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Mostrando postagens de agosto, 2017

Regresso às aulas

O regresso às aulas   Todos os anos, a mesma aflição: o medo de perder o pão! Não era já tempo de os professores terem um método de colocação, sem sobressaltos? Ser colocado a muitos quilómetros de onde tem o coração, é um problema, sem solução? Todos temos de dar as mãos, para criarmos um país mais desenvolvido e harmonioso O interior também tem direito a ser habitado, amado, admirado, formoso Nem que para isso se tenha de criar leis de discriminação De maneira a atrair quem não quere, para certos sítios, ir Educar é uma função muito nobre, pode catapultar – nos da base para o vértice Se fosse, sempre, bem exercida, poderia fazer mais do que a justiça Mas, quando mete rankings e lutas de classes, pode criar muitas injustiças Na mesma escola, na mesma disciplina, testes diferentes, podem fazer, com que os mais fracos fiquem à frente! Há professores, a defenderem, que os filhos têm de seguir as profissões dos progenitores Não podendo, os filhos de não doutores, ter a ambição de irem par...

Não temos emenda!

Não temos emenda!   A balança comercial voltou ao vermelho Com a crise conseguimos exportar mais do que o que importávamos Mas, infelizmente, foi sol de pouca dura Mal nos afrouxaram o cinto, o consumismo disparou Os standes não têm carros para entrega Têm grandes listas de espera As fábricas de automóveis voltam a ter de, vinte e quatro horas, trabalhar Para ver se conseguem, fabricar carros para, as encomendas, satisfazer As agências de viagem já não conseguem arranjar destinos, está tudo esgotado Vendem-se casas, cada vez mais casas, não falta dinheiro, nem que seja emprestado! As casas para venda estão a acabar, à que aproveitar! Os vendedores de dinheiro esfregam as mãos de contentes Voltámos a ser ricos, como no princípio do século Vamos ver quanto tempo dura a euforia Não pode durar muito, mais dia, menos dia vão chorar no ombro da DECO Pedindo que faça milagres! Não sabem ou não querem fazer contas? Aproveitem bem a onda dos juros baixos Peçam a todos os santinhos, para que a i...

Ventos cruzados

Vento cruzado   O vento está zangado Tudo é contestado Decapitam-se os heróis do passado Nada está assegurado Por todo o lado O perigo está montado Onde poderemos descansar do peso do tempo andado? Não há mais, uma esplanada de café Um banco de jardim onde possamos, por momentos Pousar as canseiras do dia, dos anos Para partilharmos com os amigos A alegria de viver, que outros não nos venham entristecer! Que pena, não saibam saborear o que de melhor há: conviver! Mesmo que, para muitos, a vida seja muito dura Ninguém a deve interromper Não pedimos para nascer Tudo, devemos fazer, para a manter Quanta alegria, ver os filhos, netos, bisnetos a aparecer! Todos têm um pouco de nós Vão-nos embalar, no nosso entardecer Mas, o Mundo está muito magoado E, tem toda a razão Muitos dos seus filhos não têm pão Sinto-me culpado Por meio mundo esfomeado Por viver num luxo exagerado Ser incapaz de contribuir Para um equilíbrio, sustentado.       José Silva Costa      

O Verão negro de 2017

O Verão negro de 2017   São mulheres, homens, crianças e animais, todos em desespero, ninguém tem sossego Rostos tisnados, cansados de um combate, que não tem fim Todos os anos o mesmo problema: incêndios, incêndios, mais incêndios Parece tratar-se de uma guerra, numa absurda vingança, contra tudo e contra todos Quem alimenta esta matança? Certamente quem tem influência, que não suporta a alternância, que se esconde, por de trás De quem não tem consciência do que está a fazer, utilizando a sua demência ou ignorância Não são capazes de combater com ideias, preferem as armas da morte Julgam-se donos da verdade e da vida de quem não teve a vossa sorte Aproveitam-se da ajuda das condições climatéricas, para propagarem a morte Dizem-se muito preocupados, tentando esconder que são os culpados São contra a obrigação de doze anos de escolaridade, querem menos educação Porque sabem, que é nas escolas e universidades que está a solução Um Povo adulto e instruído, não alinharia, na vossa destruiç...

Uma flor

Com este calor Peço um beijo a uma flor Que me pede uma gota de água Para não morrer de sede Troca todo o seu perfume Por uma gota de amor Implora-me que não deixe As suas raízes definhar Se ninguém me regar! Deixarei de, o meu perfume, propagar Não! Não me queiram matar Quem é que me pode ajudar? Não deixem que este calor me continue a magoar Não consigo mais respirar A minha seiva está a acabar Por favor, só uma gota de água ou de amor Estou a viver um horror Não quero desaparecer, ainda em flor Quero viver mais, muito mais Cumprir o sonho de te perfumar De te fazer voar De, na mesma casa, contigo habitar Eu, numa jarra Tu num altar Espero que todos os dias me venhas beijar Antes de te ires deitar Não deixes a tua flor murchar Juntinhos, vamos continuar a namorar Sonhar, amar, voar.   José Silva Costa              

Agosto

Agosto   Em agosto, é no mar que lavo o rosto Tentando saber quem voltou, quem terá faltado É um encontro sem ser marcado É um tempo bem passado Com os filhos, a mulher, o marido, a namorada, o namorado Abraçamos os emigrantes no mercado Falamos de mais um ano passado Daquilo que nos tem marcado Do regresso desejado Que, à medida que os anos vão passando, se torna mais complicado Os filhos casaram, estão noutro lado Regressar! Foi passado Andam cá e lá, já não conduzem, vão no autocarro, lotado Passam aqui o verão, mas pelo Natal vão para um país gelado Quem, nessa altura, poderia ficar longe dos filhos e dos netos, sossegado? É muito doloroso e triste ter de deixar o país, ser emigrado É passar a vida, desenraizado A pensar no futuro e no passado Tentando encontrar o verdadeiro culpado Por não ter, um país rico, criado Com educação, liberdade, igualdade, muita imaginação e cuidado A riqueza e a beleza estão nas pessoas, e não no vizinho do lado É na creche, no jardim-de-infância, na p...