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Mostrando postagens de novembro, 2020

Imposição

Imposição Nas tuas mãos de fada, minha amada Deixo o brilho das estrelas e o amor Na magia dos teus lábios saboreio a alegria Com as nossas mãos entrelaçadas Afagamos o futuro do outono maduro Com a certeza de que o passado foi duro Interrogamos o futuro! Nos teus olhos há um verde-mar Onde barcos não se cansam de navegar E eu descanso neles o meu olhar Cansado dos anos em que os não vira Um grande castigo! Apartarem os meus olhos, dos doces teus Deixando-me perdido, sem poder contar contigo Procurei remédio num desesperado grito Mas só o encontrei quando te voltei a ver Quando saboreie os teus beijos de perfume maduro  Com sabor a amor forte e seguro Que delicioso sentido!   José Silva Costa        

À espera de embarque

As mazelas da guerra Continuação   À espera de embarque Na última semana que estivemos no Umpulo, a PIDE inundou as mesas do nosso refeitório com panfletos a aliciarem-nos para ingressarmos nos seus quadros, com o fim de darmos instrução aos flechas, mas ninguém aceitou tão tentadora oferta Só reparei no vencimento: 8.000,00 angolares, podendo metade ficar na Metrópole, em escudos. Por dinheiro nenhum ficaria na PIDE, quando regressei tive de aceitar um emprego a ganhar 2.000 escudos Desde que fui trabalhar para o lugar de frutas e hortaliças, que fiquei a saber o que a PIED fazia Todas as manhãs, alguns dos operários, da Imprensa Nacional, iam ao estabelecimento “ matar o bicho”, e nas noites em que eram visitados, de manhã, diziam-nos quantos é que tinham ido presos Chegou o tão esperado dia de deixarmos o palco das operações e irmos para um local seguro, onde aguardaríamos o embarque, para regressarmos à Metrópole Dissemos adeus ao Umpulo, com a alegria estampada nos rostos de quem ...

Contas

Contas  O Outono é, sempre, suave e doce Mesmo que, este ano, seja um inferno Não pode haver céu! Quando o medo, a insegurança nos toldam o olhar Vamos tentar levá-lo até ao fim Falta pouco mais de um mês Depois, pedimos contas ao que vier Porque este é para esquecer Mas não tenhamos ilusões! Temos de, desde já, começar a fazer provisões Não nos deixemos, pelas estrelinhas, embebedar Porque estes tempos vão passar A Natureza está a avisar! Não podemos fingir que tudo vai ficar bem Porque algumas coisas vão mudar E, nada melhor que o antecipar Para minorar o que muito nos vai custar  Ver o desemprego a galopar As empresas a desaparecerem E nós, na crista da onda, sem saber para onde remar.   José Silva Costa              

Violência

Dia Mundial Pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres     Mais trinta mulheres assassinadas no meio familiar, nestes quase onze meses deste ano Esta chaga continua a demasiadas mulheres matar As mulheres são quem está mais a sofrer com esta pandemia Ao longo dos séculos têm sido, sempre, preteridas Na educação foram esquecidas A minha mãe, com muita tristeza, dizia: “ não sei uma letra do tamanho de um burro” Isto porque, alguns, pelo menos, sabiam dizer ou escrever o alfabeto maiúsculo Tantas vezes ouvi dizer que as mulheres não precisavam de saber ler Quem o dizia também pouco sabia sobre o presente ou o futuro E, em 2020, quantas meninas continuam a sofrer com a clitoridectomia? Quantas continuam sem direito à educação? Um século depois, continuarão, como a minha mãe, a dizer que não sabem uma letra, seja de que tamanho for Neste século, nalguns Países, algumas mulheres conseguiram, dos homens, aproximarem-se Mas não passa de uma gota de água no oceano! Infelizmente, as mulher...

Natal

Natal Este ano não há Natal Infelizmente, cada um vai ficar no seu quintal Filhas, filho, netas, neto, todos tão longe, mas tão perto Mais Natais virão, onde todos caberão Mas neste, não querem arriscar Para que nos outros, todos possamos estar Estes meses têm sido muito duros de suportar Quantos mais, ainda, teremos de aguentar? A vida está-nos sempre a perguntar O que com ela queremos argumentar Passamo-la na correria da pressa Com medo que a esperança arrefeça Um dia ela tropeça Olhamos para trás e arrependemo-nos de não a termos ouvido De a termos gasto sem sentido Não serve de nada estar arrependido Não volta mais, o tempo perdido O mais importante é vivermos na ilusão de que tudo é permitido Na alegria de cada dia saborear o melhor que ela tem para nos dar Na euforia de que o sonho nunca vai acabar.   José Silva Costa                

