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Mostrando postagens de fevereiro, 2018

Cascas de nozes com baratas

A mendicidade   Todos os dias, na mesma esquina, sentada no chão Com as pernas recolhidas, na dura e gelada calçada Chova ou faça frio, enregelada, na mesma posição Passo, e ela diz bom dia e acena-me com a caixinha com cêntimos Fico, sempre, tão transtornado, por ver aquela rapariga, naquele estado Como é que ela aguenta aquela penitência? Horas e horas, naquela posição, naquele gelado passeio É estrangeira! De longe, de perto, de onde é que terá vindo? Cada vez que passo cumprimenta-me, e eu arrepio-me Por não ser capaz de lhe dar, nem que seja, um cêntimo! Não quero alimentar aquele modo de vida, mas fico tão revoltado! Não sei se com ela, se comigo, se com toda a gente, se com o resto do Mundo Fui obrigado a vê-la, cinco terças-feiras seguidas, não foi bem, porque na de Carnaval, não fui a Lisboa Hoje, espero que tenha sido a última vez. Pois, desejo que não seja preciso voltar àquela esquina, tão depressa! Mas, vai ser preciso muito tempo, para me esquecer da cara dela: franzina, ...

A ver o mar

O olhar     No brilho dos teus olhos,repouso o meu olhar Ah, como é lindo esse brilho espelhado no mar! Quando o tento apanhar fica ainda mais espetacular Não! Ninguém o consegue agarrar, anda sempre a passear Como conseguirei prender a magia do teu olhar? Se ele não para, não quere prisões, quer ser livre, como o vento O que poderei fazer para o conquistar? Se é tão fugidio, tão esguio, tão frio, de uma cor, que mais ninguém viu Só eu consigo ver a cor do brilho do teu olhar Só eu o poderia amar e beijar Mais ninguém o consegue enxergar Se um dia os nossos olhares se cruzarem Compreenderás quanto te quero amar Prender, para sempre, o brilho do teu olhar.   José Silva Costa                  

Massacres!

Ghouta Oriental (Síria)   Mais um massacre Feito por quem pelos outros não tem respeito Tantos homens, mulheres, crianças mortas, ficando sem peito Os tiranos não sabem o que é o direito! Aqueles que os elegem não sabem o que vai ser feito Não se importam de fazer dos mortos o seu leito Nenhuma guerra, massacre, genocídio, tem jeito Amar, ajudar, falar e tentar compreender o outro é que é perfeito As guerras, por muitas convenções que existam, não têm preceito Cada um comete as maiores atrocidades que pode, não se importando com as regras a que está sujeito Por que razão a Rússia e os Estados Unidos mandam no mundo inteiro? No caso da Síria, para além dos dois mencionados, ainda há muito parceiro Que continua a querer matar um país inteiro (Turquia, Irão …) Dividam o mundo como quiserem As pessoas não querem, às vossas mãos, morrerem Fechem as fábricas que alimentam as guerras Utilizem os recursos que gastavam nas guerras para alimentar os pobres Deixem-se de massacres, genocídios, lim...

O nascimento de uma Escola

O nascimento de um Escola (3)   Segunda classe   Nova Escola, nova Professora A Escola só funcionou um ano no Monte do Lobato No ano seguinte mudaram a Escola para o Monte da Corcha, para uma casa contígua à de José Não poderia ter tido melhor prémio, pela passagem de classe! Foram três anos a sair de uma porta e entrar noutra A nova Professora fez-se acompanhar de um aparelho, até então, nunca visto: uma telefonia sem fios! A TSF era um aparelho muito esquisito, dele saíam vozes e músicas Os alunos raramente tinham oportunidade de ouvi-la, apenas uns minutos, no intervalo do almoço Num dos dias em que a Professora ligou o aparelho, uns minutos antes da saída, José decorou um sequetche humorístico dos Parodiantes de Lisboa, o qual reproduziu em casa, mas a mãe repreendeu-o, dizendo-lhe para não repetir o que tinha ouvido A Professora, de vez em quando, pedia a dois alunos, para irem a São Pedro de Solis, fazer-lhe compras, e eram sempre os que viviam no Monte onde estava instalada a Es...

Foice em seara verde

Nove anos   Já todos o prevíamos Mas, ter a certeza faz-nos voltar a Agosto Quem comete estes crimes não tem coração, nem rosto Nunca mais devia voltar a ter liberdade Foi um crime horrendo, sobre uma inocente, flor É uma dor insuportável, que carregaremos, para sempre Quem praticou tamanho horror não pode ser gente Tem de ficar na prisão, para sempre As lágrimas da menina nunca secarão Para nos lembrarem quanta dor sofreu o seu coração Quantas crianças morrem todos os dias, sem que saibamos os seus nomes? “ Olhos que não veem, coração que não sente” Tantas vidas ceifadas inutilmente! No Mundo já mão há gente Apenas, uma enorme massa inerte, escondida atrás de um tablet Podem-se cometer as maiores atrocidades, que ninguém as sente Para todos os que desta vida foram antecipadamente Pela maldade transformada em gente Um grito de revolta que perdure, para sempre!     José Silva Costa      

