Quingentésimo ano (132)

Já tempo foi que meus olhos folgavam
de ver os verdes campos graciosos;
tempo foi já também que os sonorosos
ribeiros meus ouvidos recreavam.

Foi tempo que nos bosques me alegravam
os cantares das aves saudosos,
os freixos e altos álamos umbrosos
cujos ramos por cima se ajuntavam.

Permanecer não pude em tal folgança;
não me pôde durar esta alegria,
não quis este meu bem ter segurança;

ainda neste tempo eu não sentia
do fero Amor a força e a mudança,
os laços e as prisões com que prendia.


Luís de Camões

Comentários

  1. Tivesse o nosso Camões ficado pelos "verdes campos graciosos"... não sentiria
    "...do fero Amor a força e a mudança..."

    É sempre muito agradável ler, diariamente, um Poema de Camões. Obrigado e parabéns pela iniciativa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu é que agradeço a visita.

      Mal sabia ele, que o Amor era uma grande prisão.

      Bom Domingo.

      Excluir
  2. Respostas
    1. Não há prisão, como a do Amor.

      Dia tranquilo, Isabel.

      Excluir
  3. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite e Boa semana!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lua Cheia

A candeia!