2008
2008: O último
Lentamente, vamos deixando as nuvens, em breve aterraremos.
Este foi o último ano em que pudemos sonhar.
Não é mais possível acreditar nos sonhos, que nos impingiam.
Ter uma casa de sonho, carro de alta gama, férias na mais
bela cama.
Até aqui era só apresentar o cartão de crédito, e tudo se
conseguia.
Mas acabado o Verão, soprou o tufão, e o castelo de areia
desmoronou-se.
Bancos falidos, fábricas de automóveis fechadas, e o trânsito
reduzido nas estradas.
Vivíamos” naquele engano ledo e cego, que a fortuna não
deixa durar muito.”
Era um sufoco, telefonemas de todos os Bancos, cheques,
cartões de crédito, milhares de Euros, era só gastar, pois o magro ordenado não
dava para tudo pagar.
Mas para atamancar, pagava-se um crédito com outro, até
esgotarmos todos os cartões com que nos tinham encharcado.
Agora, vêem-nos dizer que devemos dois anos de ordenados,
não são eles os culpados?
Entretiveram-se a criar produtos, virtuais, cada vez mais
proveitosos, lucros fabulosos, grandes ordenados e prémios manhosos, que
grandes gulosos!
Está tudo falido, o desemprego é mais que garantido.
Não há Natal, nem prendas, nem desejos de próspero Ano Novo,
porque ninguém acredita que 2009 será melhor que o último da ilusão.
Preparemo-nos para o pior, se não acontecer, tanto melhor.
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