O Tejo

Carnaval   A terça-feira de Carnaval é um dia fora do normal Não é carne, nem peixe, o Governo decreta tolerância de ponto, os outros fazem o que quiserem! Não é feriado, mas é quase, como se fosse, não se sabe o que está a funcionar: é à vontade do freguês Muito ao jeito português: falta de rigor, tolerante com os incumpridores, pouco pontual, só para inglês ver Um país, em que os incumpridores são aplaudidos, os outros não! Em que graves crimes de poluição e outros são punidos com meio cêntimo, para a caridade Aconteça o que acontecer nunca há culpados, algumas leis são para inglês ver Quem as viola, é premiado, como aconteceu, com os crimes, que mataram o Tejo Há muitos anos, que alguns se preocupam com a saúde do Rio O Governo, para os calar, como é hábito, criou uma comissão de acompanhamento Que teve como resultado: ver a água ter uma classificação de menos boa Depois dizem que são as mas línguas que dizem mal das constantes comissões! E, qual foi a medida implementada, para uma ...

Os melhores, dos melhores!

Carnaval   A terça-feira de Carnaval é um dia fora do normal Não é carne, nem peixe, o Governo decreta tolerância de ponto, os outros fazem o que quiserem! Não é feriado, mas é quase, como se fosse, não se sabe o que está a funcionar: é à vontade do freguês Muito ao jeito português: falta de rigor, tolerante com os incumpridores, pouco pontual, só para inglês ver Um país, em que os incumpridores são aplaudidos, os outros não! Em que graves crimes de poluição e outros são punidos com meio cêntimo, para a caridade Aconteça o que acontecer nunca há culpados, algumas leis são para inglês ver Quem as viola, é premiado, como aconteceu, com os crimes, que mataram o Tejo Há muitos anos, que alguns se preocupam com a saúde do Rio O Governo, para os calar, como é hábito, criou uma comissão de acompanhamento Que teve como resultado: ver a água ter uma classificação de menos boa Depois dizem que são as mas línguas que dizem mal das constantes comissões! E, qual foi a medida implementada, para uma ...

A maior porta de entrda e saída!

O Tejo O Tejo é o príncipe encantado de Lisboa O seu amor, perfeito! Banhando-lhe os pés o ano inteiro Num lisonjeiro e amoroso namoro Tejo, eras o espelho do país, quando eras feliz! Mas a ganância, a incompetência, a insensibilidade mataram-te Não te mataram só a ti, mataram também o país! Cobriram-no de eucaliptos e puxaram-lhes fogo Matando plantas, animais e pessoas Envenenaram-te com o pretexto de criarem riqueza Mas, ao contrário, provocaram tragédias e miséria! Morto, fizeram-te o funeral, cobrindo-te com um manto branco! Tejo, tu és a maior porta de entrada e saída do país! Quantas fragatas te subiram e desceram carregadas de vida e sonhos? Tu serás sempre a grande referência para quem sai e entra, pela tua porta O país já chorou a teus pés, ao longo dos séculos, a partida de marinheiros, militares, aventureiros, pedindo que todos regressassem Mas, infelizmente, há sempre quem te perca para sempre Só quem de ti se despediu, carregando a incerteza de não saber, se te voltaria a...

O petróleo verde

O preço do petróleo verde!  Muitos proprietários ficaram muito contentes, quando foram assediados para plantarem eucaliptos Foi uma maneira fácil de conseguirem alguns rendimentos dos terrenos, que deixaram de ser cultivados As celuloses esfregaram as mãos de contentes: um bom negócio, que países mais desenvolvidos não querem Porque os eucaliptos esgotam os terrenos, acabam com a água, que existe no solo, matam tudo ao seu redor Portugal tem pago um preço bem caro, por esta curta visão de políticos irresponsáveis, que só pensam no presente, que vendem o país e a sua gente Quantas vezes o país já ardeu, quanto custa o combate aos incêndios, quem paga o que se perdeu? Mas, a maior perda são as vidas perdidas, e, os que, para sempre, ficam com feridas! Como se não chegasse, mataram o Tejo, matando tudo o que dele vivia! Autorizam todas as indústrias, seja qual for a poluição, que se queiram instalar à beira Tejo Nem mesmo a redução dos caudais, ao longo de anos, os conseguiu acordar, ou f...

Lavar a corrente!

Fevereiro   Fevereiro leva a velha e o cordeiro Fevereiro quente traz o diabo no ventre Peço-te que mandes água para a gente Mas, o suficiente para lavar a corrente Levar para longe do nosso olhar Todo o lixo que encaminhamos para os rios Que desaguam no mar Que tudo consegue abarcar Mas, que um dia também pode avariar Começar, o veneno, a vomitar Para tudo matar O Tejo já está a agonizar Passa os dias e as noites a vomitar Espuma branca, que mandaram aspirar Temos de optar! Não podemos querer, ao mesmo tempo Sol na eira e chuva no nabal Alguma coisa está mal! Quando substituímos o plástico por o papel Não será melhor apostar no virtual? Deixando de estar enterrado em papéis Muito ao nosso gosto e hábito! Reduzir, reutilizar e reciclar Se não quisermos, com o Mundo acabar.   José Silva Costa