Alentejo
Maio Maio, mês de todas as flores e de todos os horrores Das ceifeiras e das papoilas Trigueiras ceifeiras, de rosto tapado, para se protegerem dos beijos do sol, das papoilas e das espigas A ceifa parecia uma orquestra bem afinada, um espetáculo inesquecível Um movimento com o céu parado: mãos, canudos e foices num movimento sincronizado Formavam um harmonioso bailado, com as espigas a dançarem no ar abafado Que tem por fim segar o trigo e coloca-lo no restolho, confortado À espera de ir para a eira, para ser debulhado. Ninguém mais verá a planície florida de moças e moços, papoilas e espigas douradas Não. Não verão mais o mar de trigais, ondulando, pontuado, aqui e além, por papoilas vermelhas Não. O Alentejo não será mais o celeiro de Portugal Um sacrifício a que foi condenado Mesmo que a terra gemesse e já nada desse Gentes e terra foram condenadas, por não se submeterem A uma ditadura odiada. Foste libertado em Abril, mas floriste em Maio Acabou a adiafa, gratificação que simboliz...