Quingentésimo ano (239)
Como fizeste, ó Porcia, tal ferida?
Foi voluntaria, ou foi por innocencia?
He que Amor fazer só quiz exp'riencia
Se podia eu soffrer tirar-me a vida.
E com teu proprio sangue te convida
A que faças á morte resistencia?
He que costume faço da paciencia,
Porque o temor morrer me não impida.
Pois porque estás comendo fogo ardente,
Se a ferro te costumas? He que ordena
Amor que morra, e pene juntamente.
E tẽes a dor do ferro por pequena?
Si; que a dor costumada não se sente;
E não quero eu a morte sem a pena.
Luís de Camões
Notas:
ResponderExcluir" Pórcia - Mulher de Marcus Júnio Bruto. Apunhalou-se ao saber que o marido projectava matar Júlio César. Suicidou-se,
mais tarde, comendo brasas, após a derrota de Bruto em filipos. O Poeta compós o soneto com estes dados históricos."
(Joaquim Ferreira)
Obrigado, por nos continuar trazendo Camões. Feliz semana, com menos calor!
ResponderExcluirAgradeço a visita.
ExcluirBoa tarde e boa semana.
Grata pela partilha, José! :))
ResponderExcluirDia Feliz e Boa semana!
Muito obrigado!
ExcluirBoa tarde, Zé!
Bela terça feira pra vocês e bom dia em harmonia José
ResponderExcluirBom dia, João.
ExcluirUma boa terceira feira, também para vocês com saúde e alegria.