Quingentésimo ano (90)


Correm turbas as águas deste rio,
Que as rapidas enchentes enturbárão;
Os florecidos campos se seccárão;
Intratavel se fez o valle e frio.

Passou, como o verão, o ardente estio;
Humas cousas por outras se trocárão:
Os fementidos fados ja deixárão
Do mundo o regimento, ou desvario.

Ja o tempo a ordem sua tẽe sabida;
O mundo não; mas anda tão confuso,
Que parece que delle Deos se esquece.

Casos, opiniões, natura, e uso,
Fazem que nos pareça desta vida
Que não ha nella mais do que parece.



Luís de Camões

Comentários

  1. Boa Páscoa Caro José.
    Este soneto é tão "contemporâneo", que nos faz ficar em reflexão nos tempos atuais que ecoam como no passado.

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    1. Muito atual!

      Também lhe desejo uma boa Páscoa, Cara Sofia.

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  2. Bom dia, Cheia!

    Parece que a loucura do mundo - que é a nossa humana loucura - é muito antiga... Num português mais actual, Camões poderia escrever este soneto hoje mesmo, se ainda por cá andasse...

    Boa Páscoa e um abraço

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    1. Bom dia, Maria João!
      Totalmente de acordo. O mundo continua louco.

      Também lhe desejo boa Páscoa.

      Um abraço.

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  3. Pois é....Camões sempre actual....)))abraço e Páscoa feliz

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    1. Afinal, os séculos pouco mudam.

      Boa Páscoa.

      Um abraço

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  4. Respostas
    1. Muito obrigado.

      Também lhe desejo uma Santa Páscoa, Maribel!

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  5. Espero que a Páscoa tenha sido boa

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    1. Está quase passada. Espero que a tua tenha sido boa.

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  6. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite e Boa semana!

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