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Petróleo

Depois de ter atingido os mil euros por barril, o petróleo acabou! Por todo o lado, em todo o mundo, tudo o que se movia com os derivados do petróleo vai parando, à medida que queimam a última gota de combustível, causando grande desespero a todas as pessoas. Depois da tentativa falhada dos biocombustíveis, devido aos motins contra a utilização de alimentos na fabricação de combustíveis, não nos restas outra alternativa que não seja voltarmos aos transportes de tracção animal. Milhões de automóveis amontoam-se por toda a parte, os aeroportos estão rasos de aviões, e as pessoas não dão descanso aos telemóveis. Durou apenas um século, a invenção que mais contribuiu para a nossa mobilidade individual, dando-nos a possibilidade de quase voarmos. O que fazer com o meu automóvel? Tantos dias e anos de companhia, para uma separação abrupta e definitiva. Milhões de pessoas não se conformam com esta situação, recusando-se a saírem das suas viaturas, arriscando-se a morrer de fome e sede. As cri...

A SECA

Almodôvar Vale de Estacas, 12/02/2005   A seca O dia é de primavera A noite de Inverno A chuva não aparece Tudo, com o frio, esmorece Não há erva, nem trigo As pessoas e os animais Sob o mesmo castigo! Que a água falte no verão Já o Alentejo está habituado Mas em pleno inverno É arder no inferno. Os ovinos e bovinos Com os focinhos Varrem os campos Acariciam o chão Tudo em vão Morrem de fome Naquela que era a melhor estação. Os Montes outrora, caiados, Estavam repletos de gente Agora, todos, desboroados. Nem a liberdade! Com os seus progressos: Estradas, água, luz Conseguiu evitar a debandada   Porque chegou atrasada. As modestas habitações Completamente desventradas Com as partes íntimas Em exposição: Ao vento, ao sol, à lua Num silêncio estarrece dor Ouvem-se as almas reclamar, Porque a iluminação pública Passa a noite a incomodar Quem, em vida, só tinha o luar! Que tristeza observar As velhas pedras a chorar Por não terem quem agasalhar: Nem mulher, nem homem Nem cão, nem gato, nem ...

A Guerra no Iraque

Armas de destruição maciça   Rodízio,12 de Julho de 2004   Sucumbem no ar ardente Nos grãos de areia quente Jovens na flor da vida Tingem a areia ferida. Ai Bagdad invadida Que tirania te tirou a vida?   Medicamentos por petróleo Imposição carregada de ódio Por quem representa o Mundo Mascarando amor profundo Matando um povo moribundo Com um embargo desumano.   Ai Iraque cobiçado Pelo petróleo amaldiçoado Por um tirano torturado. O   mundo levado ao engano Pelo ambicioso americano Para te roubar o tutano.   Nações Unidas Votando embargos urdidos Pelos Estados Unidos Para vergarem o povo unido Sem petróleo vendido Viver! Não lhe é permitido.   As civilizações ocidentais Defendendo liberdades vitais Vendo os iraquianos morrendo Sem medicamentos nos hospitais Choram lágrimas de crocodilo Só pensam no petróleo, nada mais.   O mundo munido Levou o tirano de vencido Destruiu   um país antigo Castigou   o seu   povo Não consegue consertar o ovo Que partiu sem consentimento.     José Silva Cos...

COLARES

Colares       Beleza de encantar Perfume para sonhar Vinho para saborear Debruçada nas varandas A ver a serra e o mar.   Na Várzea, sentada a namorar Embalada pelo rio a passar E, o eléctrico a transbordar De gente, de todo o mundo, a admirar Os monumentos, que a serra encerra.   O mar no azul a rebentar A praia a abarrotar Com o sol no altar A serra e Sintra enfeitadas com Colares.           José Silva Costa    

A Guerra em directo

A Guerra em Directo   A Primavera não trouxe flores A guerra só traz horrores As crianças gemem de dores As guerras são tumores.   As bombas nos televisores, As crianças jazem, sem dores. Os hospitais não têm dadores, Os aviões são vampiros voadores.   A câmara de filmar ensanguentada, O operador jaze morto, na estrada. A memória para sempre arrepiada Pela imagem, na televisão, passada.   A mãe beija a filha, que está magoada A criança abre os olhos, de assustada É a morte, pelo avião, anunciada, Foi o míssil, disparado, na madrugada.   O sangue corre pela estrada Na guerra a vida não vale nada Só, a morte merece ser louvada A guerra é, sempre, uma via desastrada.           José Silva Costa                      

Zibia e Sara

Na triste madrugada Zibia e Sara levadas pela enxurrada Numa ribeira murada Sem leito, nem margens Só lhe restava a estrada A ribeira corria magoada No aperto, apertada, galgou a estrada. As irmãs estavam excitadas No primeiro dia não podiam chegar atrasadas As crianças ficaram deitadas NUnca mais, pelas mâes,serão embaladas.     José Silva Costa  

Cheias

Cheias   Na triste madrugada Zibia e Sara levadas pela enxurrada Na estrada inundada Corria uma ribeira murada Sem leito, nem margens Só lhe restava a estrada A ribeira corria magoada No aperto, apertada, galgou a estrada As irmãs estavam excitadas No primeiro dia não podiam chegar atrasadas Pagaram com as suas vidas A ganância, a corrupção, a desenfreada construção Autorizada nos leitos dos rios Quem responde por sucessivas calamidades? Deixaram cinco órfãos Que triste sorte A chuva trouxe a morte Mais uma vez, e outra, e outra Não temos emenda Continuamos a votar em corruptos Para presidentes de Câmara, e não só.   José Silva Costa