Postigo fechado

Mal dita pandemia


Quem diria


Que tanta gente mataria


Tanta gente desesperada


Tanta casa fechada


No jardim, no banco, não nos podemos sentar


Nem beber café ao postigo


Temos de estar em casa fechados


Podemos ir à varanda


Espreitar a vizinha


Ver se está acompanhada


A rua está sozinha


Nem homem das castanhas


Nem o artista de rua


Nem o arrumador de automóveis


Ela está completamente nua


Até as aves estão a penar


Não há um resto de bolo


Nem pão, nem miolo


Está tudo tão limpo


Tão desinfetado


Mas ninguém tem cuidado


Andam sem máscaras


Em multidão


Para poderem sair à rua


Alugam um cão


Gabam-se de a todos enganar


Menos o vírus


Que sem esperarem


Os faz pararem


Depois, queixam-se da má sorte


Nunca dizem que é a cabeça que não tem norte


Não acreditam na ciência


Só em milagres!


José Silva Costa


 


 


 

Comentários

  1. Uma descrição perfeita do que se passa.
    Bom dia, José.
    Beijo⚘

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    1. Uma grande tragédia!
      Feliz resto de dia, Maria!
      Beijinhos

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  2. Ontem alguém me dizia: "acho que não vou conseguir voltar a abraçar alguém. Acho estranho".

    Grande Abraço,

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    1. Também acho estranho. Os números são assustadores.

      Um grande abraço,

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  3. Tudo dito aqui nestas palavras em género de poema.
    Maravilhoso José

    Beijinhos
    Feliz Dia

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  4. Bom retrato de quem é socialmente irresponsável...:)))) abraço José

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    1. Os números, infelizmente, continuam a assustar.

      Um abraço,

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  5. Uma fotografia em palavras, de um presente soturno.
    Beijinhos

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  6. Respostas
    1. É tão grande a gravidade, que nem um milagre nos salva!

      Boa tarde e muita saúde.

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  7. Respostas
    1. Oxalá que sim!
      Muito obrigado pela sua visita.

      Boa semana!

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