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Mostrando postagens de agosto, 2019

Princesa (2)

Agosto, 2002   Perfume, quente, no vento Das Primaveras passadas. São duas, são horas amadas Agosto, em cada ano esperado. Na graça do teu andar És borboleta a esvoaçar Perfume, ao vento, no ar És uma estrela a brilhar. Nos olhos, a estrela Polar Nos lábios, o riso do mar No cabelo, as suas ondas No corpo, o seu baloiçar. És futuro, és esperança Tantos sonhos por realizar! És Terra, és Fogo, és Ar. Oh! Em ti está o continuar   José Silva Costa

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Um raio de Sol   Na ponta da vida Na penumbra da tarde Há um raio de sol A iluminar os nossos beijos Há um ar fino a massajar-nos os lábios Como que a arrefecer os nossos desejos Estávamos imobilizados Com os olhos postos no mar Embriagados com as ondas e o seu baloiçar Num vai e vem Adormecemos acordados O sol foi e a lua veio O mar adormeceu E, nós continuámos presos Como se o mundo tivesse acabado E nada mais nos restasse Que ficar presos, para sempre, aos nossos beijos.     José Silva Costa        

Princesa

13 de Abril de 2000   Minha flor em crescimento Já sinto o teu calor No perfume do teu ardor A meses do teu nascimento.   No bico duma cegonha, de vento Como anjo em andor Tens todo o meu amor Sonho com o teu movimento.   Num mês de Agosto No calor das estrelas Espera-te o brilho do Sol.   Num mar de velas Afundas o teu rosto Vendo, o céu de Luas amarelas.   José Silva Costa                  

Simplex

Simplex Passar as férias nas filas dos Serviços Públicos! Dormir às portas das Conservatórias do Registo Civil, do IMT, do SEF Ter de pedir emprestados 500€, para ir, à Ilha da Madeira, tratar do atestado de residência, para não cair na ilegalidade Não poder visitar a mãe, que estava doente No mês de agosto devia estar tudo fechado! Mas os bebés continuam a querer nascer aos fins-de-semana e no feriado Mas o Serviço Nacional de Saúde funciona alternado Num fim-de-semana não se pode nascer em Portimão No outro em Faro, no seguinte, em Beja, fica fechado Vivemos num país muito avançado Onde os bebés, para nascerem, já deviam saber esperar pela sua vez Porque é isso que os espera, durante a vida Neste verão, como o tempo não está bom, para ir para a praia As pessoas têm, para responder à burocracia, aproveitado Dormindo às portas dos Serviços públicos, com o simplex, ao lado Está tudo muito revoltado Mas, os ministros dizem que está tudo dentro da normalidade As pessoas é que insistem em ...

Adolescência!

No perfume e brilho dos dezoito anos, vividos Todas as ambições e sonhos são permitidos O Mundo é pequeno, para todos os ímpetos dos sentidos Tudo parece eterno, quando, afinal, tudo é curto, fogaz, sem desmentidos   É o tempo de colher todo o vigor dos verdes anos De construir castelos feitos de sonhos De apanhar as nuvens e viver em todos os planos Como se todos fossemos humanos   Adolescência, maior de idade, vaidade, a mais bonita idade Tudo translucido e colorido sem adversidade Na beleza da auria que circunda a longevidade De um tempo sem limites, cheio de ansiedade   Um tempo promissor, cheio de luz, cor e furor Em que em tudo empenhamos o nosso ardor Como se estivéssemos a regar uma flor Cujo crescimento vai depender da sorte e do amor.   José Silva Costa  

Chão de areia

Chão de Areia O litoral Sintrense, “onde a terra se acaba e o mar começa” Chão de areia, do Farol da Roca a Magoito, beijado pelo mar Amigo de quem o semear Vinhedos, hortícolas, pomares, pinhais Mas, morangos não há iguais É nele que o ramisco se serpenteia E quem não conhece? As belas praias e a suave, areia. A maçã raineta de Fontanelas De todas a mais bela Azenhas do Mar, onde os nossos olhos podem contemplar o mar A sua Escola Primária, quase centenária Inspirada na doutrina republicana Cuja fachada está forrada a azulejos, encimados pelos das palavras: Escola Pública Praia das Maçãs, onde pintores, poetas, músicos e políticos trocaram impressões Almoçageme, com a Praia da Adraga, que já foi considerada uma das mais belas!   José Silva Costa                      

As mãos

As mâos Nas nossas mãos, nuas Está o selo da confiança Quando as apertamos com a esperança De que a amizade nunca morrerá Nas nossas mãos está a segurança Do sorriso de uma criança Quando caminhamos de mão dada Por uma perigosa estrada À procura de uma aventura encantada Nas nossas mãos está a ambição De abraçarmos todo o Mundo, todos os nossos irmãos Com o maior aperto de mão Nas nossas mãos está a sensibilidade De as dúvidas acariciar Quando alguém nos procurar Para o ajudarmos a suportar A dor, que sozinho não está a conseguir aguentar As nossas mãos, também podem tocar um coração Que esteja em grande sofrimento Apertemos a mão, a todos, como sinal de amizade e igualdade.   José Silva Costa            

Verão cinzento

Verão cinzento   Há nuvens negras, neste agosto cinzento Há quem tenha de trabalhar Todos os dias, de sol a sol, para angariar o sustento Há quem viva à conta do Orçamento Que busque, lá fora, o que não tem cá dentro: Espetadores, porque as praias têm estado entregues ao tempo Que tenha forçado um evento Para uma exibição contra o momento Que exemplo! A política deveria ser um exercício exemplar Mas, tornou-se num espetáculo nojento Muito pouco compatível com este tempo Em que, muitos povos, correm de um lado para o outro À procura de segurança, pão, casa, paz À procura de um coração que os abrace À procura de um sítio onde nasça a esperança.   José Silva Costa            

O contabilista!

O contabilista Este agosto está muito desgostoso com o tempo No Norte chove, no Sul está calor, no Centro faz frio Uma grávida não tinha vaga, em Faro, mandaram-na para o Amadora-Sintra Perdeu a bebé! Não é só o tempo que está esquisito As prioridades também estão a mudar Um contabilista nunca terá a sensibilidade de um humanista Se, ainda, por cima, endeusarem o contabilista Então, ele terá toda a presunção De que as contas valem mais que o cidadão! Não compreendo a razão De estarem tão contentes com o contabilista, em questão Foi por receberem mais um tostão! Não pensem que só acontece aos outros! Amanhã, podem ser vocês a terem de ir de Braga para Faro, à procura de uma consulta de urgência. José Silva Costa  

Ajuste direto

Ajuste direto A Proteção Civil, desde a sua criação, ainda não acertou o passo A incompetência tem tido muito espaço Falsas declarações de habilitações Provocaram algumas demissões Compra, quase tudo, por ajuste direto, com a justificação de urgência imperativa, mesmo quando se trata da compra de esferográficas! Devem ser esferográficas especiais Para escrever textos geniais Para espantar pardais A lei obriga a abertura de concurso público, mas devido à urgência imperativa, compram tudo por ajuste direto Por que razão não acabam com o ajuste direto? Porque as negociatas têm urgência imperativa Tanta, que obrigou à criação de uma lei exemplar! Agora, muito famosa: a lei das incompatibilidades de 1995 Que em 24 anos nunca foi levada à letra Foi uma lei para inglês ver Para mostrar que, em Portugal, temos boas leis para prevenir a corrupção! Mas, como a lei nunca foi aplicada Chegámos a esta triste situação O Governo a pedir à Procuradoria Se a lei é para levar a sério, ou não!   José Sil...