Sul, sem sol!

Mulheres


 


Jovens, crianças, bebés


Filhas de reis, condes, viscondes


Sentenciadas à nascença


Deserdadas de bens imóveis


Enclausuradas em conventos


Dos quais nunca tinham ordem de sair


Enclausuradas em bebés, crianças, jovens


Contactos com o exterior, só através do parlatório


Casavam com Cristo, entregando o dote ao convento


Setenta e tal anos de isolamento (Mariana)


Foi uma eternidade de casamento (sozinha)


As mulheres têm toda a razão para se sentirem indignadas


A História tem-lhes pregado cada partida!


E têm de continuar a lutar


As mentalidades levam muitos séculos para mudar


As mulheres, o Mundo, continua a discriminar


No convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja


Formaram-se como que dois clubes


Umas veneravam um Santo, outras, outro


A rivalidade, por vezes, levava-as a vias de facto


Aqueles longos corredores assistiram a muitas dores


Cada grupo concentrava todas as energias e dinheiro em embelezar o andor do seu Santo


Para que, aquando das procissões, lhes chegassem ecos, de qual o andor mais bonito


Era uma maneira de libertar tanta energia reprimida


A adolescência, a mocidade, a vida


Todos os sonhos, todas as ambições, todas as paixões


Presas naquelas paredes, grades e tenções


A verem abrir e fechar aqueles portões, sem poderem agarrar as ilusões


Sepultadas vivas, sem liberdade para serem mães!


 


José Silva Costa


 


 


 


 


 


 


 


 

Comentários

  1. As cousas do tempo
    no seu senão
    que mesmo agora
    a saga não tem Coração...

    Boa Semana de aqui do "À Comboio de um Ladrão"

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    1. Mudam-se os tempos
      Mas não os comportamentos
      Tantos séculos de momentos
      Mas, sempre, com os mesmos contratempos.
      Boa semana

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  2. A realidades que falas parece que as conheces bem melhor que eu.
    Aqui há tempos foi tornada pública a escravidão que as freias de um convento obrigavam as noviças a ter, incluindo maus tratos físicos.
    Parece ser um dos comportamentos silenciados mas muito pouco católicos, que a legislação civil deveria punir, até em nome do respeito das regras e direitos humanos.

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    1. Infelizmente, não conheço como gostava. O que sei é da comunicação social, mas , não me espanta que se cometam crimes em sítios, que deviam praticar o bem.

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  3. A História e os homens.. ainda devem muito a todas as mulheres!

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    1. Sim. As mulheres mereciam ser tratadas em pé de igualdade com os homens, mas, infelizmente, nem nas religiões isso acontece.

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  4. belo texto. gostei. quiçá mais por ser escrito por um homem.

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    1. Sempre que entro nos Conventos, fico um pouco arrepiado ao pensar no que muitas mulheres, ali sofreram. Quando visitei o de Arouca, escrevi outro texto, que parti-lho.

      Às
      Noviças, e a todos, a quem roubaram a liberdade
      Na juventude
      Quando o corpo se empertiga
      E o desejo o castiga
      O pensamento é o seu sustento
      Nada o prende, nem o vento.
      A liberdade é empolgamento
      Que não cabe em nenhum convento
      Por muito que o queiram tornar bento
      É, sempre, um lugar sem movimento.
      Para o amor não existem prisões
      Mosteiros, grades, divisões.
      É a liberdade afogada, no fogo da clausura
      O sonho ceifado no raiar da aurora
      O ímpeto maternal subjugado pelas paredes.
      Noviças, monjas, abadessas, no isolamento
      Nem a presença das aias lhes suavizava o sofrimento.
      É a dimensão do mundo num momento
      A roda do tempo presa num fio de vento
      A morte antes da dor e do julgamento.

      Convento de Santa Maria de Arouca
      Convento onde a filha de D. Sancho I (Santa Mafalda), que o professou aderiu em 1220, por bula papal à Ordem de Cister.


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  5. Gostei bastante!
    E foi bom relembrar o texto que escreveu sobre o Convento de Arouca, a minha terra.

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    1. Palavras a louvar as mulheres não faltam! Falta o resto,

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