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Mostrando postagens de setembro, 2007

A Auto-estrada

Rodízio 12/12/2001   A auto-estrada para o Algarve   Aos três brasileiros, dois guineeneses e um ucraniano, que faleceram na construção de um viaduto, no concelho de Almodôvar     Já Dezembro era entrado Mais um ano quase acabado Vindos de tão longe, desafiar o fado Na auto-estrada, seu fim foi chegado.   Madrugada negra, no viaduto começado Quatro da manhã, ferro e cimento No escuro, surgiu o desabamento Seis vidas ceifadas, num momento.   Trabalhar, de noite ou   de dia Ao vento ou à chuva fria À procura de uma melhoria Numa vida cheia de monotonia.   Viestes do Brasil, da Ucrânia e da Guiné Com muitos   projectos e   muita fé Procurar, em Portugal, melhor sorte Mas aqui, encontrastes a morte.   A trinta e cinco metros de altura Numa vida, muito, muito dura Encontraram a sua sepultura Numa noite muito fria e escura.   A construção da auto-estrada tem de seguir em frente Ainda que esta venha a ser o cemitério de muita gente Que aguarda a sua conclusão, impacientemente Porque anseia ch...

Joana

Introdução: As crianças são graciosas flores em crescimento                     Devemo-lhes   a ocupação do nosso pensamento.   12/09/2004     JOANA       Joana, rosa enjeitada De um   lado para outro empurrada Nem pela mãe, nem pelo pai, amada No seu triste sorriso sufocada. Flor de alma magoada Corpo franzino desprezado Num vai e vem esforçado.   O quente verão incendiou-se O sol nunca mais brilhou A verde dúvida mói mais, Que a negra morte. Foram tão duros os dias Que te traçou a sorte. Joana, escura foi a noite Em que teus tristes olhos Vibraram sem crer No incesto que estavam a ver. A lua imolou-se no éter Por   antever o que te ia acontecer Tudo começou a esmorecer Com o bárbaro anoitecer. Só as tuas bonecas te choraram Desfizeram-se em lágrimas A tua morte as matou Ninguém mais as embalou.             Ps. À menina que, do Algarve, desapareceu.     José Silva Costa