Quingentésimo ano (57)



Na ribeira do Eufrates assentado,
discorrendo me achei pela memória
aquele breve bem, aquela glória,
que em ti, doce Sião, tinha passado.


Da causa de meus males perguntado
me foi: Como não cantas a história
de teu passado bem, e da vitória
que sempre de teu mal hás alcançado?


Não sabes, que a quem canta se lhe esquece
o mal, inda que grave e rigoroso?
Canta, pois, e não chores dessa sorte.


Respondo com suspiros: Quando crece
a muita saudade, o piadoso
remédio é não cantar senão a morte.




Comentários

  1. Bom dia, Cheia.

    Esplêndido soneto, mas agora não poderei fazer coro com ele que hoje é dia de fazer mil e uma coisas inadiáveis. Hoje e amanhã, com a consulta hospitalar da Mistral, vou ter de passar de fugida pelos blogs...

    Um abraço

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  2. Respostas
    1. Muito obrigado.

      Também lhe desejo uma boa semana, Maribel!

      Beijinhos

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  3. E quem canta
    o mal espanta
    Bela Semana pra vocês José.

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    1. É o que dizem, João.

      Boa noite e boa semana, para vocês com saúde e alegria.

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  4. Lá voltámos ao quem canta seus males espanta.
    Um resto de dia bom, José.
    Ainda está dia e já passa da seis da tarde. O ano começa a voar.

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    1. As duras lembranças de Babilónia e Sião.

      Bom resto de dia, Isabel.

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  5. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite e Boa semana!

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  6. Obrigada pela partilha.
    Beijinhos

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  7. Olá José!
    Na medida em que lia o soneto de Camões fui construindo a imagem do pensador, melancólico, que pela saudade tremenda canta as suas dores, neste caso a morte.
    Camões é de facto um poeta impressionante.
    Obrigada por mais esta partilha comemorativa do nosso poeta maior.
    Boa noite, José.
    Beijinhos

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    1. Bom dia, Mafalda!
      O estado moral do grande poeta, ao escrever estes versos, era o mesmo que lhe inspirou as belíssima redondilhas Babilónia e Sião.

      Bom dia.

      Beijinhos

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