Nuvens negras

Nuvens negras


 


Mães sem filhos


E sem maridos


Gritos escondidos


Tudo destruído


Terra em fogo


Este mundo mete nojo


Arruaceiros vomitam nacionalismo


Alimentam-se de ódio e gritos


Para eles tudo é inimigo


Multidões acreditam em aldrabões


Comem convoluções


E embebedam-se em reuniões


Adoram os falcões


Que lhes prometem melões


Só colhem desilusões


Mastigam vinganças ente as nações


Arrastam gente, que odeia o outro


Só porque é diferente


Acreditam em quem só mente


Uma negra semente


Pode dar cabo da boa gente


Que acredita em gente influente


Que lhes diz que os outros comem cobras e lagartos


Quando são tudo boatos


Fazendo com que o ódio lhes tolde os sentidos.


José Silva Costa


 


 


 


 

Comentários

  1. Boa tarde, José.

    Quando li o título do seu poema - imediatamente antes de abrir para o ler - ocorreu-me que Camões pudesse ter glosado esse mote, mas logo me apercebi de que este trigo era da sua própria safra.

    Mas quem aguenta engolir tudo o que nos narra sem que um grito de revolta do peito se lhe escape?

    O meu solidário abraço

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    Respostas
    1. Boa tarde, Maria João.

      Agradeço a solidariedade, nestes negros dias, em que só vemos morte, destruição e políticos a mentirem sem pinga de vergonha.

      Um abraço.

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    2. Não está a ser nada fácil sobreviver à mentira entronizada, Cheia. Nem à mortandade que vai por esse mundo fora e que todos os dias nos entra pelos olhos dentro. A sensação de impotência perante tão tremendas injustiças tende a esmagar-nos...

      Outro abraço

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  2. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite!

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