A Planície

A Planície


 


No Outono, o vento despe as árvores


E acorda a planície.


As primeiras chuvas incendeiam-na.


O seu ventre fica ávido de semente


Encharcada de fios de vida.


Recebe os grãos de trigo com a alegria


Da suavidade dos dias de Outono.


 


Dos regos da calejada mão do semeador


Os grãos de trigo atiram-se ao solo


Rolam-se no colo quente da terra


Agradecem a manta vertente


Com que os tapa a charrua.


 


Os grãos lançam raízes na geada


Os caules crescem como espadas


Apontadas ao sol das cumeadas


Suportam as espigas douradas


Apinhadas de grãos de oiro


O Alentejo é um tesoiro.


 


 


 


José Silva Costa


 

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