Quingentésimo ano (152)
O filho de Latona esclarecido, Que com seu raio alegra a humana gente, Matar pôde a Phytonica serpente Que mortes mil havia produzido. Ferio com arco, e de arco foi ferido, Com ponta aguda de ouro reluzente: Nas Thessalicas praias docemente Por a nympha Penea andou perdido. Não lhe pôde valer contra seu dano Saber, nem diligencias, nem respeito De quanto era celeste e soberano. Pois se hum deos nunca vio nem hum engano De quem era tão pouco em seu respeito, Eu qu'espero de hum ser, qu'he mais que humano? Luís de Camões