" O testamento"

As  mazelas da guerra Continuação   O testamento Como já estávamos habituados a dar proteção na abertura de picadas, lembraram-se de nós, para desta vez, darmos proteção à Engenharia Militar, na abertura de uma estrada Todos os dias levavam as três máquinas utilizadas na obra, e nós mobilizávamos um pelotão para fazer a proteção A obra foi interrompida por uns 15 dias, o que fez com que ficássemos preocupados com o recomeço dos trabalhos, porque estávamos com receio, que durante aquele interregno colocassem minas Coube me, na ausência do Alferes, comandar o pelotão, no dia do recomeço da obra Combinei com o condutor da Berliet, que iriamos os dois, à frente, seguindo as outras viaturas atrás para, na eventualidade da estrada estar armadilhada, reduzirmos as suas consequências Assim, decidimos retirar, da carroçaria da viatura, tudo o que não fosse essencial, cobrimo-la com sacos de areia, na tentativa de evitar levar com estilhaços, caso acionássemos alguma mina, felizmente não tinham ...

Os contabilistas

Os contabilistas O anti ciclone dos Açores está carregado de nuvens negras a anunciarem tempestade Concordo que quem está a receber subsídio de desemprego ou de inserção preste serviço à comunidade O que não podemos é deixar ninguém ao deus dará, porque nasceu pobre ou não consegue ganhar para o pão Há quem tenha nascido rico, virado para a lua, a sonhar com carros, corridas e pistas Mas, daí a pensar que somos todos calões, que não queremos trabalhar, é falta de sensibilidade O que não pode acontecer é uns terem tudo e outros nada, pelo menos enquanto houver liberdade Infelizmente, nasci quando um contabilista Governava o País, que só pensava em barras de ouro Como nasci muito pobre, sei bem o que é passar fome O que é ver uma mãe com 3 três filhos, pendurados às saias, a chorarem de fome Os meus pais trabalhavam de noite e de dia, mas não conseguiam arrancar da terra, comida suficiente para alimentarem os filhos O Baixo Alentejo era de meia dúzia de latifundiários, que viviam à grand...

Folhas

Folhas! Devagarinho vão desaparecendo Neste Outono, algumas, se vão mantendo À espera do Inverno, que já nos está vendo As árvores, as suas cores, vão vendendo Para poderem comprar novas vestes, na Primavera Pelas quais todos estamos à espera Todos queremos boas novidades, para a nova estação da moda Estamos fartos destas roupas do confinamento Mas não há alternativa, neste momento As folhas vão caindo com o vento As mais velhas, como é natural, não perdem tempo Na linha da frente, são as preferidas, pelo evento Como quem diz presente ao julgamento Vão dizendo adeus ao pensamento Para que a Natureza fique mais leve Mais limpa, mais jovem, mais breve Uma lei que ninguém contesta Mas também não é motivo de festa Não há exceções, nem perdões, apenas tempo.   José Silva Csta      

"Morrer de sede"

As mazelas da guerra   Continuação     “Morrer de sede” Nas muitas operações em que participámos, numa, ao contrário do que nos tinha acontecido antes, passámos um dia sem encontrar um único rio, o que fez com que começássemos a ficar desidratados Pelo rádio, pedimos para nos irem indicar onde a sede saciar, quando o helicóptero fez um círculo por cima de nós e seguiu em direção ao rio, que nem estava muito longe, nós é que não sabíamos, todos correram e atiraram-se ao rio, parecendo um rebanho de ovelhas, em agosto Alguns nem utilizaram o copo do cantil, beberam diretamente do rio! Noutra foi o contrário, passámos os dias a atravessar rios, a vau, e num deles, com o sol a  dizer-nos adeus, levámos com uma trovoada, que a água nos chegou aos ossos Não tivemos tempo de procurar um sítio para pernoitar, mal atravessámos o rio, já às escuras, montámos as tendas, pouco depois, apercebemo-nos que tínhamos como vizinhas as hienas cujos olhos, de noite, metem medo, e o cheiro é insuportável A...

