessivas tentativas para a concretização deste projeto que fracassaram uma a uma. Só em novembro de 1898 foi dado um passo de gigante, quando a Câmara concedeu a Nunes de Carvalho e Emídio Pinheiro Borges, pelo prazo de 99 anos, a concessão para construir e explorar um caminho de ferro a vapor entre Sintra e a Praia das Maçãs, mais tarde substituída pela tração elétrica. Em julho de 1900 é constituída a Companhia do Caminho de Ferro de Cintra à Praia das Maçãs que em 1904 passou a denominar-se Companhia Cintra ao Oceano. Em agosto de 1902, na zona da Estefânia começou a construção desta linha e, em março de 1903 são encomendados à firma americana J. G. Brill Company, 13 elétricos, sendo 7 carros motores e 6 atrelados. A 31 de março de 1904 é aberto o primeiro troço desta linha, entre Sintra (Vila Velha) e São Sebastião de Colares, numa extensão de 8,900 met...

A viagem

A viagem  Adormeço nas ondas do teu cabelo, a ouvir o mar Contigo, os dias são rios, no mar, a desaguar São torrentes de perfume, onde gosto de navegar Enfeitiçado pelos teus olhos, não quero mais acordar Há mais de meio século que estamos neste mar Uns dias calmo, outros mais agitado, mas, não vamos naufragar Um dia, a um porto vamos atracar E, aí ficaremos, para sempre, a pernoitar Deitados no perfume dos teus cabelos, presos às ondas do mar Agarrados, como na primeira noite, em que a Lua nos veio deitar Orgulhosos dos frutos, que deixamos no pomar Para que a nossa viagem, por muitos séculos, continue a caminhar.    José Silva Costa        

Chips!

Chips!   Para onde quer que nos viremos lá estamos, todos, com os chips na mão Hoje, todos andamos de chip em riste, numa onda de navegação Com um aparelho do tamanho de uma caixa de fósforos, temos toda a informação Nos jardins, nos cafés, nos restaurantes, nos comboios, por todo o lado, um silêncio ensurdecedor Acabaram-se as conversas, as discussões, a troca de opiniões, os dedos substituíram essas funções Outrora, nos comboios da linha de Sintra, havia grupos de amigos, que viajavam sempre na mesma carruagem Uns jogavam às cartas, outros discutiam os resultados dos jogos de futebol, falando, também, das agruras da vida Faziam-se amizades, combinavam-se piqueniques, excursões, emprestavam-se livros Naqueles bancos corridos, cabia sempre mais um, viajávamos como sardinha em lata Durante as obras de duplicação da linha assistimos a muitas peripécias Uma mãe arrancava o filho, da cama, às seis horas, apanhava o comboio em Sintra, para ser entregue à avó, na estação do Cacém Como não se...

Arrogância!

Monchique   Uma política de terra queimada! O desespero, pela perda do esforço de uma vida, sem férias nem horários A arrogância de quem nunca lhe faltou nada! Que não entende que uma casa foi o sonho e o trabalho de uma vida Aquelas hortas e árvores são o sustento de bocas, que não se resignam Que não querem viver da mendicidade instituída, de mão, sempre, estendida Nalguns casos, complementos de miseras pensões, para aqueles que as têm, que não chegam aos 300€ Os camponeses não baixam os braços, produzem o seu sustento Ao sol, à chuva, ao frio, ao vento Não têm horários de trinta e cinco horas Trabalham de sol a sol, sem férias, nem dias de folga Muitos, nunca pisaram as areias das praias do seu Distrito! Tão apreciadas por nacionais e estrangeiros Compreende-se que não queiram abandonar o que tanto lhes custou a construir Ficarem sem os seus bens, foi uma morte antecipada O que não se compreende é a política de terra queimada Governar é defender as pessoas e bens, de tragédias previ...

Peste grisalha!

Peste grisalha   A mortalidade, da “peste grisalha”, como foram cognominados, no auge da crise, tem vindo a aumentar No dia mais quente, desta vaga de calor, morreram quase quinhentos! Aqueles que defendem, que a solução seria uma injeção, atrás da orelha Talvez não tenham muita razão A Natureza parece ter encontrado uma solução mais aceitável Acusados de deverem muitos anos à cova, foram uma almofada preciosa Para filhos e netos, cujas famílias faliram, tendo, muitos, sido obrigados a voltarem para a casa dos pais E, aqueles que esperavam uma vida mais folgada, aquando da reforma, viram-se, de férias e viagens, privados Viram, nalguns casos, voltar a casa mais do que tinham saído Mas, o que é que os pais não fazem pelos filhos? Tristes por os filhos terem perdido a casa, o emprego, etc. Confortados por voltarem a ter a companhia dos filhos e até de netos As duas faces da moeda.   José Silva Costa            

Verão

Noites escaldantes   Nestas noites escaldantes de verão Vamos, de mãos dadas, esperar as estrelas Peneiras, com os dedos, toda a sua beleza Umas mais brilhantes, outras menos Como os terrestres! Adormecemos como as flores campestres Olhando um para o outro Tentando que o nosso brilho não esmoreça No outro dia, quando acordamos, está tudo igual Já não nos lembramos dos sonhos Nem daquele tempo intemporal Se não fosse aquele tempo irreal Em que nos libertamos dos mortais Como seria difícil aguentar tantos dias e horas iguais! Nesses poucos minutos ou segundos Viajamos a todos os locais Sem nos cansarmos, tão juntinhos! Tentamos segurar aquele tempo Mas ele desaparece, por entre os dedos Não dando tempo para contarmos Um ao outro, os nossos segredos.     José Silva Costa