Cascas de nozes com baratas
A mendicidade Todos os dias, na mesma esquina, sentada no chão Com as pernas recolhidas, na dura e gelada calçada Chova ou faça frio, enregelada, na mesma posição Passo, e ela diz bom dia e acena-me com a caixinha com cêntimos Fico, sempre, tão transtornado, por ver aquela rapariga, naquele estado Como é que ela aguenta aquela penitência? Horas e horas, naquela posição, naquele gelado passeio É estrangeira! De longe, de perto, de onde é que terá vindo? Cada vez que passo cumprimenta-me, e eu arrepio-me Por não ser capaz de lhe dar, nem que seja, um cêntimo! Não quero alimentar aquele modo de vida, mas fico tão revoltado! Não sei se com ela, se comigo, se com toda a gente, se com o resto do Mundo Fui obrigado a vê-la, cinco terças-feiras seguidas, não foi bem, porque na de Carnaval, não fui a Lisboa Hoje, espero que tenha sido a última vez. Pois, desejo que não seja preciso voltar àquela esquina, tão depressa! Mas, vai ser preciso muito tempo, para me esquecer da cara dela: franzina, ...