Cheias

Cheias


 


Na triste madrugada


Zibia e Sara levadas pela enxurrada


Na estrada inundada


Corria uma ribeira murada


Sem leito, nem margens


Só lhe restava a estrada


A ribeira corria magoada


No aperto, apertada, galgou a estrada


As irmãs estavam excitadas


No primeiro dia não podiam chegar atrasadas


Pagaram com as suas vidas


A ganância, a corrupção, a desenfreada construção


Autorizada nos leitos dos rios


Quem responde por sucessivas calamidades?


Deixaram cinco órfãos


Que triste sorte


A chuva trouxe a morte


Mais uma vez, e outra, e outra


Não temos emenda


Continuamos a votar em corruptos


Para presidentes de Câmara, e não só.


 


José Silva Costa

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