O Império

O Império  -  As teias que o Império teceu


46


O Jeremias e a Leopoldina tinham começado a namorar, pouco depois do Januário ter  embarcado para o Brasil, planeavam casar-se assim que ele regressasse, mas ainda  não tinha tido coragem de lhe pedir a filha, em casamento


Muitos rapazes não se sentiam muito à vontade, para pedirem as namoradas em casamento, como se sabe, os pais são exigentes com os pretendentes das suas filhas, para eles, não há rapazes que mereçam as suas princesas


São capazes de todos os sacrifícios pela família: emigram, deixam a mulher e os filhos, vivem o sonho de lhes dar uma vida melhor, se necessário for, trabalham dia e noite


Quando lhes aparece, pela frente, um magarefe, que não conhecem de lado nenhum, ficam em pânico, não querendo de maneira nenhuma, abrir mão das suas filhas, que lhe deram tanto trabalho a criar


Temem que sejam mal tratadas, sabem que a violência doméstica é uma chaga incurável


Esquecem-se que, também, já tiveram de arranjar coragem para enfrentar os pais das suas namoradas, e alguns, nem sempre, as trataram bem, exigindo, depois, e bem, que as suas filhas sejam respeitadas


Então, vamos todos, primeiro, dar o exemplo, respeitando as nossas namoradas e esposas, para que as nossas filhas sejam tratadas como merecem: respeitadas e amadas


O Jeremias não teve outro remédio, senão arranjar coragem para pedir a mão da Leopoldina


O Januário gostou da maneira como o Jeremias lhe disse que ia tratar a sua filha, mas não deixou de lhe pedir que a tratasse com todo o amor e carinho, porque a filha, o filho e a esposa eram os seus tesouros


Mais uma vez, o Jeremias lhe garantiu que estivesse descansado, que ele respeitaria e amaria a Leopoldina, como se fosse a mais delicada flor que, para ele, também era o seu maior tesouro


Pediu-lhe que lhes desse autorização, para que dentro de um mês, começassem a viver juntos, como marido e mulher


O Januário respondeu-lhe, que por ele estavam autorizados. Mas que a Rosinha, também, tinha de autorizar. Assim, o melhor seria reunirem-se os quatro, para que todos dessem a sua opinião, para se ver se todos estavam de acordo


Na reunião familiar, em que também esteve presente o irmão da Leopoldina, todos concordaram, que a Leopoldina fosse viver com o Jeremias, e desejaram-lhes as maiores felicidades


A família, depois de anos atribulados, vivia tempos de muita felicidade, a Rosinha e o Januário já sonhavam com uma neta ou um neto


O desejo de quase todos os pais, que os filhos lhe deem essas perfumadas e bonitas flores.


Continua


 


 

Comentários

  1. Respostas
    1. Como saber quem nos quer bem e respeita, com tanta violência doméstica?

      Excluir
  2. Quem diria que a Rosinha e o Januário, de cujo primeiro encontro ainda me recordo tão bem, estivessem já a sonhar com um netinho?
    Até aqui, nas malhas que o Império tece, o tempo voa...

    Um abraço, Cheia!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O tempo passa a correr, e eles já passaram muitos anos juntos, os quais, levei um ano a descrever.
      Um abraço, Maria João!

      Excluir
    2. É obra, Cheia, conseguir levar todas estas personagens ao longo de tanto tempo!
      Outro abraço!

      Excluir
    3. Algumas, já estão a ficar velhotas, quando tiverem netos, está na altura de irem para os anjinhos.
      Mais abraço.

      Excluir
    4. Calma, não as mate já que as avós desse tempo tinham um papel importantíssimo na educação dos netos. Deixe-as cumprir o seu papel antes de as enviar para os

      Mais outro abraço

      Excluir
    5. Muito obrigado, pela preciosa dica. Hoje, as avós e os avôs podem não ter um papel importante na educação dos netos. Mas, em muitos casos, são eles que lhes dão habitação e pão. Tempos complicados.

      Mais um abraço.

      Excluir
    6. "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"... Outro será o papel dos avós de hoje, mas não menos pesado porque muitos continuam a ter de financiar os filhos que, ou estão no desemprego, ou têm salários que nem sequer lhes permitem arrendar habitação própria.

      Mais outro

      Excluir
  3. Grata pela partilha, José! :))
    Boa noite!

    ResponderExcluir
  4. Olá José!
    Com que e tão "magarefe'
    Aí ai que temos de ter muito cuidado com estes pretendentes para as nossas pequenas, que aos nossos olhos são mesmo umas princesas
    Depois da tempestade veio a bonança, e este Império continua na suas andanças, já deve estar a celebrar um ano a sua escrita em crónicas do Império?
    Muitos parabéns, José! Bela saga!
    Obrigada pelas partilhas.
    Beijinhos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Mafalda!
      Agradeço o seu interesse por estas teias. Comecei a escrevê-las a 12/2/2023. A primeira publicação foi a 23/3/2023. Não fazia a minima ideia do que iria escrever. Mas, nestes meses descobri muitos factos, que desconhecia. Continuo sem saber até onde irá esta aventura.
      Noite tranquila, Mafalda!
      Beijinhos

      Excluir
  5. Continuo deliciada, com esta novela. Sensibilidade e amor, sentimentos genuinamente puros e em vias de extinção. Adivinham-se novas personagens, e quantas mais se seguirão. Muitos parabéns, querido José, que obra tão rica.
    Desculpe a hora tardia, mas janeiro foi um mês muito ocupado e pouca a disponibilidade de passar por aqui.
    Beijinho grande.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom dia, Romi!
      Agradeço as amáveis palavras.
      Bom fevereiro.
      Beijinhos

      Excluir
  6. Felicidade e alegria
    é bonança a cada dia
    elo fim de Semana pra vocêsJosé.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom fevereiro para vocês, que vai quentinho, o que não é bom, porque fevereiro quente não é bom para ti, nem para o teu parente.
      Bom fim-de-semana, João.

      Excluir
  7. Felicidade e alegria
    é bonança a cada dia.
    Belo fim de Semana pra vocês José. E assim é que é

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado, João.

      Bom dia e bom fim-de-semana, com saúde e alegria.

      Excluir
  8. Há que haver respeito, para que no futuro não haja violência doméstica.
    Beijinhos José

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Temos de continuar a lutar, para que acabe a violência doméstica.

      Bom fim-de-semana, Manu!
      Beijinhos

      Excluir
  9. Finalmente, um episódio onde só há felicidade!

    ResponderExcluir
  10. Quase perdia este episódio
    Peço, por favor, que não leve a mal, tenho a certeza que concorda: a violência doméstica é chaga curável, e deve ser uma chaga intolerável
    Muito bom fim de semana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, é uma chaga intolerável. Desejo que tenha razão e que seja curada quanto antes, porque todos os anos, morrem muitas mulheres, devido aos maus tratos dos companheiros.
      Boa noite e bom fim-de-semana.

      Excluir
  11. Isto era mesmo assim. A minha mãe (que era das ilhas) conta que o pai estava constantemente a avisá-la sobre os "Continentais" que só queriam brincar com as filhas dos outros.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O seu avô tinha toda a razão. Muitas vezes estavam de passagem, e se as raparigas não tivessem cuidado, era elas que ficavam com os filhos nos braços.
      Boa semana, Inês!

      Excluir
    2. Verdade. Conhecemos todos histórias assim. Boa semana, José!

      Excluir
  12. Que venham os netos para daremainda mais alegrias à família.
    Excelente terça-feira.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É curso natural da vida.
      Também lhe desejo uma excelente terça-feira.

      Excluir

Postar um comentário