A sedutora
Lisboa! A sedutora
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Lisboa fervilhava de criados e criadas, enquanto as províncias iam ficando sem jovens, que já não se sujeitavam aos trabalhos do campo, onde labutavam os pais e os avós
Na grande cidade poucas mulheres trabalhavam, só as mais pobres, as outras, competia ao marido assegurar o rendimento, para o sustendo da casa, incluindo o contrato de criada ou criadas
Nos bairros chiques, as casas tinham porteira, e nas traseiras, as escadas em ferro (as escadas de serviço) por onde leiteiros, carvoeiros, padeiros, merceeiros ……….. transportavam, diariamente, os bens de primeira necessidade de que as famílias precisavam
Às porteiras competia a limpeza da entrada e escada interior, algumas tinham as chaves de todos os condomínios para que, caso os condóminos se esquecessem das suas, elas lhe abrissem a porta da casa
Na rua da Imprensa Nacional, uma porteira tinha muito brio em que a escada estivesse, sempre, a brilhar: ela lavava-a e dava-lhe cera, o marido puxava o brilho, viviam felizes por único filho andar no sétimo ano do Liceu, prestes a entrar para a Universidade, o que não era habitual, os filhos dos pobres chegarem ao ensino superior
Como sempre, há bons e maus patrões: os que respeitavam os rapazes e as raparigas, tratados com dignidade, como dizia o contrato verbal, mesa, cama e roupa lavada
Mas também havia quem lhes batesse, quem abusasse das raparigas, comer e cama indignos
Criadas e criados estavam numa situação muito fragilizada, sem familiares por perto, entregues à sua sorte, na grande cidade, dependentes da mesa e da cama, quase impossibilitados de dizerem não, sem horário de trabalho, nem feriados, nem férias
Nos estabelecimentos estavam afixados os horários de trabalho, mas era só para inglês ver
De anos a anos apareciam os fiscais do trabalho, para verificarem o horário de trabalho, se os empregados estavam inscritos na Caixa de Previdência, e no caso dos que trabalhavam com produtos alimentares era obrigatório ter cartão de sanidade
Para além dos criados e criadas, existiam os vendedores ou compradores com os seus pregões
A mulher da fava-rica:“ fava-rica, dos figos: “quem quer figos, quem quer almoçar”, a varina: “sardinha vivinha, da costa”, o homem do ferro velho: “quem tem trapos, jornais ou garrafas para vender”, e sem pregões, as lavadeiras de Caneças, que todas as semanas entregavam a roupa lavada e levavam a suja, e os vendedores de água de Caneças, em bilhas de barro
Não faltavam os peditórios para os Bombeiros Voluntários, para os Invisuais e para os Inválidos do Comércio: colocavam um carro em cima de uma camioneta, sem tapais, e vários homens abordavam os transeuntes e os lojistas, para lhes venderem as rifas, para o sorteio do carro
Nos anos 60 ter um carro era o sonho de muita gente, que só o conseguiria num sorteio ou na participação de um concurso
Somos muito solidários, mas com engodo, ainda, muito mais!
Continua
Lisboa de sins e nãos
ResponderExcluirbrejeira de sempre
e lavar de mãos, omnipresente
como em todas as cidades José
Bom e belo dia com alegria pra vocês
e à clareza do que li, os meus parabéns.
Bom dia, João!
ExcluirNão há flores sem espinhos.
Um bom dia para vocês, com saúde e alegria.
Bom fim de Semana com alegria
Excluirembora a manhã seja fria
neste bom dia
Bom dia, João!
ExcluirTambém vos desejo um bom dia e um bom fim-de-semana, com saúde e alegria.
beijos e continuação de feliz semana
ResponderExcluirMuito obrigado!
ExcluirBom dia e feliz semana, Ana!
Beijinhos
Parabéns José...isto é História. Quem diria que tão pouco tempo passou sobre esses acontecimentos, e hoje pouquíssimos os recordam.abraço e bom fim-de-semana
ResponderExcluirMuito obrigado!
ExcluirBom dia e um abraço.
Haja quem conte a vida como ela foi.
ResponderExcluirObrigada, José. Um dia bom.
Haja quem conte a vida com ela foi.
ResponderExcluirObrigada. José. Um dia bom.
Muito obrigado.
ExcluirBoa tarde, Isabel.
Desculpe-me a duplicação. Julguei não ter passado o primeiro.
ExcluirNão tem de pedir desculpa, acontece.
ExcluirBom resto de dia, Isabel
Em jovem, trabalhando, sempre tive cartão de sanidade. Outros tempos.
ResponderExcluir.
Cumprimentos cordiais e poéticos
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Sem dúvida! Tempos muito diferentes. Também tive cartão de sanidade, dos 12 aos 16 anos, enquanto trabalhei com produtos alimentares.
ExcluirBoa tarde.
Um abraço
Aqui Lisboa bem contada ... lembro-me de situações destas, até mesmo aqui no Funchal
ResponderExcluirBeijinhos, José
Feliz Dia
Muito obrigado!
ExcluirBoa tarde, Luísa!
Beijinhos
Excelente descrição da Lisboa antiga! Uma partilha escrita com tamanha vivacidade que me transportou até essas vivências que não tive mas que conheço de outras leituras e reportagens que vi.
ResponderExcluirObrigada José e um bom dia!
Uma escrita onde tento contar o que vivi e vi.
ExcluirEu é que agradeço as amáveis palavras.
Boa tarde, Ana!
Muito interessante, esta descrição de Lisboa noutros tempos! Espero que prossiga, contando como se mantém sedutora, até aos nossos dias
ResponderExcluirUma boa tarde
Está, cada vez, mais bonita e sedutora.
ExcluirFeliz dia.
Um retrato perspicaz de uma Lisboa de um certo tempo.
ResponderExcluirUma Lisboa que está em constantes alterações, como de resto acontece com quase tudo.
ExcluirBoa tarde, com saúde e alegria.
Que importante foi a conquista de direitos das empregadas domésticas! Gostei muito de ler todo este texto, José! Uma excelente parte 2.
ResponderExcluirMuito obrigado!
ExcluirBoa noite, Inês!
Boa noite José
ResponderExcluirObrigada pela partilha. Fico curiosa!
Feliz noite
Bjs
Muito obrigado!
ExcluirBom dia e bom fim-de-semana!
Beijinhos
E assim se mantém viva a memória de um povo
ResponderExcluirPara que os mais novos tenham uma ideia da evolução a que temos assistido.
ExcluirBom fim-de-semana.
E agora o mais difícil é manter um carro!
ResponderExcluirBom fim de semana! Abraço.
Mas ninguém passa sem ele!
ExcluirUm abraço.
Que Maravilha José
ResponderExcluirMuito obrigado!
ExcluirBoa semana!
Beijinhos
Nunca me canso dos teus poemas à nossa Lisboa!
ResponderExcluirQue encanto, amigo José!
Beijinhos, uma boa semana!
Muito obrigado!
ExcluirBoa semana, Sandra!
Beijinhos
Excelente partilha, José!
ResponderExcluirDia Feliz!
Muito obrigado!
ExcluirBoa tarde, Zé!
Tempos passados, boas memórias e fava rica!
ResponderExcluirAdorei ler.
Tudo de bom, caro amigo.
Bjs
Muito obrigado!
ExcluirFeliz resto de dia, Olga!
Beijinhos
A minha linda cidade.
ResponderExcluirLinda, encantadora, princesa.
ExcluirBom dia, Di!
Beijinhos