Doce Outono

Suave Outono Tens sido muito contestado É doloroso recordar como era no passado Agora está tudo alterado O pouco que havia está quase esgotado O futuro, desconhecido, está apavorado Ninguém acredita que não sejas um malvado! Ah! Como gostava de estar enganado De desejar que estivesses a meu lado Mas estou muito magoado Não estás atrasado Podes ficar por lá mais um bom bocado Deixa-me aproveitar este tempo indeterminado Por que a verdade deixa-me, ainda, mais preocupado Tenho muito tempo para ver tudo fechado Com tanto rosto abalado À procura de um sentido para o fado Como se a vida fosse um pecado Que carregamos desde o passado Para entregarmos a um antepassado Cumprindo o ciclo há muito anunciado.   José Silva Costa        

O espelho americano

O espelho americano   Não reconhecer a derrota é o primeiro passo para acabar com a democracia Metade da América rejeita o resultado das eleições, escudada por Trump, Mike Pompeo………… Este vírus, ainda, é mais perigoso e contagioso que a Covid-19 O Primeiro-ministro da Eslovénia deu os parabéns a Tramp, pela vitória Infelizmente, candidatos a ditadores não faltam, e o futuro parece favorecê-los Os populistas, para subirem ao poleiro, servem-se das bandeiras da contestação Nos Açores foram: a corrupção, o rendimento mínimo e a redução do número de deputados Para os que têm convivido bem com estes problemas, espero que seja uma boa lição A fatura poderá chegar à perda da democracia, porque o fim destes senhores não é acabar com a corrupção, mas conseguir o poder absoluto, onde, como se sabe, não há corrupção, porque o que divulga a corrupção é a Liberdade Com esta pandemia, não é nada de bom o que se anuncia, e quando chegarmos ao ponto do que acontece: “na casa onde não há pão, todos ral...

A beleza

A Natureza Como a pureza da Natureza é a tua beleza Os teus olhos são estrelas cintilantes Que guiam o Universo para patamares distantes A tua boca é um botão de rosa a libertar perfumes inebriantes Que me embebedam a todas as horas, a todos os instantes Os teus seios são como rosáceas de alabastro, perfeitas! Alimenta o presente e o futuro Mulher, mãe, irmã, esposa, namorada, companheira Como a Natureza, vocês são a esperança da continuidade Tenho a certeza de que são as mais belas flores da Natureza O Universo é pequeno, para tanta beleza Não magoem, nem mal tratem, tanta delicadeza É a elas que devemos toda a nossa grandeza  Mãe! Faltam-me as palavras, para te agradecer, por me teres concebido e criado.   José Silva Costa          

A martelo

Mazelas da guerra    Vinho feito a martelo   Continuação   Como de vez em quando íamos a General Machado, aproveitávamos para saborear o prato preferido e esquecer o rancho e as rações de combate Um belo dia, estávamos sentados num restaurante, a saborearmos os pregos, quando demos conta, na mesa ao lado, dois senhores revelavam como fazer vinho a martelo, cuja receita era: água, álcool, barro e palha O barro para dar a cor e a palha o sabor, e temos um vinho que é um amor De outra das vezes que fomos a General Machado, acompanhou-nos um Sargento, que fez uma paragem numa oficina auto, para pagar um bidon de 200 litros de lubrificante De seguida mandou-nos subir para a viatura, e eu disse-lhe que faltava carregar o bidon, ao que me respondeu: “não é para carregar agora” Algum tempo depois, fui à secretaria, tratar já não sei de quê, e o Sargento disse para um Soldado: ” o Furriel Costa, é que podia ajudar aqui na Secretaria”, ao que lhe respondi, que a minha esferográfica era a G3 Quan...

O espetáculo

O espetáculo   O vento estava tão amoroso Brincava com o teu cabelo Fazia-o rodopiar no teu rosto Tudo era brilho e harmonia A lua ria, da beleza que em ti via Ninguém, na noite, dormia! Tu irradiavas alegria Os teus olhos eram estrelas de magia Quem é que os ignoraria! Se são encantadores E, à sua volta tudo eram flores Soltaste os teus risos perfumadores Encantaste todos os espetadores O pano caiu O espetáculo acabou.   José Silva Costa        

Bem-vindo!

Bem-vindo, Novembro Já sabemos que vais ser exigente Com toda a gente Tanta gente doente! Mas temos de seguir em frente Procurar equilibrar a economia com o dente Temos uma dura prova pela frente Controlar a pandemia é urgente O Mundo está doente Há quem tenha uma reação diferente Que negue o que é evidente Fazendo com que alguns fiquem baralhados da mente Sem saberem em quem acreditar, politicamente Quem vive do trabalho dos outros, a realidade desmente Só pensa em dividendos, porque isso é que faz com que fique contente Enquanto o trabalhador tem de arriscar a vida, porque o dinheiro é insuficiente Cada um com a sua verdade, o que me faz ficar indiferente Sem saber quem mais mente O melhor era ficamos em casa, separadamente Mas a economia não o consente!   José Silva Costa