Quingentésimo ano (153)

O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil, que eu na alma vejo,
Se accendeo de outro fogo do desejo
Por alcançar a luz que vence o dia.

Como de dous ardores se encendia,
Da grande impaciencia fez despejo,
E remettendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.

Ditosa aquella flamma que se atreve
A apagar seus adores e tormentos
Na vista a quem o sol temores deve!

Namorão-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquella neve
Que queima corações e pensamentos.


Luís de Camões

Comentários

  1. Uma vela queimou o rosto de uma dama, e Camões escreveu com esse episódio este soneto. Nas redondilhas há um mote e umas voltas a uma D. Guiomar de Blasfé - » por se haver queimado com uma vela no rosto», diz a epígrafe. 

    Deve ser a  mesma.

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  2. Curiosa explicação do soneto, caro Amigo
    Um bom fim de semana. Um abraço.

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    Respostas
    1. Nem todos têm notas, nestes livro de Sonetos de Camões, de Joaquim Ferreira, Editorial Domingos Barreira - Porto.

      Bom junho, caro Amigo.
      Um abraço.

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