Quingentésimo ano (217)

Sentindo-se alcançada a bella esposa
De Céphalo no crime consentido,
Para os montes fugia do marido;
E não sei se de astuta, ou vergonhosa.

Porque elle, em fim, soffrendo a dor ciosa,
Da cegueira obrigado de Cupido,
Apos ella se vai como perdido,
Ja perdoando a culpa criminosa.

Deita-se aos pés da Nympha endurecida,
Que do cioso engano está aggravada;
Ja lhe pede perdão, ja pede a vida.

Oh fôrça d'affeição desatinada!
Que da culpa contr'elle commettida,
Perdão pedia á parte que he culpada!


Luís de Camões

Comentários

  1. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite e Boa semana!

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  2. Obrigado. Estes mitos em que Camões se baseia, e nós desconhecemos, dificultam-nos o entendimento dos poemas do Mestre.
    É bom ler Camões e grato por nos dar a conhecer. Feliz semana.

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    1. Como diz, entender o Mestre é muito difícil.

      Boa semana.

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  3. Um Crime e Castigo à maneira do nosso Luis

    Bom e belo dia de nova semana em harmonia pra vocês José.

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    Respostas
    1. Com o nosso Luís, ninguém ficava impune.

      Boa semana, para vocês, com saúde e alegria, João.

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  4. Obrigada pela partilha.
    Beijinhos

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