Quingentésimo ano (153)
O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil, que eu na alma vejo,
Se accendeo de outro fogo do desejo
Por alcançar a luz que vence o dia.
Como de dous ardores se encendia,
Da grande impaciencia fez despejo,
E remettendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.
Ditosa aquella flamma que se atreve
A apagar seus adores e tormentos
Na vista a quem o sol temores deve!
Namorão-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquella neve
Que queima corações e pensamentos.
Luís de Camões
Uma vela queimou o rosto de uma dama, e Camões escreveu com esse episódio este soneto. Nas redondilhas há um mote e umas voltas a uma D. Guiomar de Blasfé - » por se haver queimado com uma vela no rosto», diz a epígrafe.
ResponderExcluirDeve ser a mesma.
Bom fim-de-semana, José.
ResponderExcluirTambém lhe desejo um bom fim-de-semana, Isabel.
ExcluirCuriosa explicação do soneto, caro Amigo
ResponderExcluirUm bom fim de semana. Um abraço.
Nem todos têm notas, nestes livro de Sonetos de Camões, de Joaquim Ferreira, Editorial Domingos Barreira - Porto.
ExcluirBom junho, caro Amigo.
Um abraço.