Quingentésimo ano (160)

Ondados fios de ouro reluzente,
Que agora da mão bella recolhidos,
Agora sôbre as rosas esparzidos
Fazeis que a sua graça se accrescente;

Olhos, que vos moveis tão docemente,
Em mil divinos raios incendidos,
Se de cá me levais a alma e sentidos,
Que fôra, se eu de vós não fôra ausente?

Honesto riso, que entre a mór fineza
De perlas e coraes nasce e apparece;
Oh quem seus doces ecos ja lhe ouvisse!

Se imaginando só tanta belleza,
De si com nova gloria a alma se esquece,
Que será quando a vir? Ah quem a visse!


Luís de Camões

Comentários

  1. Obrigada pela partilha.
    Beijinhos

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  2. Boa tarde, Cheia!

    Levei este soneto comigo e até já esbocei uma conversa um pouco diferente das outras pois me apresento a Camões tal como sou agora: velhota e doente.

    Também tinha esboçado um soneto para a publicação anterior... Talvez venha a publicar um deles no dia 10, que é o seu dia...

    Obrigada e um abraço

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    Respostas
    1. Boa tarde, Maria João!

      As suas conversas com Camões são, sempre, muito bem-vindas. Os seus sonetos são maravilhosos, dão outro brilho a esta singela homenagem ao nosso Camões.
      No dia 10, tenciono publicar um postal diferente.

      Bom resto de dia e um abraço.

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    2. Ah... ainda não fui rever nenhum dos sonetos que já esbocei. Costumo escrever sempre sem rascunho, mas agora ando mais caída, prefiro rabiscar, voltar atrás e polir ou mesmo reformular tudo o que precise de ser melhorado.

      Vou ver qual dos dois está menos mau...

      Bom resto de dia e outro abraço

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  3. Grata pela partilha, José! :))
    Resto de dia Feliz e Boa semana!

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