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Mostrando postagens de julho, 2017

A seca

Vale de Estacas, 12/02/2005 A seca O dia é de primavera A noite de Inverno A chuva não aparece Tudo, com o frio, esmorece Não há erva, nem trigo As pessoas e os animais Sob o mesmo castigo! Que a água falte no verão Já o Alentejo está habituado Mas em pleno inverno É arder no inferno. Os ovinos e bovinos Com os focinhos Varrem os campos Acariciam o chão Tudo em vão Morrem de fome Naquela que era a melhor estação. Os Montes outrora, caiados, Estavam repletos de gente Agora, todos, desboroados. Nem a liberdade! Com os seus progressos: Estradas, água, luz, esgotos Conseguiu evitar a debandada Porque chegou atrasada. As modestas habitações Completamente desventradas Com as partes íntimas Em exposição: Ao vento, ao sol, à lua Num silêncio estarrecedor Ouvem-se as almas reclamar, Porque a iluminação pública Passa a noite a incomodar Quem, em vida, só tinha o luar! Que tristeza observar As velhas pedras a chorar Por não terem quem agasalhar: Nem mulher, nem homem Nem cão, nem gato, nem pardal...

Quantos são?

Quantos são?   Os jornalistas cercam os governantes e não lhes fazem mais nenhuma pergunta Depois de mais de um mês, só isso lhes interessa saber Os que estão contra a solução, que foi encontrada para a governação Só lhes interessa infernizar, agitar, destruir, queimar, matar Para o provar, basta a invenção de que já se estavam a suicidar Aos insaciados jornalistas e comentadores não interessa saber por que razão Não há misericórdia que consiga libertar, o que foi doado, para quem ficou desgraçado Será que vai ser, em campanha eleitoral, aplicado! Pressionem os Governantes, no sentido de serem mais céleres e eficazes, na ajuda a quem ficou sem nada Ajudem os interessados a acederem aos programas, para os ajudarem, criados Não. Em nada disso estão concentrados, o que interessa é denegrir, especular, alarmar Até que a situação lhes dê razão, para poderem dizer “ Estão a ver! Nós tínhamos a solução”.   Até um de outubro, ainda, têm muito tempo, para cumprirem a vossa missão.     José Silv...

Castelos de areia

Castelos de areia   Um ano inteiro a sonhar Com estes dias à beira mar Poder, nas ondas do teu cabelo, navegar Deito-me no brilho dos teus olhos Começo logo a sonhar Com o que a internet nos teima em mostrar Todos os paraísos do mundo Onde gostava de te levar E, é essa desmesurada ambição Que não me deixa, estes poucos dias aproveitar Porque estou sempre a magicar A construir castelos de areia Para onde te possa levar Beber a alegria de te sentires sereia Mas, acordo na realidade Amanhã temos de ir trabalhar Voltar à correria de sempre Na esperança de para o ano voltar.     José Silva Costa

Almoços grátis!

Almoços grátis!   Não acredito em almoços grátis, ainda menos de onde vêm A Galp, que se recusa a pagar alguns impostos, ofereceu centenas de viagens, a governantes e outros, para irem a França ver o campeonato europeu de 2016 Ora, antes de gastar o dinheiro com o futebol, deveria cumprir as obrigações fiscais Já temos demasiados comendadores, que se tornaram grandes beneméritos, com o dinheiro que deveria ter sido entregue ao erário público. Num dos casos, foi o despachante, que foi preso. Pensei que já tinha passado o tempo em que o futebol e os políticos estavam acima da lei Mas, depois de ver as declarações do Senhor Presidente da Assembleia da República, parece que alguns órgãos de soberania, quando lhes dá jeito dizem que a justiça é independente, noutros casos, criticam-na, quando a deveriam apoiar, mesmo que a investigação seja demorada, por que o que interessa é que se chegue à verdade. Poucos dias depois das viagens à França, surgiu a lei de reavaliação de ativos, em que a Ga...

Verão

Verão, Férias   Vejo a tua beleza Irradiar um brilho permanente Presa num raio de sol Com o teu ar deslumbrante Entras num mar transparente Onde és massajada Por cristais de sal E areias douradas, do mar. Férias, para relaxar Do desgaste das correrias, de todos os dias Sem tempo para ver os filhos acordar Com os olhos cheios de alegria. Aproveitemos as novas tecnologias Para produzirmos mais, com menos Para termos mais tempo, para eles, todos os dias Não nos deixando aprisionar Por necessidades, que a publicidade nos quer induzir Criando-nos consumismos desnecessários Obrigando-nos a muito trabalhar Para tudo gastar no que é supérfluo Como se os recursos fossem infinitos! Que bom estar de férias Ver os dias correr Sem canseiras, mas com muitas brincadeiras Aproveitar o sol, a areia, o mar e todo o ar Para com a família e amigos as partilhar.   José Silva Costa                         Com os meus olhos de alegria  

Mijar sentado!

Mijar sentado   Dois mil e dezassete Meio ano volvido Tudo parecia florido Défice controlado O produto interno bruto a crescer E esperança de ver o rendimento crescer O diabo a sete! De repente o país aqueceu As temperaturas ultrapassaram os quarenta graus centígrados Começou a arder Muito alcatrão para estender A pensar nas eleições que vão acontecer Como se não bastasse Tancos despoletou uma catástrofe Para a atenuar As casas de banho públicas, em breve, serão unissexo Acabarão os urinóis Todos mijarão sentados. Mais comodo, mais higiénico, mais democrático.   José Silva Costa  

A sala de visitas de Portugal

A sala de visitas de Portugal   A fresca, romântica e bela Sintra está um encanto Ninguém consegue dar um passo, por haver tanta gente, em todo o canto As filas são intermináveis, todos querem levar uma recordação da mais bela e pitoresca vila do mundo Os travesseiros e as queijadas fazem os turistas sonhar Os palácios estão sempre a abarrotar Todos querem saber as peripécias de princesas, príncipes, rainhas e reis, que os habitaram Ah! Se as fontes de Sintra falassem, tinham tanto que contar Tanto enredo e segredo, que só elas e a lua presenciaram. Em cada recanto um par romântico A sondar a lua, a escutar a serra, comtemplar o Atlântico Ninguém fica indiferente ao seu encantamento.     Soneto, de Luís de Camões, que se supõe, tenha sido inspirado na formosura da fresca serra de Sintra   A formosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O manso caminhar destes ribeiros, Donde toda a tristeza se desterra;   O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do sol pelos ...

Cinzas

Cinzas   O verde transformou-se em negro O sol espalhou o medo As pessoas enfrentaram o desespero O fogo engoliu-as Tudo desapareceu Até o céu morreu! Só o fumo permaneceu Agora, nem pessoas, nem casas, nem fábricas Tudo ardeu Ficou o desemprego Não há sombras, nem sonhos, nem esperança Nada permaneceu Toda a Natureza cedeu   José Silva Costa